5 de agosto de 2011

Os desafios impostos pela UEFA

«Com o apertar das regras impostas pela UEFA, o debate sobre o nosso futebol juvenil voltou à mó de cima e, mais uma vez, somos confrontados com a falta de jogadores oriundos da formação no nosso plantel. Ponto prévio: o visão 611 terminou sem resultados práticos e apesar da lógica desse projecto, temporada após temporada assistímos à partida de jogadores que facilmente podiam ter sido uma alternativa válida e igualmente, à contratação sem grande critério de jogadores medianos, oriundos do mercado sul-americano e cujas capacidades foram sempre altamente questionadas.

Históricamente, sempre apostamos na nossa formação e no recrutamento de jogadores jovens e baratos, recordo-me por exemplo da equipa campeã nacional em 1978, contava com jogadores da casa como o Rodolfo Reis, Fernando Gomes, Gabriel, António Oliveira, outros como Octávio Machado, Teixeira e Freitas, apesar da não terem sido formados no clube, já faziam parte do plantel desde meados da década de 70 e, a continuidade desta política, que tão bons resultados deu na década de 80, foi subitamente abandonada com a chegada de dois técnicos estrangeiros, Carlos Alberto Silva e Bobby Robson, que juntamente com a abertura do mercado devido à lei Bosman, marcou a grande viragem na formação do nosso plantel; é certo que os resultados do final da década de 90, a implementação definitiva do clube a nível nacional e claro está, o declínio dos nossos rivais, ajudaram a vincar essa aposta, que, teve o seu primeiro grande estouro no final do ciclo Fernando Santos e Octávio, obrigando a nossa estrutura a mudar radicalmente a formação do plantel para um misto de jogadores jovens, oriundos do campeonato nacional com alguns estrangeiros, de qualidade comprovada e já com traquejo em ligas Europeias, dando origem à sequência mais espectacular do futebol Português, o domínio do FCP na Europa em 2003 e 2004.

A era Mourinho e os seus sucessos levaram a uma nova mudança no planeamento, desta vez originada pelo novo riquismo do pós-Gelsenkirchen e que se vem arrastando até agora, uma aposta feliz em termos desportivos mas será que o futuro do clube, enquanto potência Europeia não ficou em causa? Será que vamos passar a contratar jogadores por preços cada vez mais elevados e sem grandes hipóteses de retorno? (o fair-play financeiro assim o obrigará); os valores do clube dentro das quatro linhas não serão perdidos em consequência da falta da aposta na formação e jogadores com conhecimento sobre o clube? O que vamos fazer quando a regra 6+5 e do número fixo de jogadores no plantel, formados pelo clube, entrarem em vigor?

A solução para a revitalização da nossa formação passará certamente pela criação da equipa "B", por uma política clara e concisa sobre como integrar os nossos miúdos no plantel principal e... a própria situação económica, cada vez é mais complicado encontrar financiadores, o mercado ligado ao futebol está cada vez mais dependente de mecenas e quando estes não abrem os cordões à bolsa, condicionam todo o mercado e levam-nos por arrasto, quando é certo e sabido que todas as temporadas somos obrigados a abdicar de dois, três jogadores nucleares e são essas mesmas vendas que seguram o nosso orçamento, ano após ano.

Uma coisa é certa: vamos apostar na nossa formação, falta saber quando e, se por vontade própria ou porque vamos chegar a um ponto em que não vamos ter outra solução, tal como aconteceu com o Sporting e com as consequências sobejamente conhecidas.»
Texto retirado do Fórum Somos Porto, originalmente escrito pelo utilizador "Lucho".

A questão da regra 6+5 e do fair-play financeiro que a UEFA pretende introduzir no futebol europeu pode influênciar o rumo do futebol. Depois de ler este texto, o que acha sobre esta questão? Será que o nosso clube estará preparado quando esse dia chegar?

Para acompanhar o debate, ou até participar dele, clique AQUI. Inscreva-se e dê a sua opinião!