11 de dezembro de 2013

As 31 decisões de Pinto da Costa

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8 de dezembro de 2013

Uma imagem vale mais que mil palavras - 07/12/2013

Negar as evidências


A vitória no jogo desta jornada parecia impossível ao fim de 45 minutos. Com apenas um remate à baliza do Braga, o FC Porto voltou a estar longe daquilo que pode fazer e foi completamente dominado por uma equipa que, mesmo tendo qualidade, é claramente inferior aos tricampeões. No entanto - e para espanto de todos -, ao intervalo, mais que trocar Lucho por Carlos Eduardo, o treinador deixou o 4-2-3-1 de lado e mandou a equipa em 4-3-3 para a segunda parte. Embora o negue, Paulo Fonseca fez Defour jogar como único médio-defensivo e Herrera jogou em terrenos mais adiantados, lado a lado com Carlos Eduardo. Curiosamente, todos os jogadores do FC Porto subiram de rendimento e o Braga foi completamente subjugado. Quatro meses e 45 minutos depois, o técnico azul-e-branco decidiu apostar no sistema que os jogadores tão bem sabem interpretar.

Comparar a primeira parte para a segunda é como comparar a água para o vinho. Este jogo serve de lição e espero que o Paulo Fonseca perceba que no FC Porto não tem de se adaptar à forma do adversário jogar, mas sim que tem de jogar de forma a que sejam os adversários a terem de se preocupar com a forma como o FC Porto joga. Aqui não se dá a iniciativa ao oponente como aconteceu na primeira parte, aqui assume-se o jogo e domina-se o adversário como aconteceu na segunda. Sem duplos-pivots, sem um 10 que mais parece outro ponta-de-lança, sem disparates na defesa, , sem faltinha atrás de faltinha, com inteligência, com agressividade, com movimentações e trocas constantes. No fundo, com qualidade.

O 4-3-3 esteve lá e ganhou sem espinhas. O treinador recusa assumir abertamente que foi isso que aconteceu. Tudo bem, mas na quarta-feira em Madrid, mesmo negando-o, seria um sinal de inteligência apresentar a equipa tendo Fernando como único médio mais recuado. Voltar ao 4-2-3-1 seria mais que teimosia ou burrice juntos, seria suicídio e uma prova de incompetência.

PS: Parece que o mau momento do Jackson continua - mais dois golos.

3 de dezembro de 2013

Acreditar para vencer

Jorge Jesus disse na passada terça-feira que o Benfica tinha de vencer para acreditar. No FC Porto as coisas processam-se de outra maneira, aqui é preciso acreditar para vencer.

O que temos visto em campo ao longo desta época é uma equipa do FC Porto que não acredita em si própria, que desconfia se será capaz, que desconfia das opções do seu treinador. O resultado está à vista e teve no jogo de Coimbra o seu ponto mais baixo. Isto fez Paulo Fonseca ponderar, admitir os seus erros e colocar o lugar à disposição. Pinto da Costa segurou-o. O presidente acredita no treinador, acredita que este tem o que é preciso para corrigir o que tem feito de mal e levar o FC Porto ao seu destino: vencer.

Segundo a imprensa, o treinador do FC Porto admitiu perante alguns elementos da SAD, os capitães e um pequeno grupo de adeptos que se tinha equivocado em algumas coisas, desde a forma como quer que a equipa jogue até à forma como trata os problemas com o plantel. Terá sido este mea-culpa que fez Pinto da Costa dar um voto de confiança ao treinador? Acredito que sim.

Parece que Paulo Fonseca finalmente percebeu que os problemas da equipa que orienta estão longe de ser apenas a finalização e que, ultrapassando esse problema, está longe de ser uma equipa quase perfeita. É preciso acertar o meio-campo que teima em não acertar em 4-2-3-1, é preciso ser mais rápido a agir a partir do banco e é preciso castigar com a perda da titularidade os maus desempenhos constantes. Isto compete ao treinador corrigir o mais rapidamente possível, o resto compete à SAD.

A partir do momento que o treinador apresentou a sua demissão e a Administração decidiu recusá-la, esta passa a ser a única responsável pelo que acontecer a partir desse ponto. Assim sendo, além do voto de confiança, é preciso que a SAD ajuste também o plantel já em Janeiro. A falta de um extremo era visível há muito e é com bons olhos que vejo o provável regresso de Quaresma ao Dragão.

Agora que SAD e treinador parecem ter admitido as suas falhas e estão empenhados em corrigi-las, cabe aos portistas ter mais um pouco de paciência e acreditar que é possível.

1 de dezembro de 2013

Uma imagem vale mais que mil palavras - 01/12/2013

«Estavas a cinco, Fonseca, a cinco!»

A derrota em Coimbra não me surpreendeu nada, só me espantou que tenha demorado tanto a chegar. Jogar contra o FC Porto de Paulo Fonseca é tão fácil como seria adivinhar em qual copo se encontra a bola sendo estes transparentes. Os jogadores não jogam o que sabem, nem sabem o que jogam. Ao fim de 19 jogos, não há ainda fio de jogo e a jogada-tipo é um passe longo da defesa para o Jackson. A segurança defensiva é um mito e a equipa faz tudo em esforço. Qualquer equipa treinada por um Sérgio Conceição qualquer consegue anular um FC Porto que joga em 5-0-5, com Fernando como quinto defesa e Lucho como quinto avançado.

Sendo eu ainda jovem, estou pela segunda vez a pedir a demissão de um treinador. Até à data de hoje, apenas Octávio Machado mereceu esse desejo por minha parte. A SAD equivocou-se ao escolher Paulo Fonseca, ao escolher alguém que tinha como sistema de jogo preferido algo muito diferente do 4-3-3 que fez do FC Porto aquilo que é hoje e que não teve a inteligência de aproveitar o trabalho do antecessor. Pior, no jogo frente à Académica vimos a equipa iniciar o jogo em 4-2-3-1, com a entrada do Licá tentou jogar em 4-4-2 - que na realidade foi o tal 5-0-5 que já falei - e terminou em 3-3-4. Parece que todos os sistemas são válidos, a única excepção será mesmo o 4-3-3.

Neste momento manter Paulo Fonseca não será um sinal de estabilidade, mas sim de teimosia por parte da SAD. A diferença de cinco pontos para o(s) segundo(s) classificado(s) foi anulada em três jornadas consecutivas e o Estádio do Dragão viu a sua pior fase de grupos da Liga dos Campeões. Seria difícil para qualquer treinador que entrasse agora fazer pior. Para mim o cenário é fácil: ou a SAD corrige o erro inicial e demite Paulo Fonseca, ou os portistas devem considerar deixar de lado a contestação ao treinador e apontar para quem insiste em mantê-lo no comando da equipa.

Neste momento só me vem à cabeça a imagem daquele benfiquista que na época 2011/2012 gritava desesperado para Jorge Jesus: "Estavas a cinco, a cinco!".

28 de novembro de 2013

O eclipse de Jackson

Desde o inicio da época que a generalidade dos portistas se queixa de Jackson. Dizem que está mais trapalhão, mais desconcentrado, menos eficaz. Daí até ligarem isso aos problemas com a renovação do contrato para alegarem uma eventual insatisfação foi uma questão de segundos. Vamos a números:

Golos em 2012/2013 ao fim de 18 jogos
FC Porto - 40
Jackson - 12

Golos em 2013/2014 ao fim de 18 jogos
FC Porto - 30
Jackson - 12

Olhando à frieza dos números - que neste caso falam por si próprios -, o colombianos passou a ser o responsável por 40% dos golos portistas quando no mesmo número de jogos da temporada passada esse valor era de 30%.

Parece-me perceptível para toda a gente que o FC Porto se encontra pior em todos os aspectos quando comparado com a época 2012/2013 mas, no entanto, Jackson mantém a média de dois golos a cada três jogos (nos 18 primeiros jogos) aumentando assim a sua preponderância na equipa.

"O Jackson Martínez foi o Atleta do ano mas, mais do que do que Atleta do Ano, deve ser considerado o homem do ano. Pela maneira de ser, pela sua seriedade, pelo profissisonalismo, pelo espírito de colectivo que sempre demonstrou", palavras de Pinto da Costa durante a última gala dos Dragões de Ouro. Já todos devíamos saber que Pinto da Costa não diz nada por acaso...

27 de novembro de 2013

O que é a crise do Porto?

«Como outros antes dele, Paulo Fonseca atravessa um ano zero especialmente doloroso. A herança era menos pesada do que as de outros tempos e o início até sugeriu exactamente o contrário: 6 vitórias seguidas, com uma Supertaça, liderança isolada da liga e estreia forasteira a ganhar na Europa. É verdade que o futebol não correspondia aos números cor-de-rosa, mas contra factos não há argumentos e esperou-se, no fundo, que os fins potenciassem os meios. Os pontos não eram consequência do jogo capaz, mas podiam vir a ser a sua causa. O encantamento durou até onde pôde, isto é, até à relva onde toda a gente está condenada a cair na realidade: a dos Campeões.
Foi a partir do jogo com o Atlético que tudo pareceu cru: o constrangimento da defesa, o dilema existencial no miolo, a falta de talento nas alas, a crise de Jackson, a incapacidade de impelir a equipa a partir do balneário, a letargia no banco, o discurso pobre do treinador. Os portistas acordaram do coma induzido em que se tinham deixado levar com aquela sensação de quem está a cair no vazio e, desde aí, não mais pararam de esbracejar. Numa equipa bamboleante, esses embalos foram as asas de borboleta que precipitaram o resto do furacão. Nos últimos 7 jogos, o campeão só ganhou 2. A vantagem na liga caiu para 1 ponto e, com toda a gente a ver, veio a maior de todas as lesa-majestades: a pior campanha caseira da História do clube na Liga dos Campeões, que torna a qualificação em não mais do que um rabisco teórico, dependente, quanto muito, de dois milagres. 
Mas o que é, afinal, a crise do Porto? É só o treinador? Dificilmente costuma ser assim tão simples. A verdade é que, em Portugal, paciência é a antítese de qualquer idiossincrasia futebolística. Paulo Fonseca continua a ser o treinador que cometeu o estapafúrdio de levar o Paços de Ferreira a uma Liga dos Campeões e essas são coisas que raramente acontecem por acaso. Tem mais trabalho feito, por exemplo, do que Mourinho ou Villas-Boas quando assumiram a cadeira. Contudo, o que pareceu aos portistas uma ideia simpática de Verão, tornou-se numa bandeira revolucionária nos idos do Outono, quando, mesmo com a afectação europeia, não estamos perante nenhum escândalo. Vítor Pereira passou exactamente pelo mesmo e entregou um bicampeonato, ao ponto de hoje andar a ouvir o "volta que estás perdoado". Paulo Fonseca pode não ser o melhor treinador do mundo, mas não há tempo, nem acidentes suficientes, para dizer que é o pior. 
Depois, há um facto de que só se fala de um jeito envergonhado, mas que tem tanta raridade, quanto peso: o departamento de futebol falhou de forma indiscutível na preparação do plantel. O Porto perdeu o jogador mais "insubstituível" da equipa e o seu único desequilibrador de classe mundial; para os seus lugares, apostou em dois mexicanos mais caros do que era suposto e em sete jovens da Liga. Não é propriamente a mesma coisa. Que a capacidade de investimento não seja a de outros tempos, toda a gente compreende. Que o scouting se permita a um ou dois equívocos, é o mínimo para quem tem acertado tantas vezes. Que se encare uma época de transição a substituir Moutinho e James por rapaziada do Paços e do Estoril, não. 
Dito isto, acho que Paulo Fonseca não tem estado à altura. Desde logo, tem falhado no discurso e na maneira de estar. Em todas as oportunidades, foi provinciano na questão das arbitragens e, quanto à capacidade de contagiar a equipa, nunca chegou a ser mais do que opaco, da sala de imprensa ao banco. Jesualdo, mesmo que não fosse de topo, parecia sempre falar a sério. Villas-Boas era um treinador-modelo que dispensa apresentações. Vítor Pereira, mesmo com todas as aflições, parecia ao menos sentir sempre alguma coisa. Paulo Fonseca limita-se a parecer estremunhado... e a equipa joga como ele. Para além disso, é hoje evidente que a sua refundação táctica foi um fracasso. 
O Porto jogava com o mesmo desenho desde que me lembro. Fonseca chegou e assumidamente mudou. Mexeu no miolo, na saída de bola, passou a pedir mais construção atrás, aproximou um médio do ataque. Como num semestre mau, porém, ninguém percebeu muito bem o que o professor queria. E quem percebeu, não sabe fazer. O Porto, de tractor que enchia cada molécula do campo, num futebol quase científico, passou a ser um grupo de bons rapazes no recreio, a tentar resolver os seus problemas ad hoc, com o que estiver mais à mão, à espera de um 'eureka!' qualquer que lhes redescubra a pólvora de todas as vezes. Diz-se que um treinador deve ganhar ou perder com as suas ideias; ter querido reinventar o Porto, no entanto, é em si mesma a razão porque não se estava preparado para o cargo. 
A História diz que a estrutura do clube aguenta quase tudo, e ninguém ficará muito surpreendido se Paulo Fonseca acabar campeão. Resta saber se ele também aguenta e, mais importante, se vale sempre a pena arriscar até ao dia.»
Texto copiado na integra do blog Tu Não Lideras Bem com o Sono

Embora não concorde com todas as ideias, pareceu-me oportuno partilhar esta análise feita por alguém que, não sendo portista, está a analisar as coisas de forma mais fria. O texto fala por si.

Uma imagem vale mais que mil palavras - 26/11/2013

25 de novembro de 2013

O legado de Moutinho


Enquanto esteve no FC Porto, Moutinho foi dono e senhor do meio-campo. Foram três épocas sempre em grande nível que tornaram a sua substituição motivo de preocupação para todos os portistas. Na época passada, quando o internacional português se lesionou, Defour foi o escolhido por Vítor Pereira para ocupar a vaga aberta no meio-campo mas os resultados não foram muito positivos. Embora não houvessem grandes alternativas, a troca de um construtor de jogo por um médio área-a-área trouxe prejuízo à qualidade de jogo praticado pelo FC Porto.

Ao assinar contrato com os Dragões, Paulo Fonseca já sabia que tinha sobre os seus ombros a responsabilidade de arranjar uma solução para um meio-campo que acabara de perder o maestro dos últimos três anos. E aqui começam os problemas do FC Porto 2013/2014. O novo treinador optou passar por cima do trabalho que começou a ser desenvolvido por André Villas-Boas e teve continuidade com Vítor Pereira, alterando o posicionamento e a dinâmica dos médios e, por consequência, de toda a equipa.

Jogar com dois médios-defensivos - embora um tenha liberdade para se envolver no ataque - tem sido um equívoco. Quando a equipa está a defender perde um médio, que em anos anteriores ajudava o ataque a pressionar o a saída de bola do adversário, por este recuar para a linha de Fernando que há vários anos vai mostrando que não precisa do apoio de ninguém a tempo inteiro naquele sector. Mas isto é só uma parte do problema.

No que à substituição directa diz respeito, ao sair Moutinho, quem seria a melhor solução? Defour? Ou o recém-chegado Herrera? Para mim, nenhum dos dois. Como já referi, no passado a troca de um construtor de jogo por um médio área-a-área não trouxe os resultados esperado, Paulo Fonseca devia ter tido isso em conta e testado outras alternativas durante a pré-época. Danilo seria o meu favorito, seguido por Josué, Carlos Eduardo e Izmaylov.

No inicio da época, seria de apostar em Fucile para a direita da defesa - o uruguaio até fez um bom jogo na Supertaça - e adiantado Danilo para o meio-campo. Ricardo ficaria como alternativa, podendo o próprio Defour ser testado na posição. Actualmente, face ao momento de forma de Danilo, seria um pouco arriscado adiantá-lo no terreno e chamar Ricardo ou Víctor García à titularidade, uma vez que Fucile é carta fora do baralho. Assim sendo, a opção mais sensata seria utilizar outro jogador no meio-campo.

Com Izmaylov fora de combate há dois meses e Josué a jogar nas alas para compensar o erro que foi não contratar um extremo, resta apenas Carlos Eduardo. Aqui Paulo Fonseca voltou a dar um tiro nos pés ao não inscrever o ex-Estoril na lista da UEFA - situação que deverá ser corrigida em Janeiro. O brasileiro tem mostrado, quer pela equipa B, quer pela formação principal, que tem valor para se assumir como titular no FC Porto, falta o treinador ganhar coragem e apostar seriamente nele.

Existe ainda a opção de usar Quintero na função que tem sido atribuída a Josué, que é basicamente o que fazia James no passado: jogar como falso extremo e participar no ataque a partir da ala. Assim sendo, o treinador ganha em Josué mais uma opção para um meio-campo que tem sentido enormes dificuldades na saída de bola e que acumula passes errados em zona proibida.

A ausência de alternativas indiscutíveis para as alas ofensivas é indiscutível, mas isso não legitima que Paulo Fonseca destrua todos os sectores da equipa e muito menos o futebol miserável que temos assistido. Desde cedo se percebeu que esta maneira de jogar estava a prejudicar os jogadores e que o treinador não estava a saber tirar partido das alternativas que tem ao seu dispor. Cerca de três meses após o arranque da temporada, exige-se que haja mais audácia do que ir alternando entre Defour e Herrera num modelo que, aliado a uma mentalidade pequenina, já mostrou não servir para o FC Porto.

Uma imagem vale mais que mil palavras - 23/11/2013

23 de novembro de 2013

Tantas vezes vai o cântaro à fonte...

...que algum dia lá deixa a asa.


Hoje Otamendi não foi protegido pela sorte que o costuma acompanhar e o disparate que cometeu ficou directamente ligado ao golo que fez o FC Porto perder dois pontos.

A equipa veio com uma ligeira alteração táctica e na forma de jogar, mas a atitude negligente após se encontrar em vantagem mantém-se inalterada. Paulo Fonseca demora uma eternidade a perceber o que está a acontecer e a mexer na equipa para corrigir o que está mal.

O FC Porto continua a defender de forma deficiente e a permitir que o adversário saia em contra-ataque em igualdade e, não raras vezes, superioridade numérica. Hoje, um Nacional da Madeira mais racional, mesmo com apenas 23% de posse de bola, teria vencido. Apesar disso, acabou por ganhar um ponto num lance de sorte, mas o aviso já havia sido dado por várias vezes ao longo do jogo.

A exibição, ofensivamente, foi positiva até ao 1-0 e é claro que foi o FC Porto quem mais fez por levar os três pontos. No entanto, Paulo Fonseca tem de pensar seriamente em fazer alterações no onze base. Otamendi e Varela têm estado numa forma péssima e há muito que a aposta neles deixou de ser um voto de confiança para ser um prémio à displicência. Maicon, Reyes, Ricardo e Licá têm valor e não podem continuar de fora quando os habituias titulares estão a jogar tão mal.

Neste momento o FC Porto é uma equipa perto do desespero - como mostra a subida do Helton à grande-área adversária quando o campeonato nem a meio vai - e com cada vez menos margem de erro. Com a concorrência a jogar mal, os Dragões só não se encontram com seis ou sete pontos de vantagem para o segundo classificado por culpa própria. É imperial que se assumam os erros e se pare de sacudir a água do capote. O discurso do "ainda vamos na frente" já esteve mais longe de ser mentira...

20 de novembro de 2013

Sorteio da Taça da Liga 2013/2014

Sporting, Marítimo e Penafiel. Foram estes os adversários que calharam em sorte ao FC Porto para a fase de grupos da Taça da Liga 2013/2014.


Todos nós sabemos que não é hábito do FC Porto apostar forte na Taça da Liga mas, no entanto, este ano, face ao sorteio, existe uma motivação extra: terminar prematuramente a época do Sporting. O clube presidido por Bruno de Carvalho tem vindo a colocar-se em bicos de pés - fora de campo, porque lá dentro não basta falar muito... -, por isso não haverá nada melhor do que ir a Alvalade comprometer-lhe a continuidade na Taça da Liga, que a par do campeonato - veremos até quando - são as únicas competições que os Leões podem vencer após não se terem apurado para as competições europeias e terem sido já eliminados da Taça de Portugal.

Com os jogos espaçados por sensivelmente uma semana entre eles (Olhanense no Dragão para o campeonato, Sporting em Alvalade para a Taça da Liga, eliminatória da Taça de Portugal a sortear na próxima sexta-feira e Benfica na Luz para o campeonato), não existe a necessidade de poupar jogadores durante este ciclo. Muito provavelmente até se aconselha o contrário para que os habituais titulares não percam o ritmo de jogo.

Existe ainda a aliciante de poder receber o Benfica nas meias-finais desta mesma Taça da Liga, uma vez que ficou estabelecido que o vencedor do Grupo B, onde se encontra o FC Porto, receberá o vencedor do Grupo D, onde estão inserido Benfica, Nacional, Gil Vicente e Leixões.

Num grupo de quatro equipas onde se disputa apenas um jogo entre cada uma delas e só o primeiro classificado se apura para a fase seguinte, qualquer mau resultado pode ditar o afastamento da competição. Assim sendo, FC Porto e Sporting terminam o ano de 2013 com a possibilidade de praticamente impedirem um rival de conquistar um troféu. Espero que Paulo Fonseca não conceda facilidades à equipa verde e branca.

Jogos do FC Porto (datas e horários ainda provisórios):

Sporting - FC Porto, 29 de Dezembro de 2013 às 16:00
FC Porto - Penafiel, 15 de Janeiro de 2014 às 16:00
FC Porto - Marítimo, 25 de Janeiro de 2014 às 16:00

19 de novembro de 2013

Assinem a Petição

Enquanto a Selecção de Portugal se prepara para defrontar a congénere sueca por uma vaga no Mundial do Brasil, enquanto Jorge Jesus é julgado por agredir um policia, enquanto os sportinguistas aplaudem mais um monólogo enraivecido do (ao que parece) maior presidente da história daquele clube, enquanto os anti-portistas primários se masturbam enquanto lêem e especulam sobre as notícias do internamento de Pinto da Costa, outros há que meteram mãos à obra. Noutro sentido, claro.

Corre uma petição online a exigir a - e passo a citar - "Devolução do Centro de Estágio do Olival(CTFD O/C), Equipamento Público aos contribuintes portugueses". Como uma mentira repetida muitas vezes não passa a ser verdade - a não ser talvez na cabeça de quem assim o pretende -, não será por alguns iluminados alegarem que o FC Porto paga "500 euros por mês, sendo todos os custos por conta do erário público por iniciativa de Luis Filipe Menezes" que isto se torna realidade.

Apelo a todos os portistas que assinem e divulguem esta petição. Vamos ajudar esta iniciativa a ganhar força para que, de uma vez por todas, alguém se dê ao trabalho de mostrar a esta gente que não é por um idiota qualquer levantar um rumor contra o FC Porto que este deixará de ganhar.

Enquanto a Selecção de Portugal se prepara para defrontar a congénere sueca por uma vaga no Mundial do Brasil, enquanto Jorge Jesus é julgado por agredir um policia, enquanto os sportinguistas aplaudem mais um monólogo enraivecido do (ao que parece) maior presidente da história daquele clube, enquanto os anti-portistas primários se masturbam ao lerem e especularem sobre as notícias do internamento de Pinto da Costa, o FC Porto continua em silêncio a preparar-se da melhor maneira possível para os jogos que estão à porta. É que, como diz o povo, quem muito fala pouco acerta e, todos nós sabemos, conversa não enche barriga.

15 de novembro de 2013

Novo fcporto.pt

O site oficial do FC Porto era das poucas coisas que reunia unanimidade entre os portistas: era um verdadeiro desastre. O design estava ultrapassado e a informação desactualizada, algo impensável em pleno Século XXI.

Hoje o clube colocou online uma nova versão do fcporto.pt. Além do novo grafismo, existe agora uma nova variedade de conteúdos. Os jogadores da equipa principal têm uma ficha individual, pode consultar a agenda e calendário oficiais do clube, dar uma vista de olhos nas fichas de jogo, ver a classificação de Primeira e Segunda Liga, aproveitar a nova zona dedicada aos adeptos com vários conteúdos multimédia ou consultar o palmarés actualizado da equipa de futebol profissional. No entanto, o maior destaque vai para a renovada loja online que, à primeira vista, se encontra bem mais organizada e actualizada que a anterior e para a zona dedicada à história do clube.

Existem alguns aspectos a melhorar, tais como as secções da Equipa B, Formação ou Modalidades, que se encontram ainda bastante incompletos. Agora é preciso que o site não caia no esquecimento e que seja actualizado - tanto a nível gráfico como de conteúdos - de forma rápida e eficaz, algo que não acontecia com o anterior.

10 de novembro de 2013

Uma equipa pequena com jogadores de equipa grande


Tenho cada vez menos paciência para isto e mais tristeza ao ver esta equipa jogar. Sim, continuo a acreditar que podemos fazer uma boa época - mesmo com a Champions presa por um fio - mas no momento actual olho para aqueles rapazes de camisola azul e branca e não vejo o verdadeiro Porto.

Também me cansa estar sempre a dizer a mesma coisa jogo após jogo. Joga-se com uma mentalidade muito mais próxima à de uma equipa pequena do que "à Porto". Aliás, jogos "à Porto" foi coisa que raramente vi esta época, quanto muito vi em certas fases de alguns jogos.

Não se dá primazia à posse bola? Ok, tudo bem, mas acertem os poucos passes que querem fazer. Baixam-se as linhas depois de chegar à vantagem? Aceito, mas não deixem o adversário rematar uma, duas, três, quatro (etc...) vezes, não se ponham tanto a jeito. Porque se os executantes do Vitória são de baixa qualidade, aqueles que jogam connosco a meio da semana não são. Não é preciso nenhum milagre para sofrer um golo e olhando às palhaçadas que têm feito na defesa já deviam ter percebido isso.

Por variadíssimas vezes, acabamos por ser superiores aos adversários não por aquilo que fazemos como equipa, não pela coesão que demonstramos a todos os níveis, não pela forma como não deixamos o opositor chegar perto da área. Vencemos porque temos melhores jogadores, de melhor qualidade.

As fases do jogo com bom futebol colectivo têm de ser a regra, não a excepção. Oxalá a paragem para os compromissos internacionais sirvam para a equipa fazer um "reset" e regressar mais próxima àquilo que é esperado. Já sabemos que houve erros na construção plantel, mas continuamos a ter qualidade mais do que suficiente para jogar bom futebol.

7 de novembro de 2013

Marcar, recuar, adormecer e sofrer


22 de Setembro de 2013, Estoril 2-2 FC Porto. Licá faz o 1-0 para o FC Porto, Evandro empata de penalti, Jackson pões os Dragões de novo em vantagem e Luís Leal faz o resultado final ao minuto 80.

1 de Outubro de 2013, FC Porto 1-2 Atlético de Madrid. Jackson faz o 1-0, Godín e Arda Turan marcam os golos do Atlético já na segunda parte.

22 de Outubro de 2013, FC Porto 0-1 Zenit. Kerzhakov fez o único golo do jogo.

2 de Novembro de 2013, Belenenses 1-1 FC Porto. Mangala inaugura o marcador e, minutos depois, oferece o empate à equipa da casa.

6 de Novembro de 2013, Zenit 1-1 FC Porto. Lucho põe os Dragões em vantagem e Hulk fecha o resultado cinco minutos depois com uma oferta de Helton.

A incapacidade da equipa portista em segurar uma vantagem de forma segura é preocupante. Olhando apenas para as não-vitórias, facilmente se repara que o FC Porto esteve em vantagem em quatro delas. Aliás, à excepção da derrota caseira frente ao Zenit - que vou quase ignorar neste post devido à particularidade da mesma -, os Dragões marcaram a todos os adversários e apenas por uma vez (Vitória de Setúbal) não foram quem inaugurou o marcador.

Há vários factores a dar origem a este problema. Quando em vantagem, a equipa de Paulo Fonseca baixa o ritmo de jogo e, gradualmente, vai descendo no terreno dando a iniciativa ao adversário. Já toda a gente deve ter ficado com a sensação que este ano o FC Porto é uma equipa mais faltosa do que nos últimos anos. Essas faltas, muitas vezes desnecessárias, têm sido aproveitadas pelos adversários para criar constante sobressalto à baliza habitualmente defendida por Helton. Faltas em zona perigosa que dão origem a cantos, mais faltas, penaltis e... golos.

Outro efeito secundário do bloco baixo é a forma como agrava as perdas de bola e os erros individuais. Até ao momento, em todas as competições, o FC Porto já sofreu 10 golos. Um de penalti (Estoril); Um na sequência de um canto (Sporting); Três de ou na sequência de um livre (Arouca e duas vezes Atlético de Madrid); Cinco em jogo corrido (Estoril, Belenenses, Zenit duas vezes e Vitória de Setúbal).

É precisamente nos golos sofridos em jogo corrido que me quero centrar. Dois deles (Belenenses e Zenit fora) nem merecem grandes comentários de tão consentidos que foram, os outros três (Estoril, Zenit no Dragão e Vitória de Setúbal) têm em comum o facto da defesa ter sido apanhada mal posicionada - traída por um ressalto ou uma perda de bola em zona proibida -, onde Mangala teve de ir compensar a ausência de Alex Sandro na esquerda e o adversário consegue cruzar.

É a olhar para os erros que se torna possível corrigi-los e, ao olhar para os golos sofridos, concluímos que é um erro enorme dar a iniciativa ao adversário e que é um erro enorme ter um defesa-central obsoleto no jogo aéreo a jogar ao lado de Mangala. Embora lhe reconheça algum mérito e valor, lances como os três que acabei de enumerar aliados ao lance que deu o 1-1 ao Atlético de Madrid, deixam-me a pensar que apesar do mau futebol tudo poderia ter sido diferente com, por exemplo, Maicon a jogar no lugar de Otamendi.

Se quer continuar com o 4-2-3-1, Paulo Fonseca tem de começar rapidamente a corrigir alguns comportamentos da equipa e rever alguns lugares no onze. A persistência tem um certo limite que ao ser ultrapassado a transforma em teimosia e, face aos resultados e às exibições, o actual treinador começa a ficar sem margem para ser teimoso.

6 de novembro de 2013

Ainda dá para admirar?


A bola entra na área portista e Helton avança...e hesita o suficiente para que Hulk ultrapasse o guardião e Alex Sandro (também ele incapaz de recuperar a bola) empatando o jogo. No segundo tempo, adivinhou que Hulk não ia rematar para onde remata sempre a partir dos 11 metros e segura o empate. Ainda ficou o registo de outra excelente defesa, minutos mais tarde.

Varela. Puxa para o pé esquerdo e atira com selo de golo para uma grande defesa de Lodygin. No último suspiro do jogo, com vários jogadores à espera do cruzamento, Silvestre escorrega e perde a bola.

Estes são dois exemplos que servem para fazer a analogia perfeita à equipa. Não só neste jogo como noutros tantos esta época.

Entrada forte, com atitude, vontade e determinação. O domínio de jogo também era, em parte, consentido pelo "italiano" Zenit que apostava no contra-ataque para chegar à área portista. Mas isso não era problema do Porto, que aproveitava para jogar com relativa dinâmica no ataque e chegar ao golo numa jogada rara nesta equipa: cruzamento e cabeceamento certeiro.

Iria o Porto perder o controlo do jogo? Não deu para perceber porque decidimos dar nova prenda de Natal antecipada. O Hulk até merece as prendas, mas não uma destas.

A primeira parte acabou com Jackson perto do golo mas na segunda vimos um filme, naturalmente, diferente. Spalleti corrigiu o que era necessário e o Zenit jogou mais subido.

Voltamos aos "Classic Porto 2013/14". O jogo era muito disputado, sempre em alto ritmo e os Dragões iam perdendo gás e intensidade.

O tempo passava e Paulo Fonseca não mexia.
Spalleti mexeu primeiro.
Josué e Lucho estavam cada vez mais desgastados.
O tempo passava e Paulo Fonseca não mexia.
O equipa continua com a máxima entrega, mas já não tinha pernas para segurar a bola e o jogo.
O tempo passava e Paulo Fonseca não mexia.
Até ao minuto 75. Licá rendeu Josué.
E o Ghilas? Que pergunta essa, é óbvio que entrou aos 86', deve ser uma cláusula no contrato.

Neste período de letargia, Helton evitou o golo dos russos por duas vezes, enquanto do outro lado só os remates de fora da área de Jackson e Varela criaram perigo.

Este Porto é capaz do melhor e do pior. De dominar o meio-campo e de o perder totalmente. De anular as armas do adversário e de se expor de forma absurda. De ser competente e maduro como um colectivo e de oferecer golos de mão beijada aos adversários com uma paragem cerebral de algum jogador. De fazer tudo para ganhar um jogo, ou jogar sem a mínima garra.

Se a Champions passar à história, é inteiramente por culpa própria. Falhas clamorosas nos golos do Atlético, ficar com 10 a partir dos 6' frente ao Zenit e oferecer o empate na "segunda mão". Um empate que não seria mau de todo, não fossem as duas derrotas anteriores.
Muitos erros demasiadamente infantis e inadmissíveis para qualquer equipa a jogar ao mais alto nível e ainda mais para uma equipa com a experiência do FC Porto.

Posto isto, não resisto em lançar a pergunta: uma equipa que colecciona tantos erros amadores merece mesmo continuar na mais exigente prova de futebol?

Dezasseis-avos-de-final


Hoje joga-se a passagem aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Embora Paulo Fonseca não o ache - ou não o queira dizer -, e o mostre afirmando que "o jogo tem uma importância grande para as duas equipas, mas acaba por não decidir nada", uma derrota na Rússia coloca um ponto final nas aspirações do FC Porto em passar à próxima fase. Mesmo o empate será um mau resultado para os portistas, pois deixa o Zenit a depender de si para seguir em frente. Assim sendo, só a vitória interessa. Só a vitória permite ao FC Porto depender apenas de si para continuar em prova.

O jogo cinzento em casa do Belenenses não pode ser repetido esta tarde. O FC Porto terá de jogar com a intensidade que jogou a espaços frente ao Sporting ou com o carácter com que enfrentou o próprio Zenit com apenas dez homens desde o sexto minuto do desafio realizado no Dragão. Só assim será possível conquistar os três pontos e, consequentemente, subir ao segundo lugar do grupo.

Aquando do sorteio nunca pensei chegar a esta altura numa situação tão má. A minha previsão seria mesmo ter os nove pontos possíveis, talvez sete devido a um eventual deslize. A verdade é que a qualidade de jogo do FC Porto em nada melhorou - se é que não piorou - desde o dia 29 de Agosto e, por isso mesmo, corre agora sérios riscos de ser relegado para a Liga Europa numa altura em que deveria estar no primeiro de três jogos em que uma vitória daria o apuramento para a próxima fase da Liga dos Campeões.

A equipa tem apresentado um nível superior quando confrontada com adversários de maior valia, por isso acredito que hoje estará à altura do desafio e que lutará pela vitória independentemente das escolhas do treinador para o onze titular e para a forma como a equipa jogará. Se há alturas em que é preciso toda a gente a puxar para o mesmo lado, hoje é uma delas.

4 de novembro de 2013

Fucile e as ausências por motivos pessoais


Desde dia 30 do passado mês que sabemos que Fucile está de saída do FC Porto. O jornal O Jogo noticiou a vontade do jogador em sair para jogar de forma mais regular e a verdade é que há vários dias que o uruguaio não treina com o plantel. Nas várias notas publicadas no site oficial, o FC Porto justifica a ausência com alegados motivos pessoais.

Tantos dias de ausência por motivos pessoais levantam a curiosidade de qualquer um, mais ainda quando se sabe que o jogador em questão teve problemas disciplinares com o anterior treinador, que levaram a que fosse mantido à margem do grupo durante a segunda metade da época passada. Mesmo sendo conhecida a carência de opções para as laterais defensivas, Vítor Pereira recusou a reintegração de Fucile.

Com a saída de Vítor Pereira e a chegada de Paulo Fonseca, a SAD achou por bem dar uma nova oportunidade ao lateral. Fucile seria uma boa opção quer para Danilo quer para Alex Sandro e evitava que fosse preciso ir ao mercado. Uma decisão que, face ao referido, aplaudi.

No entanto, corre o rumor que durante um treino da semana passada, o uruguaio insultou à frente de todo o grupo de trabalho o treinador Paulo Fonseca. A verdade é que , como escrevi acima, Fucile já não treina há vários dias por motivos pessoais. Isto faz com que o que se tem escrito pela Internet sobre a eventual falta de respeito ao treinador ganhe contornos de verdadeiro. Acrescento apenas que este acontecimento foi relatado por pessoas que, aparentemente, costumam ter informações privilegiadas junto de pessoas que trabalham no clube ou na imprensa.

Com ou sem insultos, parece mesmo que Fucile chegou ao fim do seu percurso com a camisola do FC Porto. Víctor García e Quiño, ambos actualmente na equipa B, deverão ser os principais beneficiados com esta situação, aumentando substancialmente as hipóteses de serem chamados à equipa principal. Uma situação a acompanhar nas próximas semanas e que terá o seu desfecho no mercado de janeiro.

2 de novembro de 2013

Fez-se justiça no Restelo


Péssimo jogo do FC Porto na visita ao Belenenses. Paulo Fonseca continua a insistir no 4-2-3-1 e nos passes directos, mesmo quando já toda a gente percebeu que qualquer adversário, minimamente bem preparado defensivamente e atrevido no ataque, consegue anular todas os nossos ataques e criar grandes problemas à nossa defesa. Tirando algumas excepções, esta época tem sido este o nosso futebol: mau e sem qualquer fio de jogo.

A ajudar à confusão táctica que impera na equipa portista, parece ainda haver um défice de motivação. Se face aos recentes acontecimentos a equipa não mostra uma vontade inequívoca em vencer todos os jogos, estamos muito mal. Pior ainda quando o actual treinador saiu do Paços de Ferreira com o rótulo de motivador.

Este não é o FC Porto que eu gosto. O FC Porto que eu gosto é aquele que entra em campo para vencer, seja em 3-3-4, em 4-3-3 ou em 4-2-3-1. E hoje isso não se viu. O que se viu foi uma equipa apática, sem garra e sem imaginação.

Todas as tácticas são válidas para se vencer, mas sempre ouvi dizer que quem faz a táctica são os jogadores. Cedo se percebeu que a equipa se sentia desconfortável a jogar desta forma, que reagiu mal ao rompimento repentino com as épocas anteriores. Na impossibilidade de trocar todos os jogadores, cabe ao treinador dar o braço a torcer e adaptar a forma de jogar às caracteristícas dos jogadores que tem ao seu dispor.

Os optimistas continuarão a dizer que ainda estamos na frente do campeonato, mas se alguma coisa não for feita podemos ser alcançados a qualquer momento pelos dois rivais de Lisboa. O buraco no meio-campo, a falta de segurança defensiva - que era a nossa imagem de marca dos últimos anos - e a incapacidade para gerir a vantagem no marcador começam a dar motivos aos adversários para acreditar que nos podem vencer.

Espero sinceramente que não seja preciso perder a liderança para que se tomem medidas. Ver jogos como o de hoje tem de ser confrangedor para todos os portistas. Desde o presidente ao mais simples adepto.

31 de outubro de 2013

Motivações

No passado dia 26, O Jogo dava conta de que esta época o FC Porto já havia sofrido mais golos nos últimos 10 minutos de jogo do que em toda a época passada (4-3). Todos nós sabemos que um golo nessa altura pode ser fatal porque diminui o tempo de inverter um eventual mau resultado. Por aqui já abordamos o assunto do ponto de vista táctico, hoje olharemos a partir de uma nova perspectiva.

O que temos visto esta época é uma equipa que quando se encontra em vantagem no marcador vai deixando progressivamente de controlar o jogo. O passado recente - últimos três anos - mostram-nos que não se trata de uma questão de incapacidade. Será, então, uma questão estratégica ou uma questão motivacional.

Caso se trate de uma questão estratégica é bastaste curioso, uma vez que as características dos nossos jogadores de ataque não aconselha a preferência pelo contra-ataque. Acredito que é um erro fazer isso voluntariamente, por isso custa-me a acreditar que Paulo Fonseca queira trabalhar a equipa nesses moldes, uma vez que a falta de velocidade no ataque era a maior lacuna conhecida na equipa quando comandada por Vítor Pereira. Resta-nos os factores motivacionais.

A maioria dos jogadores do FC Porto já venceram quase tudo o que havia para vencer em Portugal. É natural que tenham mais dificuldades em se auto-motivar como aqueles a que pouco ou nada ganharam. Aqui o papel do treinador e toda a estrutura é fundamental. Se até agora era difícil ir buscar força a algum lado, os recentes acontecimentos podem ter sido um ponto de viragem.

A soberba exibição em inferioridade numérica frente ao Zenit, a situação complicada no grupo da Liga dos Campeões e o tratamento por parte da imprensa no pré e pós-jogo frente ao Sporting podem ser fundamentais para motivar um grupo que adquiriu este domingo mais um motivo de desinteresse: uma vantagem de cinco pontos para o segundo classificado.

Se os recentes indicadores de melhorias exibicionais continuarem, os resultados serão ainda mais positivos e, assim sendo, quem terá de arranjar motivação extra serão os nossos adversários. Mas desta feita para recuperarem os vários pontos de atraso a que se encontrarão de nós.

29 de outubro de 2013

Sentido vocês não fazem

Estava tudo preparado para uma noite de futebol nunca antes vista na aldeia. O FC Porto, para melhor aproveitar a vinda do clube da cidade, mandou instalar uma bancada amovível no seu humilde estádio. Afinal, não é todos os dias que se enfrenta um adversário que ainda há cinco anos disputou a Liga dos Campeões e só caiu aos pés do poderosíssimo Bayern de Munique. O resultado acumulado das duas mãos, 1-12, em nada reflecte aquilo que se passou em campo, diz quem viu que a superioridade do Sporting foi evidente e que foi nos pequenos detalhes que perderam para os alemães.

Voltando ao jogo de domingo, quando faltavam cerca de duas horas para o jogo, já muitos portistas se encontravam nas imediações do estádio. Muitos em cima de árvores e dos (poucos) edifícios com visão para o campo. Ninguém queria perder a oportunidade de ver o seu FC Porto jogar contra a maior potência do desporto europeu. Foi quando chegou um grupo de sportinguistas, sem qualquer identificação clubística como é tradição na civilização, começaram a descer a rua - que até há bem pouco era em terra batida mas que nessa semana havia sido coberta com gravilha para honrar a ocasião - enquanto insultavam e arremessavam objectos na direcção de quem lá se encontrava. Os portistas, como não estavam habituados a esse tipo de demonstração cultural, acharam que deviam responder na mesma moeda em vez de se limitarem a apanhar. A falta de informação tem destas coisas.

Em campo aconteceu a surpresa. O FC Porto fez história e, em grande esforço, bateu o Sporting por 3-1. Claro que a superioridade leonina no relvado - muito mal tratado, admito - foi evidente. No entanto, como é característico nas pessoas da aldeia, os jogadores portistas fizeram das tripas coração. Era o jogo da vida deles e aproveitaram-no para se mostrarem. Do outro lado notou-se uma certa sobranceria. O que até se percebe, é difícil jogar motivados contra equipas de regiões remotas, onde ainda se pratica um futebol rudimentar.


Entretanto o Sporting emitiu um comunicado onde, entre outras coisas, afirma que «vários Sportinguistas foram agredidos nas imediações do estádio do dragão. Ao invés do clube da casa repudiar totalmente estas atitudes, como esta Direcção já o fez em situações similares, começou a circular um rumor de que um grupo de Sportinguistas teria provocado desacatos, facto ainda não confirmado, que “justificaria” tais atitudes bárbaras e inqualificáveis. Até ao momento, ao serem vistas as imagens televisivas e fotográficas disponibilizadas, verificou tratar-se de um conjunto de pessoas onde as únicas que se conseguem identificar são do clube da casa;».

Os actos de violência são sempre lamentáveis, principalmente quando dirigidos a pessoas que estavam no seu cantinho a agredir e insultar sem provocar ninguém. No entanto fiquei bastante confuso com o sublinhado. Afinal eram sportinguistas ou não? Certamente que isto tem uma explicação lógica e que não se trata apenas de uma tentativa de vitimizar os citadinos e culpar os aldeões.

Em principio tudo ficará esclarecido hoje, por volta das 20:00, quando Bruno de Carvalho falar à corte. Peço a todos os portistas que procurem alguém com televisão em casa para dessa maneira poderem ouvir as palavras sábias que tão douta pessoa certamente irá proferir. Isto se já lhe tiver passado a confusão que tomou conta de todos os sportinguistas com o choque de ver a sua equipa perder contra outra bem inferior, o tal FC Porto.


Um último apelo aos portistas. Proponho que, à imagem do que foi feito em 1948 para celebrar a vitória sobre o Arsenal de Londres, nos unamos no sentido de fazer também nós um troféu que imortalize esta vitória frente ao Sporting, equipa que ainda na semana passada goleou por 8-1 o poderoso Alba. Seria uma peça inestimável para o nosso humilde museu.

28 de outubro de 2013

Inqualificável

Depois de ontem a CMTV ter distorcido a verdade ao afirmar que foram elementos dos SuperDragões, vestidos de preto e cinzento, a provocar e a agredir em plena Alameda do Dragão outros portistas - como se isto fizesse sequer algum sentido... -, hoje o Record diz na capa que os "adeptos leoninos foram recebidos à pedrada".

Já todos sabemos que o Grupo Cofina não morre de amores pelo FC Porto, mas é absolutamente vergonhosa a forma como os incidentes foram relatados. Depois de um mau resultado (leia-se vitória do FC Porto) para o público alvo daquela publicação, o jornal dirigido por João Querido Manha resolveu mentir descaradamente para agradar àqueles que contavam com uma bom resultado do Sporting no Dragão.

Nem eram adeptos os SuperDragões nem foram recebidos à pedrada. Eram adeptos do Sporting, organizados, que chegaram ao local e decidiram "varrer" quem lhes apareceu pela frente. Como é óbvio, ninguém gosta de apanhar porrada e os portistas presentes responderam às agressões na mesma moeda. Foi o que aconteceu e está confirmado pela PSP.


Assim se tenta, uma vez mais, atribuir  em exclusivo aos portistas os actos de violência, ao mesmo tempo que tentam desviar as atenções após uma vitória incontestável dos tricampeões de Portugal. Como se pode ler em nota publicada no site oficial do FC Porto, é contra a manha desta gente que a nossa equipa trabalha.

Garra, força, determinação e outras coisas mais


Raça, entrega e atitude. Mais uma vez, nada disso faltou ao FC Porto frente à malta da civilização, que deu uma bela demonstração da sua...hum...vá, categoria na Alameda do Dragão. Bravo!

Quanto ao jogo em si, podemos dizer que vimos um pouco mais do mesmo. Entrada forte - vantagem no marcador - recuo das linhas.

Este Porto não quer ter sempre a bola, não a quer ter sempre a rodar de pé para pé, quer passe mais directo e vertical. Deixa o adversário subir com o intuito de disparar para o contra-ataque assim que a recuperar e espetar a faca por aí. Foi o que aconteceu na jogada - brilhante - do 3º golo conduzida por Varela e Jackson e finalizada pelo incansável Comandante. O problema é que essa clarividência e inteligência raramente é usada nas transições ofensivas. Por vezes, a equipa precipita-se, falha passes e decide mal.

Cá atrás, embora se notem algumas melhorias, acabamos por nos expor em demasia, deixámos o adversário com a bola por tempo a mais.

A questão é que, a meu ver, não temos de jogar assim. Esta equipa dá muitas vezes a ideia de que precisa de sofrer alguns sustos ou até um golo para sacudir a pressão e passar a jogar mais próximo da área contrária, mesmo sem correrias ou pressões loucas. Ou equilibramos e, de facto, ao recuarmos as linhas formamos um muro intransponível, ou voltamos a ganhar um pouco mais de carinho pela posse de bola e acima de tudo a perceber quando é que temos de a recuperar e guardar, esfriando o jogo.

Ainda não desisti de acreditar que esta filosofia pode perfeitamente funcionar. Jesualdo tinha uma ideal semelhante em 2008/2009 e bem sabemos o quanto custo entrar nos eixos, mas Jesualdo tinha Meireles, Hulk, Lisandro e até Rodriguez - muito rápidos com a bola, principalmente quando vão embalados.

Gostava, ainda assim, que Paulo Fonseca, à semelhança de outras ideias que foi perdendo, não se esquecesse de uma coisa: isto é o Porto. E o primeiro objectivo do Porto depois de marcar o primeiro tem de ser estar mais próximo de chegar ao segundo do que segurar a vantagem. Não defendo nenhum desses extremos, mas o Porto tem toda a capacidade para ser um pouco mais mandão e controlar o jogo de uma maneira bem menos questionável.

Como não estámos aqui só para bater, há que referir, com a toda a justiça, que o treinador dos Dragões mexeu bem na equipa e foi activo e não reactivo. Era preciso Ricardo ou Licá para preencher o corredor de uma forma que Josué não faz - mas grande exibição, contudo! - e Defour veio dar mais posse de bola e serenidade no lugar de Herrera. O mexicano foi excelente a pressionar e recuperar, mas nervoso a distribuir. Depois de dois jogos complicados para Hector, penso que está agora em condições de partir com mais tranquilidade e confiança.

Vamos ver como se comporta agora a equipa depois de uma semana de grande esforço e tensão.

27 de outubro de 2013

Invasão à Aldeia

Hoje é dia de Clássico, o FC Porto recebe o Sporting em jogo a contar para a Primeira Liga Portuguesa. Ou seja, a elite, as pessoas da cidade, vêm à aldeia. Dito isto, gostaria de falar um pouco sobre a aldeia aos adeptos do Sporting que, para os mais distraídos, é um clube falido da capital de um país falido.

O Porto, cidade que deu o nome a Portugal, foi considerada recentemente pela Lonely Planet como sendo o melhor destino europeu, que apelidou a cidade de "vibrante capital das artes". A maior editora de guias de viagens do mundo considera que o Porto é a próxima "hot thing" e defende que o Museu de Arte Contemporânea, o Parque de Serralves e a Casa da Música são sítios a não perder. Vista obrigatória é também o centro histórico, classificado pela UNESCO como Património Mundial, assim como a Torre dos Clérigos. Tomo a liberdade de juntar o Museu FC Porto, acabadinho de abrir ao público, como local a visitar. Talvez ao entrarem lá percebam o porquê de terem de se pôr constantemente em bicos de pés para serem considerados grandes...

Além disso, convém referir que no Porto se encontra a maior comunidade académica de Portugal, que a cidade está inserida na única região do país que exporta mais do que importa e que recentemente fez história ao eleger um candidato independente para Presidente da Câmara Municipal.

A imagem acima, exibida recentemente por uma claque oficial do Sporting, não só demonstra uma tacanhez como uma falta de respeito por todos os portuenses, sportinguistas incluídos. Incitados pelo seu presidente, Bruno de Carvalho, que nas últimas semanas provocou toda a estrutura portistas, os adeptos leoninos tentaram também eles criar um clima de guerra. A postura oficial do FC Porto não podia ter sido melhor: ignorar. Foi com o desprezo que Bruno de Carvalho merece que Pinto da Costa se recusou a comentar qualquer assunto relacionado com o Sporting. Foi assim uma, duas, três vezes e o papagaio verde-e-branco continuou o seu monólogo. Ávido de atenção e apoiado por diversos órgãos de comunicação social, Bruno de Carvalho foi descendo o nível mas ninguém do FC Porto lhe respondeu. A resposta está marcada para as 19:45 de hoje, no relvado do Dragão.

Apesar de tudo, é inegável o bom momento que o Sporting atravessa. Leonardo Jardim tem feito um trabalho agradável em Alvalade e espera-se um jogo difícil para os Dragões. Paulo Fonseca deve apostar num onze em tudo semelhante ao que iniciou ou jogo frente ao Zenit, Herrera incluído. Esta é apenas a minha convicção, mas consideraria um erro retirar o mexicano da equipa depois do erro da passada terça-feira. Em condições normais, seria de proteger o jogador e evitar já a sua exposição à massa adepta, mas tratando-se de um clássico as regras são outras. Certamente que os portistas saberão apoiar a equipa no geral e o Herrera em particular.

Vejamos se de facto colocar-se em bicos de pés é o suficiente para ser grande.

26 de outubro de 2013

O meu apelido é Borrego e sou sócio do FCP há mais de 40 anos

Quem, como eu, visita com alguma frequência blogs dedicados ao Benfica já deve ter reparado que a honestidade não consta no léxico da grande maioria deles. Outra coisa que salta à vista é o facto de todos os anos, religiosamente, por altura do aniversário da fundação daquele que é o clube com mais títulos do futebol português decidirem debruçar-se sobre a sua história. Sua, do FC Porto, claro está, porque falar da fundação do Benfica para aqueles lados é tabu.

Existem vários exemplos - como o blog «A Minha Chama» que devido à incapacidade do autor em articular um texto prefiro deixar de lado - mas, no meio deles, destaque para o «Novo Geração Benfica» que, além das constantes conspirações - muito pouco claras e bastante rebuscadas, diga-se -, tem o dom de albergar na caixa de comentários as opiniões de alguns dos benfiquistas mais doentes que existem. No fundo, é a linha de pensamento de quem escreve no blog mas com uma linguagem mais reles. No entanto, não pude deixar de reparar que no meio desses comentários, em mais um post dedicado à fundação do FC Porto, aparece um anónimo, que se identifica como portista, a tecer algumas considerações curiosas.


De facto, a imaginação destas pessoas não conhece limites. Vale tudo para denegrir o nome do FC Porto, até criar um alter ego com outra preferência clubistica. Este pseudo-portista, com uma forma de pensar digna do mais doente dos benfiquistas, não fica por aqui e ainda faz mais alguns comentários ridículos que podem ser consultados no post do blog em questão. Realço ainda que é habitual pela blogosfera encarnada aparecerem estes "portistas" a suportar todas as teorias conspiratórias que abundam nas mentes iluminadas de quem lá escreve. Bastante conveniente mas totalmente convincente para a esmagadora maioria.

Sinceramente não esperava outra coisa, ou não estivéssemos a falar de anti-portistas primários e adeptos de uma instituição - como tanto gostam de lhe chamar - que resulta da fusão de dois clubes e que usa como sua data de fundação a do clube mais antigo. Assim como acho que até tem uma certa lógica, uma vez que o que levou o Sport Lisboa a procurar e a fundir-se com o Grupo Sport Benfica foi a falta de dinheiro dos primeiros, tradição bem presente ainda hoje no clube dirigido por Luís Filipe Vieira.

Serve isto para quê? Nada, dirão muitos. Para esclarecer alguns peregrinos que têm aparecido no «Portistas Anónimos» desde que foi feito o trabalho sobre a fundação do FC Porto, digo eu. Acho estranho haver tanto interesse na fundação de um clube e tão pouca na de outro. Afinal o Sport Lisboa e Benfica não foi fundado a 1908? Então porque motivo continua a usar a data de fundação do Sport Lisboa como sendo a sua?

Por aqui se vê que nestas coisas o FC Porto não tem a perspicácia do seu maior rival. Para não deixar ninguém da sua história para trás, foi assumida como data de fundação a de 28 de Setembro de 1893, data fortemente contestada pelos benfiquistas que defendem que o FC Porto foi fundado em 1906. Sabendo nós que Monteiro da Costa usou como base o Grupo do Destino, de facto teria mais lógica seguir o principio do Benfica e atribuir a data de fundação desta entidade como sendo a do FC Porto... Que seria, já agora, algures no inicio da década de 1890.

Importa apenas acrescentar uma coisa: não importa quem é mais antigo mas sim quem é o melhor e, neste caso, não parecem restar dúvidas. Podem dizer que o FC Porto foi fundado "só" em 1906, ou até em 25 de Abril de 1974, que nada muda no presente e isso é o que mais lhes dói.

25 de outubro de 2013

Ensinamentos


A expulsão do Herrera frente ao Zenit, à excepção da derrota neste jogo, só nos trouxe coisas boas. A partir do sétimo minuto deste jogo, Fernando passou a jogar sem ninguém declaradamente a seu lado e voltou a fazer uma exibição de classe mundial. De repente toda a gente ficou a perceber que o Polvo é um jogador fundamental na equipa do FC Porto e que rende mais quando joga sozinho. Só me pergunto é como foi possível ser preciso isto para que boa parte dos portistas lhe dessem valor e para que comecem a perguntar está em fim de contrato. Espero que o Paulo Fonseca também tenha visto o que anda a desperdiçar, porque se não viu...

Novo jogo na Liga dos Campeões e novo golo sofrido porque houve a "infelicidade" de um cruzamento cair na zona do Otamendi. Nem valorizo em demasia a perda de bola infantil que ia dando o golo a Hulk porque foi isso mesmo, uma infantilidade, e as infantilidades podem ser corrigidas. Infelizmente, para ele e para nós, a sua baixa estatura é procurada com frequência nos jogos de maior exigência e é um problema impossível de resolver. Para mim, há muito que tinha perdido o lugar no onze, mas a sua concentração e antecipação foram-lhe garantindo a tituralidade. Vejamos o que lhe acontece nos próximos tempos devido às recentes falhas de concentração.

Outra coisa que saltou à vista foi o carácter forte que a equipa mostrou durante os 90 minutos a jogar em inferioridade numérica. A parte boa disto é que fica aberta a possibilidade de Paulo Fonseca dar oportunidades no onze inicial aos desequilibradores ou a um segundo ponta-de-lança. Qualquer uma das escolhas, por muito pouca capacidade defensiva que tenha, será sempre muito diferente a jogar com menos um elemento porque obriga o adversário a ter maiores cautelas.

Kelvin, Quintero e Ghilas ganham assim um novo argumento na luta pela titularidade. É importante que Paulo Fonseca pare para pensar e perceba que o FC Porto não precisava de uma revolução na sua forma de jogar, que precisava apenas de uns pequenos ajustes no ataque e que não foi recuando um médio para o lado do Fernando e adiantando outro para perto do ponta-de-lança que os problemas ofensivos foram resolvidos.

Chegou a altura de dar equipa o que ela precisa: alguém que decida o jogo num lance de génio. Esse alguém fazia falta no passado e continua a fazê-la no presente.

21 de outubro de 2013

Entrevista de Antero Henrique a O Jogo

Em entrevista publicada na edição de hoje de O Jogo, Antero Henrique falou um pouco de todo o universo portista. Numa espécie de operação de charme junto dos portistas tendo em vista a possível sucessão a Pinto da Costa, começa por dizer que essa mesma sucessão só interessa aos adversários e que não é do interesse de ninguém no FC Porto. Ao mesmo tempo fala de convites vindos do estrangeiro, tanto para ele como para toda a gente que trabalha no clube, mas que não lhe interessam minimamente.

No plano desportiva, fala do projecto "Visão 611", considerado por muitos um fracasso, mas que, segundo o próprio, foi um investimento feito em talento e na reorganização estrutural de vários departamentos que hoje faz com que hoje haja uma melhor comunicação entre todos e que haja serviços comuns a todas as modalidades. Um dos resultados desta reorganização foi perceber que faltava um elo de ligação entre a equipa principal e a formação, a equipa B. Antero Henrique afirma ter sido o FC Porto o grande motor para o ressurgimento das equipas B.

Talento é umas das palavras-chave da entrevista. O director-geral da SAD portista afirma o que toda a gente já percebeu: o FC Porto é especialista a detectar, recrutar e desenvolver talentos fazendo disso o core business do clube. Questionado sobre a formação, afirma que a qualidade da equipa principal nunca será baixada tendo em vista a integração dos jovens talentos e que o caminho será sempre tentar melhorar as condições de base para que os jovens possam chegar ao nível dos outros. A equipa B terá um papel preponderante para que isto seja uma realidade. Sob o lema "um plantel, três equipas", existe o objectivo de equilibrar o tempo de jogo entre os jogadores permutando-os entre as três equipas (sub-19, A e B). Entre outras coisas, isto permitirá no futuro ter plantéis mais curtos para que não hajam desperdícios, tanto monetários como de talento.

O trabalho de Paulo Fonseca é defendido elogiando-lhe a metodologia, talento e ambição. Ambição parece mesmo ser um dos principais critérios para a escolha de treinadores. Antero Henrique compara a aposta em Paulo Fonseca com as apostas feitas em José Mourinho, André Villas-Boas ou Vítor Pereira, afirmando que o FC Porto gosta de contratar treinadores com muito espaço pela frente, que se sintam motivados e desafiados. Por considerar que é ainda muito cedo para isso, recusa-se a fazer qualquer avaliação ao trabalho desenvolvido pela equipa técnica até à data.

"O museu é o coração da máquina". É esta a frase de destaque sobre o museu que abrirá portas ao público no próximo sábado. Pelo meio fala nos motivos que levam a que seja feita uma distinção pré e pós 25 de Abril, afirmando que a história do clube e da cidade se confundem neste capitulo pelo facto de ambos viverem melhor em democracia do que viviam em ditadura. Ao mesmo tempo que será um local de visita obrigatória para todos os que passem pelo Porto, o museu é mais um motivo de orgulho para os adeptos e mais uma forma de "potenciar a paixão pelo FC Porto". Adeptos esses que são cada vez mais, afirma. Apoiado por estudos encomendados pelo clube, revela que estão à porta várias gerações de domínio portista em termos numéricos.

Sem se alongar muito, falou também da modalidades. O basquetebol teve de ser reprogramado e caminha a passos largos para o regresso à principal divisão. Deixa ainda um elogio ao alto desempenho de todas as modalidades e confessa que o tema da criação de outras pode ser abordado, sendo que para já não é o caso do ciclismo.

Os adversários também mereceram um olhar de Antero Henrique. A forma como a generalidade da comunicação social esconde os insucessos - desportivos e financeiros - do Benfica não passa despercebida no Dragão. Existe a tendência para tentar passar uma imagem negativa do FC Porto e enaltecer os rivais, no entanto o dirigente portista revela que é politica do clube deixar os números e os factos falarem por si. Em relação ao Sporting, todo o destaque que merece: nem uma palavra.

Para ler a entrevista completa clique em "continuar a ler".

20 de outubro de 2013

Um olho na Taça e outro na Champions

Foi a pensar no jogo da próxima terça-feira que Paulo Fonseca preparou a equipa que recebeu e bateu o Trofense por 1-0. O onze inicial apareceu com apenas três habituais titulares - Danilo, Fernando e Varela - sendo que o português está longe de ser indiscutível. Além disso, também as substituições foram feitas tendo em conta o jogo da próxima terça-feira e não tendo em conta as necessidades da equipa para o jogo que estava a disputar.

A exibição foi pobre, principalmente na segunda parte. É preocupante que uma equipa que, num passado recente, nos habituou a manipular qualquer adversário não consiga agora gerir uma vantagem no marcador de forma tranquila. Algumas notas soltas:

- Mesmo sem Otamendi, que era o habitual municiador deste tipo de lances, a bola continuou a ser bombeada demasiadas vezes para o ataque.

- Continua a existir uma distância enorme entre o médio-ofensivo e os dois mais recuados, o que tem por resultado prático os passes directos que mencionei no ponto anterior, uma deficiente pressão sobre o adversário em caso de perda de bola no ataque e uma dificuldade acrescida em arranjar linhas de passe.

- Bom jogo de Ricardo, dando continuidade ao bom trabalho que tem feito na equipa B. Oferece largura à equipa ganhando muitas vezes a linha de fundo e sem comprometer o rigor táctico que lhe é característico. Merece claramente ser aposta mais regular.

- Carlos Eduardo é outro que tem aproveitado a equipa B para evoluir de forma positiva. Passada larga, rigor no passe, visão de jogo e sentido posicional são as características que mais saltam à vista. Espero que o seu profissionalismo aliado às exibições consistentes lhe valham mais minutos no futuro que espero que seja próximo.

- Estreia positiva de Víctor García. Tímido ao inicio, foi-se libertando com o decorrer do jogo e combinando bem com Ricardo, o seu colega no flanco direito durante a maior parte dos 90 minutos.

- Má exibição de Quintero. O colombiano exagerou nas iniciativas individuais e perdeu a bola demasiadas vezes. A qualidade está lá, falta saber como a pôr ao serviço da equipa.

- Reyes tem tudo para se afirmar no FC Porto. O adversário não ofereceu grandes dificuldades aos defesas azuis-e-brancos, mas o mexicano esteve irrepreensível sempre que foi chamado a intervir.


Depois de duas semanas de laboratório, que pensava eu serviriam para corrigir erros, a equipa voltou com os mesmos problemas. Era notória a preocupação de Paulo Fonseca no banco e começo a temer que ou lhe falta o engenho para dar a volta à situação ou que acredita que a insistência nesta formula acabará por o levar o FC Porto ao sucesso. Qualquer uma das alternativas me deixa bastante apreensivo, até porque os próximos dois jogos são importantíssimos.

É imperativo que treinador e equipa percebam que estão a seguir um caminho perigoso e que a situação só não tomou outras proporções porque os resultados, ao contrário das exibições, têm sido positivos.

18 de outubro de 2013

Inquérito - Acha que Paulo Fonseca deve alterar a forma do FC Porto jogar? (Resultado)


Em 26 portistas, apenas dois acham que Paulo Fonseca está no caminho certo para levar o FC Porto ao sucesso. Cinco acham que o treinador deve rever o sistema táctico, dois a filosofia de jogo e 17 acreditam que o melhor será alterar ambos.

Os resultados são sintomáticos: os portistas não parecem acreditar que a equipa vá no rumo certo.

Após a paragem para os jogos da selecção seguem-se os encontros contra Trofense, Zenit e Sporting a contar para Taça de Portugal, Liga dos Campeões e Primeira Liga, respectivamente. Todos terão lugar no Estádio do Dragão e debaixo do olhar atento dos portistas que querem ver melhorias nas exibições.

14 de outubro de 2013

O que fazer com Fernando?

Esta pergunta pode ser feita tanto a Paulo Fonseca como à SAD. Se o primeiro, graças às suas aventuras tácticas, fez com que o Polvo fosse remetido à banalidade no arranque da temporada, os segundos deixaram a situação contratual que liga um dos melhores médios-defensivos da história do FC Porto arrastar-se sem ser revista até ao último ano de contrato.

Embora longe do seu melhor, o camisola 25 dos Dragões tem vindo a subir de rendimento face aos ajustes feitos pelo treinador no que ao meio-campo diz respeito. Fernando tornou-se indiscutível no onze do FC Porto logo na primeira época após a saída de Paulo Assunção. Há vários anos que é fundamental na manobra defensiva da equipa e é quase um crime não tirar partido da sua capacidade para compensar as subidas dos colegas ou de roubar bolas aos adversários. Não me vou alongar mais neste assunto pois já deixei bem claro em posts anteriores que acho o 4-3-3 o sistema que mais favorece as características dos jogadores à disposição de Paulo Fonseca.

Além da vertente táctica, preocupa-me que esteja em final de contrato. Durante a pré-temporada mostrei-me preocupado com a possível saída de Fernando do clube, preocupação que ainda mantenho mas com uma agravante: agora há o risco que saia sem qualquer retorno financeiro. No entanto, e face à sua preponderância na equipa, antes isso do que uma venda em Janeiro. Para evitar estes cenários a SAD tem de pensar numa solução engenhosa.

Um aumento salarial não deve ser suficiente para que o Polvo assine um novo contrato. Assim sendo, os administradores do clube terão de ser flexíveis na altura de fixar a cláusula de rescisão e propor uma cláusula na ordem dos 15 milhões de euros - valor bem a baixo do que seria de esperar em condições normais - e, talvez, prever uma descida automática da mesma a cada ano cumprido de azul-e-branco.

Com 26 anos e a cumprir a sexta época como titular no FC Porto, Fernando tem a legitima ambição de experimentar outros campeonatos e de chegar à selecção brasileira. Compete à SAD fazer tudo o que estiver ao seu alcance para o demover a sair no fim da presente temporada sem dar qualquer compensação financeira ao clube que o deu a conhecer ao mundo.

12 de outubro de 2013

O elogio a quem tanto o merece - Andebol do FC Porto


Terceiro jogo da Liga dos Campeões, o primeiro no Dragão Caixa e a terceira partida sem vencer. Foi a derrota menos pesada (27-31) mas conseguida frente ao, "apenas" Tri Campeão Europeu da modalidade e, obviamente, uma das melhores equipas do mundo.

Neste clube a ambição aponta sempre à vitória, é sempre com esse pensamento que todos os atletas do FC Porto entram em qualquer campo, em qualquer desporto e foi por isso que a equipa comandada por Obradovic lutou praticamente até ao fim da partida com o THW Kiel.

Para quem não está bem a ver a coisa, este jogo seria a mesma coisa que um confronto em futebol entre o Braga e o Bayern Munique. O andebol português está longe da elite europeia, mas o FC Porto tem-se exibido a bom nível.

Num Dragão Caixa repleto e com um grande ambiente, o pentacampeão português entrou bem no jogo, aguentando-se bem ao altíssimo ritmo de jogo. Laurentino brilhava na baliza e Gilberto Duarte furava as redes na baliza contrária. O FC Porto chegou a ter, por mais que uma vez, três golos de vantagem e foi para o intervalo a vencer por um.

No segundo tempo, os alemães entraram com mais garra e frieza e aproveitaram da melhor maneira alguns erros dos azuis brancos que jogavam com menos um. Recuperaram a liderança do marcador e de lá não saíram até ao fim da partida. O Kiel foi controlando o jogo, mas sem nunca poder descansar verdadeiramente.

Culpa da boa exibição de Quintana - que alinhou na segunda parte - e do carácter e atitude de uma equipa que nunca quis desistir, nunca se deu por vencida e deu sempre tudo o que tinha. Só nos últimos dois minutos de jogo é que os alemães puseram um ponto final na discussão do resultado.

Os adeptos do FC Porto só podem ficar orgulhosos pelo esforço, determinação e carácter que esta equipa demonstra. Não é impossível fazer uma gracinha nos jogos que restam, até porque a ambição dos jogadores e o ADN do Dragão está bem patente:

Tiago Rocha: "Não há vitórias morais, só quando vencemos"
Gilberto Duarte: "Poderíamos ter feito melhor"

De notar ainda que já há muito tempo que Obradovic não pode contar com os lesionados Pedro Spínola e Alvaro Ferrer. E já que falo em lesionados, um abraço especial a Hugo Rosário que saiu do campo em lágrimas na sequência de uma lesão no ombro.

10 de outubro de 2013

Inquérito - Acha que Paulo Fonseca deve alterar a forma do FC Porto jogar?

Em entrevista publicada no jornal O Jogo de ontem, Jackson afirma que há sempre dificuldades quando se troca de treinador e que a equipa está a sofrer devido a estar muito habituada à forma de jogar idealizada por Vítor Pereira.

No «Portistas Anónimos» temos falado muito sobre o mau desempenho do FC Porto na presente temporada. Achámos que o plantel tem qualidade para mais, como já foi provado a espaços durante os jogos. Como tal, defendemos que Paulo Fonseca devia recuar um pouco com as suas ideias e aproveitar o trabalho desenvolvido nos últimos anos, dando espaço à equipa para jogar de forma mais fluída e ganhando assim tempo para introduzir as suas ideias de forma gradual.

A alteração de sistema táctico e de filosofia de jogo, feita de forma precipitada e em simultâneo, causaram estranheza à equipa que tem sentido muitas dificuldades em praticar um futebol agradável.

Face a estes facto, acha que Paulo Fonseca deve alterar a forma do FC Porto jogar?

Pode responder à pergunta no inquérito presente no topo direito do blog e, caso queira justificar a sua escolha, deixar o seu comentário na caixa de comentários deste post.

8 de outubro de 2013

Aproveitar a paragem da melhor forma

Nem sempre as paragens para os jogos das selecções são benéficas para o FC Porto mas, depois das más exibições nos últimos jogos, esta parece ser. Os Dragões só voltam a jogar no próximo dia 20 (na realidade o jogo contra o Trofense a contar para a Taça de Portugal deve ser antecipado para dia 19 devido ao FC Porto-Zenit marcado para dia 22) e Paulo Fonseca tem aqui um intervalo de duas semanas para ajustar a equipa a um estilo de jogo mais condizente às pretensões do clube.

Como disse anteriormente, Paulo Fonseca errou ao tentar implementar o seu estilo de jogo de forma instantânea. Vítor Pereira trabalhou durante os dois últimos anos uma forma de jogar que beneficiava as características de muitos dos jogadores e ajudava a esconder-lhes os pontos fracos. A equipa jogava sempre coesa, com os jogadores muito próximos uns dos outro - isso notava-se na forma rápida como pressionavam imediatamente após perderem a posse de bola reconquistando-a rapidamente - e sempre com várias linhas de passe para o portador da bola. Um dos defeitos apontados por muitos ao FC Porto de Vítor Pereira era o facto de jogar muito pelo corredor central, abdicando dos extremos. Olhando em retrospectiva percebe-se que era uma solução inteligente uma vez que, à excepção de James e Jackson, não haviam desequilibradores, jogadores capazes de fazer a diferença num momento de inspiração, a equipa usava o colectivo para contornar a situação. Com Paulo Fonseca tudo mudou e o FC Porto joga agora com dois extremos bem definidos, um número 10 e dois médios mais recuados. Um dos problemas que encontro é a incapacidade dos médios encontrarem linhas de passe. Com os extremos tão agarrados à linha torna-se difícil jogar simples e não são raras as vezes em que o Fernando se vê sem linhas de passe e a perder a bola ao tentar passar pelos adversários, além dos inúmeros passes directos da defesa para os avançados. Com isto (os extremos tão abertos), além de se ter perdido o futebol apoiado, perdeu-se a capacidade de pressionar imediatamente o adversário após a perda de bola. O resultado disto tudo é uma equipa nervosa, sem fio de jogo e que recorre em demasia à falta.

O FC Porto tem plantel para jogar um futebol mais vistoso e com uma qualidade muito superior ao que tem feito. Jogadores que no passado jogavam de forma consistente (Defour, Alex Sandro, Fernando e Lucho são os casos mais flagrantes) têm agora mais dificuldades e as suas exibições vão oscilando frequentemente. Há que alterar a forma de jogar e, acima de tudo, tentar planear o sistema de jogo tendo em conta os jogadores que compõe o plantel.

Tendo isto em conta, desenhei aquele que seria o meu onze:

Disposição base da equipa.
Disposição da equipa em ataque continuado.





















Sou defensor que devemos tentar jogar sempre com os melhores jogadores e, como tal, faria algumas alterações no onze. Nunca fui um grande admirador do Otamendi e vejo a dupla Mangal-Maicon como sendo a mais eficaz do plantel. As debilidades físicas do argentino são constantemente exploradas pelos adversários colocando o seus colegas sob uma pressão acrescida - ainda no jogo frente ao Atlético de Madrid o frango do Helton disfarçou a incapacidade do Otamendi em se impor no jogo aéreo a um adversário mais forte nesse capitulo. Licá e Quintero assumiriam os lugares ultimamente ocupados por Varela e Josué. De resto, destaque apenas para a utilização de uma fórmula semelhante à usada por Vítor Pereira enquanto treinador do FC Porto.

O objectivo destas alterações seria devolver à equipa a segurança defensiva e o controlo de jogo a que nos habitou no passado. Partindo do 4-3-3 como base, os jogadores procurariam assumir um posicionamento diferente no desenrolar do ataque: Licá assumiria o lugar de segundo ponta-de-lança e Quitero a posição 10, deixando que fossem os laterais a dar largura ao ataque. Fernando ficava como único apoio aos defesas-centrais enquanto Lucho e Defour ficariam responsáveis por dar os equilíbrios à equipa.

Se a forma de jogar não for alterada, os jogadores vão continuar a sentir dificuldades, a jogar mal e a entrar e sair do onze até que se esgotem todas as opções. Paulo Fonseca tem de parar de tratar os sintomas e começar a atacar a doença. Rapidamente.

7 de outubro de 2013

Preocupante

Estou preocupado com o nosso nível exibicional mas, mais que me as exibições, preocupa-me a mentalidade do "o que interessa são os três pontos" que se tem instalado em alguns portistas. Essa mentalidade de clube pequeno, diria, é aceitável quando a equipa vem de um bom momento, em que vence e convence, e, durante um jogo ou outro, faz um jogo menos conseguido. Nesta situação também defendo que, não havendo um bom espectáculo, se consiga pelo menos a vitória. Mas não é de todo o caso do FC Porto.

Todos nós temos visto as exibições miseráveis que a equipa tem feito. Há inúmeras teorias para isso, mas penso que o motivo mais óbvio para a confusão táctica que por vezes reina é a forma precipitada como o treinador quis impor as suas ideias. O Paulo Fonseca cometeu um erro enorme ao tentar mudar tudo de uma vez e em pouco tempo. Faz lembrar o FMI que usa a mesma fórmula em todos os países ignorando as especificidades de cada um deles. O 4-2-3-1 pode ter resultado em todos os clubes por onde o Fonseca passou até agora, pode muito bem vir a resultar no FC Porto, mas foi uma estupidez pegar numa equipa que tinha um trabalho de dois anos virado para as características dos jogadores e rasgar tudo para começar do zero.

Espero que o Paulo Fonseca já esteja consciente disso e que não seja preciso um novo mau resultado para que decida alterar alguma coisa. Não basta só trocar jogadores, é preciso ajustar a forma da equipa jogar. É verdade que o mais importante são os resultados, mas um treinador não se pode escudar neste chavão quando a equipa joga tão mal. "O importante são os três pontos" mas, a jogar assim, aumentámos exponencialmente as probabilidades de não os conseguirmos.