25 de maio de 2013

Kelvin - uma droga

Há um turbilhão de emoções e sentimentos que rodopiam na cabeça em retrospectiva a um passado que já deu muito que pensar. Há uma luta entre a esperança e um alegado realismo que parece ser cruel demais para querer aceitar. Ou então nada disto, antes um profundo vazio de ideias e de presença de espírito.

Há um barulho que interrompe o tempo e desvia o olhar por segundos. No regresso ao relvado a bola acaba de sair daquele pé esquerdo, partindo não se sabe bem de onde. Vai tão rápida e tão lenta, tão veloz e tão morosa...beija e foge pela rede. Já está.


Em conversa com uma outra tricampeã que tem a mania de perceber mais de futebol que os homens, vá, que a maioria, percebi que a melhor definição para tudo isto resume-se a uma palavra: droga.

Sensação única ou, segundo o dicionário: "Substância que pode modificar o estado de consciência". Foi tudo isto mais o que vai para lá da transcendência que todos os portistas sentiram.E nenhum deles recusaria poder voltar a viver aquele momento outra vez. Nem é do golo em si que falo, apenas de uma sensação mágica que a partir de certo ponto veda a entrada a quaisquer palavras.

Não foi o golo que mais festejei, mas não festejei nenhum outro golo como festejei este. Lágrimas, desabafos de ansiedade, respiração incerta, sorrisos, abraços. Tanta incredulidade com o concretizar de um guião digno de documentário. Fica imortalizado na história e na memória.

Este é o "golo do Ademir" das gerações mais jovens que daqui a uns largos anos vai fazer com que no meio de um qualquer serão entre amigos ou de um café no intervalo do emprego se diga "Hey, lembras-te do golo do Kelvin?"