29 de junho de 2013

Breve análise às movimentações no mercado e à situação financeira do clube

Nota prévia: Não sendo eu um especialista em Economia é natural que possa haver pequenas imprecisões na análise. Além disso são ainda desconhecidos os valores oficiais de algumas das transferências, nesses casos tive de assumir como verdadeiros valores apontados pela comunicação social. Tendo em conta isto, peço que deixem na caixa de comentários a correcção a eventuais erros que encontrem neste post. Embora o seu objectivo seja apenas fazer um pequeno ponto de situação, gostaria de o fazer da forma mais rigorosa possível.


No último Relatório&Contas ficou-se a saber que o FC Porto tem uma divida de 70,8 milhões de euros a pagar a curto prazo. A situação ficou praticamente controlada só com a venda de Moutinho e James ao Mónaco que, após descontar aos 70 milhões de euros as partes devidas a terceiros, deu ainda 62 aos cofres do clube. Convém ainda referir que não são estas as únicas fontes de receita do clube.

Resolvida esta situação, a SAD ficou em mãos apenas com tarefa de definir o plantel para a próxima temporada. Até à data, chegaram ao clube os seguintes jogadores (valores em milhões de euros):
- Licá (2)
- Josué (0,5)
- Herrera (8)
- Reyes (3,5 - Foi comprado por 7 mas entretanto o clube vendeu 47,5% do passe por 3,5)
- Tiago Rodrigues (1)
- Ricardo (1)
- Carlos Eduardo (1)

Foram investidos um total de 17 milhões de euros no plantel e falta ainda comprar um avançado e um ou dois extremos. Os rumores apontam para a vinda de Ghilas juntamente com Bernad e/ou Quintero.

Segundo a análise que fiz ao plantel no meu post anterior, Bracalli, Fernando, Otamendi, Atsu, Rolando, Sereno, Izmaylov, Djalma e Ukra devem estar de saída do clube. Conseguirá a SAD fazer com estes negócios dinheiro suficiente para financiar as compras que já foram feitas até ao momento e ainda os dois/três reforços que ainda faltam? Sinceramente, parece-me que sim. Pelo menos a maior parte.

Nota-se algum receio em muitos portistas com os valores falados na comunicação social para a aquisição de alguns jogadores. Quintero é mencionado com um valor entre os 8 e os 10 milhões de euros, enquanto que para o Bernard será preciso desembolsar entre 18 a 22 milhões. No entanto, não acredito que o FC Porto assuma sozinho o risco na aquisição destes atletas, principalmente o Bernard. É minha convicção que o brasileiro só vestirá a camisola azul-e-branca se houver um ou mais investidores com quem partilhar o seu passe.

Muitos apelidam de "Gestão de Risco" a gestão feita pela SAD portista. No entanto, estes já deram provas de saber o que fazem e, caso as vendas que se façam a partir de agora consigam financiar em larga escala o investimento feito no plantel, o FC Porto terá no Verão de 2013 um dos mercados mais produtivos de sempre para o clube.

28 de junho de 2013

As regras da UEFA

Há alguns anos a esta parte que os clubes ficaram condicionados por algumas regras na elaboração dos seus plantéis. Face à globalização do futebol, a UEFA impôs aos clubes que entram nas suas competições que tenham, no mínimo, oito jogadores formados no seu país sendo que, desses oito, pelo menos quatro têm de ser formados no próprio clube. Com um limite de 25 jogadores na Lista A, os clubes ficam assim com apenas 17 vagas sem qualquer restrição e vêm-se obrigados a apostar na formação e/ou em jogadores nacionais. Além disso, existe ainda uma Lista B onde poderão ser inscritos jogadores com menos de 21 e que entre os 15 e os 21 anos tenham estado inscritos por duas temporadas completas pelo clube. Esta lista não tem limite de inscrições.

Olhando aos jogadores que o FC Porto tem sob contrato e ignorando a equipa B e a lista B, podemos constatar o seguinte:
a) Existem sete jogadores formados localmente: Rolando, Sereno, Djalma, Varela, Licá, Tiago Rodrigues e Ricardo.
b) Existem cinco jogadores formados no clube: Ukra, Atsu, Abdoulaye, Josué e Castro.
Se for intenção da SAD cumprir as regras à risca, terão de ser inscritos pelo menos quatros dos jogadores mencionados em a) e pelo menos quatro dos jogadores mencionados em b).

No entanto, os clubes não são obrigados a preencher todas as vagas reservadas. Assim sendo, parece-me provável que o FC Porto encurte o seu plantel nas provas da UEFA para 23 ou 24 jogadores. Para isso basta diminuir de quatro para apenas três os jogadores em cada situação - ou em apenas em uma delas - a inscrever na Lista A.

Com base nos rumores que dão como certas as saídas de Fernando, Rolando e Atsu e a chegada do Ghilas e do Herrera, assim como provável a saída do Otamendi e a chegada do Bernard, penso que o plantel não fugirá muito do seguinte:

Guarda-redes:
- Helton
- Fabiano
- Kadú (Lista B)

Defesas:
- Danilo
- Fucile
- Maicon
- Reyes
- Abdoulaye (Formado no clube)
- Mangala
- Alex Sandro
- Quiño (Não será inscrito nas provas da UEFA)

Médios:
- Defour
- Herrera
- Castro (Formado no clube)
- Lucho
- Josué (Formado no clube)
- Carlos Eduardo
- Tiago Rodrigues (Formado no país)

Avançados:
- Licá (Formado no país)
- Varela (Formado no país)
- Bernard
- Iturbe
- Kelvin
- Ricardo (Formado no país)
- Jackson
- Ghilas

Neste caso o plantel seria composto por 26 elementos, sendo que um deles seria o jovem guarda-redes Kadú que pode ainda ser inscrito na Lista B. Quiño seria o sacrificado para ficar excluído da lista a apresentar à UEFA porque ainda assim o treinador teria o Fucile ou o Mangala como alternativas para a posição. Outro destaque vai para os seis extremos no plantel, sendo que os três mais jovens (Iturbe, Kelvin e Ricardo) podem ir jogando pela equipa B de forma alternada para manterem o ritmo de jogo. Bracalli, Fernando, Otamendi, Atsu, Rolando, Sereno, Izmaylov, Djalma e Ukra deverão seguir a sua carreira em outro clube, cada um pelo seu motivo.

27 de junho de 2013

Que meio-campo esperar para 2013/2014?

Durante a época 2012/2013, Vítor Pereira pôde contar com três dos jogadores mais regulares da Liga no seu meio-campo: Fernando, Lucho e Moutinho. A estes juntavam-se Defour e Castro como alternativas. O sucesso do FC Porto nos últimos anos deveu-se em grande parte à qualidade - e à tal regularidade - que este sector apresentou. No entanto, Paulo Fonseca já não poderá contar com o meio-campo que guiou os Dragões num passado recente. Moutinho foi vendido ao Mónaco e Fernando está na porta de saída. É a última oportunidade para a SAD fazer dinheiro com a sua venda pois o brasileiro encontra-se no último ano de contrato e dá sinais de não querer renovar.

Ao mesmo tempo chegam vários jogadores capazes de actuar como médios. Josué, Tiago Rodrigues e Carlos Eduardo como médios mais criativos - sendo que o primeiro pode também actuar como extremo -, Herrera e Reyes - que se sente confortável tanto a trinco como a defesa-central.

Olhando ao elevado número se defesas-centrais sob contrato neste momento, é natural que se pondere a utilização de Reyes como médio mais recuado mantendo assim o tradicional 4-3-3. No entanto, a situação pode mudar de figura em pouco tempo uma vez que as sete opções (Rolando, Sereno, Otamendi, Abdoulaye, Maicon, Mangala e Reyes) podem ficar reduzidas a quatro. É sabido que o Sereno não entra nas contas do clube, que o Rolando quer sair e que não faltam interessados no Mangala e no Otamendi. Neste caso Defour ficaria como única alternativa para a posição de médio-defensivo, obrigando o clube a ir ao mercado ou obrigando o treinador a arranjar soluções.

Uma solução a ponderar seria inverter o triângulo do meio-campo, transformando o 4-3-3 em 4-2-3-1. Defour e Herrera seriam os principais candidatos a ocupar os dois lugares mais recuados do meio-campo, num sistema que beneficiaria as características de ambos e também do próprio Castro. A posição 10 ficaria com vários candidatos: Carlos Eduardo e Josué caso o treinador pretenda alguém mais móvel; Lucho ou Tiago Rodrigues caso o pretendido seja alguém mais responsável tacticamente ou com uma boa meia distância; Kelvin ou até Iturbe caso Paulo Fonseca precise de mais irreverência. Outro jogador a ter em conta para o
meio-campo será sempre o Izmaylov, que pode jogar em qualquer posição do mesmo se a aposta no 4-2-3-1 se tornar real.

Ainda com muito por definir e sem que a pré-época tenha sequer começado, torna-se casa vez mais claro que o Paulo Fonseca tem muito trabalho pela frente e muitas decisões importantes para tomar. Porque se a nível de entradas está já quase tudo definido, ainda há muita gente que tem de sair e que podem ter algum impacto na forma como o FC Porto se vai apresentar para a temporada 2013/2014.