9 de julho de 2013

Jackson e Ghilas

Com a chegada do argelino Ghilas, o FC Porto fica finalmente com duas opções de qualidade para ocupar a posição de ponta-de-lança. Desde a dupla McCarthy-Derlei que não havia uma dupla que me entusiasmasse tanto. Ghilas tem como principal característica a sua capacidade fisica, mas consegue juntar-lhe uma boa capacidade técnica e de decisão. Acabado de chegar ao FC Porto depois de uma grande época no Moreirense, o argelino torna-se assim uma alternativa de peso - ou um valioso complemento - ao colombiano Jackson na frente de ataque.

Não é a primeira vez que o FC Porto, num passado recente, assegura a contratação de um jovem avançado que brilhou por outro clube da Primeira Liga. Depois de brilhar ao serviço do Marítimo, Kléber chegou ao Dragão mas nunca conseguiu mostrar o que mostrou na equipa madeirense. A ideia da sua contratação parecia ser que este fosse o herdeiro do lugar de Falcao a médio prazo, mas o brasileiro cedo se viu privado daquele que deveria ter sido a sua referência e aquele com quem aprendia enquanto ia crescendo na sombra. O "peso" da camisola e a pressão de ser o substituto de um espectacular Falcao foram demais para ele. Esperemos que o caso de Ghilas seja diferente e que a história não se repita.

Jackson foi um jogador fundamental na época 2012/2013 e penso que nenhum portista se sente preparado para ficar sem ele já este Verão. Embora a confiança em Ghilas seja enorme, seria importante para o FC Porto que este tivesse a companhia do colombiano por pelo menos mais um ano.

7 de julho de 2013

O 11 dos suplentes

Ainda não se sabe bem as voltas que esta pré-época vai dar, mas, para já, parece evidente que vamos ter mais e melhores segundas opções.

Partindo desta premissa, tomei a liberdade de elaborar um 11 - não olhem muito ao esquema táctico - apenas com aquelas que, à partida e tendo em conta o actual plantel, são as segundas opções para as 11 posições.


Fabiano tem correspondido quando é chamado e esteve a bom nível na B.

Os dois centrais têm condições para serem titulares, Fucile dispensa apresentações e Quiño foi seguro na B e sereno quando teve que fazer o lugar de Alex Sandro.

O meio-campo é jovem mas com muita garra - principalmente os portugueses - e ainda sobra um brasileiro jeitoso para as bolas paradas.

Finalmente, no ataque, Kelvin e Iturbe deverão estar atrás de Varela e Licá - isto se não forem emprestados - e compensam alguma falta de maturidade táctica com irreverência e imprevisibilidade.

No lugar de Jackson está a única opção do plantel que está em vias de ser apresentado. Tive que recorrer a um "talvez" porque, na primeira semana de trabalho, foram Varela e Licá a fazerem de pontas-de-lança.

Os lindos olhos de Pinto da Costa

Nos últimos anos tem-se assistido a uma crescente contestação por parte dos portistas à forma como a SAD gere o destino do clube. Um pouco por toda a bluegosfera existe um clima de suspeição em volta de alguns negócios - ou talvez todos - e há quem afirme sem dúvidas e ao mesmo tempo sem provas que as já famosas comissões vão direitinhas para os bolsos dos membros da SAD portista, sendo que o Antero Henrique é o principal beneficiário. Isto tudo com a conivência de Pinto da Costa, claro. Suspeita-se de tudo e critica-se tudo. As comissões, as declarações dos jogadores quando estes afirmam que têm a intenção de um dia irem para um campeonato melhor, a compra de apenas uma percentagem do passe em vez da sua totalidade e até a nacionalidade dos atletas.

Num mundo como o do futebol onde o amor à camisola é cada vez menos e o que interessa mesmo é o dinheiro, cada um joga com as armas que tem e nisto o FC Porto é exímio. Ou será que um jogador que possa ir para um clube que lhe paga mais e até a carga fiscal é menor prefere receber menos só porque sim? Ou em vez de ir para países onde os estádios estão quase sempre cheios prefere vir para Portugal porque temos uma gastronomia interessante e uma população acolhedora? Claro que não. Escolhem-nos porque o FC Porto sabe convencer os empresários. Isso mesmo, dá-lhes dinheiro e eles convencem os jogadores que o melhor para a carreira deles é virem para cá.

Mais natural ainda é que eles venham com esperança de um dia irem para um clube que lhes possa pagar cinco vezes mais e que jogue num campeonato mais atractivo. Já toda a gente no mundo percebeu que o FC Porto sabe vender bem, por isso é que os jogadores vêem com bons olhos uma transferência para Portugal. Esse é também o grande motivo para que os clubes cada vez mais prefiram guardar pequenas percentagens do passe dos atletas em vez de o vender na sua totalidade. Perdem alguns milhões de euros no presente com a esperança de ganharem o dobro no futuro.

É esta a nossa realidade actual: o FC Porto compra bons jogadores e vende-os a preços tão elevados porque é um clube "amigo" dos empresários. É o futebol moderno ao qual muita gente se opõe. E, sendo um dos grandes beneficiados por isso, não pode ser o FC Porto a tentar acabar com ele.

A única coisa que podemos exigir aos jogadores é que dêem tudo pelo clube enquanto lá estão, porque o amor à camisola, salvo raras excepções, há muito que deixou de ser o mais importante para eles.