2 de agosto de 2013

Novela Bernard

Antes do arranque da pré-época escrevi aqui que a questão dos extremos no plantel era isso mesmo, uma questão de extremos. Paulo Fonseca tinha oito jogadores para ocupar essas posições e não seria prudente por parte da SAD investir na contratação de um novo jogador sem que os já existentes fossem avaliados pelo novo treinador. Djalma foi riscado à partida e Atsu após a primeira semana de trabalho, reduzindo assim o número para seis. Ricardo, que esteve no Mundial de sub-20 e chegou mais tarde, deverá ter a hipótese de ficar no plantel jogando regularmente pela equipa B devido à sua juventude e à sua capacidade de jogar também como lateral, uma vantagem num plantel com apenas três opções (Danilo, Alex Sandro e Fucile) para dois lugares. Ainda assim sobram cinco: Varela, Izmaylov, um ainda muito nervoso Licá e os inconstantes Kelvin e Iturbe.

Olhando para a pré-época em geral e para o jogo de apresentação frente ao Celta de Vigo em particular, percebe-se que quando o adversário se fecha mais um pouco ficámos à mercê da inspiração individual de um jogador. Varela e Licá, embora sejam bons finalizadores e muito responsáveis tacticamente, não parecem ter o dom de resolver um jogo como um rasgo individual. Será justo esperar isso de Kelvin e Iturbe? Talvez. Conseguiram eles atingir um nível mínimo de regularidade exibicional para que não estejamos dependentes de um milagre como no último clássico? Duvido. Izmaylov, que tem a capacidade técnica e a experiência para assumir esse papel, não consegue manter-se afastado das lesões por muito tempo. Acredito que deixará de ser jogador do FC Porto ainda neste mercado de Verão.

A insistência em Bernard parece ser um indicador que equipa técnica e SAD perceberam que abordar nova temporada com os extremos actuias será, uma vez mais, brincar com a sorte. Os rumores que se arrastam há semanas mostram a vontade do jogador, empresário e família em representar o FC Porto que tem como aliado no negócio o banco BMG que, além de uma boa relação com a SAD, detém ainda uma percentagem do passe do jogador do Atlético Mineiro. O principal obstáculo parece ser o Shakhtar Donetsk que está disposto a pagar mais que a dupla FC Porto/BMG.

O que me parece importante realçar não é a possibilidade do FC Porto poder contratar um internacional brasileiro, que acabou de vencer a Taça das Confederações pelo seu país e a Taça dos Libertadores pelo seu clube, mas sim o facto do clube estar no mercado à procura de um jogador com as suas características: um desequilibrador para entrar directamente na equipa. Se há um mês atrás havia a dúvida se seria preciso alguém, a uma semana do primeiro jogo oficial isso parece ser uma certeza. Aquilo que no arranque da pré-época era uma questão de extremos é agora uma questão de extrema importância.