28 de novembro de 2013

O eclipse de Jackson

Desde o inicio da época que a generalidade dos portistas se queixa de Jackson. Dizem que está mais trapalhão, mais desconcentrado, menos eficaz. Daí até ligarem isso aos problemas com a renovação do contrato para alegarem uma eventual insatisfação foi uma questão de segundos. Vamos a números:

Golos em 2012/2013 ao fim de 18 jogos
FC Porto - 40
Jackson - 12

Golos em 2013/2014 ao fim de 18 jogos
FC Porto - 30
Jackson - 12

Olhando à frieza dos números - que neste caso falam por si próprios -, o colombianos passou a ser o responsável por 40% dos golos portistas quando no mesmo número de jogos da temporada passada esse valor era de 30%.

Parece-me perceptível para toda a gente que o FC Porto se encontra pior em todos os aspectos quando comparado com a época 2012/2013 mas, no entanto, Jackson mantém a média de dois golos a cada três jogos (nos 18 primeiros jogos) aumentando assim a sua preponderância na equipa.

"O Jackson Martínez foi o Atleta do ano mas, mais do que do que Atleta do Ano, deve ser considerado o homem do ano. Pela maneira de ser, pela sua seriedade, pelo profissisonalismo, pelo espírito de colectivo que sempre demonstrou", palavras de Pinto da Costa durante a última gala dos Dragões de Ouro. Já todos devíamos saber que Pinto da Costa não diz nada por acaso...

27 de novembro de 2013

O que é a crise do Porto?

«Como outros antes dele, Paulo Fonseca atravessa um ano zero especialmente doloroso. A herança era menos pesada do que as de outros tempos e o início até sugeriu exactamente o contrário: 6 vitórias seguidas, com uma Supertaça, liderança isolada da liga e estreia forasteira a ganhar na Europa. É verdade que o futebol não correspondia aos números cor-de-rosa, mas contra factos não há argumentos e esperou-se, no fundo, que os fins potenciassem os meios. Os pontos não eram consequência do jogo capaz, mas podiam vir a ser a sua causa. O encantamento durou até onde pôde, isto é, até à relva onde toda a gente está condenada a cair na realidade: a dos Campeões.
Foi a partir do jogo com o Atlético que tudo pareceu cru: o constrangimento da defesa, o dilema existencial no miolo, a falta de talento nas alas, a crise de Jackson, a incapacidade de impelir a equipa a partir do balneário, a letargia no banco, o discurso pobre do treinador. Os portistas acordaram do coma induzido em que se tinham deixado levar com aquela sensação de quem está a cair no vazio e, desde aí, não mais pararam de esbracejar. Numa equipa bamboleante, esses embalos foram as asas de borboleta que precipitaram o resto do furacão. Nos últimos 7 jogos, o campeão só ganhou 2. A vantagem na liga caiu para 1 ponto e, com toda a gente a ver, veio a maior de todas as lesa-majestades: a pior campanha caseira da História do clube na Liga dos Campeões, que torna a qualificação em não mais do que um rabisco teórico, dependente, quanto muito, de dois milagres. 
Mas o que é, afinal, a crise do Porto? É só o treinador? Dificilmente costuma ser assim tão simples. A verdade é que, em Portugal, paciência é a antítese de qualquer idiossincrasia futebolística. Paulo Fonseca continua a ser o treinador que cometeu o estapafúrdio de levar o Paços de Ferreira a uma Liga dos Campeões e essas são coisas que raramente acontecem por acaso. Tem mais trabalho feito, por exemplo, do que Mourinho ou Villas-Boas quando assumiram a cadeira. Contudo, o que pareceu aos portistas uma ideia simpática de Verão, tornou-se numa bandeira revolucionária nos idos do Outono, quando, mesmo com a afectação europeia, não estamos perante nenhum escândalo. Vítor Pereira passou exactamente pelo mesmo e entregou um bicampeonato, ao ponto de hoje andar a ouvir o "volta que estás perdoado". Paulo Fonseca pode não ser o melhor treinador do mundo, mas não há tempo, nem acidentes suficientes, para dizer que é o pior. 
Depois, há um facto de que só se fala de um jeito envergonhado, mas que tem tanta raridade, quanto peso: o departamento de futebol falhou de forma indiscutível na preparação do plantel. O Porto perdeu o jogador mais "insubstituível" da equipa e o seu único desequilibrador de classe mundial; para os seus lugares, apostou em dois mexicanos mais caros do que era suposto e em sete jovens da Liga. Não é propriamente a mesma coisa. Que a capacidade de investimento não seja a de outros tempos, toda a gente compreende. Que o scouting se permita a um ou dois equívocos, é o mínimo para quem tem acertado tantas vezes. Que se encare uma época de transição a substituir Moutinho e James por rapaziada do Paços e do Estoril, não. 
Dito isto, acho que Paulo Fonseca não tem estado à altura. Desde logo, tem falhado no discurso e na maneira de estar. Em todas as oportunidades, foi provinciano na questão das arbitragens e, quanto à capacidade de contagiar a equipa, nunca chegou a ser mais do que opaco, da sala de imprensa ao banco. Jesualdo, mesmo que não fosse de topo, parecia sempre falar a sério. Villas-Boas era um treinador-modelo que dispensa apresentações. Vítor Pereira, mesmo com todas as aflições, parecia ao menos sentir sempre alguma coisa. Paulo Fonseca limita-se a parecer estremunhado... e a equipa joga como ele. Para além disso, é hoje evidente que a sua refundação táctica foi um fracasso. 
O Porto jogava com o mesmo desenho desde que me lembro. Fonseca chegou e assumidamente mudou. Mexeu no miolo, na saída de bola, passou a pedir mais construção atrás, aproximou um médio do ataque. Como num semestre mau, porém, ninguém percebeu muito bem o que o professor queria. E quem percebeu, não sabe fazer. O Porto, de tractor que enchia cada molécula do campo, num futebol quase científico, passou a ser um grupo de bons rapazes no recreio, a tentar resolver os seus problemas ad hoc, com o que estiver mais à mão, à espera de um 'eureka!' qualquer que lhes redescubra a pólvora de todas as vezes. Diz-se que um treinador deve ganhar ou perder com as suas ideias; ter querido reinventar o Porto, no entanto, é em si mesma a razão porque não se estava preparado para o cargo. 
A História diz que a estrutura do clube aguenta quase tudo, e ninguém ficará muito surpreendido se Paulo Fonseca acabar campeão. Resta saber se ele também aguenta e, mais importante, se vale sempre a pena arriscar até ao dia.»
Texto copiado na integra do blog Tu Não Lideras Bem com o Sono

Embora não concorde com todas as ideias, pareceu-me oportuno partilhar esta análise feita por alguém que, não sendo portista, está a analisar as coisas de forma mais fria. O texto fala por si.

Uma imagem vale mais que mil palavras - 26/11/2013

25 de novembro de 2013

O legado de Moutinho


Enquanto esteve no FC Porto, Moutinho foi dono e senhor do meio-campo. Foram três épocas sempre em grande nível que tornaram a sua substituição motivo de preocupação para todos os portistas. Na época passada, quando o internacional português se lesionou, Defour foi o escolhido por Vítor Pereira para ocupar a vaga aberta no meio-campo mas os resultados não foram muito positivos. Embora não houvessem grandes alternativas, a troca de um construtor de jogo por um médio área-a-área trouxe prejuízo à qualidade de jogo praticado pelo FC Porto.

Ao assinar contrato com os Dragões, Paulo Fonseca já sabia que tinha sobre os seus ombros a responsabilidade de arranjar uma solução para um meio-campo que acabara de perder o maestro dos últimos três anos. E aqui começam os problemas do FC Porto 2013/2014. O novo treinador optou passar por cima do trabalho que começou a ser desenvolvido por André Villas-Boas e teve continuidade com Vítor Pereira, alterando o posicionamento e a dinâmica dos médios e, por consequência, de toda a equipa.

Jogar com dois médios-defensivos - embora um tenha liberdade para se envolver no ataque - tem sido um equívoco. Quando a equipa está a defender perde um médio, que em anos anteriores ajudava o ataque a pressionar o a saída de bola do adversário, por este recuar para a linha de Fernando que há vários anos vai mostrando que não precisa do apoio de ninguém a tempo inteiro naquele sector. Mas isto é só uma parte do problema.

No que à substituição directa diz respeito, ao sair Moutinho, quem seria a melhor solução? Defour? Ou o recém-chegado Herrera? Para mim, nenhum dos dois. Como já referi, no passado a troca de um construtor de jogo por um médio área-a-área não trouxe os resultados esperado, Paulo Fonseca devia ter tido isso em conta e testado outras alternativas durante a pré-época. Danilo seria o meu favorito, seguido por Josué, Carlos Eduardo e Izmaylov.

No inicio da época, seria de apostar em Fucile para a direita da defesa - o uruguaio até fez um bom jogo na Supertaça - e adiantado Danilo para o meio-campo. Ricardo ficaria como alternativa, podendo o próprio Defour ser testado na posição. Actualmente, face ao momento de forma de Danilo, seria um pouco arriscado adiantá-lo no terreno e chamar Ricardo ou Víctor García à titularidade, uma vez que Fucile é carta fora do baralho. Assim sendo, a opção mais sensata seria utilizar outro jogador no meio-campo.

Com Izmaylov fora de combate há dois meses e Josué a jogar nas alas para compensar o erro que foi não contratar um extremo, resta apenas Carlos Eduardo. Aqui Paulo Fonseca voltou a dar um tiro nos pés ao não inscrever o ex-Estoril na lista da UEFA - situação que deverá ser corrigida em Janeiro. O brasileiro tem mostrado, quer pela equipa B, quer pela formação principal, que tem valor para se assumir como titular no FC Porto, falta o treinador ganhar coragem e apostar seriamente nele.

Existe ainda a opção de usar Quintero na função que tem sido atribuída a Josué, que é basicamente o que fazia James no passado: jogar como falso extremo e participar no ataque a partir da ala. Assim sendo, o treinador ganha em Josué mais uma opção para um meio-campo que tem sentido enormes dificuldades na saída de bola e que acumula passes errados em zona proibida.

A ausência de alternativas indiscutíveis para as alas ofensivas é indiscutível, mas isso não legitima que Paulo Fonseca destrua todos os sectores da equipa e muito menos o futebol miserável que temos assistido. Desde cedo se percebeu que esta maneira de jogar estava a prejudicar os jogadores e que o treinador não estava a saber tirar partido das alternativas que tem ao seu dispor. Cerca de três meses após o arranque da temporada, exige-se que haja mais audácia do que ir alternando entre Defour e Herrera num modelo que, aliado a uma mentalidade pequenina, já mostrou não servir para o FC Porto.

Uma imagem vale mais que mil palavras - 23/11/2013