3 de dezembro de 2013

Acreditar para vencer

Jorge Jesus disse na passada terça-feira que o Benfica tinha de vencer para acreditar. No FC Porto as coisas processam-se de outra maneira, aqui é preciso acreditar para vencer.

O que temos visto em campo ao longo desta época é uma equipa do FC Porto que não acredita em si própria, que desconfia se será capaz, que desconfia das opções do seu treinador. O resultado está à vista e teve no jogo de Coimbra o seu ponto mais baixo. Isto fez Paulo Fonseca ponderar, admitir os seus erros e colocar o lugar à disposição. Pinto da Costa segurou-o. O presidente acredita no treinador, acredita que este tem o que é preciso para corrigir o que tem feito de mal e levar o FC Porto ao seu destino: vencer.

Segundo a imprensa, o treinador do FC Porto admitiu perante alguns elementos da SAD, os capitães e um pequeno grupo de adeptos que se tinha equivocado em algumas coisas, desde a forma como quer que a equipa jogue até à forma como trata os problemas com o plantel. Terá sido este mea-culpa que fez Pinto da Costa dar um voto de confiança ao treinador? Acredito que sim.

Parece que Paulo Fonseca finalmente percebeu que os problemas da equipa que orienta estão longe de ser apenas a finalização e que, ultrapassando esse problema, está longe de ser uma equipa quase perfeita. É preciso acertar o meio-campo que teima em não acertar em 4-2-3-1, é preciso ser mais rápido a agir a partir do banco e é preciso castigar com a perda da titularidade os maus desempenhos constantes. Isto compete ao treinador corrigir o mais rapidamente possível, o resto compete à SAD.

A partir do momento que o treinador apresentou a sua demissão e a Administração decidiu recusá-la, esta passa a ser a única responsável pelo que acontecer a partir desse ponto. Assim sendo, além do voto de confiança, é preciso que a SAD ajuste também o plantel já em Janeiro. A falta de um extremo era visível há muito e é com bons olhos que vejo o provável regresso de Quaresma ao Dragão.

Agora que SAD e treinador parecem ter admitido as suas falhas e estão empenhados em corrigi-las, cabe aos portistas ter mais um pouco de paciência e acreditar que é possível.

1 de dezembro de 2013

Uma imagem vale mais que mil palavras - 01/12/2013

«Estavas a cinco, Fonseca, a cinco!»

A derrota em Coimbra não me surpreendeu nada, só me espantou que tenha demorado tanto a chegar. Jogar contra o FC Porto de Paulo Fonseca é tão fácil como seria adivinhar em qual copo se encontra a bola sendo estes transparentes. Os jogadores não jogam o que sabem, nem sabem o que jogam. Ao fim de 19 jogos, não há ainda fio de jogo e a jogada-tipo é um passe longo da defesa para o Jackson. A segurança defensiva é um mito e a equipa faz tudo em esforço. Qualquer equipa treinada por um Sérgio Conceição qualquer consegue anular um FC Porto que joga em 5-0-5, com Fernando como quinto defesa e Lucho como quinto avançado.

Sendo eu ainda jovem, estou pela segunda vez a pedir a demissão de um treinador. Até à data de hoje, apenas Octávio Machado mereceu esse desejo por minha parte. A SAD equivocou-se ao escolher Paulo Fonseca, ao escolher alguém que tinha como sistema de jogo preferido algo muito diferente do 4-3-3 que fez do FC Porto aquilo que é hoje e que não teve a inteligência de aproveitar o trabalho do antecessor. Pior, no jogo frente à Académica vimos a equipa iniciar o jogo em 4-2-3-1, com a entrada do Licá tentou jogar em 4-4-2 - que na realidade foi o tal 5-0-5 que já falei - e terminou em 3-3-4. Parece que todos os sistemas são válidos, a única excepção será mesmo o 4-3-3.

Neste momento manter Paulo Fonseca não será um sinal de estabilidade, mas sim de teimosia por parte da SAD. A diferença de cinco pontos para o(s) segundo(s) classificado(s) foi anulada em três jornadas consecutivas e o Estádio do Dragão viu a sua pior fase de grupos da Liga dos Campeões. Seria difícil para qualquer treinador que entrasse agora fazer pior. Para mim o cenário é fácil: ou a SAD corrige o erro inicial e demite Paulo Fonseca, ou os portistas devem considerar deixar de lado a contestação ao treinador e apontar para quem insiste em mantê-lo no comando da equipa.

Neste momento só me vem à cabeça a imagem daquele benfiquista que na época 2011/2012 gritava desesperado para Jorge Jesus: "Estavas a cinco, a cinco!".