19 de dezembro de 2014

Ainda sobre o Clássico

Para enterrar de uma vez por todas o assunto - até porque hoje já há novo jogo -, gostaria de analisar alguns acontecimentos sobre o último FC Porto - Benfica que se passaram durante e após o jogo.

O primeiro golo do Benfica


Há quem diga que Lopetegui não estudou o Benfica. Para mim, isso é totalmente mentira. A forma como Herrera e Óliver entravam no espaço deixado entre os laterais e os centrais dos encarnados demonstra que o técnico espanhol sabia que Jorge Jesus contra o FC Porto usa uma marcação suicida aos extremos e faz os próprios extremos marcar de forma apertada os laterais que vestem de azul e branco. Embora não seja uma movimentação estranha na equipa do FC Porto, é anormal que seja feita com tanta frequência e só não resultou em golo por várias vezes por azar/falta de pontaria. Se Lopetegui estudou o Benfica tão bem ao ponto de conhecer esta forma de jogar quase em exclusivo contra o FC Porto, também sabia que os lançamentos longos iriam estar no menu. Assim sendo, não percebo como foi possível fazer uma avaliação tão má da atitude a adoptar. É para mim inconcebível que o treinador basco tenha pensado que bastava ter um jogador - Brahimi no caso - à frente de Maxi Pereira enquanto este lançava a bola. O resto, o que se passava na área, era resolvido com uma marcação primitiva e em desuso há uma década. Para compor o ramalhete, Marcano nem marcou nem ocupou um espaço onde pudesse ser útil, ficando afastado automaticamente da jogada. Terá sido por isso que saiu do onze directamente para a bancada? Ou será que o Vitória de Setúbal é um adversário para encarar como se encarou o Boavista, que dá para tudo? Um palavra ainda ao árbitro nessa jogada. Fez questão de ir pessoalmente medir os dois metros que Brahimi era obrigado a deixar para a linha, mas fez vista grossa à forma como a bola foi lançada e à forma como foi introduzida na baliza (ainda que neste caso, no meu entender, tenha decidido bem).

O golo anulado ao FC Porto


Felizmente não sou o único a achar que a lei não foi respeitada. Em Portugal existe aquela velha máxima que diz que o árbitro fez bem em marcar falta quando o jogador tira partido do facto de ter jogado a bola com a mão. Não é isso que está escrito nas Leis do Jogo. O que conta é a intencionalidade e não me parece que o Jackson tivesse qualquer intenção de roubar um golo à própria equipa, uma vez que o remate de Casemiro ia em direcção à Baliza do Benfica. O árbitro não hesitou e assinar falta. Curioso foi o facto de ter interpretado (bem) que Lima introduziu a bola na baliza do FC Porto com o braço e optar por validar o golo. Mais tarde, ainda na primeira parte, Maxi Pereira corta um cruzamento com as duas mão, de forma deliberada, e Jorge Sousa nada assinala. Falta e cartão amarelo que ficaram para trás.

A substituição de Luisão


A bola saiu pela linha de fundo, Luisão pediu a a substituição e a equipa médica do Benfica acabou por entrar em campo para avaliar a situação. Depois do jogador ser assistido dentro de campo - situação que desrespeita os regulamentos mas que é comum em todos os jogos-, o médico dá sinal aos presentes no banco de suplentes para que se avance para a substituição. Jorge Sousa manda Luisão abandonar o campo para que se proceda à marcação do canto a favor do FC Porto, adiando assim a substituição para a próxima paragem. O banco do Benfica protesta , o árbitro cede e César entra de imediato. Jorge Sousa preparava-se para cumprir a lei, ou seja, para obrigar o jogador assistido a abandonar as quatro linhas e não o fez porque o Benfica exigiu que a substituição fosse feita naquele momento. Parece que em Portugal o Benfica está acima do International Board. O que fez o banco do FC Porto? Nada. Rigorosamente nada.

"É sempre por dois a zero"


A frase é de Jorge Jesus e foi proferida como se fosse uma tradição o Benfica vencer no Dragão. Esta curiosidade foi revelada pelo técnico encarnado após este ter sido confrontado pelo repórter da Sporttv como facto de ser a terceira vitória do Benfica sobre o FC Porto desde a época 1999/2000, como visitante e em jogos a contar para o campeonato. De facto foi sempre por 0-2, mas não é menos verdade que nesse período houve 25 jogos e que o FC Porto venceu 17 e apenas concedeu 5 empates. No mesmo período, o FC Porto consegui 7 vitórias e 9 empates na Luz. No dia seguinte ao Clássico, talvez levado pela emoção de um acontecimento raro, o jornal Record falava no nascimento de uma lenda, mas no fundo toda a gente sabe que o FC Porto tem larga vantagem neste capitulo.

Deixem jogar o Benfica!


Esta foi a manchete de ontem do jornal A Bola e veio em sequência das declarações ridículas de Jorge Jesus que, de uma assentada, tentou condicionar a actuação do adversário e do árbitro ao afirmar que o Sporting de Braga aquando da derrota benfiquista no jogo a contar para o campeonato se limitou a dar porrada durante os 90 minutos. Confrontado com este facto fui pesquisar e, de facto, foram assinaladas 28 faltas a favor do Benfica e que valeram aos jogadores bracarenses 8 cartões amarelos e 1 vermelho. Curiosamente, foi esse o número de faltas cometidas pelo Benfica frente ao FC Porto e que valeram apenas 4 cartões amarelos a quem equipava de vermelho. Um deles após uma falta grosseira de Samaris sobre Jackson, com o jogo já parado e merecedora de vermelho directo em qualquer parte do mundo. "Olha para o que eu digo e não para o que eu faço" deve ser o provérbio preferido de Jorge Jesus.

18 de dezembro de 2014

Brahimi


Yacine Brahimi precisou de pouco tempo para começar a maravilhar os portistas. A maneira como serpenteava pelos adversários com uma velocidade e técnicas deliciosas levavam muitos a pensar como seria possível que o argelino andasse meio desconhecido em terras andaluzas. Para ajudar à festa, sabe bater livres directos, coisa que há muito não se via por aqui.

Com o sucesso, veio o reconhecimento, as nomeações e os prémios, os elogios, as manchetes, as entrevistas. E Brahimi acusou isso. Não só porque não é fácil lidar com uma mediatização tão grande e tão rápida, mas também porque, naturalmente, os adversários começaram a cair-lhe em cima com muito mais cuidado. Com desgaste à mistura, o argelino tem perdido muito fulgor nos últimos jogos. Está mais complicativo, perde cada vez mais bolas sem que os lances que ganha consigam trazer algo de útil para a equipa.

Para mim, não acho anormal. É difícil para qualquer jogador manter um nível alto durante toda a época e Brahimi subiu imenso a fasquia a si próprio. Nem o extremo era a oitava maravilha do mundo quando estava no topo de forma, nem agora é um cepo. Não espero que Yacine seja transcendente em todos os jogos, nem isso é possível, mas o ex-Granada tem de voltar a encontrar-se e tirar o peso de cima dos ombros ou a obrigação de ser decisivo em todos as partidas para que possa voltar a ajudar a equipa. Brahimi tem de perceber que se tem três ou quatro jogadores em cima dele, algum colega deve andar sem marcação nas redondezas, aguentar a bola e soltá-la para um colega no momento certo pode ser tão importante como um drible que deixa dois adversários para trás.

A CAN aproxima-se e, dependendo do que do que faça a Argélia na Guiné Equatorial, podemos ter Brahimi de volta apenas no final da primeira semana de Fevereiro. Espero que o camisola oito volte rejuvenescido. Por cá, Ricardo Pereira e Kelvin farão pela vida.

16 de dezembro de 2014

O Clássico e o Campeonato

Quem acompanhar minimamente o campeonato já percebeu que o Benfica não é uma equipa que joga com as mesmas cartas que as restantes. Ao bom estilo dos jogos multiplayer online, os encarnados parecem ser os únicos detentores de uma conta premium que, para quem não está familiarizado com o assunto, favorece os detentores da mesma nos mais variados aspectos do jogo. No caso dos encarnados vai desde as famosas arbitragens amigas onde basta a um adversário espirrar para ser sancionado com uma falta; às equipas adversárias que abdicam dos melhores jogadores só porque sim; passando na alínea especial na regra do fora-de-jogo que diz que "em caso de dúvida beneficia-se o utilizador premium. Caso o jogo em disputa não inclua o supracitado, o beneficiado deve ser aquele que menos perigo lhe ofereça"; ou até mesmo num melhor tratamento por parte da comunicação social.

No campeonato tem sido assim, mas no Clássico do último domingo foi atingido todo um novo nível. O FC Porto dominou completamente o jogo e saiu derrotado graças a falhas próprias - tanto a atacar como a defender. Os dois golos consentidos foram isso mesmo, completamente consentidos, e os desperdícios no ataque davam mesmo a sensação de que estávamos perante um qualquer jogo digital em que o servidor estava programado para que fosse determinada equipa a vencer. Afinal, qual são as probabilidades de segundos após um jogador mandar uma bola à trave ver um colega rematar-lhe contra um braço e ser ele a evitar um golo certo a favor da própria equipa? E se a isto se acrescentar outra bola na trave minutos depois? Não esquecendo, claro, os dois golos anormais a favor do adversário e mais dois falhanços clamorosos que dariam a vantagem à própria equipa quando o jogo ainda se encontrava a zeros. O Benfica conseguiu ser beneficiado com isto tudo. Fora isto, mais do mesmo. Jorge Sousa, o árbitro da partida, permitiu que os encarnados fizessem 28 faltas em 90 minutos; fez vista grossa às constantes perdas de tempo; premiou Samaris com um cartão amarelo após este pontapear Jackson na barriga já com o jogo interrompido; fez questão de medir pessoalmente os dois metros que Brahimi era obrigado a guardar para que o Maxi pudesse lançar a bola mas se este o fazia dentro ou fora de campo pouco importava; e por aí fora.

No final disto tudo os opinion makers não tinham dúvidas: Jorge jesus deu uma lição táctica a Lopetegui. Eu que vi o jogo pensei para mim: "o Jorge Jesus também deve ser um utilizador premium". E não o pensei por ele poder bater em policias ou em jogadores da equipa adversária sem que nada lhe aconteça, mas sim pelo facto de ele ter sabido previamente de que marcaria pelo menos um golo oferecido e que o FC Porto falharia todas as oportunidades flagrantes que criou até com alguma facilidade. Ou isto ou teve muita sorte, como o próprio admitiu a Lopetegui. A comunicação social ficou em êxtase como nunca fica mesmo quando o FC Porto ganha um troféu internacional. Talvez seja esse o preço a pagar por ser um free user.

15 de dezembro de 2014

Como encarar o resto do campeonato


Para começar, com uma enorme paciência. De forma muito estúpida, à 13ª jornada, estamos a seis pontos da liderança. Vão-se disputar 63 e, dito assim, parece precipitado antecipar o adeus ao título.

Na prática, sabemos que é diferente. No nosso campeonato, são poucas as equipas capazes de tirar pontos ao benfica, mesmo que este benfica esteja longe do virtuosismo de épocas anteriores, não precisam de muito para vencer, como se pode comprovar ontem. É mais ou menos consensual entre os portistas que a exibição do FC Porto justificava o resultado oposto e que em 10 jogos como o de ontem, o Porto perderia um. No entanto, a eficácia é fulcral no futebol, particularmente nos clássicos e a equipa de Lopetegui só se pode queixar de si própria, já para não falar dos erros patéticos nos golos sofridos - há muito que não aconteciam...

Só que o jogo de ontem não explica tudo. Perder um clássico dói de caraças, mas nunca pode ser entendido como um resultado anormal. Aqueles 90 minutos são um mundo diferente, onde o momento de forma das equipas ou as exibições pouco importam. O Porto não devia ter chegado ao clássico com três pontos de atraso, começa logo por aqui. Sem as perdas de pontos absurdas com Boavista e Estoril - por exemplo - a diferença para o benfica seria muito menor e o acidente de ontem não teria consequências tão graves.

Isto não sou eu a desvalorizar ou banalizar uma derrota num jogo grande, atenção que não é isso,apenas relembro que não facilitar naqueles encontros que não nos põem nervosos 24 horas são meio caminho andado para não perder o campeonato. Eu ainda acho que são aqueles jogos de 1-0 sem história que muito contam no fim. São essas vitórias que permitem chegar às partidas mais complicadas com margem de erro suficiente para não sofrer em demasia com estas partidas surreais do futebol.

À boa moda do Porto, isto está fodido. Mas agora só há um caminho: ganhar! Não adianta massacrar a cabeça com o que não podemos controlar, temos que fazer o nosso trabalho como se cada jornada fosse a última. Infelizmente, nos últimos anos, temos corrido atrás do prejuízo, nem sempre o corrigimos, mas não seria a primeira vez que o fazemos.

14 de dezembro de 2014

Quem não marca sofre

É uma daquelas frases feitas no futebol e que assenta como uma luva a este Clássico. O FC Porto entrou bem no jogo e teve duas grande oportunidades para marcar, na primeira Herrera errou o alvo e na segunda Jackson rematou à figura de Júlio César. O Benfica chega ao ataque e faz o 0-1 naquilo que devia ser uma não-jogada: lançamento longo para a área, a defesa do FC Porto toda a olhar e lima, na pequena-área só teve de encostar. Mostrei aqui a minha preocupação sobre o tipo de marcação que Lopetegui usava nas bolas paradas e afirmei que muito dificilmente não sofreríamos um golo neste jogo se a situação se mantivesse. Realmente quem não marca sofre e o verbo marcar aqui até serve também no sentido das marcações, porque no neste lance Danilo esqueceu-se de acompanhar Lima e, para cúmulo dos cúmulos, andava um defesa central (Marcano) a passearna área sem ninguém para marcar e nem se preocupou em posicionar num local onde pudesse ser útil. Fabiano também fica mal na fotografia, uma vez que a bola "pinga" na pequena área e nem ia com muita velocidade. Danilo assumiu a culpa mas, embora não esteja isento dela, que devia dar a cara era o treinador, porque é uma decisão dele usar este tipo de marcação que não serve para mais nada que não seja expor os jogadores a estes erros. A marcação à zona é mais difícil de treinar? Talvez. Mas é para isso que há treinos quase todos os dias e às vezes mais do que um. Tem de haver tempo para tudo.

O lance do segundo golo também deixa muito a desejar a nível defensivo. Casemiro estava desposicionado porque tinha ido à esquerda ajudar Alex Sandro, a bola vem daí para o centro e Herrera continuou a acompanhar o lance com os olhos enquanto a defesa recuava. Foi Casemiro que teve de fazer um sprint para atrapalhar o Talisca na altura do remate e, uma vez mais, Fabiano falha e Lima aparece para encostar.

Um jogo em que o FC Porto devia ter ganho bem, onde Jackson mandou dois cabeceamentos à trave e teve um golo anulado pelo meio, transformou-se numa derrota por 2-0. Lopetegui não teve o engenho necessário para fazer com que a equipa explorasse o elo mais fraco do Benfica, o André Almeida, que ainda por cima ficou amarela do no primeiro minuto! Além disso esperou em demasia e só com o 0-2 é que decidiu mexer. A terceira substituição nem comento, porque se era para manter a defesa a quatro (Casemiro baixou para central e Indi passou para a lateral), não consigo perceber porque não saiu um jogador que já tivesse cartão amarelo.

A sensação que me dá é que no FC Porto não se aprende com os erros do passado. Jorge Jesus já é treinador do Benfica há tempo suficiente para toda a gente saber que no Dragão joga encolhido à procura do contra-ataque ou do golo um lance de bola parada. Se não for possível, o pontinho já é bem bom. Os últimos campeonatos foram quase todos decididos nos clássicos e hoje o FC Porto deu um grande tiro nos pés.

O campeonato está muito difícil e não estou a ver onde é que se podem recuperar seis pontos de atraso. Se nós a jogar em casa não fizemos o nosso dever, quem vai agora ganhar ao Benfica? A Académica? Mesmo o FC porto ganhando todos os jogos que faltam, incluindo o Clássico da segunda volta na Luz pelo menos por 0-2, é preciso ainda que o Benfica perca um outro jogo, tarefa que se adivinha muito dificil tendo em conta o histórico deste campeonato.

Compete agora ao FC Porto continuar a ganhar para manter o rival pressionado e esperar que Jorge Jesus perca pelo menos uma das jóias da coroa no mercado de Inverno. Está mais que provado que para ir ganhando em Portugal não é preciso grande banco, basta ter um onze competitivo, coisa que o Benfica (ainda) tem. A única coisa que é certa para já é que a Taça de Portugal já ficou para trás e o campeonato complicou-se bastante. É necessário mudar alguma coisa de forma imediata porque, internamente, não ganhando aos rivais dificilmente se ganha alguma coisa.

12 de dezembro de 2014

Preocupações

As bolas paradas defensivas


Lopetegui parece ser adeptos das marcações homem-a-homem nas bolas paradas, ao ponto de ter feito o FC Porto retroceder a esse tipo de marcações (verbo escolhido propositadamente, pois para mim trata-se de um retrocesso). Não digo isto pelo golo sofrido frente ao Shakhtar, mas serve de exemplo ao que pode acontecer: nem é preciso um jogador erra,basta ter um adversário directo mais forte pelo ar para que toda a equipa seja penalizada. Com a marcação à zona os jogadores são distribuídos estrategicamente na grande-área para que os mais fortes no jogo aéreo fiquem nas zonas mais perigosas e os mais fracos nas zonas que oferecem menos perigo à própria baliza. Não vejo em que é que a marcação individual possa ajudar e nem vejo que volte a ser a preferida pelos treinadores a curto prazo, mais ainda que os árbitros estão cada vez mais rigorosos em relação aos puxões. A minha preocupação sobe de nível quando sabemos de antemão que o Benfica de Jorge Jesus é um especialista nos já famosos bloqueios. Será preciso alguma sorte para não sofrer um golo num destes lances. Depois não adianta deitar a culpa ao árbitro.

Adrián López


Não sou dos que se preocupa excessivamente em relação ao preço de um jogador, nem sou dos que exige que um jogador chegue e comece imediatamente a brilhar. No entanto, não posso deixar de mostrar preocupação com o facto de Adrián López estar a passar completamente ao lado de todas as oportunidades que lhe são dadas. Neste momento, os salários do espanhol são um peso para o clube porque o próprio jogador, quando está em campo, é um peso para a equipa. Vamos dar tempo ao tempo, mas, sinceramente, não vejo como Adrián possa aspirar a ser titular no FC Porto enquanto Brahimi, Tello e Jackson estiverem por cá. Mesmo Quaresma e Aboubakar partem na frente do espanhol na luta pela titularidade. Talvez durante a CAN tenha mais oportunidades de jogar, uma vez que dois destes cinco estarão ao serviço das respectivas selecções.

Marcano, Maicon e os cartões amarelos


Informação incorrecta.
Maicon continua "à bica" e a ele junta-se Marcano.
Recentemente disse aqui que Lopetegui devia usar o jogo frente ao BATE Borisov para fazer Maicon ver o terceiro cartão amarelo e, dessa forma, cumprir castigo frente ao Shakthar, garantindo que a equipa estaria na máxima força nas duas mãos dos oitavos-de-final. Tal não aconteceu e incompreensivelmente o treinador espanhol poupou o central brasileiro frente à equipa bielorrussa e colocou-o em campo frente aos ucranianos, sujeitando-o a ver o cartão amarelo que lhe falta para ficar um jogo de fora por castigo. Maicon conseguiu escapar, mas ao contrário do que dizia ontem no jornal O Jogo, os cartões amarelos não recomeçam agora do zero. Retirado do site da UEFA: "Single yellow cards and pending suspensions are always carried forward either to the next stage of the competition or to another club competition in the current season. Exceptionally, all yellow cards and pending yellow-card suspensions expire on completion of the play-offs. They are not carried forward to the group stage. In addition, all yellow cards expire on completion of the quarter-finals. They are not carried forward to the semi-finals". Assim sendo, o FC Porto terá nos oitavos-de-final dois dos três defensas centrais em risco de exclusão por acumulação de cartões amarelos, uma vez que Marcano foi sancionado tanto frente ao BATE Borisov como frente ao Shakthar. Não consigo perceber como foi possível não acautelar esta situação sabendo que estão tão poucos defesas inscritos. Mesmo a situação de Alex Sandro foi mal gerida, uma vez que tem um cartão amarelo e foi utilizado nos dois jogos "a feijões" mesmo tendo um competentíssimo Ricardo no plantel a gritar e a justificar oportunidades. Estará Lopetegui mal informado em relação às regras? Será que a lista será alterada em Janeiro? Ou será que o FC Porto está tão satisfeito por ter chegado aos oitavos-de-final que nem faz os possíveis para criar as condições para chegar mais longe?

10 de dezembro de 2014

Exclusivo Portistas Anónimos: Danilo fora do Clássico


Depois de toda a polémica em volta da decisão do Belenenses em não utilizar dois dos melhores jogadores do plantel no jogo contra o Benfica, as Águias continuam numa maré de sorte no que às indisponibilidades nos planteis adversários diz respeito. Os Azuis do Restelo alegaram que Miguel Rosa e Deyverson não estariam psicologicamente preparados para defrontar o Benfica porque já estiveram ao serviço desse clube e poderão voltar a estar um dia. Foi uma decisão tomada para defender apenas e só os maiores interesses do Belenenses e parece que o FC Porto se prepara para fazer o mesmo. O nosso blog está em condições de adiantar que Danilo não se sente preparado para defrontar uma vez mais uma equipa pela qual esteve em vias de assinar. Embora já o tivesse feito no passado, o jovem brasileiro garante que não o fará novamente enquanto não conseguir esquecer as rondas negociais com o emblema da Luz.

Alex Sandro, que se encontra na mesma situação que Danilo, estará em dúvida até à hora do jogo, pois quando confrontado com a notícia de que o camisola 2 não jogaria ficou visivelmente afectado com a situação. O lateral esquerdo teme agora que um possível erro no Clássico de domingo seja interpretado como voluntário pelos portistas e pela comunicação social devido à quase-relação que teve com o Benfica. Neste momento é a principal preocupação dos psicólogos do clube e só o tempo dirá se o conseguem recuperar ou não.

Sabemos ainda que Lopetegui não gosta de facilitar nestes casos e que não força os jogadores a jogar quando estes não se sentem preparados emocionalmente. Segundo o que nos foi dito, terá sido mesmo por motivos psicológicos que Quaresma não foi convocado para o jogo com o Paços de Ferreira e Casemiro para a deslocação a Coimbra. O português não se sentia cómodo com a ideia de jogar contra uma equipa onde alinha um ex-namorado de uma prima afastada (não nos adiantaram nomes), enquanto o brasileiro rejeitou completamente a hipótese de defrontar a Briosa porque em tempos já foi também ele próprio um estudante.

Notícia a desenvolver nos próximos dias pela comunicação social.

6 de dezembro de 2014

Nova goleada com sabor a Verdade Desportiva


Benfica recebe e vence por 3-0 o Belenenses num jogo disputado ao ritmo de um qualquer amigável de pré-época. Era já sabido que João Meira, titular indiscutível na defesa do Azuis, não jogaria porque na jogada anterior viu o 5.º cartão amarelo que leva à suspensão automática de um jogo, mas a essa ausência somou-se as de Miguel Rosa e Deyverson, talvez os dois melhores jogadores da equipa, impedidos de jogar por decisão da direcção do Belenenses e as de Tiago Silva e Sturgeon, estas por opção técnica de Lito Vidigal. Maxi Pereira e Enzo Pérez estavam impedidos de levar cartão amarelo para puderem estar presente no Clássico da próxima jornada no Estádio do Dragão e nunca houve o risco de tal acontecer, mesmo tendo o argentino simulado (mais um) penálti. Ambos acabaram por ser substituídos na fase final do jogo. O trabalho conjunto de todas as partes que começou bem antes do jogo e só acabou no apito final. Assim se faz um campeão. Ou pelo menos vai-se tentando.

28 de novembro de 2014

O mês mais importante de todos

Confirmado que está o afastamento do Benfica das provas organizadas pela UEFA, o mês de Dezembro ganha agora especial importância para o FC Porto pelo simples facto de ser aí, provavelmente no dia 13 ou 14, em que se disputa o clássico entre ambas as equipas no Dragão. Além disso, será das ultimas ocasiões em que os encarnados terão jornadas do campeonato com jogos para outras competições pelo meio (Leverkusen para a Champions e Braga para a Taça de Portugal). Já toda a gente percebeu que o Benfica não tem soluções no banco para posições-chave e, muito por isso, Jorge Jesus não terá problema em jogar a Taça da Liga com jogadores de segunda linha e arriscar uma possível eliminação sob a bandeira "era isto ou o campeonato".

Olhando a isto, torna-se importante vencer o clássico para alcançar o Benfica o quanto antes, não deixando a ferida da eliminação das provas europeias fechar. Sabemos de antemão que será difícil não só pela valia do adversário mas também pela amostra das arbitragens com que as águias foram brindadas (e não havia verbo melhor para dizer isto) até agora. O adepto que escreveu a mensagem da imagem presente neste post tentava apenas dar uma bicada no Sporting, mas nunca imaginou estar a dizer uma verdade tão grande. Resta saber se foi mesmo preciso subornar alguém ou se as equipas de arbitragem o fazem apenas por amor à causa.

De qualquer das formas, sabemos que o rei vai nu e que apenas por "sorte" o Benfica ocupa a primeira posição. O FC Porto não tem deslumbrado, mas já mostrou capacidade para mais e, ao contrário do maior rival, passou com distinção no teste do algodão da Liga dos Campeões. No entanto, reforço a importância de vencer o clássico porque uma derrota portista pode ser fatal. Não só porque a diferença pontual aumenta, mas fundamentalmente porque os encarnados ficarão a jogar praticamente apenas para uma prova que parece programada para ser vencida por eles custe o que custar.

19 de novembro de 2014

A fase de grupos da Liga dos Campeões ainda não terminou


Não é novidade para ninguém que devido ao afastamento precoce na Taça de Portugal o FC Porto apenas voltará à competição na próxima terça-feira. O jogo a contar para a Liga dos Campeões será disputado na Bielorrússia e, importa referir, será às 17h00 e não às 19h45 como é habitual na maioria dos jogos desta competição. O BATE Borisov será assim um bom "jogo-treino" para o regresso à competição após a paragem para os jogos das selecções. Com o apuramento garantido, os Dragões podem agora gerir os dois últimos jogos sem a pressão da obrigatoriedade de ganhar. Seguem-se alguns dos objectivos a que o FC Porto se deve auto-propor para o que falta da fase de grupos.

Amealhar mais 2 milhões de euros - As finanças do clube não vivem os melhores dias e a Liga dos Campeões sempre foi uma excelente fonte de receita. Com o prémio por vitória cifrado em um milhão de euros, o FC Porto tem a possibilidade de juntar mais dois aos €3,5 milhões já acumulados com as três vitórias e o empate alcançados até ao momento.

Garantir que ninguém está suspenso para os oitavos-de-final - Ao contrário dos rivais lisboetas, o FC Porto tem recebido poucos cartões amarelos, quatro no total, distribuídos por Óliver, Alex Sandro e Maicon (2). Lopetegui, mais do que ninguém, deve estar consciente de que inscreveu poucos defesas para a Liga dos Campeões, três centrais e três laterais contando com Ricardo. Sabendo que o terceiro amarelo vale um jogo de suspensão, é importante que o central brasileiro o receba já na próxima jornada e cumpra castigo no último jogo da fase de grupos. Alex Sandro e Óliver também devem ter cuidado extra neste capitulo.

Dar oportunidades aos menos utilizados - No ponto anterior referi a importância de livrar a equipa de ter jogadores suspensos na próxima fase. Para ajudar a cumprir esse objectivo, o plantel conta com jogadores capazes de substituir os habituais titulares sem comprometer a qualidade da equipa. Indi e Marcano podem formar a dupla de centrais na última jornada, enquanto que nos jogos que faltam Evandro e Rúben Neves podem render Óliver e Ricado pode jogar a lateral esquerdo. Pessoalmente apostaria na dupla Maicon-Marcano frente ao BATE Borisov - dando assim a oportunidade a Maicon para forçar o cartão amarelo e evitando expor o Indi a qualquer sobressalto - e poupava um ou outro jogador em cada partida. Nada de extravagante porque ainda há muito dinheiro em disputa, mas sempre com um olho no jogo seguinte a contar para o campeonato, até porque após a recepção ao Shakthar segue-se o FC Porto-Benfica.

Garantir o primeiro lugar - Vencendo nesta jornada, o FC Porto pode garantir imediatamente o primeiro lugar no grupo caso o Shakthar não vença os espanhóis do Athletic de Bilbau. Em caso de vitória ucraniana, tudo ficará decidido na última jornada, quando FC Porto e Shakthar medirem forças no Estádio do Dragão. O primeiro lugar no grupo dá a (possível) vantagem de defrontar um dos segundos classificados nos oitavos-de-final, aumentando assim um pouco a possibilidade de chegar mais longe na prova.

Nenhum dos pontos parece impossível de cumprir com sucesso, mas há que manter a equipa focada e impedir que qualquer um dos jogadores entre em campo com a sensação de que já não há nada em disputa. Estou certo que a direcção e o treinador saberão passar à equipa a mensagem de como ir longe na prova é importante para o clube. Se os quatro objectivos que mencionei forem alcançados, será talvez a melhor prestação de sempre do FC Porto na fase de grupos da Liga dos Campeões em todos os aspectos.

12 de novembro de 2014

Pinto da Costa também falha

Ponto prévio: Por já saber o que a casa gasta vejo-me forçado a dizer o óbvio, ou seja, que sei muito bem que o FC Porto é hoje um clube ganhador graças ao trabalho de Pinto da Costa nestes últimos 30 anos. Dito isto, vamos ao que me levou a escrever este texto.

Não é segredo para ninguém que toda a gente falha e, embora o faça muito menos que os outros (e reforço o muito), Pinto da Costa não é excepção. Por falhar tão pouco, foi com muito espanto que li as declarações do Presidente sobre Deco, onde aproveitou para meter mais lenha numa fogueira que já ardia demais. Há quem defenda que a indirecta era para certos comentadores e não para Tozé, opinião da qual não partilho. Se o objectivo não era atingir o jogador emprestado ao Estoril, Pinto da Costa como pessoa inteligente que é, devia ter deixado isso bem claro ou até evitar mandar indirectas de interpretação difícil, porque era fácil de prever que muita gente ia perceber que se tratava de uma mensagem para o Tozé. Toda a gente sabe o passado do Mágico e certamente que não seria preciso denegrir ninguém para o elogiar.

Pinto da Costa aproveitou mal esta aparição em público e atacou a pessoa errada. O FC Porto tem sido constantemente prejudicado e, numa escala surpreendentemente maior, o Benfica tem sido beneficiado de forma escandalosa. Tivesse sido a indirecta para Tozé ou para os comentadores, não me parece que isso ajudasse o clube em nada. Se os comentadores deixassem de aparecer na TV ou se o Tozé tivesse saído a correr quando foi substituído o árbitro do jogo em Alvalade tinha marcado a mão de Maurício? O árbitro auxiliar do jogo em Guimarães tinha voltado atrás na decisão de invalidar o golo a Brahimi? Ou mesmo neste último jogo, o penálti sobre Danilo tinha sido marcado? A resposta é óbvia. Bem mais óbvia que a indirecta.

Em vez de apontar o dedo a quem nos anda a prejudicar, o Presidente assumiu o papel de um qualquer adepto e fez uma declaração incendiária, capaz de marcar um jogador (nosso) para toda a carreira. Depois que adianta andar a dizer que quem canta não assobia se são os próprios responsáveis do clube a ajudar a denegrir os jogadores? O que fez o FC Porto quando Makukula e Jorge Ribeiro falharam penáltis de forma algo duvidosa frente ao Benfica? Ou então quando o treinador do Belenenses admitiu que o Miguel Rosa não jogou contra o Benfica porque a direcção não deixou? Era suposto o Tozé fazer o mesmo?

A mim pouco me importa se o jogador é benfiquista ou portista, mas se o próprio diz que o FC Porto é o clube do coração quem somos nós para duvidar? Tozé está há muitos anos ligado ao clube e não há conhecimento de que tenha tido qualquer tipo de problemas disciplinares, inclusivamente chegou a capitão de equipa. Ou engana bem ou estamos mesmo perante um bom profissional. Mas para que se perceba a diferença de tratamento entre casos semelhantes basta olhar para o caso do Rafa, jogador de hóquei em patins, que no ano passado estava emprestado ao Valongo, clube onde se sagrou campeão. Na altura alguém se importou com os festejos ou alguém teceu considerações sobre as suas preferências clubísticas?

Toda esta tensão em volta de um jogador que cumpriu o papel que lhe cabia é completamente inútil e, na melhor das hipótese para quem a promove levará a que todas as partes (Tozé e FC Porto) percam. Por isso é que de Pinto da Costa esperava mais.

Lista de coisas inúteis com as quais os portistas perdem tempo desnecessariamente

Nesta lista estão presentes alguns dos assuntos que têm sido fonte de debates entre portistas - desde o Presidente ao mais comum dos adeptos - e que, no fundo, não passam de temas insignificantes mas que, mesmo assim, são tratados com a mesma ou mais importância do que os que realmente importam.

O que os canais de televisão colocam em rodapé - Pela segunda vez esta época o FC Porto arrancou um empate ao cair do pano. Frente a Estoril e Shakhtar, em ambas as ocasiões a jogar fora de casa, a equipa portista chegou ao empate em tempo de compensação. Infelizmente o foco dos portistas não passou muito por elogiar a atitude da equipa que, mesmo estando a perder e/ou a jogar mal, não baixou os braços e conseguiu chegar ao golo evitando assim a derrota, mas sim ao facto de alguém, talvez com a pressão que existe no meio para ser o primeiro a dar as notícias, ter escrito derrota em vez de empate no texto que aparece no fundo das nossas televisões. A SIC Notícias até teve honras oficiais no facebook do clube. Mas e o penálti que ficou marcar sobre o Danilo, algum responsável  portista comentou?

A tatuagem de Tello - Há algumas semanas o jogador espanhol que está emprestado pelo Barcelona ao FC Porto decidiu fazer uma tatuagem num dos braços. Por ter nascido a 11 de Agosto decidiu pintar um leão por se tratar do seu signo do Zodíaco. Orgulhoso com a nova tatuagem , Tello colocou uma foto da mesma no facebook mas viu-se forçado a eliminá-la porque um grupo (grande) de infelizes decidiu insultá-lo talvez por achar que o jogador nascido em Espanha estava a prestar tributo ao Sporting.

O que se escreve nos blogs - No final se Setembro rebentou uma polémica em torno do blog Tactical Porto. A situação foi despoletada por um funcionário com bastantes responsabilidades dentro do clube e gerou uma onda de indignação um pouco por toda a Bluegosfera. Uma vez mais via facebook, o responsável pelo blog foi insultado, ameaçado e acusado de estar ao serviço dos adversários do FC Porto. O que ganhou o clube com isso? O mesmo que estava a perder: nada.

A marcação dos livres - Lopetegui disse uma vez que não dá à equipa indicações sobre quem deve bater os penáltis, ficando ao critério de quem está em campo decidir quem se sente com mais confiança para ser o cobrador. Em relação aos livres não encontrei nem uma palavra mas, face aos acontecimentos, deduzo que seja o mesmo principio. No jogo do passado Domingo existiu uma situação que causou revolta em muitos portistas ao ponto de dar uma avaliação negativa a um dos jogadores que mais se empenhou e melhor jogou: Quaresma impôs-se perante Brahimi assumindo ele a marcação de um livre que o argelino se preparava para cobrar. Também não gostei da atitude do internacional português mas, partindo do principio que não existe uma lista de marcadores oficiais escolhidos pelo treinador, o facto de Herrera ter pegado na bola e a entregado a Brahimi não lhe dá automaticamente o direito de ser ele a cobrar a falta. Faltou bom senso a Quaresma, mas nada mais que isso. Caso a lista exista todo o meu raciocínio perde o valor, mas Lopetegui com certeza que chamará a atenção ao camisola 7 como já fez por outros motivos. De qualquer das formas o assunto ficará resolvido.

O jogo de Tozé - Não é segredo para ninguém que o jovem médio além de formado no FC Porto ainda está sob contrato com o clube. A decisão de emprestar Tozé ao Estoril foi tomada pelos responsáveis portistas e ao fazê-lo deviam ter pensado que, tratando-se de um jogador talentoso, havia o risco de jogar contra o FC Porto e, como se verificou, fazê-lo bem. Tozé está no primeiro de dois anos de empréstimo na Amoreira e está a fazer pela vida, se demora mais ou menos a sair de campo não é problema nosso. A pressão que se está a fazer sobre o rapaz é vergonhosa e cobarde, principalmente pelo facto de se pôr em causa as palavras do próprio quando afirma ser portista. Até Pinto da Costa já seguiu por esse caminho, situação que me entristece ainda mais. O que ganha o clube em ajudar a queimar um dos jogadores mais talentosos que saiu da formação nos últimos anos?

No meio destas parvoíces todas vamos perdendo tempo que podia ser aproveitado de forma mais útil, como por exemplo a denunciar as arbitragens que nos têm prejudicado e tanto têm ajudado o Benfica; a debater o futuro do FC Porto tendo em conta a situação financeira da SAD; a tentar perceber os motivos que levaram Pinto da Costa a dar o apoio do FC Porto a Luís Duque; ou a combater os constantes ataques de Bruno de Carvalho a Pinto da Costa e ao FC Porto. Qualquer umas destas opções é sem dúvida muito melhor do que andar a discutir a forma caricata como o Quaresma se veste ou se o Casemiro é um 6 ou um 8.


11 de novembro de 2014

Adrián López e o sistema alternativo


Adrián López não está com vida fácil no Dragão. Estamos quase a meio de Novembro e o avançado espanhol ainda mostrou muito pouco para merecer elogios. Para lá de parecer uma peça a tentar encaixar no puzzle errado, o ex-colchonero dá a ideia de parecer em baixo, desconfiado de si próprio, sem aquela garra e vontade que é tão característica das equipas de Diego Simeone.

Não sei o que vai sair do camisola 18 até ao fim da época, que ainda está bem longe, mas vou continuar a acreditar que Adrián ainda será útil à equipa. Fazendo fé no Tribunal do Dragão o clube salvaguardou minimamente os seus interesses aquando da aquisição do jogador.

O que, para já, me parece certo, é que Adrián não justifica a presença nas convocatórias, não só por aquilo que (não) tem feito, mas também porque há outros jogadores que já merecem oportunidades, com Ricardo Pereira à cabeça. Por outro lado, o espanhol não me parece que tenha na força mental uma virtude e um jogo no Dragão mal conseguido facilmente destruiria a pouca confiança que Adrián ainda terá.

O sistema alternativo



Ao contrário do que muitos disseram, não creio de maneira nenhuma que Lopetegui tenha invertido o sistema para o 4-2-4 só para encaixar Adrián. Um treinador que põe no banco quem tem de pôr e valoriza tanto o colectivo, não faz uma coisas dessas. Além disso, o ex-Atlético de Madrid já jogou em 4-3-3, nomeadamente frente a Paços de Ferreira e Moreirense.

Gosto que um treinador tenha um sistema alternativo. Aliás, é fundamental que haja um plano B e temos um plantel com condições para vários planos alternativos, felizmente. E o problema não está no sistema em si, mas antes no contexto em que é utilizado. Frente ao BATE Borisov resultou em cheio, frente ao Sporting e Estoril deu asneira e não é muito complicado perceber porquê, ainda que no jogo da Taça tenham jogado dois falsos extremos, mas que nem ocupavam o meio-campo da forma mais necessária, nem apoiavam eficazmente o ataque. Pelo menos, longe do melhor que poderíamos fazer.

É mais ou menos consensual que o meio-campo é o cérebro de qualquer equipa, o sector mais importante. Sem um meio-campo coeso e organizado, a defesa fica mais vulnerável e o ataque perde fluidez, por mais jogadores que estejam no último terço. Portanto, a meu ver, o 4-2-4 tem de ser utilizado quando o adversário está encostado às cordas e precisamos desesperadamente de um golo. Utilizar esta estratégia de início é aumentar o risco e compreende-se apenas se a valia do adversário o permitir.

Se isto for à melhor de três, Lopetegui terá definitivamente compreendido que o 4-2-4 só pode ser aplicado em situações muito específicas e que o sistema principal com intervenientes diferentes dos habituais é talvez preferível à mudança de táctica.

Se acredito que Lopetegui aprende com os erros? Não duvido. A rotatividade exagerada parou e o treinador fixou um núcleo e um sistema que se teria repetido no domingo se Quintero não tivesse passado mal a noite. A insistência na saída de bola em toque curto desde a nossa área terminou e, quando não há hipótese de sair a jogar dessa forma, não se sai, sendo que também o posicionamento dos jogadores nesse momento do jogo faz agora mais sentido. Em consequência de tudo isto, as perdas de bola infantis que tanto nos atormentaram diminuíram drasticamente. São exemplos dos maiores erros que eram apontados à equipa e que deixaram de acontecer. Lopetegui tem é de corrigir as falhas mais rapidamente.

10 de novembro de 2014

O profissional Tozé


Há certas coisas que me tiram do sério e a perseguição que muitos portistas estão a fazer neste momento a Tozé é uma delas. Tudo isto, imagine-se, porque o rapaz teve o descaramento de ser derrubado por Fabiano na área do FC Porto e, não bastando, ainda se deu ao luxo de converter com sucesso o penálti que daí resultou. Por isso, porque se ficou a queixar no chão após um choque com Indi e porque saiu a passo quando foi substituído, há neste momento um grupo de génios que tratam Tozé por benfiquista de Esposende.

"O Porto é o clube do meu coração", disse o próprio na flash interview no final do encontro, palavras das quais não encontro motivo nenhum para duvidar. Admiro-lhe a coragem e espero que continue a jogar e evoluir no Estoril para que um dia possa regressar ao FC Porto. Espero que os dirigentes portistas não sejam estúpidos ao ponto de lhe fecharem as portas só porque ontem fez o que sabe, que é jogar bem. O Tozé é um jogador de equipa grande e com um enorme talento, que se não for aproveitado aqui será aproveitado noutro lado. Que não haja enganos: Tozé é um jogador à Porto.

Desde que a equipa B regressou que têm surgido bons valores oriundos da formação. Recentemente falei de André Silva, Gonçalo e Ivo como sendo o futuro do FC Porto, mas também Tozé tem obrigatoriamente de ser levado em conta. A situação que o jovem médio viveu ontem é extremamente injusta e foi-lhe colocada uma pressão e uma responsabilidade enormes sobre os ombros. Tozé conseguiu manter a calma, fez um bom jogo e ainda marcou de penálti. Certamente que amadureceu psicologicamente neste jogo mais do que nos dois anos que passou na formação secundária do FC Porto.

O papel da Liga no meio disto tudo


Ontem o Tozé não devia ter jogado. Não digo isto por causa da grande exibição que fez ou pelo golo que marcou, mas sim pelo simples facto de se tratar de um jogador do FC Porto que, como outro qualquer, está sujeito a falhar. Alguém consegue imaginar o que se diria caso o penálti saísse à figura de Fabiano? Muito mais do que o fora-de-jogo milimétrico - por um escasso metro que o atacante do Nacional estava em jogo - que valeu a um adversário do Benfica mais um golo (mal) anulado, com certeza.

A Liga devia proibir que um jogador emprestado defrontasse a equipa emprestadora. Isto e não só, o número de jogadores no plantel devia também ser limitado, principalmente a jogadores provenientes do mesmo clube. Assim evitavam-se situações pouco claras como a admitida publicamente na época passada pelo treinador do Belenenses que afirmou que Miguel Rosa não estava lesionado mas que também não ficou de fora para a recepção ao Benfica por opção técnica.

É assim que se defende a verdade desportiva, não com reuniões mais ou menos duvidosas entre o recém-eleito presidente da LPFP e o presidente da equipa que tem sido beneficiada descaradamente e de forma sistemática.

Lopetegui

O empate de ontem deve-se em muito às opções tomadas por Lopetegui antes e durante o jogo. Pelas palavras do próprio, no final do encontro ficámos a saber que Óliver passou a semana a treinar condicionado e que por isso não aguentaria os 90 minutos e que Quintero só não foi titular porque sofria ainda dos efeitos de uma gastrointerite que o afectou durante a noite. Devido a estas limitações, o técnico espanhol optou por alterar o esquema habitual da equipa - deixando de lado o 4-3-3 - e fazer alinhar Adrián numa zona próxima de Jackson. O meio-campo ficou entregue apenas a Casemiro e Herrera, quando no banco estavam mais quatro médios(!): Óliver, Quintero, Rúben Neves e Evandro, que entrou na convocatória porque também Tello estava com problemas físicos. Adrián voltou a não mostrar nível para ser titular no FC Porto e Lopetegui voltou a inventar. Pior ainda: entendeu que seria melhor alterar o esquema da equipa para meter um segundo avançado (que ainda não justificou nenhuma das oportunidades que teve) em vez de dar continuidade ao 4-3-3 jogando com o Evandro ou o Rúben Neves no onze inicial.

Muita gente pensará que é fácil apontar o dedo quando não se ganha, mas também não é menos verdade que nos últimos jogos não havia grandes apontamentos a fazer. Lopetegui escolheu um núcleo de 18 jogadores, durante quatro jogos procedeu apenas a alterações pontuais dentro do mesmo e, após três jogos em clara evolução, o FC Porto fez em Bilbau o que para muitos foi a melhor exibição da época. Se as lesões podem justificar as alterações no onze inicial, não há nada que justifique a decisão de alterar um sistema de jogo que estava a dar cada vez mais frutos. Mesmo a forma como mexeu na equipa durante este jogo deixou muito a desejar. Ao bom estilo de Jorge Jesus, foi tirando elementos defensivos (primeiro Casemiro e depois Maicon) para lançar jogadores mais virados para o ataque (Quintero e Óliver), mostrando assim pouco engenho, dando a sensação de que não sabia bem o que fazer e que o melhor seria mesmo jogar mais com o coração e menos com a cabeça.

Lopetegui já fez muitas coisas boas neste arranque de temporada: Danilo está um jogador exuberante, um jogador à Porto e um lateral como há muito não se via por cá; Quintero é agora capaz de jogar vários jogos consecutivos; Herrera está cada vez mais parecido com o Herrera que se vê nos jogos da selecção mexicana; Quaresma é agora um jogador de equipa; Casemiro tem mostrado uma clara evolução na posição 6; e a equipa consegue agora criar oportunidades para que Brahimi rentabilize todo o futebol que tem nos pés. Isto para não falar do mais óbvio, como foi por exemplo a vitória sem espinhas no play-off de acesso à Liga dos Campeões e, uma vez na fase de grupos, a limpeza com que apurou o FC Porto para os oitavos-de-final com ainda duas jornadas por disputar.

Tudo isto são coisas bastante positivas e que merecem ser destacadas, mas por trás delas há uma série de erros, alguns deles crassos, que ditaram a perda de pontos preciosos no campeonato e a eliminação na Taça de Portugal em pleno Dragão. Muita das vezes - como ontem, por exemplo - o treinador portista demonstra falta de conhecimento sobre adversário que o FC Porto tem pela frente e, não menos grave, da realidade do campeonato português. Ninguém no seu perfeito juízo vai alterar a equipa (para pior) numa deslocação à Amoreira sabendo de antemão que o FC Porto tem tido sempre imensas dificuldades quando defronta o Estoril e que, já esta época, o Benfica só lá ganhou porque jogou em superioridade numérica metade da segunda parte.

O FC Porto já mostrou bom futebol esta época e que possui muitas e boas soluções no plantel. Infelizmente, e por irónico que seja, Lopetegui consegue fazer das diversas opções um problema e não uma vantagem. A única coisa que peço é que tenha aprendido com os erros e que não os volte a repetir. Além disso, seria agradável que também fosse capaz de antecipar alguns. Se calhar tinha-se evitado este empate e até a derrota na Taça frente ao Sporting.

9 de novembro de 2014

Emendar o que está certo só pode dar asneira


* Se não está avariado, não corrijas.

Porquê, Lopetegui? Porquê? Porquê este retrocesso? Porquê voltar atrás e mexer no que estava bem e cada vez melhor? A equipa estava em claro crescendo, sustentado por vitórias importantes que eram resultado da estabilidade e consistência que ia ganhando forma. Porquê optar novamente por este sistema alternativo e logo num dos campos mais complicados do campeonato? Ou não sabias? A responsabilidade por este resultado é tua e, infelizmente, já não é a primeira vez que se diz isto. Espero sinceramente que tenhas aprendido outra lição nesta noite e que não sejam precisas mais.

Destaques:

Adrián López: Um corpo estranho na equipa, continua a não justificar 1/3 do investimento, nem sequer as presenças no banco de suplentes e muito menos a titularidade.

Fabiano: À semelhança de Alvalade, saída da baliza completamente disparatada e escusada que valeu um golo.

Meio-campo? O que é isso?: Quando se aniquila a zona cerebral de qualquer equipa, torna-se difícil que as coisas corram bem. Não havia ninguém a pensar o jogo da equipa e a distribuir, fazer a bola circular, Casemiro e Herrera viram-se nas tarefas que cabem a três jogadores diferentes enquanto Óliver e Quintero estavam...no banco.

Substituições: Nem isso se salvou Lopetegui, nem isso. Desta vez não houve salvação a partir do banco. Quintero não conseguiu pegar no jogo e poucas vezes teve a bola nos pés, Aboubakar foi mais esforçado que Adrián e pouco mais, Óliver Torres, que deveria ter sido titular, foi o último a entrar, já com a equipa a perder.

Brahimi: O Deus do futebol deve ser argelino, mas sozinho não consegue fazer tudo.

Herrera: Das exibições mais competentes que a equipa teve. O melhor em campo da nossa parte.

O momento do jogo foi, sem dúvida o penalty convertido por Tozé a castigar a tremenda burrice de Fabiano. Ainda assim, depois do empate de Óliver, Jackson teve o golo da vitória nos pés, no último suspiro.

E assim se volta atrás depois de quatro pequenos grandes passos. O que deixa qualquer portista verdadeiramente frustrado é a certeza de que não falta qualidade neste plantel, que há equipa para fazer muito mais, mas não podemos continuar tão imprevisíveis. Três pontos de desvantagem para o primeiro lugar não são problemáticos em Novembro, mas irrita saber que deveríamos estar bem mais acima e preocupa o colinho confortável que tem atuado na grande maioria dos jogos de uma determinada equipa.

8 de novembro de 2014

Vitória importante para Lopetegui, Quaresma e FC Porto

Não deve haver um único portista que não saiba que Quaresma tem mau perder e que, além disso, não gosta de ser suplente ou de ser substituído. Muitas vezes isso leva a que se façam considerações erradas sobre a personalidade do extremo, chegando ao ponto de, mesmo sem conhecimento de causa, afirmar que se trata de um mau profissional e um mau colega. No entanto, sempre que alguém pergunta a Jesualdo Ferreira - que foi só o treinador que melhor soube aproveitar o talento do Mustang - sobre esse assunto a resposta é que enquanto estiveram ambos no FC Porto ninguém trabalhava melhor do que Quaresma e que nunca precisou de lhe pedir que se esforçasse mais. Já Mangala não teve problemas em afirmar que o camisola 7 é "uma óptima pessoa". Resumindo, quem já privou com o Harry Potter afasta o cenário de bad boy que a comunicação social tenta passar e, pelo contrário, até lhe elogiam a vertente humana. Só assim se explica, por exemplo, que Quaresma tenha chegado a capitão do FC Porto.

Dito isto, chegamos ao incidente de 20 de Agosto no jogo da primeira mão do play-off de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões. Quaresma foi lançado por Lopetegui no jogo apenas ao minuto 88. Foi notório que o extremo entrou com cara de poucos amigos e, mais tarde, mal o jogo terminou, foi o primeiro a abandonar o relvado em direcção aos balneários, situação que não foi do agrado de Lopetegui e que terá levado a que este lhe chamasse a atenção. No jogo seguinte Quaresma não foi convocado e surgiu mesmo o rumor que estaria de saída do clube. Durante alguns dias (ou até semanas) só se falava no caso Quaresma, mesmo que Lopetegui, o próprio Quaresma e até Pinto da Costa tenham tentado esconder que houve um problema. Apesar dos desmentidos é óbvio que aconteceu alguma coisa, uma vez que a partir desse dia Quaresma não mais voltou a usar a braçadeira de capitão.

Na altura fiquei com a sensação que a situação foi mal gerida por Lopetegui. Não querendo desculpar Quaresma - que devia ter ido saudar o público no final do jogo, ainda mais sendo na altura o capitão de equipa -, o treinador espanhol devia ter evitado o problema logo na origem. Um jogador como Quaresma, que já estava visivelmente transtornado por ter sido suplente e que nem sequer é bom a defender, não foi acrescentar nada à equipa no tempo de descontos. No banco havia, por exemplo, o jovem Ricardo, um jogador que dá sempre tudo e que mesmo sendo ele extremo é muito forte defensivamente e que talvez fosse a melhor opção para o tempo que faltava. Acredito que a intenção de Lopetegui até fosse mostrar ao Quaresma que contava com ele e não a de marcar uma posição forte perante o jogador e o grupo, mas esta situação acabou por dar asneira e por pouco que toda a gente não ia ficando a perder.

Felizmente a situação parece já totalmente resolvida e ultimamente Quaresma tem sido utilizado com regularidade, tendo sido até titular na semana passada em jogo contra o Nacional da Madeira. Titularidade que se adivinha também nesta jornada, uma vez que Tello se encontra lesionado e não foi convocado para defrontar o Estoril.

Todos sabemos do que Quaresma é capaz de fazer e é por isso que vejo com bons olhos este reaproveitamento de uma grande talento. Trata-se de uma grande vitória para Lopetegui e para Quaresma que os problemas tenham ficado para trás, mas quem mais tem a ganhar com isso é o próprio FC Porto.

7 de novembro de 2014

O regresso de André Silva


O FC Porto tem neste momento duas das maiores pérolas do futebol português no que a pontas-de-lança diz respeito. Gonçalo Paciência e André Silva prometem ser o futuro não só do FC Porto como da própria selecção de Portugal e, para já, ambos trabalham às ordens de Luís Castro na equipa B portista.

A época começou com Gonçalo Paciência a ser figura de destaque pela equipa B do FC Porto pela qualidade de jogo que apresentava e que dava sequência ao que havia mostrado no ano passado. O filho de Domingos Paciência tem um estilo de jogo muito semelhante ao de Jackson Martínez, onde joga e faz jogar mas sem nunca deixar de procurar o golo. Mas dias depois do jogo da quinta jornada, frente ao Santa Clara a 31 de Agosto, surge a notícia que o jovem avançado iria estar afastado dos relvados por um longo período devido a uma lesão grave. Nesse momento toda a gente que acompanha a equipa B se lembrou imediatamente que seria a oportunidade ideal para André Silva se afirmar.

André Silva foi figura de destaque nos sub-19 do FC Porto na época 2013/2014, mas pelo meio ainda teve tempo para brilhar em alguns jogos que foi chamado a fazer pela equipa B e de acabar a temporada com um Europeu de sub-19 de grande nível e que deixou meia Europa de olho nele. Com um faro pelo golo apurado a que se junta a garra com que disputa cada lance, bem ao estilo de Lisandro López, o número 89 dos Dragões faz com que o mais leigo dos adeptos perceba que está ali um jogador com futuro.

A informação que o clube presta sobre a equipa B oscila entre o miserável e o nulo, daí durante bastante tempo a esmagadora maioria dos adeptos assumir que André Silva não era convocado por estar também ele lesionado, uma vez que mesmo na quinta jornada já não havia sido convocado. Os jogos foram passando e nem uma palavra sobre o assunto, até que surgiu o rumor que o camisola 89 estava afastado das convocatórias porque se encontra no último ano de contrato e se recusava a renovar.

Durante o período em que se encontrou arredado das convocatórias foram noticiados os interesses de Aresenal e Chelsea e surgiu o boato de que também o Sporting estaria atento à situação do jovem Dragão. Enquanto isto, Ivo - outra grande promessa da formação portista - que, apesar de ser um extremo de qualidade indiscutível, era desviado para o centro do ataque. De repente, o FC Porto via três dos maiores talentos que passaram pela formação nos últimos anos impedidos de evoluir convenientemente: Gonçalo  lesionado, André Silva "encostado" e Ivo, por necessidade da equipa, a jogar numa posição em que não consegue mostrar tudo o que vale.

Por isso foi com alegria que vi André Silva regressar aos convocados para o jogo da passada quarta-feira frente ao Tondela e foi com ainda mais alegria que o vi entrar em campo ao minuto 61. Para trás ficaram 68 dias, com 9 jogos pelo meio, de ausência.

Espero que este regresso signifique que a renovação entre André Silva e o FC Porto já esteja preto no branco e que de agora em diante seja ele o ponta-de-lança de serviço na equipa B. Tenho a certeza que Lopetegui vai gostar de o ver jogar e que um dia lhe dará a oportunidade que merece. O FC Porto não se pode dar a luxo de desperdiçar um talento destes, seja porque motivo for.

6 de novembro de 2014

Não há coincidências


Há algum tempo a esta parte que vinha alertando que Casemiro, ao contrário do que os comentadores diziam, vinha sendo um jogador importante no FC Porto. A preponderância do brasileiro aumenta na mesma escala que a tendência deste para recorrer à falta quando Quintero está no onze inicial como terceiro elemento do meio-campo e, à imagem do sucedido frente ao Nacional da Madeira, a situação agrava-se se Herrera for retirado da equação. O que vimos ontem em Bilbau de Casemiro é aquilo que podemos esperar dele quando a equipa joga unida e todo o meio-campo trabalha. Para a melhor exibição do camisola 6 até ao momento como jogador do FC Porto em muito contribuíram os cerca de 12km corridos por Herrera em todo o jogo e os 11km que Óliver completou nos 80 minutos que esteve em campo.

Não há a mínima dúvida que Casemiro é um jogador duro e que joga muitas vezes no limite, mas repito a afirmação que fiz há dias: não me parece que use essa agressividade de forma desleal e com o intuito de magoar o adversário. Quanto ao excesso de faltas, é uma apreciação subjectiva. Por vezes o recurso à falta é a melhor forma de parar uma jogada perigosa do adversário e alguém tem de a fazer. O jogo de ontem, para mim, foi um exemplo perfeito de como deve trabalhar um meio-campo e demonstrou que o Casemiro quando bem apoiado pelos colegas também sabe jogar sem estar a pensar constantemente nas canelas dos adversários.

Com isto não quero dizer que deva jogar sempre o trio composto por Casemiro, Herrera e Óliver. O Quintero é um óptimo jogador e tem de ser sempre levado em conta tanto para o onze como para entrar durante o jogo, seja o adversário muito forte ou muito fraco. Cabe a Lopetegui estudar o adversário e perceber quando a presença do colombiano não será um problema para a linha defensiva portista, porque só dessa maneira poderá ser aproveitado aquele fantástico pé esquerdo, capaz de semear o pânico na equipa adversária. Nos jogos como o de ontem, frente a um adversário extremamente lutador como é o Bilbau e/ou com um relvado em mau estado, Óliver dá outras garantias à equipa mesmo não deixando de ser um bom elemento a construir jogo.

O melhor de tudo isto é perceber que pouco a pouco as peças começam a encaixar-se e que, neste momento, o FC Porto é já uma equipa extremamente competitiva mesmo havendo a certeza que ainda há bastante onde melhorar e muitas hipóteses a explorar. Mérito total de Lopetegui e de toda a equipa.

Pinto da Costa, o que foi o FC Porto apoiar?


A foto foi tirada no hotel Epic Sana em Lisboa e publicada na página de facebook Cortina Verde. Na mesma é possível ver Luís Filipe Vieira, o presidente do Benfica, num diálogo com Luís Duque, o novo presidente da Liga de Clubes e que foi eleito com o apoio de quase todos os clubes, estando FC Porto e Benfica incluídos. Durante alguns dias foi-se falando se uma aliança entre os dois clubes, FC Porto e Benfica, tendo em vista a eleição de Luís Duque, situação da qual os encarnados se demarcaram em comunicado no passado sábado.

A foto foi publicada no facebook no dia 3 de Novembro, dois dias após o Benfica ter tentado afastar um pouco a ideia de que teria tido influência na eleição de Luís Duque. Recorde-se que Luís Filipe Vieira e o novo presidente da Liga já são conhecidos de longa data, como comprova a notícia Record de 2012 que passo a transcrever na integra:

«O Conselho de Disciplina da Liga deu por provadas algumas das palavras que Luís Filipe Vieira dirigiu a Luís Duque, mas outras expressões inseridas na acusação do Sporting não o foram. De acordo com a queixa leonina, o presidente do Benfica teria dito ao administrador sportinguista: “Não tens vergonha, chulo, bandido; não tens vergonha, vai jogar à bola, vai para o c...!; diz lá outra vez que eu é que domino a arbitragem! Sim, foi isto que andaste para aí a dizer, que eu dominava a arbitragem! Foste tu que disseste!”

No entanto, o CD apenas valorou como prova as declarações que foram confirmadas por testemunhas não afetas aos dois clubes

Os factos provados, conforme se conta no acórdão do CD:

"No final do jogo, cerca de 5 minutos após o seu término, o sr. Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, após sair do balneário da sua equipa, mais concretamente na designada zona técnica, interpelou, em tom alto e exaltado, o dr. Luís Duque, administrador da Sporting SAD, que se encontrava no hall de acesso aos balneários, proferindo, pelo menos, as seguintes expressões:

- “Devias ter vergonha”

- “Era para isto que vocês queriam controlar tudo”

- “Era para isto que queriam que a gente controlasse a arbitragem”

- “Foste tu que me disseste que tínhamos que controlar tudo”

- “Não me faças falar, não me obrigues a pôr a boca no trombone”»

As perguntas que se impõem são as seguintes:
- Porque foi o FC Porto apoiar isto?
- Estará, uma vez mais, Vieira a fazer as coisas por outro lado?

Responda quem souber.

5 de novembro de 2014

Cada vez mais Porto


O FC Porto fez um jogo frio, tão frio que o San Mamés gelou. Os bascos não souberam chegar perto de Fabiano, excepção feita a um lance em que Guillermo ia marcando sem saber como. Do outro lado, estava uma equipa muito bem organizada e coesa, que abordou a partida de forma irrepreensível e até podia ter marcado mais golos, ou chegado à vantagem mais cedo.

Destaques:

- Centrais seguros: Maicon e Indi limparam tudo o que lhes foi aparecendo pela frente, com ou sem bola para o mato, mas sempre a afastar o perigo.

- Casemiro: Das melhores exibições do brasileiro desde que chegou ao Dragão, numa altura em que tem sido muito criticado e, não raras vezes, de forma injusta. Hoje, não deu hipótese para isso.

- Brahimi: Estou aqui a olhar para o cursor a piscar e nem sei o que escrever, os adjectivos começam a escassear para descrever tamanho talento e habilidade com a bola nos pés. Ele faz muitas vezes a jogada que originou o golo de Jackson, certo, e tirar-lhe a bola? Um, dois, três, vão caindo todos.

- Jackson: Retira-te da lista de marcadores de penaltys ou alguém que te retire. Dado o cachaço no pescoço vamos aos merecidos elogios: Top. Incansável, solidário no processo defensivo, com uma classe no controlo de bola ao nível de poucos. Se queremos em Jackson um simples ponta-de-lança que esteja lá para ler e encostar, ele corresponde, se queremos no colombiano um pivot ofensivo que jogue e faça jogar, o cafetero cumpre na mesma.

- Tello: Jogo fraco do espanhol, que não encontrou espaço para explorar a velocidade e decidiu mal quase sempre.

- Adeptos: Vénia aos milhares que se fizeram ouvir do primeiro ao último minuto. A equipa sentiu mais apoio hoje do que no jogo do Dragão.

Momento do Jogo:
73 minutos, 2-0 pelos pés de Brahimi


O jogo estava controlado, mas 1-0 é sempre perigoso. O golo que acabou com as dúvidas e foi um prémio merecido para o argelino. Oferta da defesa? Temos pena, não pode cair sempre para o mesmo lado!

Brahimi foi o melhor em campo, (na nossa opinião e na da UEFA também) pela assistência soberba e pelo golo, mas também por toda a classe que espalhou em campo.

Quarta jornada, dez pontos e oitavos de final carimbados num estádio onde muitos querem, mas poucos podem. Este Porto continua a crescer, mostra-se mais organizado, equilibrado e fiável. As vitórias (quarta consecutiva) cimentam uma evolução sustentável que ainda tem muito por onde se desenvolver.

4 de novembro de 2014

Pouco a perder, muito a ganhar


No último jogo (vitória por 2-0 frente ao Nacional), Lopetegui lançou Óliver no lugar que tem sido de Herrera enquanto que Quaresma apareceu no onze por troca com Tello. O treinador do FC Porto decidiu assim poupar dois jogadores que podem ser fundamentais naquela que poderá ser considerada como a deslocação mais difícil até ao momento. Enquanto isso, Quaresma foi premiado com a titularidade depois de ter estado em bom plano nas últimas vez que foi lançado durante os jogos e Óliver ganhou algum ritmo de jogo, uma vez que desde que foi substituído ao intervalo do jogo frente a Sporting jogou apenas oito minutos.

No jogo frente ao Bilbau no Estádio do Dragão, no inicio da segunda parte, o meio-campo do FC Porto perdeu o controlo do jogo e foi engolido por um adversário mais aguerrido do que se havia mostrado até então. Durante esse período os Bascos chegaram ao empate, mas Lopetegui resolveu o assunto lançando Rúben Neves para o lugar do já desgastado Quintero. Os Dragões rapidamente reassumiram o controlo do jogo e deram ao treinador as condições necessárias para apostar em Quaresma que acabaria por marcar o golo da vitória. Óliver entrou pouco depois para ajudar a segurar a vantagem.

Olhando a estes acontecimentos e ao facto do Bilbau precisar desesperadamente da vitória, será de esperar que Tello volte à titularidade para explorar os espaços deixados pelo adversário e que Herrera regresse à equipa para da músculo ao meio-campo, mas para o lugar de Quintero. O colombiano tem estado em bom plano, mas Óliver encara o jogo com outra agressividade que pode ser fundamental para contrariar um Bilbau que costuma ser um osso duro de roer em San Mamés. As condições do terreno na hora do jogo também podem fazer a balança cair para um lado ou para o outro.

Seja de que maneira for, é de realçar o facto de Lopetegui ter poupado dois jogadores importantes na equipa ao mesmo tempo que deu ritmo a outros dois que foram fundamentais contra este mesmo adversário, deixando assim um pouco de lado a ideia que roda a equipa só por rodar.

As contas do grupo


Partindo do principio que o Shakhtar vence o BATE Borisov na Ucrânia - na Rússia fê-lo e logo por 7-0 -, o FC Porto fica matematicamente apurado caso vença em Bilbau. Em caso de empate fica a faltar apenas um ponto para o apuramento e três pontos em caso de derrota, sendo que haverá ainda dois jogos para o conseguir: na Bielorrússia frente ao BATE Borisov e no Dragão frente ao Shakhtar.

Como transformar um elogio numa provocação



O treinador do Bilbau, Ernesto Valverde, afirmou que em Espanha apenas Barcelona e Real Madrid estão a um patamar superior ao FC Porto, acrescentando que os Dragões, caso disputassem La Liga, estariam ao nível de equipas como Sevilha, Atlético de Madrid e Valência. O que este jornalista do Diário de Notícias fez foi pegar numa frase proferida de forma elogiosa e tentar conotá-la como negativa. Tendência que foi seguida pela generalidade dos media com especial enfoque na imprensa lisboeta que destaca a frase "o FC Porto ficaria entre o terceiro e o sexto lugares". O que todos eles se esquecem, Valverde incluído, é que o actual campeão espanhol é o Atlético de Madrid, uma das equipas com quem o FC Porto lutaria por um lugar no pódio...

3 de novembro de 2014

O novo patinho feio


"Casemiro não é 6". Luís Freitas Lobo deu a sentença e os portistas vão atrás. Logo no primeiro jogo que comentou do FC Porto esta época colocou um rótulo no internacional brasileiro que está a ser difícil de arrancar. Jogue Casemiro bem ou mal, a avaliação que grande parte dos portistas faz à prestação do camisola 6 é sempre a mesma: jogou mal e faz faltas em excesso. Exemplos não faltam por essa Bluegosfera fora.

Tomando o jogo mais recente como exemplo, o do passado sábado frente ao Nacional, em que apesar de lhe ter sido (mal) exibido um cartão amarelo aos 19 minutos de jogo, Casemiro conseguiu ser dos jogadores que mais bolas recuperou durante todo o jogo e foi importantíssimo após o 2-0 com intercepções corajosas e que impediram o visitante de reduzir a desvantagem no marcador. Após isto, um pouco por todo lado, fiquei com a sensação que quase toda a gente achava que o brasileiro tinha estado mal, que não é o tipo de jogador que a equipa precisa e que não foi expulso porque teve sorte. Como já referi, é esta a avaliação que lhe é feita jogue bem ou jogue mal, como se de uma coisa predefinida se tratasse. Lopetegui lançou uma meio-campo mais ofensivo que o habitual talvez com o intuito de resolver o jogo mais cedo e puder gerir alguns esforços para o jogo frente ao Bilbao. O 1-0 chegou cedo, mas o 2-0 demorou a chegar e pelo meio Quintero teve de sair para entrar Herrera equilibrar defensivamente o meio-campo. Até aí coube praticamente ao Casemiro parar sozinho as investidas dos madeirenses. Mesmo sabendo que já tinha cartão amarelo que lhe havia sido exibido numa falta cavada pelo jogador do Nacional e enquanto tentava emendar um erro do Maicon.

Casemiro é um jogador duro? É. Pode corrigir isso? Claro que sim. E se não o fizer? Paciência, temos de nos adaptar à ideia de ter um Javi García na nossa equipa. Mas, sinceramente, não me parece que seja esse o caso. Simplesmente não podemos olhar para um jogador e procurar apenas os defeitos. Casemiro é bom no jogo aéreo, é seguro no passe, fiável na saída de bola e forte no desarme. Por vezes faz uso excessivo da força, mas nunca fiquei com a sensação de que o fez com o único objectivo de aleijar o adversário. Numa equipa "macia" como é a generalidade da equipa portista, um jogador como o Casemiro pode ser fundamental.

Nos últimos anos os portistas têm procurado de forma incessante a presença de um patinho feio no plantel. Espero que Casemiro não seja o próximo a ocupar esse lugar que até há bem pouco tempo era, ou ainda é, de Herrera.

1 de novembro de 2014

Mais um passo seguro do Dragão


Antes do jogo com o Bilbao, afirmei que não seria de um jogo para o outro que a equipa iria carburar. A evolução será gradual e só poderá acontecer assente em vitórias. Vamos no terceiro triunfo consecutivo pós eliminação da Taça e as melhorias fazem-se notar. Aqueles primeiros 25-30 minutos da primeira parte foram uma amostra do que esta equipa será capaz de fazer quando atingir o ponto rebuçado. Há que continuar a trabalhar para que essas fases se perpetuem.

O FC Porto entrou com tudo e Danilo terminou uma semana de sonho da melhor maneira possível. Que bem te ficam as palavras do presidente, o Dragão de Ouro e o número 2. És dos nossos e espero que o sejas por muito mais tempo.

O segundo golo poderia ter aparecido, não faltaram oportunidades para isso, mas o facto de ter demorado tanto a acontecer acabou por não deixar a equipa dominar o jogo como queria. Não que o Nacional tenha assustado muito Fabiano, mas, principalmente no início da segunda parte, faltou clarividência e controlo à equipa, num problema de certa forma resolvido ainda antes dos 60' com a entrada de Herrera.

A 15 minutos do fim, momento mágico de Brahimi, que fez valer a espera pelo golo da tranquilidade. Só a partir daí é que a equipa entrou em estágio para San Mamés, sendo que a tão badalada rotatividade ficou-se apenas pelas trocas de Herrera e Tello por Óliver e Quaresma, enquanto Maicon e Marcano vão lutando pela titularidade. Mexidas compreensíveis que deram resultado e provam que Lopetegui está a mudar a forma de aplicar a "Teoria da Rotatividade".

Que bonito é quando o público decide ir ao Dragão apoiar a equipa. Custou muito? Todos juntos somos mais fortes contra as "linhas tortas" deste campeonato. Jackson parecia proibido de disputar os lances e as faltas sobre ele proibidas de serem assinaladas. Um filme habitual para o colombiano que hoje fez de tudo para marcar mas Rui Silva não deixou.

Despeço-me com o apontamento humorístico da noite: