1 de maio de 2014

Fogo de artifício

O dia de hoje fica marcado pelo ataque que o FC Porto, através de um comunicado no site oficial, faz ao jornal O Jogo. É interessante que o termo "Judas" tenha sido o escolhido para o fazer, dando assim a entender que o FC Porto foi traído por um dos que lhe era mais próximo, neste caso o dito jornal.

   



Ainda não consegui perceber o que se encontra por trás disto, mas uma coisa é certa, a não haver interesse do FC Porto no Ghazal, a notícia devia ter sido desmentida no passado dia 12 de Abril, altura em que surgiu pela primeira vez. O comunicado hoje emitido é demasiado agressivo para o que foi escrito pelo diário desportivo e, olhando a um passado recente, é de espantar que a SAD se tenha dado ao trabalho de desmentir o interesse num jogador quando por exemplo não o fez quando A Bola no passado dia 29 de Abril fez referencia a uma possível saída de Antero Henrique da estrutura azul-e-branca.

Antes da noticia sair na bola já corria pela Internet o rumor de que o Vice-Presidente do FC Porto estaria em Manchester e que a viagem serviria para negociar a própria saída para outro clube. No dia seguinte, ou seja ontem, sai a conveniente noticia n'O Jogo de que o City estaria de volta às negociações por Fernando e Mangala. O FC Porto manteve-se em silêncio até hoje, altura em que se pronunciou e preferiu, uma vez mais, desviar as atenções para um assunto que pouco interessa.

Olhando a este esquema de desmentidos, parece-me justo assumir que se A Bola não foi desmentida e entretanto o O Jogo foi acusado de ser falso como Judas, é porque Antero Henrique está mesmo de saída e que, para já, não há negociações nenhumas tendo em vista as saídas de Fernando e Mangala para os ingleses. Até tudo estar esclarecido, continuará a campanha de contra-informação por parte do FC Porto.

Uma estupidez como outra qualquer

Esta foi a capa do jornal O Jogo dois dias após a eliminação do FC Porto na Liga Europa. A minha convicção é que tudo isto não passou de uma jogada para acalmar os portistas que, como não estão habituados, ao perder querem logo ver sangue. Desde os jogadores, passando pela equipa técnica, até chegar à direcção, pede-se a demissão de tudo e de todos, fazendo questão de em muitos casos esquecer um passado de vitórias que as pessoas em questão deram ao clube. Alguns parecem mesmo viver num mundo à parte, mundo esse onde tudo que ao FC Porto diz respeito é mau.

Como já tive oportunidade de escrever, não acredito que o plantel precise de uma renovação profunda. Se o clube não precisasse de dinheiro, o caminho seria contratar um médio e um ou dois extremos de qualidade indiscutível para entrarem directamente no onze e pelo menos um defesa lateral que rivalizasse com o Danilo e o Alex Sandro. O resto seria apenas vender ou emprestar aqueles que não se conseguiram afirmar e substitui-los por outros que tenham mostrado potencial. Claro que tudo isto pressupõe que na próxima época o treinador será alguém que sabe o que está a fazer. Mas o clube precisa de dinheiro, de muito dinheiro.

A parte da obrigação de vender até Junho é que se pode revelar uma estupidez de todo o tamanho. Com o Mundial a decorrer entre 12 de Junho e 13 de Julho e com jogadores como Jackson, Mangala, Fernando, Defour e Varela com grandes possibilidades de o disputar, será muito imprudente proceder à venda de qualquer um deles por valores que não se aproximem das cláusulas de rescisão sem lhes dar oportunidade de valorização nesta grande montra. Estou ciente que atrasar as vendas pode significar fechar o ano com prejuízo, mas pior que isso seria perder muitos milhões à custa de pensar apenas no presente e nunca no futuro.

30 de abril de 2014

Os autocarros

A maior forma de elogio que se pode dar a um adversário num jogo de futebol é optar por uma postura extremamente defensiva tendo em vista o empate a zero. Graças à época fantástica ao comando de André Villas-Boas, o FC Porto passou a ser bastante "elogiado" entre portas nas épocas seguintes, principalmente nos jogos no Dragão. Dos mais pequenos aos maiores, quase todos iam a jogo com o olho no contra-ataque, deixando a iniciativa de atacar aos portistas.

Nas duas épocas de Vítor Pereira a estratégia dos adversários passava por ver quem era a equipa que conseguia defender com mais homens dentro da própria área ou nas imediações. Raramente deixavam um jogador à frente da linha da bola e, regra geral, não se aventuravam mais do que três jogadores nas jogadas de contra-ataque. As dificuldades para chegar ao primeiro golo foram quase sempre muitas, muito porque em 2011/2012 faltou um ponta-de-lança e em 2012/2013 saiu o Hulk, que foi quase sempre o abre-latas de serviço. Ficou James com a responsabilidade de encontrar um buraco nas muralhas e, com menor ou maior dificuldade, foi conseguindo.

Não sei se por opção ou olhando à falta de jogadores explosivos, Vítor Pereira desenvolveu um sistema de jogo baseado na posse de bola e na segurança defensiva. Acredito que foi um pouco dos dois. O que é certo é que a maioria dos portistas não apreciava um modelo de jogo que fazia com que o FC Porto passasse 70% do tempo de jogo a passar a bola junto à grande-área do adversário, à espera da melhor oportunidade para chegar ao golo. O próprio admitiu que lhe faltavam desequilibradores ao jogo do FC Porto e que caso a mesma estrutura fosse mantida e os conseguisse contratar que chegaria a um patamar superior. Foi isto tudo isto o que o clube não fez.

No Verão de 2013 James e Moutinho foram vendidos e os desequilibradores não chegaram. Para piorar a situação, Paulo Fonseca foi escolhido para ser o novo treinador e logo decidiu rasgar com o passado recente. Talvez cego pelo terceiro lugar alcançado no Paços de Ferreira numa época em que os portistas se queixavam (de barriga cheia) do futebol que os Dragões praticavam, o recém-chegado decide deitar para trás um trabalho de três épocas - que começou com Villas-Boas e teve continuidade em Vítor Pereira - para implantar um modelo de jogo que se esperava ser de ataque vertiginoso e com um meio-campo formado por um 10 à antiga e dois médios mais defensivos. Não podia ter corrido pior.

A certa altura já toda a gente tinha percebido que o Fernando funcionava melhor sem ninguém ao lado e que havia jogadores que não estavam a render metade do que podiam render por causa do cansaço acumulado e por causa de uma táctica que não beneficiava um jogador que fosse. Paulo Fonseca saiu tarde demais e Luís Castro apanhou uma equipa completamente desfeita e, prestes a entrar na parte decisiva da temporada, sem qualquer fio de jogo.

Luís Castro até começou bem, mas acabou por não conseguir conquistar nada. Fracassou contra o Sevilha na Liga Europa e contra o Benfica em ambas as taças. Em todos os jogos o adversário teve um jogador a menos durante grande parte do jogo e mesmo assim conseguiram aguentar o ataque do FC Porto - é a tal história dos autocarros contra uma equipa sem desequilibradores...

Pelo meio disto tudo, Luís Castro descobriu que havia jogadores no plantel que já deviam ter muito mais tempo de jogo. Ghilas, Ricardo, Quintero e Reyes mostraram ser jogadores competentes e com qualidade para jogar no FC Porto. Se Paulo Fonseca tivesse arriscado neles mais cedo talvez jogadores como o Danilo, Alex Sandro, Varela ou Jackson não estivessem completamente exaustos no último terço do campeonato. Paulo Fonseca fez uma gestão à Jorge Jesus e o FC Porto acabou com uma época à Benfica.

É evidente que há lacunas a ser preenchidas para a época que aí vem, mas a mais importante é no lugar de treinador. De nada adianta ter bons jogadores se no comando estiver alguém com medo de apostar nos que jogam menos vezes e que a isso ainda junte a falta de noção do que se passa à sua volta. A culpa de uma época desastrosa não pode ser só de uma pessoa e é óbvio que o Paulo Fonseca não foi o culpado de tudo, mas é minha convicção que com um bom treinador no banco o FC Porto pelo menos tinha dado luta. Espero que a lição tenha sido aprendida.

27 de abril de 2014

Quem não arrisca não petisca

Por duas vezes a jogar contra apenas 10 jogadores do Benfica durante cerca de 60 minutos em ambas as ocasiões, o FC Porto conseguiu fazer a proeza de ser eliminado das duas taças. Salvo algumas excepções, houve uma falta de atitude vergonhosa por parte de todos (não só dos jogadores) e que em nada dignificam os jogadores individualmente ou ao FC Porto como equipa.

Se já toda a gente percebeu que o Benfica quando visita o Dragão fá-lo sempre com a intenção de jogar em contra-ataque, porque motivo o FC Porto não se tem preparado para esse facto? Era óbvio que a jogar com 10 essa situação seria mesmo a única hipótese para os encarnados. Em ambos os jogos, com a eliminatória empatada e a jogar 60 minutos em vantagem numérica, cabia ao FC Porto assumir o jogo e arriscar. As coisas não caem do céu! E se à primeira (no jogo da Taça de Portugal na Luz) não houve uma abordagem diferente ao jogo por se tratar de uma situação inédita, hoje é inadmissível que ao intervalo não tenha entrado ninguém e a equipa já viesse preparada para uma forma diferente de jogar. Hoje não havia a possibilidade de prolongamento e a baliza do Benfica - que até podia já ter sofrido três ou quatro golos até à expulsão - passou uma hora tranquila sem qualquer tipo de ameaça e sem que o FC Porto arriscasse um milímetro que fosse!

O plantel tem qualidade para mais e devia ter rendido muito mais. O Paulo Fonseca foi uma verdadeiro desastre e justifica muita da merda que se passou este ano, mas não há nada que justifique esta falta de atitude e de ambição. Que alguém da administração tenha estado atento ao que se passou nos últimos 10 meses e que saiba limpar o que precisa de ser limpo. Quem não estiver no plantel com vontade de ganhar sempre e com a garra que sempre caracterizou o FC Porto pode fazer as malas e ir embora. Não estou com isto a apontar o dedo a ninguém, mas é claro como a água que algumas coisas têm de mudar. A atitude é a principal.