5 de maio de 2014

O portismo do comodismo

Parece que o meu último post causou algum celeuma em alguns locais. Desde posts dedicados ao meu portismo e com suposições sobre o meu carácter em determinados blogs, passando a ameaças por mensagem privada no facebook, até chegar aos insultos nos comentários aqui no Portistas Anónimos. Valeu de tudo um pouco. Assim sendo importa para mim esclarecer alguns pontos:

- Em momento algum apelei à violência. Afirmar que se devia ter pressionado a SAD a demitir um treinador incompetente não é o mesmo que afirmar que alguém devia ter partido tudo. Quem tira essas conclusões assim do nada só pode estar a agir de má-fé ou a tentar deturpar uma mensagem clara. Atitude que se espera de um qualquer diário desportivo lisboeta, não entre portistas.

- Não me identifico com actos de vandalismo e nunca apelarei aos mesmos. Simplesmente esperava mais de pessoas que, como foi tornado público, foram chamadas à conversa com Pinto da Costa, Paulo Fonseca e Antero Henrique e decidiram a partir daí tentar filtrar qualquer iniciativa de manifestação contra o rumo que a equipa seguia. Será que foi pelo medo de ficar sem apoios do clube como já aconteceu no passado?

- Em momento algum critiquei quem pertence às claques do FC Porto. Critico sim quem tem oportunidade de ser ouvido por quem toma as decisões e não faz valer a sua posição. Além disso, critico também que se tenha decidido humilhar a equipa numa altura em que já tudo estava perdido. O tempo útil de fazer exigências passou há muito, tudo o que se faça agora nesse sentido é apenas show-off.

- Que o clube é dirigido de dentro para fora e não em sentido contrário já toda a gente percebeu e ainda bem que assim o é. No entanto, a ausência total de oposição nunca foi e nunca será benéfica. Se quem toma as decisões achar que está tudo bem e que tudo lhe é desculpável, épocas como esta começarão a ser o normal em vez de ser a excepção. Sem oposição não há democracia e, como felizmente nas últimas décadas nem foi necessário pensar nisso, as pessoas têm tendência a esquecer que o FC Porto é dos associados e não da SAD. Muito menos de um ou outro em concreto.

- Pinto da Costa, por ter feito do FC Porto tudo aquilo que é hoje e por ter provado que percebe de futebol mais que ninguém, é a única pessoa na estrutura do clube que merece todo o crédito e todas as oportunidades para resolver os problemas que vão aparecendo. Todos os outros, por um ou outro motivo, são olhados de lado. E não é só por mim, é por muita gente.

Entre a exigência e a tacanhez


Ao longo desta época os grupos organizados de apoio ao FC Porto tiveram oportunidade de mostrar o que valiam mas guardaram para a penúltima jornada para o fazer. A conclusão que se pode tirar daqueles que tiveram oportunidade de pressionar a SAD para demitir um treinador incompetente e não o fizeram preferindo ameaçar e coagir outros a não o fazer, aqueles que esperaram que a equipa perdesse tudo o que havia para perder e para estar a jogar para nada e com metade da equipa - onde se incluíam dois jogadores da equipa B - que pouco teve de responsável nesta época desastrosa por tão pouco terem jogado, é que não valem nada. Zero.

Os membros da direcção dos SuperDragões portaram-se como verdadeiros cobardes durante toda esta época. Mostraram que não passam de uns vendidos e que é difícil morder a mão a quem lhes dá de comer. Autênticos abutres que vivem às custas do clube - seja directamente ou indirectamente, como por exemplo na venda paralela de bilhetes - e que foram nada mais que paus-mandados da SAD durante toda a temporada. O maior acto de cobardia, como já mencionei, foi mesmo no jogo de ontem em que decidiram humilhar uma equipa que já não tem força anímica para se levantar.

Outro exemplo do portismo remunerado é o (muito mais que um simples) speaker do Dragão. Quem o seguir pelo facebook já percebeu que é já habitual este vir com moralismos sobre o que é e não é ser um verdadeiro portista, sendo que para ele "só quem lá foi (ao Dragão)" é que sabe. É tão fácil falar quando se tem a barriga cheia, não é?

É claro para todos que o FC Porto tem fazer alguma coisa para mudar. A minha sugestão é que os adeptos deixem de dar poder a quem há muito deixou de ser independente. Deixemos de apoiar pseudo-lideres, deixemos de apoiar parasitas. O FC Porto precisa de união, mas neste momento também precisa de quem saiba dizer "basta!".