27 de setembro de 2014

Plano B

Tendo até à data realizado nove jogos oficiais, aos quais podemos juntar oito jogos de preparação, o FC Porto continua invicto. Contabilizando apenas os jogos oficiais, das equipas da Primeira Liga só Vitória de Guimarães e Sporting se podem gabar do mesmo, sendo que estes últimos empatam mais do que o que ganham... Assim sendo, e apesar de estar à vista de todos que o FC Porto tem sentido algumas dificuldades (algumas delas impossíveis de controlar), é obrigatório dar o beneficio da dúvida a quem não sofreu ainda qualquer derrota. Convém ainda acrescentar que deste três empates consecutivos dois deles foram frente aos dois adversários que ainda não perderam qualquer jogo oficial (Vitória de Guimarães e Sporting), sendo o FC Porto visitante em ambos os casos, e ainda um empate a zero na recepção ao Boavista que ficou marca por um temporal atípico e pela expulsão de Maicon a meio da primeira parte.

Dito isto, importa agora olhar ao que têm em comum estes três jogos. E não, embora também pudesse ser, não me refiro às arbitragens habilidosas, ou à rotatividade excessiva, ou até aos golos aparentemente fáceis falhados por Tello, mas sim ao facto da equipa ter entrado muito mal em qualquer das partidas e ter melhorado após ajustes tácticos geralmente introduzidos com uma ou duas substituições. Recordo ainda que pelo meio houve um 6-0, maior vitória portista na Liga dos Campeões desde que a prova se joga neste formato, onde foi utilizado um sistema táctico diferente do habitual. Este jogo foi mesmo o único em que o FC Porto não sentiu qualquer tipo de dificuldade.

Não será altura de Lopetegui olhar para estes dados e fazer a seguinte pergunta si próprio: será que o plano B é mesmo melhor que o plano A?

Uma pequena referência ainda ao facto do presidente de o Sporting ter vindo a público rejubilar com o empate caseiro frente ao FC Porto, chegando ao cúmulo de dizer que os Dragões achavam que seriam favas contadas ganhar em Alvalade. Se isto não é mentalidade de equipa pequenina, não sei o que será. Talvez este lance lhe tenha passado ao lado:


Nota: Enquanto escrevo este post o Benfica vê o árbitro transformar um lance em que Enzo Pérez deveria ter visto o segundo cartão amarelo por simulação num segundo cartão amarelo para o jogador do Estoril e quatro minutos depois o Andor chega ao 2-3. Ingenuidade de Cabrera e ratice de Enzo Pérez, dizem os comentadores da Sporttv. Siga a procissão.

22 de setembro de 2014

Tolerância Zero

Desde que começou o campeonato versão 2014/2015 que tem havido sinais claros de que, para ser campeão, não basta ao FC Porto formar um plantel recheado de alternativas de qualidade para todos os sectores.

Frente ao Boavista, Maicon viu vermelho directo - que me pareceu justo - após uma entrada imprudente sobre o adversário. Naquele momento, quase que inédito em Portugal, esta falta foi contemplada com o cartão que lhe está previsto nas leis do jogo. O problema está nas vezes que o mesmo cartão fica no bolso do árbitro quando são os adversários do FC Porto a infringir as leis de forma semelhante.

Em apenas cinco jornadas já se percebeu que a tendência deste campeonato passa por tomar as decisões sobre cada lance tendo em conta não as regras mas sim a cor das camisolas dos jogadores. Enquanto que um a jogador que esteja a defrontar o FC Porto quase tudo lhe é permitido, noutros campos sai um cartão amarelo a cada duas faltas sendo que a tendência aumenta caso uma certa equipa, que por coincidência é a outra grande candidata ao titulo de campeão, se encontra em desvantagem. Nos jogos dessa equipa, quando um adversário está em linha com o penúltimo defensor significa que está em fora-de-jogo que é prontamente assinalado pelo árbitro auxiliar. O mesmo se passa nos jogos do FC Porto, estando a única diferença no prejudicado. O Brahimi que o diga... Nos lances de grande penalidade é mais do mesmo: enquanto que uns têm de sofrer três faltas para ver uma ser assinalada, a outros basta tropeçar nas próprias pernas para ter direito a converter um castigo máximo. Tem valido um pouco de tudo para manter certas equipas na luta pelo primeiro lugar.

Engane-se quem pensa que atribuo apenas aos árbitros a perda da liderança no campeonato. O FC Porto ainda tem muito por onde melhorar e crescer como equipa. Falta a Lopetegui estabilizar uma espinha dorsal da equipa e um sistema de jogo. As constantes alterações no onze até podem ser boas para que o plantel perceba que ninguém é indiscutível e que não é por ficar de fora de uma convocatória que não pode ser titular no jogo seguinte, mas, no outro lado da moeda, as constantes trocas têm atrasado a evolução natural da equipa e, por arrasto, dando origem a largos períodos de mau futebol. Concordo que o plantel deve ser todo ele aproveitado e que para isso ser possível tem de haver rotação entre os jogadores na convocatória e no onze inicial, apenas discordo na forma exagerada como essa rotação tem sido feita.

O próximo jogo é em Alvalade e a ausência de Maicon não pode servir de desculpa para não pensar em outro resultado que não seja a vitória. Indi deve voltar à equipa e formar a dupla de centrais com Marcano ou Reyes e qualquer um dos dois é melhor do que Maurício. Essa dupla terá de anular uma dos bons avançados deste campeonato, Slimani, mas com a certeza que na outra ponta do campo têm Jackson a ser marcado, não só mas também, por esse mesmo Maurício. Estou farto de ver o FC Porto, mesmo tendo quase sempre uma equipa superior, perder pontos frente ao Sporting. Desta vez não me lixem.