24 de outubro de 2014

FC Porto à procura de novos patrocinadores

Os últimos dias foram preocupantes para os portistas. Quase em simultâneo à notícia de que a SAD fechou a época 2013/2014 com €40,7 milhões de prejuízo, foi tornado público por Fernando Gomes que o FC Porto teria de procurar novo(s) patrocinador(es) frutos das situações vividas pelo BES (agora Novo Banco) e a PT, os dois maiores patrocinadores do clube.

Recentemente, ainda antes do anúncio feito por Fernando Gomes, surgiu o rumor de que o FC Porto não renovaria com a PT e que havia interesse do actual patrocinador do Atlético de Madrid em patrocinar também os Dragões. O rumor ganhou mais força quando o próprio Hafiz Mammadov confessou ao Canal+ (França) que tem planos para investir no FC Porto.

Outra possibilidade chega de África. Talvez devido ao Clássico do passado sábado, passou despercebido quase a toda a gente o protocolo que o FC Porto assinou com a Academia de Futebol de Angola, propriedade do presidente da República de Angola José Eduardo dos Santos. Curiosamente, também o presidente angolano tem ligações com o Azerbaijão. Será que esta parceria fica por aqui ou será o inicio de algo maior?

Recordo que durante algum tempo correu o rumor de que o Benfica estaria a ser financiado com dinheiro angolano via Isabel dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos. Estará o FC Porto a tentar fechar a torneira ao maior rival enquanto tenta levar a água ao próprio moinho? Ou todas estas ligações não passam de coincidências? As respostas surgirão nos próximos tempos.

23 de outubro de 2014

A importância da comunicação

"Vivemos na Era da Informação", é uma das frases que mais se ouve e lê por aí. Vivemos na Era da Contra-Informação, acrescento eu. Nós, portistas, estamos habituados a ler no inicio de todas as épocas que alguém ligado ao FC Porto afirma que o clube é candidato a vencer tudo, Liga dos Campeões incluída. No fundo, a grande maioria sabe que isto são palavras de ocasião e que poucos são aqueles que se podem dar ao luxo de assumir uma candidatura à mais difícil prova de clubes do mundo. Internamente, é normal que uma equipa como o FC Porto seja candidata a vencer todas as provas, mas de candidato a vencedor há um longo caminho a percorrer. Não podemos esquecer nunca que também Benfica e Sporting têm as mesmas ambições e que, fruto de anos e anos de seca, têm agora adeptos muito mais compreensivos e fáceis de agradar. Além disso, têm o apoio da esmagadora maioria da comunicação social, algo que o FC Porto nem sonha.

Nas últimas semanas não faltaram exemplos que comprovam tudo aquilo que escrevi. Jorge Jesus, em entrevista ao Record, afirmou não acreditar que uma vitória do Benfica numa final da Liga dos Campeões levasse tantos benfiquistas ao Marquês como quando os encarnados vencem o campeonato; antes da viagem à Covilhã para o jogo da Taça de Portugal, Jonas junta-se a Jorge jesus na campanha de desvalorização e de desculpabilização de uma possível eliminação em outras competições dizendo que "importante é o campeonato"; o Sporting vence no Dragão com a ajuda da equipa de arbitragem e nenhum meio de comunicação social falou no assunto, dando destaque apenas ao mau jogo do FC Porto; o mesmo Sporting perde frente ao Shalke 04 e culpa a arbitragem, atitude seguida por todos os meios de comunicação; o Benfica visita o Mónaco e empata a zero, Jorge Jesus junta-se ao choro de Marco Silva e ataca a UEFA.

Enquanto que o FC Porto usa os meios de comunicação para se auto-pressionar, Benfica e Sporting usam-nos para se desculparem. Enquanto que os adeptos do Benfica ficam felizes por vencer uma campeonato de longe a longe, os adeptos do FC Porto anseiam pelo dia de ver um treinador bicampeão pelas costas e os do Sporting nem sabem o que isso é e festejam segundos lugares ou eliminatórias da Taça como se de títulos se tratassem. Enquanto que para Benfica e Sporting os níveis de exigência estão em baixo, para o FC Porto estão estupidamente altos.

Não acho que o discurso adoptado pelo Benfica seja o correcto, uma equipa com aqueles recursos tem de aspirar a mais do que apenas à vitória do campeonato, mas também não acho justo que os portistas achem que o FC Porto tem obrigação de vencer tudo. A virtude anda ali pelo meio, e é assim que o Sporting, com um orçamento e plantem bem inferiores aos rivais, vai lutando. No ano passado não foi suficiente para que vencessem qualquer coisa, mas este ano estão mais fortes e não há ninguém que possa garantir que a história terminará da mesma forma.

A comunicação social, os dirigentes e os treinadores de ambos os clubes, Benfica e Sporting, vão passando a mesma mensagem em uníssono para que a equipa tenha a paz necessária para ir trabalhando. Uma vez que falta ao FC Porto o apoio dos media, cabe à direcção e aos meios de comunicação do clube ajudar Lopetegui a passar a mensagem aos adeptos. Porque situações como as vividas no Dragão nos jogos frente a Sporting e Bilbau são fruto da ignorância dos adeptos.

O FC Porto tem de começar a combater a contra-informação com informação, ou continuará a ficar mais isolado a cada dia que passa. Chega de tentar vender ilusões e passar frases feitas, os adeptos têm de ouvir a verdade e adaptar-se a ela.

22 de outubro de 2014

Vocês são uma vergonha


Os adeptos do Bilbao merecem todo o meu respeito. Coloriram a cidade de forma animada e respeitadora. Vi imensos bascos com cachecóis e outros adereços do FC Porto, sendo que também foram trocando cânticos com a malta da casa. Ok, deve ter havido alguma excepção, facilitada pela Super Bock, mas estas coisas também fazem parte do espírito da Champions. O Atlético de Bilbao está a fazer uma época miserável na Liga Espanhola: oito jogos, uma vitória, dois empates e cinco derrotas. Mas invadiram a cidade invicta para apoiar o clube que amam. Também podia dar o exemplo dos adeptos do Dortmund, mas nem vale a pena, já são mentalidades completamente diferentes, formas muito distintas de interpretar esse conceito de "adepto".

Vocês, que vão ao Dragão assobiar, são uma vergonha. Não merecem o clube que têm, não merecem alapar esse cu no Estádio do Dragão. Não são impacientes, são ridículos. Muitos de vocês já deviam estar a subir a Alameda ou a carregar o Andante quando o Kelvin marcou. E sabem que mais? Fantástico, muito, muito, muitíssimo bem feito! Adorava que isso vos acontecesse sempre. Deliro com o facto de, por nem se terem dado ao trabalho de ficar até ao fim para aplaudir a equipa, terem perdido ao vivo um dos mais momentos mais emocionantes e eufóricos da história do clube. Havia milhares de pessoas que teriam bebido água do mar às refeições durante um mês só para ter um lugar naquele estádio, enquanto outros tiraram bilhete mais cedo.

Ontem, também não faltava quem quisesse ver o jogo ao vivo. Mas uns vivem a quilómetros de distância, outros não têm condições económicas para serem sócios do clube, como eu por exemplo. Nota: bilhetes exclusivos para sócios, mais uma vez, porquê? É que havia imensos bascos espalhados pelas outras bancadas na mesma e havia...

O tema já é um clássico no debate entre portistas. Assobiar ou não assobiar, eis a questão. Não, foda-se, não!! A equipa é nova, jovem, está em construção. Precisa de apoio e de sentir empurrada pelo SEU público, não puxada para trás à mínima coisa. O Maicon está hesitante com a bola nos pés porque não tem linhas de passe. Sabem o que fazem os assobios? Põem três jogadores adversários em cima dele. E estou a ser metafórica, para o caso de não perceberem. Temos cometido muitos erros e isso faz a equipa entrar numa espiral de nervos quando as coisas não correm bem, mas isso resolve-se. No entanto, não se vai resolver de um jogo para o outro.

Metam nessas cabecinhas, e estou segura que não deve faltar espaço, que assobiar a equipa não ajuda em rigorosamente nada. Nada. Só faz com que os jogadores se sintam mais pressionados, mais nervosos, mais ansiosos e isso só potencia mais asneiras. É assim TÃO difícil de entender que se as coisas estão más os assobios só as põem piores? Vão ao Dragão para ver a equipa perder? É que se vão, aí tudo bem, os assobios aproximam-vos desse objectivo, sem dúvida.

Ontem foi mais um exemplo brilhante. Algures na primeira parte, uma troca de bola mais pausada a meio-campo foi suficiente para soltar o assobio. Um jogador demora dois segundos a mais a fazer um passe, assobio. Defesa troca a bola, assobio. Um jogador erra um passe, assobio. Fabiano faz uma excelente defesa a negar o golo. Aplaude-se a acção do brasileiro, damos-lhe força? Nããõoo, vamos assobiar mas é. Mas o crème de la crème da noite de ontem foi a substituição de Casemiro. Simplesmente vergonhoso. A exibição do Casemiro poderia ter sido a pior dos últimos dez anos que não há desculpa ou justificação possível para aquilo. A não ser que, claro, o médio fizesse asneira de propósito.

Os jogadores não são burrinhos, não precisam que uma pessoa produza um som agudo com a boca para perceberem que fizeram alguma coisa de errado. E, definitivamente, não param de fazer asneiras por ouvirem assobios.

"Eu pago bilhete, se quiser assobiar assobio, estou no meu direito." Repito: Vais ao Dragão para a ver a equipa perder?
"Oh pah, mas aqueles gajos não jogam nada!" Tudo bem, também me enervo com os golos oferecidos. Mas quero que os erros parem, não quero aumentá-los.
"Pff...ganham milhões e não podem com assobios, as meninas?" Insisto, vais ficar mais feliz se a tua equipa de milhões perder? O dinheiro não faz deles menos humanos. Gostavas de ter um gajo a melgar-te de forma insuportável enquanto fazes o teu trabalhinho?

Se querem mostrar desagrado com a equipa, façam-no. Assobiem, tragam apitos, tragam aqueles dos cães também, berrem, esperneiem, insultem... mas façam isso no fim do jogo. Os jogadores ficam com as orelhas quentes na mesma.

O Futebol Clube do Porto não precisa desse tipo de "apoio" para nada. Fiquem em casa. "Ando aqui a poupar dinheiro para vir ao estádio e é isto?". Olha, pega no dinheiro e vai à ópera, ao cinema, ao teatro, mas fica a milhas do Dragão. Quando o nosso presidente foi insultado na sua própria casa já não sabiam usar o filho da puta do assobio.

21 de outubro de 2014

Uma rica vitória


A vitória, só a vitória e nada menos do que a vitória interessava. Não que um empate, por exemplo, complicasse o apuramento, mas era a única resposta possível à eliminação prematura e dolorosa da Taça de Portugal. Com Casemiro, Herrera e Quintero a repetirem a titularidade, foi dos pés do colombiano que saiu a assistência para o número 16, mesmo no fim da primeira parte. Grande jogada, sublinhe-se!

Os bascos assustaram com uma bola ao poste, mas a equipa de Lopetegui, sem ser deslumbrante, trocava bem a bola e looonge da baliza de Fabiano. Notou-se que os jogadores quiserem descomplicar a primeira fase de construção e não hesitaram em aliviar sem cerimónias quando necessário. No segundo tempo, houve uma pequena regressão. O Bilbao foi mais afoito e chegou ao golo da maneira mais previsível: aproveitamento de uma oferta. A gentiliza coube a Herrera, desta feita e três jogadores não foram capazes de impedir o remate de Fernandéz.

 O meio-campo tinha dificuldades em pegar no jogo e empurrar a equipa, assim como em cobrir defensivamente. Aliás, tem sido uma constante e um problema por resolver. Óliver Torres, o médio com mais capacidade em receber e distribuir a partir de trás, começou no banco.

Lopetegui mexeu na equipa, com as entradas de Rúben - exibição agradável - e de Ricardo Quaresma que deu um grito de raiva e revolta. Remate certeiro que contou com a ajuda do "portero", mas não podemos sempre ser nós a sofrer golpes destes. O festejo do Harry Potter encarnou a voz de todos nós.

Até ao fim do jogo, o Bilbao ainda pregou um susto num livre, a castigar uma falta completamente desnecessária de Alex Sandro, mas a vitória não fugiu ao Dragão, que também cheirou o terceiro golo por intermédio de Jackson. O colombiano esteve bem em tudo menos na finalização, há dias assim.

Três pontos fundamentais que dão confiança à equipa e projectam a passagem aos oitavos. Vamos em frente!

Sobre aqueles que vão ao Dragão equipados à Porto e apoiam a equipa adversária, falaremos noutro post.

Quintero à Dragão

Muito se tem falado da falta de Mística Portista no actual balneário do FC Porto nos últimos dias. Muitos apontam o facto de não haver quase nenhum jogador português ou da formação no plantel como principal causa do mau momento que vive o clube. Mas, por vezes, os exemplos aparecem de onde menos se espera.

Quintero surgiu na equipa titular frente ao Sporting contra todas as probabilidades. Esteve ao serviço da selecção da Colômbia e falhou quase toda a preparação para o jogo, enquanto que jogadores como Tello e Evandro, que jogam em posições onde o colombiano pode também jogar, ficaram no Olival a trabalhar com os restantes jogadores que não foram chamados às respectivas selecções. Talvez fruto das boas indicações que deixou quando foi lançado nos dois últimos jogos com a camisola do FC Porto, Lopetegui decidiu apostar nele para o onze.

Retirado de ojogo.pt
Sendo Quintero conhecido por tudo menos pela combatividade, foi com espanto e alegria que vi que decidiu continuar a jogar mesmo estando em dificuldades físicas e o jogo perdido. Estava ainda o resultado em 1-2 e já o jogador se queixava com dores, mas como não havia mais substituições, continuou em campo e mesmo assim não se escondeu do jogo. Já depois do 1-3 acaba deitado no chão após uma jogada em que tentou assistir Jackson. Saiu em lágrimas, talvez provocadas por uma mistura de frustração com a dor, mas ainda assim regressou ao campo para jogar o tempo de compensação.

Quintero colocou a equipa à frente do "eu", coisa rara nos dias que correm. Espero que esta atitude sirva de mote a todo o plantel para o que falta de uma época que ainda agora começou.

20 de outubro de 2014

Tribunal d'O Jogo volta à carga

Recentemente mencionei aqui que José Leirós, Jorge Coroado e Pedro Henriques usam critérios distintos na análise aos jogos do FC Porto aos usados nos demais. Isto a propósito do jogo do último sábado, onde o Sporting venceu por 1-3 no Dragão e houve vários lances polémicos para análise do Tribunal d'O Jogo.

Confesso que fiquei estupefacto quando vejo que todos os especialistas discordam da marcação do penálti assinalado pela falta de Mauricio sobre Jackson.



No fundo, o que os três ex-árbitros nos estão a dizer é que o atacante é que tem a obrigação de evitar o defesa que tem liberdade de fazer o que bem entender. O toque de Maurício é evidente e inegável, assim como o facto de o Jackson se encontrar em pé quando é tocado. Penálti claro e bem assinalado.

Ao ver este lance lembrei-me do mergulho de Enzo Pérez no último Estoril-Benfica e que valeu o segundo amarelo ao jogador estorilisa:


 

A enorme diferença entre os dois lances é que não existe qualquer toque no jogador do Benfica que arriscou a própria expulsão ao simular de forma tão grosseira, uma vez que já tinha cartão amarelo. Fascina-me que José Leirós tenha visto um contacto entre o jogador do Estoril e Enzo Pérez.
Mas a cereja no topo do bolo ainda estava para vir. Nenhum dos analista considera faltosa a patada que Paulo Oliveira dá quando Herrera cabeceia a bola na tentativa de recarga após defesa de RuíPatricio:



Recordo que todos eles são os mesmos que há semanas atrás, curiosamente, não hesitaram em considerar bem assinalado o penálti que deu o empate ao Vitória de Guimarães frente ao FC Porto.



Estes são apenas pequenos grandes exemplos da dualidade de critérios com que os jogos do FC Porto são arbitrados e analisados. Como portistas, mesmo estando a equipa a jogar mal, não podemos deixar passar estas situações em claro. Temos a obrigação de denunciar quem tenta prejudicar o FC Porto, seja quem for e de que maneira for.

Direito de resposta


Por esta altura, todos os problemas da equipa portista estão já mais do que analisados e discutidos. Desde os pequenos detalhes até a evidências que não passam despercebidas a ninguém, até àqueles que pouco percebem de futebol. Para os jogadores e Lopetegui, a pressão aumentou, num caminho inverso ao da margem de erro e paciência, porque o descontentamento não se reduz apenas ao que se passou no último sábado. Está difícil o motor arrancar, por mais que se dê à chave, acontece sempre qualquer coisa.

O momento da derrota define muito o carácter e mentalidade duma equipa. Agora, é hora de responder, de mostrar se são meninos ansiosos ou homens com frieza. É o momento de perceber se existe convicção ou simples teimosia, se os erros ensinam ou apenas baralham mais as contas. O FC Porto tem de exercer o seu direito de resposta já amanhã, não apenas frente ao Bilbao, mas a partir desse jogo. Há imensa qualidade neste plantel, não há desculpas.

A equipa tem, de uma vez por todas, de estabilizar para evoluir e as vitórias são fundamentais nesse processo. Mesmo não jogando sempre bem - não exijo óperas, contento-me com triunfos sem grande margem para dúvida - tem de acumular vitórias e resultados. Há muito trabalho pela frente, mais do que seria suposto nesta altura, mas também é certo que as dificuldades não vão ser ultrapassadas todas de uma vez.

No meio de tanta teoria e debate,o futebol decide-se, muitas vezes, em detalhes. Pequenos, mas importantes. Um corte mal feito, uma desatenção, uma hesitação, um passo a mais num drible são suficientes para mudar todo um jogo, destruindo qualquer estratégia bem delineada e agravando preparações defeituosas. Nós temos percebido isso como ninguém, mas da forma mais dura. O nosso principal adversário, neste momento, chama-se Futebol Clube do Porto. Quando conseguirmos parar de dar tiros na cabeça - já não são nos pés - vamos ter muitas mais condições de derrubar quem nos apareça pela frente, em vez de os ajudarmos.

19 de outubro de 2014

Os erros que valeram uma derrota

Marco Silva diz que o Sporting foi muito superior ao FC Porto, eu discordo quase em absoluto. O FC Porto dominou em todos os campos estatísticos excepto no que mais importa, os golos. A verdade nua e crua é que os visitantes marcam por três vezes e nós só o fizemos por uma. No final das contas, pouco importa ter mais bola, mais ataques, mais remates, etc., se são oferecidos golos de bandeja ao adversário e desperdiçadas todas as oportunidades flagrantes de que se dispõe. O Porto de Lopetegui tem sido isto jogo após jogo.


Após duas semanas em que muitos jogadores estiveram ao serviço das respectivas selecções, o treinador do FC porto decidiu fazer uma gestão do plantel um pouco estranha. Jackson, Quintero e Danilo que fizeram milhares de quilómetros jogaram os 90 minutos (acabando até todos eles em dificuldades físicas), enquanto que jogadores como Evandro e Alex Sandro nem convocados foram. Tello que não esteve ao serviço da selecção e, por isso mesmo, também participou em todos os treinos de preparação para o jogo ficou no banco. Não consigo dizer ao certo quantas alterações foram feitas tendo em conta conta o onze-base porque nem isso consigo especificar. Isso diz muito sobre a estabilidade que Lopetegui tem dado à equipa. A única coisa que se pode dizer é que este está longe de ser a melhor equipa possível.

Do outro lado, tivemos um Sporting quase na máxima força. Montero jogou no lugar de Slimani, Mauricio voltou à titularidade para o lugar de Sarr e Capel rendeu Carrillo. A maior novidade foi a alteração na dinâmica ofensiva da equipa que essas mudanças trouxeram. No jogo em Alvalade para o campeonato, Nani começou o jogo como falso extremo esquerdo, uma vez que tem liberdade total para jogar por dentro, deixando o outro flanco a ser explorado por Carrillo que contava sempre com a ajuda de João Mário e Cédric para sobrecarregar o desamparado Alex Sandro. Foi assim que chegaram ao golo logo no primeiro minuto. Desta vez, Marco Silva inverteu as dinâmicas pelos flancos e coube a Danilo lidar praticamente sozinho durante os 90 minutos com Capel e Jonathan. O que fez Lopetegui para contrariar isto? Deixa Casemiro e Herrera a lutar contra William, Adrien, João Mário e, por muitas vezes, Nani. José Ángel raramente tinha um extremo para marcar e limitava-se a esperar pelas subidas de Cédric. Casemiro, rodeado de adversários por todo lado tanto a atacar como a defender, teve sempre imensas dificuldades quer a distribuir jogo quer a recuperar a bola, uma vez que só tinha a ajuda de Herrera. Enquanto isto, Óliver continuava como médio-esquerdo a fazer nem sei bem o quê.

Graças ao talento individual de jogadores como Quintero, Danilo e Jackson é que o FC Porto conseguiu criar perigo e até podia ter chegado ao golo vezes suficientes para ganhar. Mas quando o treinador prepara um jogo desta importância com tanta leviandade, onde além de vários jogadores trocou também o sistema de jogo, é com naturalidade que os erros apareçam e com eles a derrota. Ao intervalo tentou remediar as coisas com duas substituições (está a tornar-se hábito) e a equipa melhorou um pouco e dispôs de várias opções para empatar. Não o fez e sofreu o terceiro. Embora não tivesse sido superior, o Sporting foi mais eficaz e, acima de tudo, mais prático a defender. Os Leões fizeram mais dez faltas que os Dragões (16-26) e com isso foram parando as iniciativas atacantes do adversário. Do outro lado, até uma passadeira vermelha se estendia se fosse preciso.

A equipa de arbitragem também teve peso no desfecho da partida. Ao minuto 26 Paulo Oliveira pontapeia Herrera dentro da grande área do Sporting e Jorge Sousa nada assinala. Quatro minutos depois é a vez do árbitro auxiliar assinalar um fora de jogo inexistente a Adrián quando este ficou apenas com Rui Patrício pela frente. Já na segunda parte, ao minuto 72, Jonathan corta a bola como braço dentro da área leonina e uma vez mais o árbitro entende que não há motivo para a marcação de penálti. Foram três lances que poderiam ter mudado a história do jogo e todos eles foram decididos em prejuízo da equipa do FC Porto.




Assim se perde uma vez mais a oportunidade de vencer a Taça de Portugal. É imperial que Lopetegui arranje uma solução para acabar com os erros rapidamente, porque que eles têm de terminar já toda a gente percebeu. E não foi ontem.

32869 inúteis

Já é um debate antigo um pouco por toda a Internet e um tópico recorrente entre portistas. Assobiar ou não assobiar? Há opiniões para todos os gostos mas, no fim, a maior parte das pessoas admite ter a noção que o facto de se assobiar um jogador em particular ou toda a equipa em nada ajuda e que, quase sempre, até atrapalha. O que se assistiu ontem no Estádio do Dragão foi, uma vez mais, exemplo disso mesmo.

O FC Porto iniciou o jogo com todo o apoio do mundo, mas a situação inverteu-se quando a equipa se viu a perder por 1-2. Já na segunda parte, após Jackson ter permitido a Rui Patrício defender o penálti que devia ter dado o 2-2, os portistas presentes no estádio decidem que a melhor solução para apoiar a equipa que até entrou bem na segunda parte é recorrer ao assobio. Enquanto que os sportinguistas cantavam alegremente "Pinto da Costa vai p'ó caralho", os dragões (assim mesmo, com letra minúscula) ouviam em silêncio e só o interrompiam para assobiar a saída de bola da equipa ou um atraso para o guarda-redes. Prioridades.

Nota: A assistência oficial do jogo foi de 36869, aos quais subtraí os 4000 adeptos visitantes (que duvido seriamente que seja real) para chegar ao número presente no título. Além disso, estou consciente que nem todos os portistas presentes assobiaram a equipa. A esses, um bem-haja.