1 de novembro de 2014

Mais um passo seguro do Dragão


Antes do jogo com o Bilbao, afirmei que não seria de um jogo para o outro que a equipa iria carburar. A evolução será gradual e só poderá acontecer assente em vitórias. Vamos no terceiro triunfo consecutivo pós eliminação da Taça e as melhorias fazem-se notar. Aqueles primeiros 25-30 minutos da primeira parte foram uma amostra do que esta equipa será capaz de fazer quando atingir o ponto rebuçado. Há que continuar a trabalhar para que essas fases se perpetuem.

O FC Porto entrou com tudo e Danilo terminou uma semana de sonho da melhor maneira possível. Que bem te ficam as palavras do presidente, o Dragão de Ouro e o número 2. És dos nossos e espero que o sejas por muito mais tempo.

O segundo golo poderia ter aparecido, não faltaram oportunidades para isso, mas o facto de ter demorado tanto a acontecer acabou por não deixar a equipa dominar o jogo como queria. Não que o Nacional tenha assustado muito Fabiano, mas, principalmente no início da segunda parte, faltou clarividência e controlo à equipa, num problema de certa forma resolvido ainda antes dos 60' com a entrada de Herrera.

A 15 minutos do fim, momento mágico de Brahimi, que fez valer a espera pelo golo da tranquilidade. Só a partir daí é que a equipa entrou em estágio para San Mamés, sendo que a tão badalada rotatividade ficou-se apenas pelas trocas de Herrera e Tello por Óliver e Quaresma, enquanto Maicon e Marcano vão lutando pela titularidade. Mexidas compreensíveis que deram resultado e provam que Lopetegui está a mudar a forma de aplicar a "Teoria da Rotatividade".

Que bonito é quando o público decide ir ao Dragão apoiar a equipa. Custou muito? Todos juntos somos mais fortes contra as "linhas tortas" deste campeonato. Jackson parecia proibido de disputar os lances e as faltas sobre ele proibidas de serem assinaladas. Um filme habitual para o colombiano que hoje fez de tudo para marcar mas Rui Silva não deixou.

Despeço-me com o apontamento humorístico da noite:

Que Porto esperar?


Hoje o FC Porto recebe o Nacional da Madeira e nada menos que a vitória interessa. Para a garantir, Lopetegui convocou os mesmos 18 que venceram o Bilbau e o Arouca, dando assim sinais que a rotatividade desmedida, pelo menos por agora, acabou. Mas tendo em conta a importância do jogo da próxima quarta-feira frente ao Bilbau - onde uma vitória aliada à previsível vitória do Shakhtar sobre o BATE Borisov coloca imediatamente o FC Porto nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões - irá o treinador espanhol repetir também o onze?

Há três jogos atrás a resposta seria óbvia: não. Indi esteve condicionado durante a semana, Herrera tem jogado sempre, Óliver e Quaresma tem mais que qualidade para serem titulares, Rúben Neves tem entrado bem nos jogos e Jackson tem apresentado há várias semanas queixas no joelho. Tudo isto seriam motivos para ponderar alterações, mas o "novo" Lopetegui tem andado mais conservador em relação à equipa titular e, uma vez que isso lhe trouxe resultados positivos, torna-se difícil prever o que lhe vai na cabeça. A minha aposta vai para a entrada de Maicon como titular no lugar que foi ocupado no último jogo pelo Indi e talvez mais uma alteração. Estando o jogo decidido, aí sim, será de pensar em poupar alguns minutos de jogo a um ou outro jogador.

Enquanto se canta, não se assobia.


A mensagem é clara e foi colocada estrategicamente junto a Lopetegui para a conferência de imprensa de antevisão a este jogo. Durante a mesma o técnico portista afirmou que "a História e a mística dizem que o FC Porto se une em todas as situações" para acrescentar que o objectivo é ser campeão e que "estamos juntos, contra tudo e contra todos", deixando também ele o apelo à união entre adeptos e equipa. Foi esta a forma oficial do clube reagir aos últimos episódios no Dragão e que em nada ajudam o FC Porto. Mais logo veremos como a mensagem foi recebida pelos visados.

Há uma linha que separa o primeiro do segundo lugar


Ontem o Benfica bateu o Rio Ave por 1-0 num jogo que ficou marcado por mais um golo mal anulado a um adversário dos encarnados e também pela constatação que a BenficaTv tem uma certa dificuldade em traçar linhas paralelas. Esta época a arbitragem tem estado terrível - para nós portistas, claro, porque há quem não tenha razões de queixa; bem pelo contrário - e neste momento é a única coisa que segura o Benfica na frente do campeonato. Este fora-de-jogo adiou a queda por pelo menos mais uma jornada, até quando mais durará a mentira? Curiosamente, as arbitragens têm dado a ambas as equipas aquilo que elas neste momento mais precisam: ao FC Porto motivos para que consiga unir os adeptos com a equipa e ao Benfica pontos. Lopetegui diz que os Dragões não precisam de motivação externa, mas o ideal seria mesmo que os encarnados parassem de ter ajuda externa.

31 de outubro de 2014

Como continuar a vencer sem gastar tanto?


É do conhecimento público que a SAD do FC Porto apresentou um resultado negativo de €40,7 milhões durante o exercício da época passada. Dadas as circunstâncias, ainda mais tendo sido uma ano em que não houve sucesso desportivo, não seria grave caso se tratasse de uma excepção à regra e não da própria regra. É comum ouvir que o FC Porto faz uma gestão de risco, coisa a que não me oponho desde que os riscos sejam controlados e caso algo corra mal não seja preciso medidas drásticas. No entanto, penso que neste momento a SAD se encontra no limite do risco e, como o próprio Fernando Gomes admitiu, é preciso recuar um bocado. Mais ainda se tivermos em conta as regras da UEFA em relação ao fair-play financeiro que, caso não sejam cumpridas, podem inclusivamente levar o FC Porto a ser excluído das competições europeias. Além de (mais) um golpe nas finanças, seria desprestigiante para o clube. Felizmente, é um cenário que ainda não se prevê.

Assim sendo, existem algumas medidas que gostaria de ver implementadas pela SAD e que, a meu ver, ajudariam o clube a obter melhores resultados financeiros:

Planear os plantéis para períodos de três épocas - Este é precisamente a duração de cada ciclo do fair-play financeiro da UEFA. Esta medida exigiria um trabalho a longo prazo, onde o plantel seria reestruturado mais a fundo no primeiro ano enquanto que nos dois seguintes receberia apenas alterações pontuais. A principal vantagem seria manter a mesma equipa por um período grande, o que lhe traria uma maior consistência e melhores  resultados desportivos. No plano financeiro, será sempre mais fácil vender jogadores por valores astronómicos no inicio de cada período de três anos porque será quando os clubes ricos poderão fazer um maior investimento sem temerem sanções do organismo que rege o futebol europeu.

Definir novos gastos máximos com o pessoal - É sabido que o FC Porto paga bem aos seus melhores jogadores. Seria importante que a SAD reduzisse o tecto máximo para salários e que não o ultrapassasse de forma alguma. Não estou a pedir que se faça como o Sporting e se tente à força toda vender ou rescindir unilateralmente com quem ganha acima disso. Basta que se comece a implementar esse novo tecto nas novas contratações e renovações. Outra situação que causou algum mal-estar entre os portistas foi o facto das remunerações dos Administradores terem aumentado na última época, em virtude dos resultados desportivos de 2012/2013 terem sido positivos. A minha proposta seria que fosse definida também uma percentagem para estas baixassem também após uma má época como foi a última. Percentagem essa que aumentaria conforme a distância (em lugares e não em pontos) para o primeiro lugar do campeonato.

Definir um tecto máximo para custos de intermediação e prémios de assinatura - Este é um dos assuntos que mais inquieta os portistas, pois as chamadas comissões custam ao clube muitos milhões de euros em cada época. A solução passa por baixar a percentagem atribuída ao intermediário - 5% do valor total da transferência, a meu ver, seria justo - e, mesmo assim, definir-lhe um limite monetário máximo. Os prémios de assinatura têm de ser mais adaptados à realidade do futebol português e também eles têm de ter um valor máximo. Situações como as do "negócio Danilo" não se podem repetir.

Apostar na prata da casa - Gonçalo Paciência, André Silva, Rafa, Ivo e Tomás Podstawski são jogadores formados no clube e que têm qualidade para seguirem os passos de Rúben Neves que, ironicamente, é mais novo que todos eles. Victor Garcia, Lichnovsky e Kayembe também têm mostrado potencial, mas casos como os deles têm de ser muito bem ponderados. A equipa B não pode funcionar como mais uma fonte de despesa mas sim de rendimento, independentemente da qualidade do jogador - que a tem -, os valores pagos por Kayembe não podem ser repetidos em outras contratações que depois, à imagem do belga, ficam a treinar e jogar pela formação secundária.

Acabar de uma vez por todas com os excedentários -  Rolando está afastado do grupo; Tiago Rodrigues na equipa B; Carlos Eduardo, Pedro Moreira, Stefanovic, Kléber, Izmaylov, Djalma, Caballero, Abdoulaye, Licá, Josué, Bolat, Quiño, Júnior Pius, Rúben Alves, Tozé, Sami, Varela e Ghilas estão emprestados; e a SAD mantém percentagens dos passes de Walter, Prediguer, Souza e Soares. Tendo eu a noção que é sempre mais fácil idealizar do que por em prática, a política de empréstimos tem de servir para dar minutos de jogo aos mais jovens e não para despachar temporariamente quem o treinador acha que não serve para o plantel. Para mim é simples: não serve para o treinador e não tem margem de progressão significativa, vende-se. Porém, o mais grave é o que aconteceu com Fucile na época passada e está a acontecer com Rolando nesta. A SAD não pode permitir que um jogador entre no último ano de contrato e caso isso aconteça não pode simplesmente colocá-lo de parte. Alguma solução tem de se arranjar, uma vez que não é só o jogador a perder com a situação.

Algumas medidas são mais simples, outras mais complicadas, mas creio que com algum esforço todas elas seriam possíveis. O permanente recurso à ajuda dos fundos de investimento, ao financiamento através da banca e aos empréstimos obrigacionistas tem de ser reduzido gradualmente até, eventualmente, ser extinto ou fique lá próximo. Tenho a perfeita noção que não será fácil, mas creio que não seja impossível.

30 de outubro de 2014

As principais diferenças entre FC Porto, Benfica e Sporting

Este ano a luta pelo titulo de Campeão de Portugal promete ser quente. Decorridas que estão oito jornadas, os três grandes, como tantas vezes já aconteceu no passado, encontram-se em boa posição para conquistar o campeonato e certo é apenas que só um o poderá fazer. O que pretendo neste post é analisar a equipa-base e o plantel de FC Porto, Benfica e Sporting sem entrar em grandes comparações de qualidade. O objectivo é tentar perceber o que cada um pode dar à respectiva equipa e não se, por exemplo, o Eliseu é melhor que o Jonathan ou vice-versa.

Lopetegui, Jorge Jesus e Marco Silva têm formas muito diferentes de pensar o jogo, mas, curiosamente, todos montam a equipa tendo por base jogadores com características ou princípios de jogo semelhantes. Uma defesa a quatro com laterais capazes de apoiar o ataque; um médio-defensivo forte fisicamente, com capacidade para ser o quinto defesa mas também com técnica suficiente para iniciar a construção de jogo; dois médios mais adiantados em que um deles tenta ser o cérebro da equipa enquanto o outro funciona como uma espécie de quarto avançado sempre que tem oportunidade; um extremo rapidíssimo; um avançado capaz de marcar golos e de servir de ligação entre o meio-campo e o ataque; e um extremo capaz de jogar também pelo centro e que quando tudo falha ser ele a decidir o jogo numa jogada de inspiração. Na baliza e no centro da defesa não há nada de relevante a apontar, quase todas as equipas do mundo procuram o mesmo tipo de jogadores: certinhos e que não comprometam muito.


As principais diferenças prendem-se ao que cada treinador pede aos jogadores. Marco Silva, talvez motivado por uma defesa algo débil, é aquele que aborda o jogo de forma mais cautelosa. Não tem problemas em recuar as linhas e jogar de forma mais feia para o espetáculo, privilegiando o contra-ataque e recorrendo à falta frequentemente para parar as iniciativas adversárias. Jorge Jesus, por sua vez, é dos três o que pensa de forma mais atacante - a notícia Record é a prova disso mesmo. Combinações rápidas e muita gente próxima à área adversária é a forma como o treinador encarnado idealizada o futebol. Quando a equipa perde a bola tem ordem (e impunidade) para recorrer à falta e reagrupar em zonas recuadas. No entanto, é também Jorge Jesus aquele que mais se acobarda quando tem de defrontar adversários de valia igual ou superior, tendo já recebido por diversas vezes criticas dos próprios benfiquistas em virtude disso mesmo. Lopetegui é, talvez, o mais equilibrado. O espanhol já mostrou que pretende que a equipa assuma o jogo e procuro ter a bola sempre que possível sem que sinta uma necessidade irracional de procurar a baliza.

A forma como se comportam os laterais e o meio-campo é onde se nota mais as disparidades entre as equipas. Olhando aos habituais titulares, tanto como no FC Porto como em Benfica e Sporting, os laterais costuma ter liberdade para explorarem os corredores. Apesar disso, a forma como o fazem é um reflexo do já falado em cada treinador: mais cautelosos os do Sporting, mais ousados os do Benfica e mais equilibrados os FC Porto. Na minha opinião, quem apresenta mais dificuldades em desempenhar o papel que a estratégia exige é Cédric do Sporting, o que pode significar que perca o lugar para Miguel Lopes - ou para o próprio Esgaio que esteve muito bem no Clássico no Estádio da Luz - a médio prazo, à imagem do que aconteceu com Jefferson e Jonathan. No meio-campo uma pequena curiosidade: enquanto no Benfica e no Sporting são Adrien e Enzo, respectivamente, os chamados box-to-box deixando mais soltos João Mário e Talisca para distribuírem jogo ou funcionarem como segundo ponta-de-lança, no FC Porto é Herrera quem joga mais adiantado deixando Quintero a construir é zonas mais recuadas. As três equipas têm definidos um 6, um 8 e um 10, variando apenas os papeis que lhes são atribuídos.

Chegando ao ataque encontramos os jogadores-chave de cada equipa. Toda a gente sabe da valia que Jackson tem para o FC Porto, assim como Slimani para o Sporting e menos um bocado Lima para o Benfica (veremos o que pode trazer Jonas), assim como as dificuldades que a velocidade de Tello, Carrillo e Salvio trazem para as defesas contrárias, mas é em Brahimi, Nani e Gaitán que habita a capacidade de fazer verdadeiramente a diferença. A qualidade individual destes três pode ser confundida com a dos companheiros de equipa que jogam no flanco oposto, mas as soluções que cada um deles oferece são muito diferentes. O jogo de Tello, Carrillo e Salvio torna-se previsível e mais fácil de anular quando encontram adversários tão bem preparados fisicamente como eles, uma vez que procuram quase sempre o mesmo tipo de jogada. Brahimi, Nani e Gaitán são diferentes, são jogadores capazes de levantar a cabeça e decidir. O sucesso de cada equipa passa muito por eles e é natural que num dia menos bom de um deles a equipa acuse isso.

A forma como os planteis são formados é também muito semelhante (uma vez mais sublinho que não estou a comparar a qualidade mas sim o tipo de jogador que cada equipa procura), até no detalhe de contar com um jogador capaz de desempenhar várias posições de forma competente. Os Dragões têm Ricardo, os Leões contam com Esgaio e as Águias com André Almeida. Assim sendo, onde poderá ser feita a diferença?

Na minha opinião será campeã a equipa que conseguir manter em forma o seu melhor onze durante mais tempo. O FC Porto parece ser a equipa que tem mais profundidade de plantel e maior equilíbrio entre titulares e suplentes. Lopetegui tem tentado fazer uma utilização ampla dos recursos que tem ao seu dispor, talvez até um pouco cedo demais. No entanto, poderá colher frutos na segunda metade da época pois contará com um maior número de jogadores em boa forma e familiarizados com os processos da equipa. Ainda mais importância ganha se um ou ambos os adversários directos forem eliminados das provas europeias (não apenas da Liga dos Campeões) como parece estar destinado a acontecer. Marco Silva conta com boas alternativas para o ataque mas estas parecem escassear na defesa e no meio-campo. Veremos como a equipa responde quando lhe faltar dois ou três dos habituais titulares. A não ser, claro, que o Sporting consiga um par de boas contratações em Janeiro que dêem mais alternativas ao treinador. O mesmo quase que poderia ser dito sobre o Benfica. Tanto que tem sido notícia que Jorge Jesus não confia no Banco fruto de ter feito apenas uma substituição nos jogos frente ao Sporting e ao Sporting de Braga onde, curiosamente, não venceu nenhum deles. Além disso, tem sido comum o Benfica de Jorge Jesus quebrar fisicamente no último terço do campeonato.

Veremos como cada equipa reage aos imponderáveis - alguns deles, como por exemplo a arbitragem, não têm sido assim tão difíceis de prever - e a forma como respondem às adversidades. Todos os pontos contam e cada um que seja perdido é um passo atrás na corrida pelo primeiro lugar.

29 de outubro de 2014

O clube mais representativo de Portugal

Sejamos sinceros: o Sporting nem sempre foi o melhor e maior clube em Portugal. Bruno de Carvalho disse recentemente que "nós (Sporting) representamos Portugal, os outros representam províncias ou bairros". Os outros são FC Porto e Benfica, sendo que este último foi quem dominou o futebol português até à década de 80, antes do grande boom verde e branco. O propósito deste post é contar a história que levou o Sporting ao topo do futebol em Portugal, na Europa e no Mundo.

Até 1987 o Benfica era o único clube português que havia vencido a Taça dos Campeões Europeus, feito que havia logrado por duas vezes. Nesse ano, fruto de uma equipa de sonho, o Sporting consegue chegar à final da prova e vencer por 2-1 os alemães do Bayern de Munique. Para isso muito contribui um golo de calcanhar - que deu o empate a um - e que ainda hoje está presente na memória de todos os sportinguistas e de todos os amantes do desporto rei. Com esta primeira conquista internacional, o Sporting começava a construir as bases para chegar ao lugar que ainda hoje ocupa, o de clube com mais títulos do futebol português. Mas engane-se quem acha que o Leões ficaram por aqui. Na época seguinte o clube da capital portuguesa venceu a Supertaça Europeia após vencer o Ajax por 1-0 em cada uma das duas mãos (actualmente a prova é disputada apenas em um jogo realizado em campo neutro) e chega ao topo do mundo com a vitória na Taça Intercontinental. Num jogo épico devido ao frio extremo que cobriu o campo de neve, o Sporting consegui vencer o Peñarol por 2-1 já no prolongamento após o empate a um no tempo regulamentar. Em Portugal, até à data de hoje, só o Sporting venceu estes dois troféus (Supertaça Europeia e Taça Intercontinental).

16 anos depois o Sporting volta às finais europeias. Pelo meio, entre outras vitórias, ficaram duas dobradinhas e um pentacampeonato, fazendo a supremacia dos Leões ser demasiado evidente. Desta vez coube aos escoceses do Celtic, curiosamente conhecidos como "Leões de Lisboa", serem derrotados por 3-2 no prolongamento de uma final emocionante da Taça UEFA que dava empate a dois golos no final dos noventa minutos. Uma vez mais, trata-se se um feito inédito pois até ao presente ainda mais nenhuma equipa portuguesa conseguiu vencer o troféu. Mesmo tendo já um dos rivais do Sporting, em 2004/2005, ter chegado à final que foi realizada no próprio estádio. Imagino como terá sido hilariante para os sportinguistas assistir à derrota de um rival que tinha a vantagem de jogar no próprio reduto.

Com a vitória na Taça UEFA chegou a possibilidade de disputar a Supertaça Europeia e com ela chegou o primeiro dissabor internacional. O Sporting perde por 0-1 com o campeão europeu em titulo, o AC Milan. Apesar disso, a equipa mostrou de que fibra era feita e acabou a época com um dos maiores feitos do futebol mundial: vencendo a Liga dos Campeões. 2003/2004 foi o época que trouxe o Sporting de volta ao topo do futebol europeu, feito inacreditável tendo em conta a realidade económica em Portugal quando comparada com países como Alemanha ou França, ou a qualidade do campeonato quando comparada com o inglês, o espanhol ou o italiano. 3-0 foi o resultado na final frente aos "franceses" do Mónaco. Na época seguinte, nova derrota na Supertaça Europeia (1-2 frente ao Valência) e nova vitória na Taça Intercontinental. Neste jogo o Sporting foi bastante prejudicado pela arbitragem pois teve dois golos mal invalidados e também se pode queixar da sorte pois viu vários remates bater no poste. Apesar disso, a equipa conseguiu manter a cabeça fria e vencer nos penáltis após o empate a zero nos 90 minutos e no prolongamento.

No passado mais recente, destaque para a vitória na Liga Europa em 2010/2011. A final foi disputada contra o Sporting de Braga que havia eliminado nas meias-finais o Benfica. 1-0 foi o resultado final, sendo o golo marcado pelo melhor marcador da prova com 17 golos e que fazem dele o maior goleador de sempre em provas europeias. Depois disso, já o Benfica conseguiu acumular duas finais e outras tantas derrotas na prova.

O Sporting é actualmente o clube português mais bem sucedido internacionalmente, tendo mais do dobro dos troféus internacionais que as outras equipas portuguesas todas juntas. Além disso, tem dominado internamente, apesar da recém aproximação do Benfica. Quem achou que Bruno de Carvalho disse o que disse apenas pelo facto do clube se chamar Sporting Clube de Portugal está muito bem enganado, como provam os títulos oficiais ganhos pelo emblema de Alvalade nas últimas cinco temporadas. Hoje o Sporting é um clube conhecido (basta ver pelas as imagens presentes no post) e, principalmente, temido na Europa e no Mundo.

Quem não parece aceitar isso é a própria UEFA que, talvez ignorando a grandeza do Sporting, considerou inadmissível o protesto dos Leões, que surgiu porque estes entenderam ter sidos fortemente prejudicados frente ao Schalke 04 e que tinha por objectivo dar a oportunidade ao organismo que tutela o futebol na Europa de mandar repetir o jogo ou comprar o silêncio leonino por €500mil, valor monetário atribuído pela própria UEFA a cada equipa por um empate na Liga dos Campeões.

Uma coisa é certa: quem fica a perder é a UEFA, pois acabou de fazer um inimigo muito poderoso. Além disso, a própria Liga dos Campeões está a um passo de ficar mais pobre, porque o Sporting tem as contas muito complicadas para aspirar ao apuramento aos oitavos de final. O espetáculo ficará mais pobre, ou não fosse a equipa leonina uma das duas que fizeram uma das eliminatórias com mais golos (13) da história da prova.

28 de outubro de 2014

O que é Ser Porto?

Jackson e Danilo foram dois dos galardoados ontem pelo FC Porto com um Dragão de Ouro, sendo que o colombiano é já repetente depois de também ter recebido um em 2013. Nenhum deles é português e os anos de serviço no clube podem ser contados pelos dedos de uma mão e ainda sobram dedos. No entanto, Jackson é um dos capitães de equipa e Danilo também está na hierarquia da braçadeira, como se pode comprovar no jogo de sábado em Arouca. Saberão eles o que é Ser Porto? Quando é que alguém pode dizer "eu Sou Porto"? E afinal o que quer isso dizer?

Estas perguntas e todas as que se podem fazer sobre este tema são de difícil resposta. Mas, como disse o Hélton, há uma diferença entre torcer pelo Porto e Ser Porto. Como não consigo descrever as diferenças, decidi trazer alguns exemplos do que não é Ser Porto.

27 de outubro de 2014

A (r)evolução no meio-campo


Terminada a partida, foi atribuída à continuidade no onze promovida por Lopetegui a responsabilidade pela goleada imposta pelo FC Porto ao Arouca. Em relação ao jogo da Liga dos Campeões frente ao Bilbau, saiu Maicon para entrar Marcano e o resto da equipa repetiu-se. Para os analistas as coisas foram muito simples: Lopetegui não inventou e o Porto ganhou. Não deixa de ser verdade, mas é uma verdade muito limitada. Dar continuidade a uma equipa por si só não é garantia de nada, é preciso corrigir os erros que vão surgindo e adaptar a forma de cada jogador agir às necessidades do conjunto. Foi precisamente isso que o treinador portista fez.

Graças aos golos que o FC Porto tem vindo a sofrer, está bem evidente que o grande problema está na saída de bola a partir da defesa. Por isso, comecemos na única alteração no onze em relação ao jogo anterior. Não há grandes dúvidas que Maicon, quando está bem, é mais jogador do que o Marcano pode aspirar ser, mas isso não significa que seja melhor em tudo. O brasileiro tem-se mostrado muito nervoso e hesitante com a bola nos pés, em contraste, o espanhol tem-se revelado mais sereno e rápido a decidir. A troca levada a cabo por Lopetegui terá sido em grande parte influenciada por isto, mais até do que pelos erros cometidos pelo Maicon.

Mas a grande alteração foi na dinâmica do meio-campo. Pela primeira vez esta época vimos o médio-defensivo (Casemiro, neste caso) fazer de regra e não de excepção o recuo para junto dos centrais para iniciar a construção. O que acontecia nos jogos anteriores era uma troca de bola constante entre os defesas e o guarda-redes e que só saía dali quando um dos jogadores mais virtuosos tecnicamente conseguia criar uma situação de desequilíbrio. Quando este processo corria mal, era perigo pela certa para a baliza portista. Tudo isto porque os três médios jogavam muito adiantados e todos eles de costas para o ataque quando a bola se encontrava em terrenos recuados. O trinco ao baixar dá liberdade aos laterais para subirem e liberta a equipa da pressão dos dois extremos adversários que se veem obrigados a recuar, ao mesmo tempo que lhe permite jogar de frente para o jogo e, a cima de tudo, para a frente. Tudo isto é muito comum no futebol, mas tem sido raro na versão 2014/2015 dos Dragões.

Com a equipa mais estável atrás apareceram os desequilibradores. Danilo está um monstro, Alex Sandro apareceu em bom plano, Quintero está cada vez melhor, Herrera vem também numa sequência de bons jogos, Brahimi é um jogador de topo, Tello uma verdadeira seta apontada à baliza adversária e para Jackson já nem há palavras. Quando se consegue meter tanto talento ao serviço da equipa o resultado está à vista.

Claro que os especialistas e analistas preferiram dizer que a goleada foi fruto da incapacidade do Arouca em pressionar o FC Porto, ignorando o porquê disso ter acontecido. Se tivessem feito esse raciocínio lógico em vez de estarem atentos ao que o Quaresma andava a fazer, talvez tivessem chegado à conclusão que o Arouca não pressionava mais porque não podia nem conseguia. Mérito para a equipa do Porto e para o treinador Lopetegui.

Casemiro e a posição 6


Pelo que me é permitido ler e ouvir, penso que é opinião quase generalizada que Casemiro não é o médio-defensivo que o FC Porto precisa. Talvez devido a vários anos com Fernando na posição, criou-se a ideia no seio portista que quem ali jogar tem de estar em todo lado. Muitos acusam o actual camisola 6 de ser demasiado lento para o lugar e de não ter qualidade para ser titular no FC Porto. Outros há que chegam ao extremo de afirmar que não teria lugar no plantel e que só joga porque veio do Real Madrid. Eu discordo.

Na minha opinião, o Casemiro tem várias características que o tornarão num óptimo trinco a curto prazo: bom desarme, agressividade, bom jogo aéreo e boa capacidade técnica e de passe. O que o separa neste momento de ser um 6 de eleição é a falta de rotina na posição, mas isso adquire-se com jogos e muito treino. Sendo ele um bom profissional e um jogador de selecção - brasileira, não de uma qualquer -, é natural que o processo seja mais rápido.

Curiosamente, surgiu hoje a notícia que Ancelotti pondera fazer regressar ao Real Madrid já em Janeiro aquele que para alguns não tem lugar no plantel dos Dragões. Para isso o clube espanhol teria de terminar o empréstimo meio ano mais cedo e por isso indemnizar o FC Porto. A saída do brasileiro abriria as portas da titularidade a Rúben Neves, que teria a concorrência de Campaña e de Mikel, que por essa altura já estará pronto a jogar. No entanto, acredito que esta cenário não se verificará, uma vez que Casemiro ficaria impedido de alinhar na Liga dos Campeões pelo Real Madrid, algo que não seria do agrado nem do jogador nem do clube.

«Lopetegui chora muito»

A afirmação é de Jorge Jesus que, à boa maneira portuguesa, guia-se pelo ditado que diz "olha para o que eu digo e não para o que eu faço". Vejamos:





Mas o "chorão" é Lopetegui, que tem visto o FC Porto ser prejudicado jogo sim, jogo sim e não consegue deixar de apontar o dedos às equipas de arbitragem. Acredito que para Jorge Jesus (e não só) seria mais agradável que ninguém falasse no assunto, mas o treinador portista não parece pensar da mesma forma. E ainda bem, diga-se. O que aconteceu em Guimarães, Alvalade e mesmo no passado sábado em Arouca - para não falar no que se passa em outros campos ou no que aconteceu no jogo da Taça - não pode ser esquecido. Muito menos enquanto a história do "limpinho, limpinho" continuar presente nas nossas memórias.

O FC Porto não pode continuar em silêncio e deixar Lopetegui a batalhar sozinho como aconteceu no passado com Jesualdo Ferreira. Os maiores rivais além de terem os meios de comunicação próprios e sempre com o Dragão na mira, têm ainda o apoio e benevolência constantes da restante comunicação social. Urge mudar a forma do clube comunicar com os adeptos e ao mesmo tempo aproveitar as diferentes plataformas de comunicação que tem seu dispor para passar mensagens a terceiros quando necessário. Longe vai o tempo em que se respondia apenas em campo.

26 de outubro de 2014

O menino Quintero


Assim que Quintero chegou ao FC Porto, percebeu-se logo que aquele pé esquerdo tinha uma relação com a bola bastante especial. No entanto, a preponderância do colombiano na equipa nem sempre foi consensual. Uns diziam que um jogador com o talento do Juan teria de jogar sempre, outros apontavam deficiências tácticas - principalmente no capítulo defensivo - para justificar as poucas chamadas ao onze titular.

De facto, em 2013/14, Quintero nunca alinhou de início duas vezes seguidas. Com Lopetegui, já vai em três. O médio até começou esta época de forma bastante discreta, mas a pouco e pouco foi conquistando o seu espaço e capitalizou participações positivas a partir do banco da melhor forma. Recorde-se: um golo frente ao Braga, uma assistência diante de Sporting e Bilbao, um golo ao Arouca.

Mas as diferenças não se resumem à influência directa nos resultados. O camisola 10 está um jogador mais maduro e constante ao longo da partida - em vez de jogar 20 minutos e começar a arrastar-se - e de jogo para jogo. Claro que ainda tem várias coisas a melhorar, como o jogo sem bola ou a intensidade, mas as melhorias são evidentes e há que dar o mérito a Julen Lopetegui na gestão desta pérola que Paulo Fonseca e Luís Castro não souberam lapidar. Que a evolução de Quintero prossiga, porque há poucos jogadores com olhos nos pés.

5 Euros o golo


Deste ponto de vista até nem está caro, mas não deixa de ser vergonhoso que as equipas ditas pequenas se aproveitem desta maneira. 25€ é um preço abusivo para um jogo de futebol entre duas equipas tão desniveladas e num estádio e relvado com tantas deficiências. De recordar que outros só pagaram 13€ para ver a equipa que apoiam jogar contra este mesmo Arouca no... Municipal de Aveiro. Mas tudo bem, é a crise...

Golos. É quase que só isso que interessa. São eles que criam e reinventam a história do jogo, quantos mais melhor. A eficácia não tem sido propriamente o nosso melhor atributo, mas ontem fomos certeiros e com um timing inicial que acabou por arrumar a discussão do encontro. Tranquilo, como já estávamos a precisar e bastante importante para estabilizar e motivar as tropas. Antes do jogo com o Bilbao, disse que a equipa tinha de exercer o seu direito de resposta e acumular vitórias, uma vez que só assim é possível evoluir da melhor forma. É continuar assim, passo a passo.

 Algumas notas:

- Apenas uma alteração no onze - justificada, quanto a mim. Terá Lopetegui encontrado uma fórmula para repetir muitas mais vezes?

- Trinco mais recuado no apoio aos centrais na saída da bola - algo comum no futebol mas raramente visto neste Porto - e mais jogo interior por força de um bloco médio mais coeso. Ainda há várias coisas a melhorar, mas é a jogo a jogo que se crescer.

- Bolas despachadas na nossa área e redondezas sem cerimónias.

- Quintero está cada vez mais crescido...e resistente. Quem o viu e quem o vê. 

 - Banco a render. Aboubakar - que tractor, que força...e nada tosco, pelo contrário! - entrou bem e fez golo, onde responde bem a um excelente passe de Quaresma, também ele suplente neste jogo. O camaronês a mostrar que pode ser aposta mais vezes.

- Folha limpa cinco jogos depois, muito graças a Fabiano que juntou defesas atentas e um pouco complicadas. Guarda-redes forte faz forte a sua defesa.

Com uma semana a separar este jogo do próximo, é tempo de recarregar baterias e trabalhar de forma a dar continuidade a estes dois bons resultados. O Nacional da Madeira é o adversário que se segue.