21 de fevereiro de 2015

Assim é fácil

Já aqui disse que o Benfica goza de um estatuto especial em Portugal. Um estatuto que lhe permite fazer coisas que mais nenhuma outra equipa pode fazer, de tal forma que torna-se para mim complicado lembrar de um jogo em que o árbitro do mesmo não tenha tomado uma decisão gravíssima em favorecimento dos encarnados. Que o digam equipas como o Boavista, o Moreirense, o Estoril ou o Penafiel que foram obrigados a jogar em inferioridade numérica porque o Benfica estava com dificuldades em segurar a vantagem ou então o resultado ainda não chegava. Ou o Arouca que acabou goleado por 4-0 no Estádio da Luz mas aos 73 minutos de jogo viu o árbitro perdoar um cartão vermelho directo a Samaris e aos 75 fez vista grossa a uma falta ofensiva que deu o 1-0. E que dizer do famoso fora-de-jogo ao ataque do Nacional da Madeira, em que o atacante estava um metro em jogo e que daria o 2-2? Isto é só a ponta do icebergue, porque há mais dezenas de lance como estes onde o único factor em comum é a decisão ser sempre tomada em beneficio do Benfica.

Hoje foi mais do mesmo. O Moreirense voltou a ser vítima de uma procissão que parece apostada em levar o andor até ao fim custe o que custar. Não há nada como um vermelho directo para inclinar a favor dos mesmos de sempre um jogo que até então estava equilibrado. Não bastando, há que fazer vista grossa a mais um penálti. Se calhar neste jogo o quarto árbitro, Manuel Mota, estava mal colocado e não conseguiu ver o lance... Bravo, Jorge Ferreira. Bravo.

20 de fevereiro de 2015

De opcional a obrigatório

Onze portista que defrontou o Boavista no Dragão
A lesão de Óliver frente ao Basileia veio limitar ainda mais as escolhas de Lopetegui para o próximo jogo. O espanhol junta-se assim aos castigados Alex Sandro, Casemiro e Danilo na lista de ausências confirmadas para a visita ao Estádio do Bessa, obrigando o treinador basco a remodelar o onze portista de forma significativa como só havia feito em jogos para a Taça da Liga nos últimos tempos. Curiosamente, já na primeira volta Óliver falhou o jogo com o Boavista por lesão no ombro, enquanto Casemiro ficou no banco e Alex Sandro fora dos convocados por opção técnica.

Apesar das várias alterações o FC Porto dominou do principio ao fim, mesmo após a expulsão de Maicon ao minuto 25, e só por manifesta infelicidade não venceu o jogo perante um Boavista sem qualquer ambição e completamente fechado dentro da própria área. O FC Porto foi brindado pelos axadrezados com uma agressividade e um anti-jogo constante, muito diferente do que se viu em outros campos já esta época.

O jogo da próxima segunda-feira não deve fugir muito ao ocorrido há cerca de quatro meses, onde será de esperar um FC Porto dominante e um Boavista a jogar para o pontinho. Até o onze azul-e-branco deverá ser semelhante ao que jogou no Dragão, entrando apenas Ricardo para o lugar de Danilo e preservando a titularidade de Fabiano que na altura foi substituído por Andrés. A única dúvida será mesmo entre Brahimi, Quaresma e Tello, sendo que um deles deverá começar no banco.

Quis o destino (e Nuno Almeida) que o onze que Lopetegui escolheu para o empate a zero no derby da primeira volta tenha nova oportunidade para levar de vencida o Boavista. Veremos como a equipa reage a tantas alterações, mas, principalmente, à ausência de Óliver Torres que tem dividido com Jackson e Danilo o estatuto de MVP na grande maioria dos jogos.

19 de fevereiro de 2015

Um dia triste para todos

O FC Porto tem uma característica própria: não sabe jogar para o empate. Há quem ache isso bom e há que ache mau, mas penso que digo a verdade quando afirmo que os portistas ficam satisfeitos com um empate apenas em condições muito adversas, como por exemplo no jogo frente ao Sp.Braga para a Taça da Liga. Ontem, na Suiça, o empate acabou por ser um mal menor tendo em conta todos os factores, mas quem fez o que o FC Porto fez tem de ter a noção que sem esses factores estranhos não seria de esperar nada mais que a vitória. Qualquer pessoa que tenha visto o jogo facilmente percebe isso. Pensava eu e também Lopetegui, mas a realidade foi diferente.

Foram vários os jornalistas e colonistas a insurgirem-se contra o lamento do treinador basco pelo facto de apenas os media portugueses não terem valorizado o jogo que o FC Porto fez. muitos deles devia ainda estar bastante incomodado com o facto da equipa do coração não ter jogo a meio da semana ou então só jogar hoje, ou até pelo facto de não ser o jogo do Real Madrid a ser transmitido em sinal aberto. Acusaram Lopetegui de recorrer à arbitragem como desculpa para esconder os próprios erros, traçando ainda um paralelo absurdo com o que aconteceu em Portugal. Ok, o treinador portista falhou em algumas opções no inicio da época, abusando da rotatividade no plantel, e a equipa acusou isso. Mas em que é que isso afecta os ficais de linha ao ponto de assinalar foras-de-jogo aos adversários do Benfica quando o jogador se encontra um metro em jogo? Em que é que o facto de Tello e Quaresma irem alternando na titularidade faz com que uma entrada do Samaris para vermelho directo se transforme num simples cartão amarelo? E podia ter escrito Talisca, Maxi, Enzo ou Luisão que a frase continuaria verdadeira. Terá pesado a titularidade de José Ángel em Guimarães nos diversos foras-de-jogo mal assinalados ao ataque do FC Porto?

Ontem foi um dia triste para todos. Para os portistas porque o FC porto não ganhou e para os outros porque o FC Porto não perdeu. Hoje foi um dia triste apenas para aqueles que tentando atacar Lopetegui acabaram por lhe dar razão.

18 de fevereiro de 2015

Bom treino para o Bessa

O empate na Suiça foi um mal menor para um FC Porto que dominou por completo durante os 90 minutos e que viu o adversário marcar no primeiro e único remate feito à baliza de Fabiano. Por momentos cheguei mesmo a pensar que estava perante um jogo a contar para o campeonato, tal foi a atitude do Basileia e a má qualidade da arbitragem. Penálti por marcar sobre Jackson; segundo amarelo por mostrar a Walter Samuel; passividade perante as faltas no limite entre o duro e o violento da equipa da casa; e uma eternidade para decidir se o golo do Casemiro era válido ou não. Aliás, ainda estou à espera que o árbitro decida definitivamente que o golo do Danilo é válido, não vá ele mudar de ideias em relação ao penálti já com o jogo terminado...

Do jogo só não gostei da tendência excessiva que o FC Porto tem para jogar pelos flancos, da lesão do Óliver e do facto de Alex Sandro se ter juntado a Marcano e Maicon na lista de jogadores a um cartão amarelo de ficarem um jogo de castigo. Se a forma de jogar é uma opção do treinador e as lesões imprevisíveis, não há muito a comentar, mas em relação aos cartões amarelos a situação podia e devia estar muito mais controlada como tive oportunidade de aqui escrever há alguns meses atrás.

Seguem-se agora Boavista, Sporting e Sp.Braga em jogos a contar para o campeonato. É fundamental vencer estes jogos para continuar a pressionar o Benfica e para descolar definitivamente do Sporting. Depois sim será tempo para pensar no jogo da segunda mão frente ao Basileia.

Geração de Ouro?

A últimas épocas têm sido de mudança no que à formação do FC Porto diz respeito. Com o reaparecimento da equipa B ficou mais simplificada a integração dos jovens oriundos das camadas jovens no futebol sénior sem que para isso tenham necessariamente de andar de empréstimo em empréstimo, num processo que por vezes envolve mais sorte com o clube e treinador de destino do que outra coisa. Até então houve o projecto Visão 611 - considerado um fracasso por muitos - que, segundo Antero Henrique, se revelou fundamental para reorganizar a estrutura e para perceber que ter uma equipa B é indispensável.

Graças à aquisição do Porto Canal, hoje em dia a maioria dos portistas está familiarizada com nomes como Gonçalo Paciência, Ivo Rodrigues, ou mesmo André Silva. A estes três podemos juntar Tomás Podstawski, Tozé, Leandro, Rafa, Sérgio Oliveira, Frédéric Maciel e Francisco Ramos que estão ou passaram pela formação secundária do FC Porto e caminham a passos largos para se afirmarem como jogadores de primeira liga e, em alguns casos, no próprio FC Porto e na Selecção de Portugal. Enquanto isso começam a surgir nomes, como Rui Pedro (16 anos) e Rúben Macedo (18 anos), prontos a liderar a próxima geração de Dragões a tentar seguir os passos de Rúben Neves.

Até agora mencionei propositadamente apenas jogadores portugueses para desmitificar um pouco a ideia de que o FC Porto não valoriza os jogadores nacionais mas, no entanto, há também uma lista de jogadores de outros países que têm boas hipóteses de se afirmar de azul e branco. Mikel foi traído por uma grave lesão que o impediu de jogar até agora naquela que deveria ser a época de estreia na equipa principal; Kayembe chegou por empréstimo e entretanto foi adquirido em definitivo e emprestado ao Arouca; Victor Garcia demonstra um potencial enorme e, no meu entender, deve receber o mesmo tratamento de Kayembe: aquisição e empréstimo de uma época na primeira liga; e até Gudiño, que ainda com idade de júnior tem brilhado na equipa B e parece já ter forçado a SAD a decidir exercer a cláusula de aquisição definitiva do passe prevista no actual contrato de empréstimo. Aqui o padrão tem sido esse: um empréstimo inicial com opção de compra que pode ou não ser exercida. Anderson e Sebá, que alinharam pela equipa B no ano de estreia da mesma na II Liga, não tiveram a sorte de serem adquiridos em definitivo, por exemplo. Assim como Pavlovski que está agora no segundo empréstimo e, apesar do talento demonstrado, continua a ter a continuidade no clube em causa.

Todos os mencionados até agora e muitos outros começaram a ter níveis de competição mais altos bastante mais cedo do que muitos que passaram pelo clube no período em que a equipa B estava inactiva. A competição na segunda liga ajuda na adaptação ao futebol sénior, mas há muito mais a explorar para que a evolução dos jovens jogadores seja feita rápida e eficazmente. Falo da UEFA Youth League (a Liga dos Campeões em sub-19) e da Premier League International (competição de reservas organizada pela FA e que decorre em Inglaterra), que oferecem aos jogadores a possibilidade de defrontar equipas mais competitivas e de realidades diferentes, mas também de competições como a Taça de Portugal ou a Taça da Liga que podem e devem ser utilizadas sempre que possível para dar minutos aos mais jovens na equipa principal.

As dificuldades económicas têm sido notadas em todos os sectores, não sendo excepções o futebol em geral e o FC Porto em particular. Não aproveitar todo o trabalho desenvolvido nos últimos anos seria um acto de estupidez sem precedentes. Com todas as ferramentas adquiridas no último par de anos, o FC Porto está agora em posição de começar a colher os frutos que vem cultivando. Haverá coragem para isso?