28 de fevereiro de 2015

Carta Aberta a Vítor Baía

Vítor,

como deves ter consciência, foste um ídolo para milhões de portistas durante a tua carreira como guarda-rede do FC Porto. Se bem te lembras, foi no FC Porto que tiveste os maiores sucessos desportivos da tua vida e foi o FC Porto quem comprou uma guerra com Scolari e a FPF quando foste injustamente excluído da Selecção. Não conheço um único portista que não te tivesse apoiado e criticado o seleccionador e/ou a FPF durante essa altura.

É a esses adeptos e ao único clube que sempre te apoiou que vais virando as costas. Não sei se estás ressentido com alguma coisa do teu período pós-jogador no clube ou se disseste o que disseste para agradar à tua entidade patronal. Compreendo que tenhas passado por uma situação financeira difícil - a mesma foi do conhecimento público -, mas não acredito que fosse mesmo necessário andares por aí a apregoar mentiras. Ou estarás a preparar uma candidatura à LPFP ou mesmo à FPF? Parece que agora é moda quem o faz querer demarcar-se do passado no FC Porto ou então assumir-se como adepto de outro clube mais do agrado da comunicação social. De qualquer das formas, deixa-me que te esclareça umas coisas:

Normalmente é verdade o que dizes em relação à arbitragem: no final todos são beneficiados e prejudicados. Mas o que se tem passado é que temos assistido a um acumular de erros sempre em favorecimento do Benfica. Sempre. Quase todas as jornadas se passa qualquer coisa estranha. Ou é o FC Porto que tem uma arbitragem "infeliz" e é prejudicado, ou são os adversários do Benfica que decidem não jogar na máxima força - seja não utilizando os melhores jogadores, seja trocando de guarda-redes -, ou é o Benfica que beneficia das decisões disparatadas da equipa de arbitragem. Isto é evidente para todos. Tão evidente que até o Rui Santos já falou em campeonato forjado. Será que não vês os jogos do Benfica? Se é por isso até compreendo a tua ignorância, eu próprio deixei de ver grande parte desses jogos pelo mesmo motivo que deixei de acompanhar a WWE: já não tenho pachorra para desportos onde os vencedores são decididos previamente. Só assim se justifica que tenhas tido essas considerações infelizes.

Com este andar (ou andor, como queiras), será mesmo graças às enormes ajudas externas que o clube A, B ou C será campeão. E o Benfica é o clube A, B e C na cabeça dos árbitros. Se ainda há qualquer coisa de FC Porto aí dentro, procura ficar mais atento à realidade que te rodeia. E se algum dia precisares de voltar a sentir o que é ser Porto, procura o sportinguista e teu amigo Costinha. Certamente que ele te fará relembrar muitas coisas de que foram vítimas enquanto jogadores do FC Porto.

Em semana de FC Porto - Sporting houve quatro vozes, além das habituais, que se levantaram para atacar o FC Porto e Lopetegui: a de José Eduardo Moniz, a de João Gabriel, a de Jorge Jesus e a tua! Pensa nisso.

«Os outros é que têm que se preocupar com os nossos resultados»

Jorge Jesus diz não estar interessado no jogo falado, mas não se coibiu a alegar que o FC Porto havia vencido o Penalfiel de forma irregular. É óbvio que o treinador do Benfica sabe que isso é mentira e está consciente de que o trabalho que desenvolve no Seixal tem sido bem complementado com o trabalho desenvolvido pelos árbitros. Jorge Jesus diz não saber do que fala Lopetegui, se o treinador basco algum dia decidir explicar poderemos assistir a uma das conferências de imprensa mais longas da história do futebol, tal foram os jogos e os casos onde o Benfica foi beneficiado directa ou indirectamente.

De facto, Jorge Jesus está coberto de razão quando diz que são os outros que têm que se preocupar com os resultados do Benfica. Só esta época, e apenas em jogos do campeonato, já vi a preocupação com os resultados dos encarnados em Marco Ferreira, João Capela, Luís Ferreira, Vasco Santos, Hugo Miguel, Manuel Mota, Bruno Paixão, Paulo Baptista, Manuel Oliveira e Jorge Ferreira. Todos eles, alguns com a ajuda dos árbitros assistentes, erraram de forma grosseira nos jogos do Benfica e sempre em favor das águias.

Claro que quem tem um staff destes por trás só pode estar confiante. Quem não estaria sabendo que tem um joker em campo com o poder de expulsar jogadores à equipa adversária ou marcar penáltis a favor mas nunca contra? O Benfica tem essa "sorte" e talvez só quem joga contra o FC Porto se possa gabar do mesmo. Começa a ser difícil desmentir isto, daí o treinador encarnado ter sentido necessidade de recorrer à mentira.

Jorge Jesus afirma que o Benfica tem feito um trajecto espectacular. Espectacularmente vergonhoso, diria eu.

27 de fevereiro de 2015

Um FC Porto diferente no Clássico?

A lesão de Óliver Torres veio baralhar por completo as contas no meio-campo portista. Até aí, o espanhol formava com Herrera e Casemiro a tripla preferida de Lopetegui, sendo que Rúben Neves era quem estava mais próximo de poder agarrar a titularidade. Óliver era indiscutível para o técnico espanhol, que também não abdica do poder de choque e do bom jogo aéreo de Casemiro e tem em Herrera o responsável por procurar espaços vazios em zonas adiantadas. No entanto, é de notar que o mexicano vem perdendo fulgor há uns jogos a esta parte e que a equipa tem melhorado bastante sempre que Rúben Neves é chamado a jogar perto de Casemiro.

Olhando a estes factos, será de esperar que o jovem português esteja na equipa titular frente ao Sporting no próximo domingo. Com Casemiro de pedra e cal resta apenas uma vaga para o centro do terreno. Em condições normais seria Herrera a manter a titularidade, mas o facto de ter vindo a dar sinais de cansaço - aliado às exibições sofríveis que a tripla Casemiro-Rúben-Herrera fez nos primeiros jogos da época - pode mudar as ideias de Lopetegui. Poderá a lesão de Óliver custar a titularidade ao médio mexicano? É provável e as notícias dos últimos dias apontam nesse sentido. Na segunda-feira o Record dizia que "Evandro agrada a Lopetegui", enquanto que ontem foi O Jogo a adiantar que Brahimi tem sido testado a médio. Aliás, o argelino entrou mesmo para a posição 10 no jogo frente ao Boavista e foi fundamental para desmontar a muralha idealizada por Petit. Com um Sporting mais desgastado em virtude do jogo de ontem, será de esperar um FC Porto mais pressionante e mais virado para o ataque do que o que seria normal?

Neste momento nem o próprio Lopetegui terá decidido ainda a equipa que fará alinhar no domingo, embora as dúvidas se centrem praticamente nas alas do ataque e no terceiro elemento do meio-campo. Evandro nunca foi aposta regular como titular, Herrera vem decréscimo na qualidade das exibições, Quaresma tem estado bem e Tello foi quem deu os dois golos que valeram a vitória no Estádio do Bessa. Tudo dependerá agora de Brahimi, que tem até ao último treino antes do jogo para convencer o treinador que merece ser titular, seja como extremo ou atrás de Jackson.

26 de fevereiro de 2015

O substituto de Moutinho

Óliver Torres chegou ao FC Porto com um ano de atraso. A forma como joga e, acima de tudo, como faz jogar teria sido muito importante no pós-Moutinho que foi durante muito tempo o maestro do meio-campo dos Dragões. Pior do que ter chegado com um ano de atraso só mesmo o facto de já ter saída marcada, uma vez que o empréstimo acordado entre FC Porto e Atlético de Madrid não prevê uma opção de compra para os azuis-e-brancos só é válido para a presente época. Claro que é possível negociar o passe do jogador na mesma, mas, perante a forma como o jovem espanhol se tem exibido no FC Porto, dificilmente os colchoneros abrirão mão dele.

O cenário de saída do pequeno grande jogador fica mais negro se a ele juntarmos as prováveis saídas de Danilo e Jackson também no final da presente temporada, ou não estivéssemos a falar dos três jogadores que mais têm dado a equipa. Se para o lugar de Danilo existe o Ricardo, que está há dois anos a trabalhar para assumir o lugar, e ainda Victor Garcia e Opare a espera de ficar com a outra vaga e para substituir Jackson foi contratado Aboubakar com uma ano de antecedência enquanto André Silva e Gonçalo Paciência vão amadurecendo na equipa B, não é menos verdade que não existe actualmente nenhum jogador ligado ao clube que dê garantias de poder agarrar com unhas e dentes o lugar de Óliver. Mesmo as contratações de Sérgio Oliveira André André parecem mais alternativas a Casemiro (que deve regressar ao Real Madrid no próximo Verão) e a Herrera, respectivamente.

O FC Porto já provou no passado que consegue sempre substituir os ditos insubstituíveis, mas penso que não seria de todo descabido tentar a contratação de Óliver. Que se venda Herrera e Quintero se preciso for, porque, embora sejam ambos mais velhos do que o espanhol, são ainda promessas, enquanto o pequeno Tsubasa é já uma certeza.

25 de fevereiro de 2015

Prestidigitação


O desvio da atenção é o principio fundamental do Ilusionismo. Normalmente utiliza-se um movimento maior e mais espalhafatoso para ocultar outros mais subtis mas de maior importância. Ontem, Portugal assistiu a um número de ilusionismo protagonizado por José Eduardo Moniz com João Gabriel como assistente.

No dia em que foi dado a conhecer ao público que a Comissão de Instrução de Inquéritos decidiu abrir um inquérito à acusação feita a Luís Filipe Vieira por Bruno de Carvalho (manipulação de resultados, para os mais distraídos) e que João Capela e Artur Soares Dias são os escolhidos para apitar os jogos Benfica-Estoril e FC Porto-Sporting, respectivamente, eis que saem da toca os há muito desaparecidos vice-presidente e director de comunicação do Benfica.

Talvez não seja do interesse do clube que representam que se fale muito sobre o esquema proposto por Luís Filipe Vieira a Bruno de Carvalho, que após recusa do presidente leonino parece mesmo ter sido levado avante a solo pelo presidente das águias. Mesmo a nomeação de Capela, que não sofre golos pelo Benfica há 1080 minutos, não parece ser um tema apetecível para os lados de Carnide, principalmente depois do verdadeiro show protagonizado por este no famoso Benfica-Sporting de 2012/2013. E que dizer de Artur Soares Dias? Mais do que o amolecimento do Estoril (5.º amarelo exibido aos dois defesas-centrais dos estorilistas) para a visita à Luz nesta jornada, importa tentar não lembrar a arbitragem habilidosa no Benfica-FC Porto da época passada onde, talvez para também ele homenagear Eusébio, interrompeu uma jogada em que Jackson seguia isolado para a baliza encarnada para marcar uma falta a meio campo e transformou duas faltas de Garay dentro da grande-área do Benfica sobre jogadores portistas, Quaresma e Danilo, em simulações, sendo que a Danilo lhe valeu o segundo cartão amarelo e o respectivo vermelho. Curiosamente ou não, o primeiro foi mostrado na sequência dos protestos feitos no lance interrompido ao Jackson.

Uma jogada de mestre por parte do Benfica, que nos últimos tempos tem mantido algumas divergências com o Sporting, mas em semana de FC Porto-Sporting vira as atenções para cima do maior rival na luta pelo titulo, o FC Porto. Isto tudo, claro, porque não quer que o público esteja com muita atenção aos truques que se vão fazendo no Estádio da Luz.

24 de fevereiro de 2015

O Vendido e a publicidade enganosa

José Eduardo Moniz foi o primeiro a sair da toca para se insurgir contra Lopetegui. Parece que Luis Filipe Vieira terá dado uma folga ao Ex-Director-Geral da TVI e este, aproveitado o facto de já não estar de joelhos e com a boca ocupada, lá veio espalhar mais um pouco da demagogia tão característica para os lados de Carnide. O ex-futuro candidato à presidência do Benfica desafiou Lopetegui a pedir os arquivos dos últimos 25 anos, mas estou certo que tal não será preciso, uma vez que em Espanha as competições europeias têm transmissão televisiva. O treinador portista certamente terá acompanhado as conquistas do FC Porto durante esse período e, em virtude disso, ainda terá uma memória bem viva das mesmas, tornando o recurso ao arquivo necessário apenas para lembrar as vitórias internacionais do Benfica. Taça Latina incluída.

O Vendido - que em 2009 foi uma das vozes encarnadas que se levantou contra o então e ainda actual presidente do Benfica, tendo mais tarde aceite o cargo de vice-presidente sendo assim anexado por Luís Filipe Vieira e, dessa forma, trocado o que acreditava por um tacho -, apareceu em entrevista à Rádio Renascença (e admiro que as pessoas ligadas ao clube da Luz falem para essa Rádio depois do papel desta no 25 de Abril e todas as implicações que a liberdade trouxe ao futebol português) exactamente no dia em que foi/seria notícia de relevo o facto de a Comissão de Instrução de Inquéritos ter decidido fazer algo em relação às acusações de Bruno de Carvalho após este ter acusado implicitamente Luís Filipe vieira e o Benfica de manipulação de resultados.

Talvez por tantos anos a trabalhar numa estação de televisão populista como é a TVI, José Eduardo Moniz sabe bem como desviar as atenções e fazer de uma mentira quase verdade. Basta ver toda a publicidade enganosa em torno da maravilhosa campanha do Benfica onde, segundo o próprio Jorge Jesus, os benfiquistas já não ficam contentes com um 3-0, ou então com a tão falada melhor defesa dos últimos sei lá quantos anos. Neste momento o Benfica tem menos um golo marcado (51-52) e os mesmos sofridos (10) que o FC Porto.

O Benfica faz-me lembrar a McDonald's, onde nas publicidades promete uns hambúrgueres todos bonitinhos mas na hora da verdade, ao abrir a caixa, reparamos que afinal foi-nos vendida uma coisa toda alagada. Mais fácil se torna enfiar os dedos nos olhos das pessoas quando se tem um especialista em comunicação, como é o actual vice-presidente, e uma exército mediático por trás, com BTV, A Bola, Record, Correio da Manhã, SIC e TVI à cabeça.

As acusações de José Eduardo Moniz sobre um eventual beneficio do FC Porto frente ao Boavista são ainda mais ridículas que o bigode do actual presidente do Benfica. No entanto, estaria a mentir se dissesse que esperava outra coisa. A actual direcção do Benfica sempre usou a contra-informação como forma de ocultar o que não lhe interessa que seja discutido, nem que para isso tenha de mentir descaradamente como neste caso. É nestas alturas que se exige uma resposta firme e imediata dos responsáveis azuis-e-brancos.

A pergunta que eu deixo é a seguinte: se Lopetegui, completamente sozinho, consegue causar tanta dor na comunicação social e nos dirigentes benfiquistas, o que aconteceria caso os dirigentes do FC Porto viessem dar a cara contra a farsa que tem sido este campeonato?

Eles não jogam nada e começam a ficar nervosos e impacientes com o facto do FC Porto continuar a resistir. Quatro pontos pressupõem uma vantagem com margem de erro, mas com um jogo de confronto directo ainda por disputar, muita coisa pode acontecer. E se o árbitro nomeado para um qualquer jogo do Benfica adoece no dia e tem de ser substituído por um sem que este tenha tempo de se preparar devidamente ou que, em caso de existir, não se tenha alistado no movimento "Por um Benfica Bicampeão"?

Livin' on a prayer

«Temos de suportar, estando prontos ou não, vives pela luta quando ela é tudo o que tens», é o que diz parte da letra de uma música que os Bon Jovi apresentaram pela primeira vez em 1986 e que parece ter sido escrita a olhar para a equipa do FC Porto e para este campeonato. Neste momento a única coisa que os portistas podem fazer é rezar, porque já não basta a equipa ser melhor que os adversários, é preciso ser superior às arbitragens "infelizes", quer no campo onde está a jogar, quer nos campos onde jogam os concorrentes directos.

Hoje apetecia-me manda tudo para o caralho. E nem estou a falar propriamente do Hugo Miguel, porque a esse já o mandei mais que uma vez durante o jogo. Quando fez vista grossa ao penálti sobre o Hernâni foi a primeira, as outras foram-se sucedendo a cada entrada assassina dos jogadores do Boavista sobre os colegas de profissão do FC Porto. Curiosamente, o Boavista acabou com dois amarelos, tantos como o FC Porto, tendo o primeiro sido mostrado ao minuto 77. E o que fazem os responsáveis do clube em relação a isso? Nada. Rigorosamente nada.

A minha indignação deve-se ao facto de já toda a gente ter percebido que este campeonato está viciado, mas, além da revolta do Bernardino Barros e de uma ou outra boquita inofensiva do Pinto da Costa, ninguém faz nada, ninguém quer saber de nada. A 23 de Outubro escrevi aqui que o clube tinha de melhorar muito na forma como comunica com o exterior. Desde esse dia até hoje a situação não melhorou em nada e continuamos a assistir a um FC Porto que é roubado, maltratado e muitas vezes ridicularizado mas que não reage. Um FC Porto que deixa o treinador a dar o peito às balas sozinho enquanto que quem devia falar fica caladinho à espera não sei bem do quê.

A sensação que me passa é que os dirigentes portistas entraram numa fase de masoquismo, porque mesmo perante os roubos que acontecem jornada após jornada, ou mesmo na Taça da Liga como foi em Braga, continuam a apoiar a Liga e a manter um silêncio incompreensível perante situações como a do encontro entre Luís Filipe Vieira e Luís Duque ou as acusações de Bruno de Carvalho, que afirmou que o presidente do Benfica lhe ofereceu uma aliança para que os dois clubes lisboetas fossem campeões de forma alternada.

Mais vale mesmo irmos rezando, porque com tamanha passividade só mesmo com intervenção divina o FC Porto pode sonhar em ganhar qualquer coisa ainda esta época.

23 de fevereiro de 2015

O bom e o mau profissional


Jackson Martinez e Walter nunca chegaram a partilhar o balneário no FC Porto. O brasileiro teve oportunidade de jogar numa das equipas mais competitivas de sempre na história do clube, recheada de grandes jogadores, que venceu o campeonato sem derrotas e que conquistou a Liga Europa. Mesmo assim conseguiu sair pela porta pequena. Por estar constantemente com excesso de peso, o FC Porto decidiu prescindir dele no plantel porque ao ignorar a situação estaria a abrir um mau precedente no balneário. Walter era uma mau profissional e um mau exemplo para todos. Já o colombiano chegou numa altura em que a equipa que venceu a Liga Europa estava já completamente desfeita e precisava urgentemente de um homem-golo. Jackson chegou, viu e venceu. Passou a indiscutível praticamente no primeiro jogo, recebeu dois Dragões de Ouro e é agora capitão de equipa. Um exemplo de dedicação, humildade, profissionalismo e principalmente de regularidade.

Apesar destes facto, ainda hoje muita gente suspira pelo facto de Walter não ter tido as devidas oportunidades e que se não tivesse saído poderia hoje ser uma pedra importante na equipa, que se cá estivesse seria um profissional melhor, que se tivesse o devido acompanhamento estaria agora mais magro... Se, se, se... Enquanto isso, Jackson é o mau da fita porque nunca escondeu a vontade de jogar num campeonato melhor. Enquanto Pinto da Costa o elogia em quase todas as entrevistas, muitos adeptos aguardavam ansiosamente a saída do ponta-se-lança colombiano no último Verão porque, diziam eles, ficaria contrariado e que, imagine-se, já na época passada andava a falhar penáltis de propósito para desvalorizar e forçar o clube a vendê-lo.

Felizmente a SAD decidiu segurar Jackson e enquanto este demonstra jogo após jogo ser um profissional como não há muitos, Walter continua pelo Brasil a marcar golo, é certo, mas mantem ainda os problemas com o peso e a continua mostrar que além de um mau profissional é também um mau elemento de balneário. O último episódio conhecido é uma tentativa de agredir um colega de equipa. Fico contente por saber que para jogar no FC Porto não basta ter bons pés e que o clube procura constantemente aliar o talento ao profissionalismo. Que continuem a chegar Jacksons com ambição e vontade de trabalhar para irem cada vez mais longe. Os Walters que continuem no cantinho deles a marcar carradas de golos a defesas incapazes de se mexerem.

22 de fevereiro de 2015

A estranha dança dos guarda-redes

Engana-se quem pensa que a "sorte" do Benfica se esgota nas decisões da equipa de arbitragem. Alguma delas de tal forma tendenciosas que até passa a sensação que, ao bom estilo do voleibol, o árbitro é mais um jogador mas com um equipamento diferente. Ou então em casos como o do Belenenses onde Lito Vidigal esqueceu-se de convocar Deyverson e Miguel Rosa e do Vitória Setúbal que, numa tentativa de surpreender os encarnados, optou por deixar no banco Frederico Venâncio (melhor defesa da equipa e titular absoluto até aí) e Suk. Não, os "astros" também têm sido simpáticos para o Benfica no que às balizas adversárias diz respeito.

Logo na segunda jornada o guarda-redes argentino do Boavista. Daniel Monllor, ficou mal na fotografia do golo que valeu a vitória às águias. Jogou mais um jogo e foi substituído na titularidade por Mika (ex-Benfica) que foi fundamental no 0-0 conquistado pelos axadrezados no Estádio do Dragão. À quarta jornada, o alemão Lukas Raeder sofre 5 golos frente ao mesmo Benfica e perdea titularidade para Ricardo Baptista. Depois chegamos a Rui Silva, guarda-redes do Nacional da Madeira, que fez uma exibição de sonho na visita dos madeirenses ao FC Porto e que, na semana seguinte, frente ao Benfica até puxava a bola para dentro da própria baliza. O Nacional perdeu 1-2 e o jovem portugues perdeu a titularidade para Gottardi. Mais recentemente houve a mais que conveniente lesão de Salin - titular absoluto de um Marítimo presidido por um tipo que afirmou há cerca de um ano que não queria prejudicar o Benfica na luta pelo título - e que o impediu de alinhar no Maritimo 0-4 Benfica. Felizmente para o Maritimo, Salin recuperou a tempo de defrontar o FC Porto. Ontem foi a vez de Marafona - que durante a semana foi dado como possível reforço do Benfica para a próxima época - dar o franguinho da praxe.

É muita sorte junta só para uma equipa.

Saber sofrer com bola

O FC Porto vem de dois jogos consecutivos (Vitória de Guimarães e Basileia) onde os adversários tinham alguma dificuldade em distinguir onde acabava a bola e começavam as pernas de quem vestia de azul. Por coincidência, o próximo adversário é o Boavista, que talvez por ser treinado por um ex-jogador que ficou conhecido por conseguir jogar quase tantas vezes a bola como as que cometia uma falta, acabou o derby da primeira volta com sete cartões amarelos. Ao contrário do que fez quando foi à Luz defrontar o "seu" Benfica, onde prometeu que o autocarro ficaria à porta, Petit afirmou agora que espera que a equipa do Boavista saiba sofrer sem bola. Não sei se foram os 3-0 com que foi brindado em Mordor que o fizeram mudar a filosofia de jogo, mas se no Dragão não se atreveram a sair da área mesmo em superioridade numérica durante 65 minutos, também não me parece que vá ser agora que os axadrezados vão tentar jogar futebol.

O que eu espero amanhã é que os jogadores do FC Porto entrem em campo conscientes que o jogo será difícil e que do outro lado estarão 11 adversários à imagem de quem os treina. Petit quer uma equipa do Boavista que saiba sofrer com bola, Lopetegui tem de mentalizar os jogadores do FC Porto que vão sofrer sempre que tiverem a bola. Por isso espero também que o treinador basco os instrua a terem cuidado com reacções mais intempestivas em caso de quando sofrerem uma entrada mais dura, porque parece que os árbitros andam sensíveis nos ouvidos...