14 de março de 2015

Comparem a facilidade...

Enquanto o Benfica se caminha a passos largos para bater o recorde mundial de jogos e minutos a jogar em superioridade numérica numa época - há quem já fale nos bastidores da existência de editoras interessadas em escrever um livro usando a imagem de Jorge Jesus e com o título "A arte de jogar contra 10"-, importa reflectir um pouco sobre o assunto.

Como equipa que domina (ou pelo menos vai tentando) a maior parte dos jogos, é natural que os adversários vejam mais cartões amarelos e, por vezes, vermelhos. O que não é tão natural é a facilidade com que os mesmos cartões são mostrados quando comparados com os jogos de outras equipas. Já falei aqui por mais que uma vez que o árbitros têm muito mais facilidade em mostrar cartões amarelos aos adversários do Benfica do que aos do FC Porto, mesmo sendo os Dragões a equipa que mais domina o oponente. Dos vermelhos então, nem se fala...

Dentro dos jogos do Benfica propriamente ditos, veja-se a simplicidade com que os árbitros exibem os cartões vermelhos aos adversários das águias, mas quando chega a vez de mostrar um cartão vermelho aos jogadores do Benfica, jogadas como esta escapam com amarelo:


Mas podia ser pior, por vezes há quem escape sem nada...


Era interessante que alguém pudesse esclarecer o porquê disto. Será pela pressão mediática que o Benfica consegue exercer sobre os árbitros? Será pelas nomeações habilidosas que Pinto da Costa denunciou? Será a combinação dos dois? Ou existem outros factores?

P.S.: Será que desta vez também vão acusar o Braga de ter facilitado a vitória ao adversário?

13 de março de 2015

Por vezes não é preciso estar em campo para ser um verdadeiro capitão

Esta situação pode ter passado despercebida a muita gente, mas isso não significa que seja menos importante do que muitas outras ou que não mereça ser partilhada. Tudo se passou após o choque entre Fabiano e Danilo que acabou com o lateral a sair de campo numa ambulância directamente para o hospital. Enquanto o camisola 2 era assistido pelos bombeiro e equipa médica após perder os sentidos, Fabiano não conseguia sair do local e notava-se a milhas o sentimento de culpa e de preocupação na cara do guarda-redes. Helton, que estava a a muitos metros de distância no banco de suplentes, gritou até conseguir a atenção de Fabiano para depois o mandar abandonar o local. O capitão do FC Porto foi fundamental para acalmar o colega de equipa para que este pudesse continuar calmo e concentrado no jogo, uma vez que, nesta partida em especial, o camisola 12 teria de estar absolutamente concentrado, pronto e, principalmente, sem medo de fazer o trabalho de um líbero. No final da primeira parte, o camisola 1 voltou a ser o primeiro a falar com o Fabiano e no final do jogo fez questão de ir celebrar a vitória com ele. Na noite de terça-feira, Helton foi um grande amigo e um enorme capitão de equipa.

As imagens falam por si.

12 de março de 2015

Subestimar para desesperar

Não tenho por costume ver os programas de análise futebolística. Mesmo sabendo que cada vez aparecem mais - até a CMTV tem um cheio de classe com o nome Apitadelas, onde o debate é feito por mulheres -, não faz sentido para mim estar a assistir a um programa que tem como público alvo pessoas de outras cores clubísticas. O padrão é sempre o mesmo: um representante do FC Porto, um representante do Benfica, um representante do Sporting e um "moderador" claramente tendencioso, preferencialmente benfiquista, mas também pode acontecer de ser sportinguista ou simplesmente anti-Porto. Nem é preciso ver muitas vezes para perceber isto, basta até ver os vídeos que vão sendo partilhados nas redes sociais ou na Bluegosfera. Como em campo, parece que também na TV se sentem mais confortáveis em superioridade numérica. Não se deixem enganar: estes programas servem apenas para denegrir o FC Porto e empoleirar os feitos do Benfica. O sportinguista está ali como figura decorativa e vai servindo apenas para desviar atenções quando interessa. É um pouco como no campeonato, diga-se.

Todos eles têm uma coisa em comum: menosprezam os feitos e a capacidade de luta do FC Porto. Talvez por nunca terem conseguido aguentar-se firmes até ao fim a pressionar o líder FC Porto num dos muitos campeonatos que venceu com vantagens de dois dígitos - por vezes de duas dezenas! -, acham que no Dragão se pensa da mesma maneira e que seria esta sequência de jogos (Vitória de Guimarães, Basel, Boavista, Sporting, Braga e novamente Basel) que deixaria o Benfica definitivamente na rota do título. Nada mais errado. Tudo que esta sequência fez foi tornar o FC Porto mais forte.

Os Dragões, aliciados pelo desafio, consolidaram a defesa e quase não consentem golos, dinamizaram o ataque e, mesmo sem os três jogadores mais importantes em campo (Danilo, Óliver e Jackson), golearam por 4-0 nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. O FC Porto é agora mais equipa do que era há um mês atrás e isso deixa algumas pessoas impacientes.

Aqueles que subestimaram as capacidades do FC Porto, seja nesses programas para benfiquista ver, seja nos jornais para benfiquista ler, sejam eles simples adeptos ou representantes oficiais do Benfica, estão agora cada vez mais desesperados por assistir a uma queda do FC Porto enquanto vão prevendo a própria.

Um 11 a rentabilizar

Quando muito se fala na possibilidade de o FC Porto tentar a contratação definitiva de Tello, Casemiro e Óliver, mas sem que se possa esquecer da necessidade imediata de equilibrar as contas, importa pensar sobre o que fazer aos jogadores que estão contratualmente ligados ao clube mas que estão emprestados em outros emblemas e que poderão, num futuro próximo, transformar-se em mais-valias para as finanças ou para o plantel.

Vender ou reintegrar?
Começando pela baliza, muito dificilmente Bolat poderá aspirar a um lugar no plantel portista. Chegado ao FC Porto após terminar contrato com o Standard Liége no Verão de 2013, mas nunca foi aposta na equipa principal, limitando-se a alinha por quatro vezes na equipa B. Em Janeiro foi emprestado ao Kayserispor onde ficou até ao final da época. Na presente temporada, novo empréstimo, mas desta vez ao Galatasaray, onde tem jogado muito pouco. Adivinha-se uma passagem sem glória por Portugal.

Daniel Opare tem um trajecto semelhante: chegou depois de ter terminado contrato com o Standard Liége, passou o arranque desta época lesionado e apenas fez dois jogos pela equipa B antes de sair em Janeiro por empréstimo para o Besiktas. A principal diferença entre Opare e Bolat reside no facto de o ganês ainda poder ter uma palavra a dizer em relação à permanência no plantel na próxima temporada. Com a provável saída de Danilo, o FC Porto terá de ir ao mercado ou então dar a oportunidade a Ricardo, Víctor García e Opare de lutarem pelo lugar durante a pré-época.

Rolando é uma carta do baralho e só por milagre voltará a jogar com a camisola do FC Porto. O cabo-verdiano internacional por Portugal anda a forçar a saída do clube desde o final da época 2010/2011 e deverá ser vendido mal algum clube apresente uma proposta considerada justa pela SAD dos Dragões. A situação de Abdoulaye Ba é uma grande incógnita. Com uma capacidade física óptima para a posição de defesa-central, o senegalês já mostrou no passado que pode vir a tornar-se num óptimo jogador. No entanto, demora a consolidar a forma como joga e isso tem-no prejudicado. Tudo dependerá de Lopetegui e da existência ou não de propostas para a compra do passe. Abdoulaye tem o estatuto de jogador formado no clube aos olhos da UEFA e isso poderá ser um trunfo para o jogador que poderá facilmente assumir o papel de última opção para a defesa, à imagem do que tem feito Diego Reyes.

Quiño, que chegou ao clube em 2012/2013, tem sido, na minha opinião, vítima de uma má gestão por parte do FC Porto. Depois de se estrear pela equipa principal contra o Santa Eulália em jogo da Taça de Portugal, o colombiano teve apenas mais uma oportunidade num jogo frente ao Rio Ave para o campeonato. Mesmo tendo deixado boas indicações, acabou por nunca mais ser opção e ficar duas épocas na equipa B, atrasando-se assim na evolução como jogador. Esta época foi emprestado ao Penafiel onde tem jogado quase sempre como extremo, diminuindo assim as hipóteses de um dia regressar ao FC Porto.

Carlos Eduardo e Josué foram duas vítimas da época desastrosa que o FC Porto teve sob o comando de Paulo Fonseca, tornando assim difícil analisar com clareza as potencialidades de cada um deles. Certo só o facto de ambos estarem a dar-se bem nos respectivos empréstimos - o brasileiro no Nice e o português no Bursaspor - e estarem a despertar a atenção de vários emblemas. Caso Lopetegui não conte com qualquer um deles na próxima época, a SAD terá aqui boas oportunidades de negócio.

Varela vive uma situação muito semelhante à de Rolando e por isso não merece grandes comentários a não ser um lamento por serem os portugueses a serem os primeiros a querer desertar. Depois vão dar entrevistas para dizer que em Portugal não se aposta nos portugueses. Porque será?

Quem ainda partilhou o balneário com Varela foi Izmaylov. Chegado do Sporting em condições muito especiais, acabou por ter um impacto positivo na equipa, principalmente durante a ausência por lesão de James. No final da época começaram a aparecer os problemas de cariz psicológico e o FC Porto autorizou o jogador primeiro a uma ausência prolongada e depois a jogar por meio ano no Azerbaijão. Já esta época, foi emprestado ao FK Krasnodar da Rússia. Com 32 anos, não se adivinha um possível regresso ao clube. Izmaylov parece condenado a andar de empréstimo em empréstimo até terminar o contrato com o FC Porto, uma vez que a venda definitiva não deverá ser opção devido ao facto de o Sporting ter direito a 50% de uma eventual venda.

Ninguém esconde que esta época deve ser a última de Jackson Martínez como Dragão. Aboubakar tem deixado boas indicações, enquanto emerge Gonçalo Paciência que parece ser do agrado de Lopetegui. No entanto, se o treinador assim o entender, há outros dois que podem ter uma palavra a dizer. Falo de Kléber e Ghilas. O brasileiro encontra-se a realizar uma boa época no Estoril e a mostrar uma vez mais as qualidades que levaram o FC Porto a contratá-lo. Se conseguir ultrapassar o bloqueio psicológico que parece ter adquirido de Dragão ao peito, poderá ser uma séria opção para atacar as redes adversárias em 2015/2016. O argelino também deve ter oportunidade de se mostrar na pré-época e entrar na luta por um lugar no plantel, depois de terminada esta época ao serviço do Córdoba onde esteve a recuperar de uma temporada em que foi praticamente ignorado por Paulo Fonseca. Tal como Josué e Carlos Eduardo, também Kléber e Ghilas têm mercado e poderão ser vendidos caso Lopetegui não conte com eles.

Escolhi estes 11 mas também podia ter escolhido Licá e Sami, que muito dificilmente voltarão a ter nova oportunidade de se mostrarem no FC Porto, ou até Kelvin, também ele vítima de uma má gestão portista após o famoso golo ao Benfica que valeu a reviravolta no campeonato. O importante aqui foi demonstrar que, caso assim o queira, a SAD tem boas oportunidades de se financiar com a venda dos excedentários ou até de reforçar o próximo plantel sem custos extra, abrindo assim a porta à manutenção de uma das pérolas ou à compra definitiva de um dos emprestados.

10 de março de 2015

Um Porto de classe mundial

O FC Porto goleou por 4-0 o campeão suiço e carimbou com classe a passagem aos quartos-de-final da Champions. Se a tendência for seguida, iremos ler e ouvir nos próximos dias que o Basileia foi uma adversário pouco aguerrido, sem chama, com pouca agressividade e que não fez tudo o que tinha ao alcance para derrotar os Dragões. Uns autênticos meninos de coro estes suiços, que nos fizeram perder a conta às entradas por trás que, com um árbitro mais rigoroso, teriam valido um ou outro cartão vermelho.

Era importante para o FC Porto que a equipa respondesse bem à ausência de Jackson e a resposta foi esclarecedora. Logo aos 14 minutos, Brahimi marcou na conversão de um livre directo após falta de Walter Samuel - que escapou sem qualquer cartão, mas que se fosse em Portugal num qualquer jogo do actual líder teria visto o vermelho - sobre Tello. Herrera abriu a segunda parte com um belo golo à entrada da área e, pouco depois, Casemiro marcou na marcação de um livre de longa distância, colocando uma pedra sobre a eliminatória. Aboubakar fechou a contagem com o quarto golaço da noite.

Mencionei aqui que, mais que nunca, a equipa precisaria de Herrera e Brahimi de volta às boas exibições. Ambos responderam de forma positiva e até foram quem abriu o caminho para a goleada. A dupla Maicon-Marcano continuam de pedra e cal, mas sem esquecer o contributo de Casemiro que fez um jogo monstruoso. Evandro, com mais uma exibição bastante positiva, cimentou o lugar de substituto natural de Óliver.

Mas nem tudo foi positivo. Ao minuto 22 Danilo embateu com Fabiano e caiu inconsciente no relvado, sendo retirado do relvado de ambulância e substituído por Martins Indi. Quem acabou por jogar como lateral-direito no resto do jogo foi Alex Sandro e fê-lo com a classe que lhe é inata, mesmo sendo esquerdino. Felizmente, as notícias sobre Danilo são positivas e apontam para que tudo não tenha passado de um susto. Nota positiva para Helton que mesmo estando fora foi um verdadeiro capitão, aconselhando Fabiano a sair da zona onde Danilo estava a receber assistência para depois acalmar o camisola 12 para que este pudesse manter-se concentrado no jogo.

Quando nada o fazia prever, Marcano viu o cartão amarelo de forma infantil, completando um ciclo de três cartões e ficará assim de fora do primeiro jogo dos quartos-de-final. O espanhol, assim como outros jogadores do FC Porto, envolveu-se desnecessariamente numa confusão promovida pelos jogadores do Basileia e irá agora pagar caro por isso. Lopetegui esteve mal a gerir o grupo nas duas jornadas da fase de grupos disputadas já com o apuramento garantido e começam agora as contrariedades causadas por essa deficiente gestão. Marcano está castigado por um jogo, obrigando assim a desmontar a dupla actual, enquanto que Óliver, Maicon, Danilo e Alex Sandro continuam em risco. Quase todos eles podiam estar em situação melhor caso tivesse sido implementada uma estratégia preventiva.

O FC Porto regressa assim, com todo o mérito e invicto, aos quarto-de-final da maior prova de clubes da Europa. Desde 2008/2009 que não o fazia e na altura até esteve perto de fazer sensação ao empatar 2-2 em Old Trafford, mas acabou eliminado pelo Manchester United com um resultado acumulado de 2-3. O sorteio está marcado para 20 de Março e a primeira mão será disputada a 14 ou 15 de Abril.

A última vez contra o Basileia foi assim...

Danilo foi quem acabou por remediar uma daquelas noites em que a bola parecia não querer entrar. O FC Porto foi dono e senhor de todo o jogo, mas o Basileia teve a felicidade de marcar na primeira e única ocasião que dispôs. Depois de estar em vantagem, a equipa da casa não teve problemas em jogar duro e feio para a tentar segurar. O 1-0 prolongou-se quase até ao minuto 80, altura em que Danilo vê um cruzamento ser cortado com a mão dentro da grande área suiça. O árbitro assinalou a respectiva grande penalidade que o próprio Danilo se encarregou de converter, colocando assim alguma justiça no marcador. Mas não toda, porque o FC Porto fez mais do que suficiente para sair vencedor e só não o fez por manifesta infelicidade.

O momento insólito da noite aconteceu logo no arranque da segunda parte. O FC Porto voltou do intervalo empenhado em anular a desvantagem no marcador e Casemiro chegou mesmo a introduzir a bola na baliza do Basileia. Golo prontamente validado pelo árbitro que só dois minutos depois decidiu voltar atrás e assinalar fora-de-jogo a Marcano. A decisão acaba por ser correcta uma vez que o espanhol beneficiou da posição irregular para limitar a acção do guarda-redes adversário, mas não deixou de gerar  alguma confusão um pouco em toda a gente devido à natureza especial da decisão. Os jogadores da casa chegaram a ter a bola no meio-campo pronta para reiniciar o jogo.

Hoje, três semanas depois, os comandados por Lopetegui têm uma boa oportunidade de seguir para os quartos-de-final da Liga dos Campeões. Óliver regressa às convocatórias após recuperar de uma lesão contraída no jogo da primeira mão, enquanto que Jackson faz o caminho oposto também fruto de lesão. Será o primeiro grande teste sem o goleador e habitual capitão de equipa. Não são esperadas facilidades e a única certeza é que o FC Porto começara o jogo em vantagem na eliminatória. No entanto, estou certo que "basta" jogar como em Saint Jakob Park para carimbar a passagem à próxima eliminatória.

9 de março de 2015

Terá Vítor Baía caído na realidade?

Após as polémicas declarações da semana passada, Vítor Baía aparece agora a exigir respeito. Segundo o próprio, as afirmações foram feitas de forma genérica e não dirigidas a alguém em concreto, tendo apenas como objectivo proteger o futebol. A primeira pergunta que me ocorre é: haverá alguém ingénuo ao ponto de, após afirmar que as arbitragens não são mais do que desculpas para o insucesso, achar que a equipa que tem sido verdadeiramente patrocinada em pontos pelos erros dos árbitros não iria usar isso como argumento de defesa? Eu acho que não. Não consigo acreditar que haja alguém que consiga falar deste assunto no abstracto quando o tema tem sido demasiado concreto. Mas há mais. Como é possível que o Vítor Baía ache que assobiar para o lado, ignorando os benefícios evidentes que o Benfica tem recebido quase em todas as jornadas, é o melhor caminho para fazer o futebol melhor e mais honesto? O caminho para tornar o futebol mais transparente não se faz ignorando a realidade. Ou está tudo bem desde que ninguém comente? As equipas podem abdicar de jogar na máxima força só porque sim contra quem lhes interessa que o problema não está no acto, está em quem aponta o dedo. Os árbitros e respectivos assistentes podem continuar a favorecer sempre a mesma equipa que estão desculpados, vergonhoso é falar no assunto. A realidade é que o Vítor Baía, com ou sem intenção, deu uma arma de defesa àqueles que obtiveram a liderança com a ajuda de terceiros e é graças a esses factores externos que por lá se vão mantendo. Que curiosamente são os mesmos que, com ou sem razão, montam o maior espectáculo do mundo quando não ganham.

Vítor Baía foi muito infeliz nas declarações ou, no mínimo, na altura que escolheu para as prestar. Com o campeonato já completamente enterrado em casos de favorecimento óbvios e quase sempre no mesmo sentido, não tem qualquer cabimento adoptar um discurso dito neutro mas que na realidade encaixou bem como defesa daqueles que têm colhido o fruto dado pelos erros. Talvez numa fase mais embrionária da época pudesse fazer o mínimo sentido, assim foi uma tentativa de negar a realidade. É caso para dizer que faltou alguma visão periférica a Baía.

8 de março de 2015

Um fim-de-semana normal

O FC Porto venceu um Braga que, segundo os analistas, pecou pela falta de combatividade. 25 faltas é manifestamente pouco para parar o ataque do Dragões, mas os bracarenses não podiam fazer muito mais porque o árbitro começou a dar-lhes cartões amarelos ao ritmo médio alucinante de um a cada dúzia de infracções. O FC Porto teve mais posse de bola, mais remates, mais cantos, mais recuperações de bola, mais oportunidades de perigo, etc, etc, etc, mas tudo porque o Braga deixou, dizem. Falta-me ouvir ainda a opinião de Vítor Baía para poder colocar finalmente uma pedra sobre este jogo.

Também em Arouca tudo correu dentro da normalidade: a equipa dos 14 entrou a jogar mal e porcamente como em quase todos os jogos fora de portas, sofreu o 1-0, Vasco Santos ficou sensível aos contactos e ao intervalo a equipa da casa já tinha 3 jogadores amarelados. A segunda parte começa com uma oferta do guarda-redes do Arouca - onde é que já vi isto? - e Jonas fez o empate. Pouco depois Lima colocou o Benfica em vantagem no marcador e Vasco Santos deu nova vantagem aos encarnados, mas desta vez numérica, com um cartão vermelho absolutamente forçado - Déjà vu? - mostrado a Hugo Basto. Com a chegada do 1-3 acabou-se a pressão sentida pela vitória do FC Porto em Braga e nem mais um jogador do Arouca viu amarelo.

A sorte de uns é o azar de outros.

Como encarar a ausência de Jackson


Não adianta nem há como negar que Jackson é o jogador mais importante do FC Porto. Além de ser o melhor marcador da equipa, o capitão é também sempre dos mais esclarecidos e uma luz que vai guiando os colegas nos momentos mais difíceis de cada jogo. Exímio no jogo aéreo e com uma capacidade física abismal, Jackson consegue segurar a bola rodeado por adversários e arrastar a equipa para a frente vezes sem conta em cada jogo que disputa. Como se não bastasse, é ainda um dos mais efectivos na defesa de lances de bola parada e é sempre o primeiro defesa quando a equipa perde a bola. É dispensável dizer que a lesão veio em má altura, porque para perder um jogador da qualidade do Jackson nunca é uma altura menos má.

Tratando-se de uma ruptura muscular, a lesão obriga a que o colombiano fique de fora durante vários jogos, sendo que na melhor das hipóteses - caso a lesão seja de grau I - regressará algures entre a viagem à Madeira para defrontar o Marítimo na meia-final da Taça da Liga e a recepção ao Estoril em jogo a contar para o campeonato, perdendo assim de certeza os jogos com Basel (Liga dos Campeões), Arouca e Nacional (ambos para o campeonato). Mas o mais provável neste momento é volte apenas 28.ª jornada para defrontar o Rio Ave.

No entanto, nem tudo são más noticias. No último fim-de-semana de Março as competições de clubes estarão paradas para dar lugar às selecções, evitando assim que Jackson perca mais um ou dois jogos. Além disso, é quase certo que em caso de apuramento para os quartos-de-final, o FC Porto poderá contar com o melhor marcador para jogar na prova milionária.

Cabe agora à restante equipa assumir a responsabilidade de dar o máximo para que a ausência do capitão seja notada o menos possível, começando por Brahimi e Herrera que têm sido jogadores em sub-rendimento quando comparado com o que já mostraram esta época. Danilo assumirá o papel de capitão e de líder dentro de campo, contando com a ajuda de Helton e Quaresma fora dele. Óliver está prestes a regressar à competição e a forma esclarecida como joga será uma ajuda preciosa.

Quanto ao substituto directo a escolha não deverá ser difícil. Aboubakar tem agora missão de ser o homem mais avançado da equipa, enquanto Gonçalo Paciência terá nova oportunidade de ganhar minutos na equipa principal. Quem poderá também querer aproveitar esta oportunidade para se mostrar é Adrián López. O espanhol tarda em justificar o lugar no plantel e caso recupere a tempo poderá ter a reentrada nas convocatórias facilitada.

O que define os vencedores é a capacidade para tirar o melhor partido possível de cada situação.