25 de abril de 2015

O hora da verdade

Toda a gente sabe o que o clássico desta jornada implica para o FC Porto e por isso não vou perder muito tempo a escrever sobre ele a não ser para dizer o normal - não espero nada mais do que uma equipa portista na máxima força e uma vitória para alcançar o Benfica em número de pontos e, se possível, com diferença de dois golos. O que me parece mais tema de conversa é esta necessidade que a generalidade da comunicação social - não toda, apenas a maioria - sentiu em associar este jogo à continuidade de Lopetegui como treinador do FC Porto. Parece que de um dia para o outro se passou a decidir a competência de um treinador em 90 minutos...

Antes de qualquer outra teoria elaborada por mim, parece-me óbvio que Lopetegui só não continuará se assim o entender. A razão disto é muito simples: o FC Porto não pode estar sistematicamente a começar o processo de adaptação e/ou aprendizagem do treinador e plantel se quer voltar a dominar o futebol em Portugal. É evidente para qualquer um que o basco não teve uma arranque muito feliz, com constantes invenções onde demonstrou uma clara falta de conhecimento da realidade portuguesa, mas a verdade é que sem campos inclinados a situação já estaria resolvida e o campeonato controlado. Desde que acabaram as experiências que o FC Porto tem feito uma campanha de bom nível e que em nada justificaria a saída de Lopetegui do comando da equipa a não ser, claro está, pela ideia parva pré-concebida de que treinador que não é campeão tem de sair.

A receita é simples e há muitos anos que vai resultado: a comunicação social lança o isco e logo se vê o que acontece. Lamentavelmente, alguns portistas continuam a morder o anzol e assim começa a desestabilização quando nada o justifica e, em semana de clássico, não há "melhor" do que isso. Acredito que não é difícil perceber que existam forças a querer o espanhol bem longe, até porque ele faz questão de meter o dedo nas feridas, mas ver portistas a desejar o mesmo só porque sim é ridículo. Lopetegui está para ficar e quanto mais rápido as pessoas aceitarem isso melhor será.

22 de abril de 2015

Eutanásia

Competência, Paixão, Ambição e Rigor. Segundo Pinto da Costa são estes os pilares que suportam o sucesso do FC Porto. Apenas estando os quatro bem fortes é possível contrariar quando outros factores fundamentais falham. Esses factores são a sorte e a experiência. O facto de o Bayern de Munique ter passado a eliminatória com um total de 7-4 quando no final do primeiro jogo perdia por 1-3 deve-se em grande parte a sortes distintas para as duas equipas e numa falta gritante de experiência no grupo portista, mas primeiro quero focar-me nos factores que o FC Porto pode controlar.

A ausência de Alex Sandro e de Danilo em simultâneo eram evitáveis e não há como contornar essa questão. Neste caso faltou rigor a Lopetegui que, como tive oportunidade de aqui alertar no passado 19 de Novembro, não geriu a questão disciplinar do plantel e, como tal, teve que se sujeitar ao factor sorte que, como já sabemos, não quis nada com o FC Porto neste caso. O que me deixa frustrado não é o facto da situação ter sido mal gerida, mas sim o facto de não ter sido gerida de todo. O assunto foi sendo varrido para debaixo do tapete e terminou com Reyes, que nem inscrito foi na fase de grupos tal é a confiança que o treinador deposita nele, a jogar como lateral direito no jogo mais difícil de toda a época. Talvez aqui tenha havido alguma falta de competência, porque com dois jogadores rotinados na linha como estão Maicon e Ricardo, não havia necessidade de inventar um lateral em quatro ou cinco treinos. As bolas paradas defensivas sempre foram um ponto fraco deste FC Porto e um golo em cada mão na sequência de um canto em muito ajudaram neste desfecho.

A ambição, bem presente durante a primeira mão, parece que não foi incluída na bagagem para a Alemanha. Uma entrada a medo e com pouca personalidade por parte dos Dragões permitiu ao Bayern de Munique dominar por completo e marcar golo atrás de golo. E aqui é que fazia falta muita paixão mas também muita calma e experiência. Após o 2-0 era fundamental que os jogadores do FC Porto percebessem que, de forma a poder continuar a lutar pela eliminatória, tinham de conseguir cortar o ritmo ao jogo para chegarem vivos ao intervalo. Não foi o que aconteceu e com 5-0 no marcador só um milagre tirava o Bayern das meias-finais. Olhando friamente a tudo o que não foi apresentado pelo treinador e pela equipa, quase se pode dizer que o FC Porto se entregou voluntariamente para morrer.

O factor Sorte

Mesmo dentro da sorte há várias variantes. Por exemplo, o golo de Müller que bate no defesa portista e trai Fabiano em contraste com o remate de Boateng para a própria baliza ainda na primeira mão que acabou com uma enorme defesa de Neuer. Mas não foi só por aqui que o FC Porto teve azar. Faltou um árbitro que tivesse tomates para expulsar o guarda-redes do campeão alemão ainda no primeiro minuto de jogo, ou que tivesse tomates para expulsar o lateral-esquerdo da mesma entidade logo no arranque do segundo tempo do jogo no Dragão, ou que mais tarde fizesse o que a lei manda e mostrasse o amarelo a Boateng que o impediria de jogar na segunda mão. Não é o caso de qualquer uma destas decisões não poder ser aceite de forma isolada, mas quando se comparam com os lances que tiraram Danilo e Alex Sandro do jogo na Alemanha percebe-se aqui um padrão. Padrão esse que foi mantido pelo árbitro inglês em Munique. Jackson vê cartão amarelo por alegada simulação quando sofre falta clara, mas Götze passou o jogo a mergulhar sem consequências e Badstuber foi o único jogador da casa a ver cartão amarelo e para isso teve de fazer uma falta para vermelho directo. Mas o melhor ainda estava para vir. Bastou o FC Porto marcar um golo, o 6-4 na eliminatória naquele momento, e logo depois ameaçar o 6-5 para que o árbitro assumisse o papel de defensor da equipa da casa para no espaço de 10 minutos perdoar nova expulsão a Badstuber, inventar duas faltas ofensivas ao ataque portista e à primeira oportunidade expulsar um jogador do FC Porto.

O FC Porto não morreu aqui, longe disso. Mas o meu maior lamento vai para o facto de a experiência acumulada nesta eliminatória por treinador e jogadores em pouco ou nada vá ser aproveitada pelo FC Porto. Isto porque na próxima época voltaremos a ter meia equipa nova e aqueles que muito cresceram nestes jogos estarão a jogar por aqueles que têm todos os anos €500 milhões para gastar e que quando confrontados com a perda de jogadores fundamentais têm um qualquer Carballo ou Atkinson a repor a ordem natural das coisas. E quando assim é nem toda a competência, toda a paixão, toda a ambição e todo o rigor do mundo são suficientes. Quanto mais sem nada disto.

20 de abril de 2015

Que defesa esperar em Munique?

"Logicamente que temos de fazer alterações, amanhã verei", foi assim que Lopetegui respondeu à pergunta sobre os substitutos dos castigados Alex Sandro e Danilo. Embora não queira abrir o jogo, é fácil prever que o treinador espanhol fará alinhar Indi como defesa-esquerdo, ficando apenas a questão de quem, juntamente com Maicon e Marcano, completará a defesa azul-e-branca - Reyes ou Ricardo? A resposta não é fácil e neste momento apenas Lopetegui a poderá dar. Certo será apenas que, seja qual for o escolhido, o FC Porto terá uma linha defensiva inédita frente ao Bayern de Munique.

Caso não queira desfazer a dupla que mais garantias tem dado - Maicon/Marcano -, o treinador portista deverá apostar em Ricardo como lateral-direito. Essa possibilidade é mesmo a mais provável segundo os especialistas, mas o jogo frente à Académica trouxe um dado novo: Lopetegui levou Marcano para o banco e decidiu dar-lhe cerca de meia hora de jogo ao lado de Reyes. Poderá significar isso que poderá ser essa a dupla de centrais para a segunda mão dos quartos-de-final? Se for esse o caso, Maicon será deslocado para a direita da defesa. Embora o brasileiro já tenha desempenhado a tarefa por várias vezes com Vítor Pereira no comando, seria a primeira vez sob as ordens de Lopetegui. E não foi por falta de oportunidades para o fazer, uma vez que contra o Basileia e o Sporting Maicon estava em campo quando Danilo foi substituído por lesão e as escolhas para fechar à direita recaíram sobre Alex Sandro e Indi, respectivamente.

A hipótese Herrera

Embora menos provável, há quem avance com a hipótese de ser o médio mexicano a fazer de Danilo. Não sendo um cenário descartar por completo, este afigura-se como uma solução mais remota. A derivação de Herrera para a defesa implicaria mexer num segundo sector da equipa, o meio-campo, que teve um papel fundamental na vitória por 3-1 no jogo da primeira mão. Lopetegui não deverá querer desfazer o trio que o camisola 16 forma habitualmente com Casemiro e Óliver, mas caso decida fazê-lo surgirá nova dúvida: quem jogará a meio-campo? Rúben Neves? Evandro?

Todas estas perguntas serão respondidas apenas quando faltar cerca de uma hora para o início do jogo, até lá todos os cenários serão possíveis. Casemiro no centro da defesa passando Maicon para a direita, Indi à direita com Reyes à esquerda ou vice-versa, uma defesa com três centrais reforçando o meio-campo com mais um elemento, ou até jogar com apenas dois avançados para colocar mais um médio no auxilio a Ricardo caso este jogue como titular na lateral direita. São estes alguns dos cenários avançados até ao momento por portistas e/ou opinadores. Haja imaginação!