18 de agosto de 2015

Uma análise inédita

Quem acompanha minimamente este blog sabe que um dos meus alvos preferido é o Tribunal O Jogo. Não pela ideia em si, que boa, mas forma como foi concretizada e pela oscilação de critérios dos ex-árbitros na análise aos vários lances que vão apresentando. Este domingo o ridículo voltou a ser redefinido por quem escolhe as situações para o painel analisar.


Fui contra a vinda do Maxi Pereira para o FC Porto e vou continuar a sê-lo. Não só por tudo o que ele representou como jogador do Benfica nos últimos oito anos, mas também pelo contrato absurdo que recebeu para se mudar para o Dragão. Acho que esse dinheiro podia ser canalizado para coisas mais importantes, como por exemplo a renovação do Alex Sandro. O clube abriu um precedente grave e que pode ter consequências desagradáveis cada vez que quiser contratar ou renovar contrato com alguém.

No entanto, tudo isso não me impede de comentar esta palhaçada. O uruguaio já é um velho conhecido do futebol português, mas foi preciso vestir de azul e branco para que a vocação que tem para cometer faltas seja analisada a pente fino. Os analistas, depois de anos e anos a arranjar desculpas para as dezenas de vezes em que os árbitros perdoaram expulsões ao Maxi, vieram agora, logo no primeiro jogo pelo FC Porto, reclamar a existência de uma falta anterior à que lhe rendeu um cartão amarelo também ela merecedora dessa sanção e, como tal, ficou um cartão vermelho por mostrar ao agora jogador portista.

Toda esta situação tem tanto de ridícula como de inédita. Esperemos para ver se o critério será alargado a todos os jogadores de todas as equipas ou se será exclusivo ao camisola 2 do FC Porto.

17 de agosto de 2015

Um filme já visto

Há pelo menos duas coisas em que a Televisão portuguesa é rica: filmes repetidos e intervalos gigantes. Este fim-de-semana foi mais do mesmo.

Com o primeiro terço da obra cinematográfica que conta a história de uma qualquer jornada de um campeonato de futebol a ser exibido logo na noite de sexta-feira, foi-nos possível ver um jogo de futebol carregado de incertezas até ao último segundo e que acaba por ficar decidido num lance em que um jogador efectua um lançamento de linha lateral dentro de campo mesmo nas barbas do fiscal-de-linha e, por ironia do destino, essa irregularidade dá origem ao golo que oferece a vitória por 1-2 a um dos - embora auto-denominado - candidatos ao titulo de campeão. Depois disto, intervalo de quase 24 horas.

Na noite de sábado o filme continua mas pouco de relevante acontece. Outro dos candidatos, talvez o maior de todos, vence por 3-0 um jogo que dominou por completo. O adversário pouco conseguiu fazer tal foi a forma como foi dominado. Depois disso foi preciso esperar novamente perto de 24 horas para saber como seria o desfecho deste enredo.

Eis que chega a noite de domingo. Novo jogo e novos desenvolvimentos. A equipa da casa começa de forma tremida e logo à passagem do minuto 15 devia ter visto o árbitro assinalar-lhe uma grande penalidade contra, mas, como seria fácil de prever para quem seguiu a história com atenção, nada foi marcado e a partida continuou. Perto do intervalo de jogo mais do mesmo: um jogador dos anfitriões comete falta para penálti mas que escapou aos olhos de toda a equipa de arbitragem. A segunda parte da partida foi muito rápida. Novo castigo máximo por assinalar contra os visitados que, pouco depois chegam ao 1-0, seguindo-se o 2-0 através da conversão de uma grande penalidade mal assinalada contra os visitantes e num fôlego chegam os terceiro e quarto golos. Fim do jogo; goleada.

Para quem não se recorda, este filme foi repetido vezes sem conta nos últimos 12 meses. Por isso desengane-se que acha que a vergonha que foi o último campeonato faz parte do passado porque não faz. A época 2015/2016 começou tal e qual como a 2014/2015, onde foi possível ver o Benfica ser fortemente ajudado pela N.ª Sr.ª do Amparo. O aviso foi feito há um ano mas vale a pena repetir: não basta ao FC Porto ter a melhor equipa porque o Benfica com um bocadinho de ajuda transforma com facilidade uma exibição cinzenta numa vitória por números expressivos.

Que desta vez a estrutura portista não acorde tarde demais.