5 de dezembro de 2016

Leitura obrigatória

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20 de novembro de 2016

Exclusivo Portistas Anónimos - Guia prático para tirar pontos ao FC Porto


O Portistas Anónimos teve acesso àquilo que se pode considerar como sendo um guia para impedir o FC Porto de vencer jogos e que vai sendo distribuído pelos vários adversários que os azuis e brancos enfrentam. A ver abaixo:

"Sendo o Futebol Clube do Porto (FCP de agora em diante) um alvo a abater, é importante que aquele que tente levar essa tarefa avante tenha em atenção os seguintes pontos:

1) Confia na equipa de arbitragem. Sê cordial com os árbitros e seus auxiliares, eles estão ali para te facilitar a vida sempre que necessário.

2) Nunca jogues o jogo pelo jogo. Tentar jogar contra o FCP olhos nos olhos não está ao alcance de qualquer um. Fecha-te no próprio meio-campo, ou na própria área se necessário, e contenta-te com o pontinho. Quem sabe se um lance fortuito não te dá algo mais.

3) Mantém-te no jogo. Caso o FCP se coloque em vantagem no marcador mantém a calma. Ir em busca do empate de forma desesperada pode resultar num segundo golo portista. Com a desvantagem mínima tudo é possível, mais do que isso pode significar que a equipa de arbitragem dê o jogo por perdido e se desinteresse de te auxiliar.

4) Perde tempo. 90 minutos são uma eternidade. Sempre que possível demora a repor a bola em jogo ou pede a entrada da equipa médica. Se fores substituído, sai o mais lentamente que te for possível. O árbitro encarregar-se-á de te proteger e de garantir que esse tempo não será restituído sob a forma de tempo de compensação.

5) Recorre à falta. Nem sempre é possível parar os jogadores do FCP de forma legal. Assim sendo, é importante que adoptes um comportamento antidesportivo sempre que necessário de forma a que a tua baliza fique fora de perigo. A equipa de arbitragem fará vista grossa à grande maioria destas infracções.

6) Usa os braços. Agarra e empurra os jogadores do FCP sempre que houver necessidade disso. Cortar a bola com a mão também é aceitável em qualquer parte do campo. Uma vez mais terás de confiar que a equipa de arbitragem estará ali para te proteger.

7) Corre como nunca. Usa aquela energia extra que poupaste em certos jogos sempre que defrontares o FCP. Por vezes, um esforço extra pode transformar uma derrota num empate ou um empate numa vitória.

8) Sê prestável para a comunicação social. Tal como tu, a generalidade dos media quer o FCP derrotado. Assim sendo, é natural que fiquem frustrados caso falhes esse objectivo e descarrem um pouco em ti ou nos teus companheiros. Tenta entender o lado deles e lembra-te: da próxima vez, caso corra melhor, serás elevado a herói pelos mesmos que agora te pisam!"

29 de outubro de 2016

Encomendado!


O FC Porto não podia ganhar em Setúbal. Não podia, ponto final. João Pinheiro fez uma arbitragem vergonhosa, ainda mais vergonhosa que a actuação da equipa portista. O Benfica não podia ir pressionado para o clássico da próxima semana e, com este servicinho, o pior que lhes pode acontecer é sair do Dragão com a liderança segura por apenas dois pontos de vantagem sobre o FC Porto. Neste momento não consigo fazer uma análise racional à forma como os comandados de Nuno jogaram nem sobre as opções que este tomou, mas tenho a convicção plena que só jogando mesmo muito excepcionalmente seria possível ultrapassar a coligação Setúbal-João Pinheiro. O penálti não marcado sobre Otávio foi só a cereja no topo do bolo, para trás ficaram decisões de alguém que parecia estar a querer gozar com a cara de todos os portistas, especialmente com a coragem que teve de não dar um segundo de descontos que fosse na primeira parte e na segunda ter-se ficado pelos quatro. Mensagem para a SAD e para o treinador: não se queixem, continuem calados. Está tudo bem e o FC Porto não tem sido sistematicamente prejudicado.

Nota - Caso não tenha ficado claro, quero esclarecer que na mensagem que deixei estava a ser irónico. Sinto-me na obrigação de dizer isto porque as pessoas visadas parecem andar com dificuldades em entender o que é óbvio.

23 de outubro de 2016

Baías e Baronis - FC Porto 3 vs Arouca 0


Se não sabe onde encontrar a versão original desta rubrica então é bem provável que tenha aterrado na Bluegosfera de pára-quedas neste preciso momento. Seja bem-vindo! Hoje, excepcionalmente, só porque fiquei de bom humor com a vitória por 3-0 sobre o Arouca que começou logo após um empate do Sporting em Alvalade, vou copiar de forma descarada o Porta 19. Vamos a notas:




(+) A linha defensiva e Danilo. Se não viu Casillas durante o jogo todo a culpa deve ser atribuída quase de forma exclusiva a estes cinco artistas. Rijos e inteligentes como deviam ser todos os jogadores do FC Porto, travaram bem cedo qualquer iniciativa atacante que o Arouca ambicionasse ter.

(+) Diogo Jota: avançado, extremo e construtor de jogo. Se Nuno pretende manter o 4-4-2 como modelo principal então este rapaz não pode sair da equipa. Pelo menos enquanto não aparecer outro com esta capacidade de movimentação. Recuou para começar jogadas; deu largura ao flanco esquerdo que, até entrar Brahimi e ao contrário do direito, não tinha nada que se assemelhasse com um extremo; auxiliou André Silva no centro do ataque; assistiu. No fundo só faltou mesmo marcar para que se possa dizer que fez tudo.

(+) André Silva, o ponta-de-lança. Marcou dois, podiam ter sido mais. Mas há um dado que ninguém pode negar: qualquer um dos golos que assinou foram daqueles que na gíria de tratam como sendo À ponta-de-lança. No primeiro teve toda a calma do mundo, no segundo a pujança que se exige naquele tipo de situações. Enquanto as más-línguas dizem que precisa falhar nove para marcar um, André Silva soma já sete golos em oito jogos e está no topo da lista dos marcadores empatado com... Marega.

(+) A entrada de Brahimi. Pelo segundo jogo consecutivo o argelino saiu do banco para agitar o jogo da equipa. Deu largura ao flanco esquerdo como Óliver nunca conseguiu e procurou de forma incessante o golo durante os cerca de trinta minutos que esteve em jogo. Felizmente viu essa vontade ser satisfeita em cima do apito final e aproveitou os festejo para mandar para o caralhinho de forma figurada mas muito pouco subtil os milhares que o assobiavam por tentar levar a bola para a frente quando tinham passado a hora de jogo anterior a fazer o mesmo porque ninguém o tentava. Delicioso.



(-) Herrera. Não digo que seja suficiente para vencer o Dragão de Ouro para melhor treinador mas colocar Herrera a fazer de Óliver que por sua vez foi tentar fazer de Otávio deveria valer a Nuno uma menção honrosa durante a entrega do prémio. Quanto à exibição do mexicano, mais do mesmo. Começou um pouco perdido no meio, passou para a direita com as entradas de Rúben e Brahimi e continuou um pouco perdido e acabou o jogo perdido entre o flanco esquerdo e o centro. No fundo é essa a palavra que define Herrera nos últimos três anos: perdido.

(-) Casillas. Esqueceu-se de levar guarda-chuva para um jogo em que não teve trabalho absolutamente nenhum e logo numa noite onde a chuva se fazia notar. Inadmissível num guarda-redes com esta experiência. Veremos se este descuido não lhe trará problemas de saúde nos próximos dias.



Jogo de sentido único e com uma exibição agradável que vale o primeiro lugar à condição. Segue-se agora o Vitória de Setúbal.

18 de outubro de 2016

Jogo perigoso


Sei que o título é ambíguo, que muitos vão pensar que me refiro à infracção clara que o árbitro italiano deixou passar e que deu o 1-0 ao Club Brugge, ou que se trata de uma alusão à forma consistente com que a SAD nos brinda com prejuízos avultados no final de cada exercício, ou até, quem sabe, do fantasma que voava sobre as cabeças dos portistas no intervalo do jogo de hoje e que ameaçava com um cenário de um ponto apenas ao fim de três jornadas de Liga dos Campeões. E embora fosse possível qualificar qualquer um destes cenários como "jogo perigoso", nenhuma das resposta é a correcta.

Lembra-se de se queixar - e de certeza que já o fez - que o FC Porto oferecia demasiadas vezes 45 minutos ao adversário? Esqueça isso, agora são 60. O que não aparenta ser uma melhoria, diga-se. Foram dois terços do jogo à espera de uma jogada com pés e cabeça que só chegou com a entrada de Corona e Brahimi e a consequente alteração táctica. Diogo Jota e Herrera não estavam bem na partida e foram substituídos em momento oportuno, assim como igualmente assertivo foi deixar cair o 4-4-2 e apostar no 4-3-3 nesse preciso momento.

Isto está longe de ser uma crítica a Nuno Espírito Santo. Aliás, até é o contrario. É bom que o treinador dos dragões tenha uma ideia e se apresente numa fase inicial com ela - que nos últimos tempos tem sido o tal 4-4-2 -, mas melhor ainda é que tenha a humildade de admitir durante os 90 minutos que se calhar existe outra forma de abordar o problema e decida abdicar da ideia inicial em favor de uma outra que aparenta ser melhor. Se a equipa perdia por 1-0 e sentia dificuldades em criar perigo graças ao sistema escolhido pelo Nuno, também é verdade que foi da mesma pessoa a decisão de alterar o modelo e lançar o 4-3-3 para a última meia-hora permitindo assim a reviravolta. O talento dos jogadores fez o resto.

Um cenário que chegou a ser negro é agora mais azul graças a um passo enorme dado na Bélgica com a vitória por 1-2 que esteve quase a tornar-se uma miragem. O apuramento para a fase a eliminar está nas mãos do FC Porto que depende apenas de si para o conseguir. Segue-se agora o Arouca, no próximo sábado, a contar para o campeonato.

5 de outubro de 2016

Ter razão não chega


Fernando Saul, responsável pela ligação entre o clube e os adeptos, recorreu à página pessoal de facebook para criticar de forma aberta o Sporting pelos preços exigidos aos sportinguistas para assistirem ao vivo aos jogos contra Real Madrid e Borussia Dortmund. Eis o texto na integra:
«Nós adeptos dos grandes que tanto e bem criticámos os preços exorbitantes muitas vezes praticados contra os nossos clubes nos jogos fora, depois assistir a isto acho ridículo e inacreditável.Obviamente na casa deles mandam eles mas isto é síndrome de clube pequeno.Como gosto de futebol e tenho algumas responsabilidades acho que isto não devia existir!É apenas a opinião de alguém que gosta de futebol e que acha que o futebol sem adeptos morre e isto até pode resultar um dia e dar uma grande receita mas no futuro mata o futebol num país pequeno como o nosso onde as pessoas infelizmente fazem muitos sacrifícios para apoiarem os clubes que amam!»
A opinião deste dirigente portista fez-se acompanhar por uma imagem onde era possível ver que o rival lisboeta está a cobrar pelo bilhete mais barato para público €50 para o jogo frente aos alemães e €60 para a partida diante dos espanhóis.

A não ser ter-se tratado de um recado/desabafo para dentro - que sendo o caso não tem razão de existir porque quem o deu tem toda a facilidade em dá-lo directamente a quem decide estas coisas -, Fernando Saul perdeu mais uma enorme oportunidade de estar calado. Tendo em conta o cargo que ocupa, seria de esperar que o autor desta crítica tivesse consciente que o FC Porto na época passada exigiu também €50 como preço mínimo a qualquer simples adepto que quisesse assistir no Dragão ao jogo frente ao Dortmund mas a contar para a Liga Europa e que, já este ano, o preço mínimo exigido a quem não pode ser sócio do clube para o bilhete do FC Porto - AS Roma era de €40.

Se o objectivo era atingir o Sporting lamento dizer mas o tiro saiu para o próprio pé. Se o recado era para dentro - o que, repito, duvido muito porque infelizmente quem está no FC Porto é pago para pouco mais que dizer que sim a tudo, comer e calar - espero que os recados deixem de ser mandados pelas redes sociais. Que se deixe isso para os blogs, assim até se ganha um novo alvo para criticar quando as coisas derem para torto: aqueles que se atrevem a criticar.

Votando ao título: ter razão não chega, é preciso dar o exemplo e fazer melhor.

28 de setembro de 2016

Pequenos grandes jogadores


Quem vê o FC Porto pela primeira vez não tem como reparar em dois jogadores: Óliver e Otávio. Quem acompanha os dragões semana após semana não tem como fugir à pergunta: estes dois treinam com os outros ou à parte? Seja qual for a resposta é inegável para todos que a bola é tratada de forma diferente, para melhor, quando chega aos pés de um deles.

Com os azuis e brancos a atravessar um período confuso e de falta de identidade é importante que Nuno comece a construir a equipa em torno deles, que além de terem a qualidade necessária para assumir o jogo têm também a coragem para o fazer. Um meio-campo com Otávio, Óliver e Danilo é mais do que suficiente para 95% dos jogos que o FC Porto tem de disputar e é nesses jogos que se ganham os campeonatos, não nos outros 5%.

Com a defesa já consolidada importa afinar o ataque o mais rápido possível e ao escrever isto imediatamente pensei em mais dois nomes: Corona e Brahimi. André Silva parece estar a perder parte do fulgor com que começou a temporada, mas a verdade é que não tem sido muito bem acompanhado ou servido.

Há quem pense que seria suicídio jogar com tantos jogadores de ataque (André Silva, Corona, Brahimi, Óliver e Otávio) em simultâneo, mas tudo depende do espírito competitivo imposto não só pelo treinador mas também pelos próprios. É preciso correr mais, fazer aquele esforço extra para chegar primeiro à bola ou para que esta não saia, ter mais vontade de vencer que o adversário. André Silva, Óliver e Otávio jogam assim, pode ser que com o tempo contagiem os companheiros.

27 de setembro de 2016

A importância de sofrer cedo


Tenho Nuno como sendo uma pessoa inteligente. E como pessoa inteligente que é, estou certo que já percebeu que esta equipa tem potencial. Prova disso mesma é a forma como acabou o jogo de hoje a sufocar por completo o campeão inglês. A minha primeira pergunta é esta: qual é o motivo para não se ter visto essa vontade mais cedo ou em alguns momentos de outros jogos?

O resultado. Penso que é essa a resposta correcta. Foi hoje contra o Leicester, foi em Alvalade, foi no Dragão frente ao Boavista, foi em Vila do Conde, a visita a Roma não foi excepção e muito menos a recepção ao Copenhaga. A única equipa que não ameaçou minimamente os azuis e brancos foi o Estoril porque teve a infelicidade de sofrer o golo tarde. O FC Porto de Nuno Espírito Santo é competente quando precisa de marcar golos mas é medíocre quando decide que tem de defender o resultado.

Neste momento o maior adversário dos Dragões é a mentalidade com que abordam os jogos. O jogo não começa apenas quando o adversário marca nem termina quando é o FC Porto a colocar-se em vantagem. Isto é algo que todos, jogadores e treinador, deviam escrever mil vezes num caderno para trabalho de casa. Mais importante que discutir opções duvidosas por parte de Nuno é que ele perceba que enquanto não jogar para ganhar, do primeiro ao último minuto ininterruptamente, não o vai fazer tantas vezes como queria e precisa. Bem pode trocar de sistema táctico e/ou meia equipa de um jogo para o outro que de pouco ou nada valerá.

Quando esta questão estiver esclarecida, aí discutiremos quais os motivos para que jogadores como Brahimi e Adrián vão alternando entre a titularidade e a bancada ou a teoria para que Diogo Jota seja lançado num jogo da Champions quando a equipa gritava "Depoitre" para quem estava a ver o jogo.

19 de setembro de 2016

A pré-época mais longa da História no clube mais confuso da actualidade


André Silva, Corona, 4-3-3, Adrián dispensado, André André, Danilo, Herrera, 4-2-3-1, Adrián titular na pré-eliminatória da Champions, Brahimi dispensado, Óliver, Depoitre, Marcano, 4-4-2, Boly, Brahimi titular... Percebeu alguma coisa? Eu não. Ninguém percebeu, principalmente os jogadores, e é aí que está um dos problemas do FC Porto. Seria de esperar que as coisas estivessem mais que consolidadas após uma pré-temporada iniciada ainda o mês de Abril era uma criança. Mas não, já na segunda metade de Setembro temos ainda um treinador a testar tácticas e jogadores. Que sentido faz isto?

Um dos problemas apontados a Lopetegui era o da rotatividade excessiva. O que faz a primeira verdadeira aposta de Pinto da Costa - com todo o respeito para Peseiro - para esquecer o técnico espanhol? Exactamente a mesma coisa e com os mesmos resultados. Não se diz por aí que loucura é repetir os mesmos erros e esperar resultados diferentes?

E o mesmo serve para toda a gente ligada ao clube. Não é só quando não se vence que se apontas as arbitragens habilidosas. As queixas no final dos jogos em Alvalade e Tondela deveriam ter-se ouvido também no final dos jogos no Dragão frente a Estoril e Vitória de Guimarães e na deslocação a Vila do Conde. Não são os três pontos que eliminam os penáltis por assinalar, os golos mal anulados, os fora-de-jogo mal assinalados, as faltas duras que os adversários se dão ao luxo de repetir sem que vejam qualquer cartão e por aí fora. O FC Porto não pode aceitar que os seus jogadores sejam sancionados à primeira oportunidade quando passam os jogos a serem vítimas de faltas piores que escapam com um aviso e quando os rivais Benfica e Sporting têm a liberdade de fazerem em campo quase tudo o que lhes apetece.

Não é agora que chegou a hora de acordar. Esta merda já dura há três épocas e vai a caminho da quarta sem que ninguém faça nada para o impedir. Acordem!

17 de setembro de 2016

Uma atitude louvável


Fazer primeiro, falar depois. Não há coisa que cai pior no universo portista do que quando as acções não batem certo com as palavras, sejam elas de dirigentes, treinadores ou jogadores. Por isso mesmo é que fiquei especialmente agradado por ver a forma empenhada como Brahimi entrou em campo frente ao Copenhaga, mostrando vontade de lutar pela vitória nesse jogo e também por uma lugar numa equipa onde esteve todo o mercado de transferências com um pé fora. No fim do jogos as primeiras declarações da época: "estou no FC Porto a 200%".

Recorde-se que o internacional argelino foi dado como de saída do clube após a chegada de Nuno Espírito Santo. Os motivos eram simples: a atitude demonstrada pelo jogador nem sempre foi a melhor mas a qualidade estava lá, tornando-o numa boa oportunidade de uma SAD a precisar desesperadamente de dinheiro receber algum. O negócio não se realizou e o treinador ficou com um problema em mãos.

Nuno e Brahimi decidiram deixar o passado onde ele pertence e fizeram um pacto que caso seja cumprido todas as partes sairão a ganhar, em especial o FC Porto. O primeiro passo foi dado pelo treinador ao lançar o talento argelino para um jogo de grande importância, o camisola 8 fez o resto ao entrar em campo com uma atitude que há muito não se via nele e com vontade de ajudar os companheiros.

Se as coisas continuarem nestes termos Brahimi ganhará com naturalidade um lugar na equipa que procura desesperadamente alguém com capacidade de fazer sistematicamente a diferença no último terço. Teoricamente trata-se de um casamento perfeito e faço figas para que seja para durar.

15 de setembro de 2016

Carácter e qualidade

Escrevi a propósito das declarações de Aboubakar que muito do mal do FC Porto se deve a jogadores com falta de carácter. No entanto esse não é o único problema, por vezes é mesmo a falta de qualidade que salta à vista. Herrera não podia ser um exemplo mais flagrante.

O internacional mexicano é um dos habituais capitães, por isso quanto ao carácter estamos conversados. O problema reside única e exclusivamente na vertente futebolistica. Este já é a quarta temporada de Dragão ao peito mas as dificuldades apresentadas por Herrera são as mesmas desde o primeiro dia: falta qualidade técnica e rigor táctico e agressividade no momento defensivo. Se pelo menos as virtudes fossem suficientes para disfarçar as lacunas ainda dava para entender o facto de o camisola 16 ter tantos minutos jogados, mas nem isso.

Nuno Espírito Santo tem nove (!) médios no plantel, não consigo perceber nem aceitar por que motivo joga aquele que, na minha opinião, é o pior deles todos. O FC Porto não pode escolher entre o carácter e a qualidade, para jogar neste clube os jogadores têm de ter ambas as coisas ou então procurar outro lugar para seguir a carreira. Vejo um potencial enorme nesta equipa, por isso mesmo espero que não seja preciso Herrera lesionar-se, como aconteceu com Maxi, para que possa jogar outro jogador que dê mais garantias. Estou farto de ver titularidades por decreto no meu clube.

13 de setembro de 2016

Honestamente, fazes cá tanta falta como um violino num enterro


Aboubakar é um daqueles jogadores que não deixará saudades aos portistas. Dentro de campo nunca conseguiu mostrar nada que justificasse o valor que o clube pagou por ele e fora do recinto de jogo acabou por colocar uma pedra sobre quaisquer dúvidas que restassem ao afirmar que não quer voltar ao FC Porto.

O avançado camaronês é apenas um dos muitos jogadores que chegou à Invicta já com os olhos postos em outros campeonatos e que, paradigmaticamente, nunca mostrou vontade de ajudar o FC Porto a vencer. Infelizmente foram precisas três épocas para que os responsáveis azuis e brancos percebessem que não é com este tipo de gente, que só olha para o próprio umbigo, que se forma uma equipa vencedora e capaz de dignificar e lutar pelo emblema que trazem ao peito. E foi sob a bandeira de devolver o FC Porto às raízes que Nuno Espírito Santo assumiu o cargo de treinador.

Embora a época ainda vá curta, já é possível ver uma atitude diferente na equipa. Os jogadores entram em campo para vencer ou pelo menos para lutarem até ao fim para o fazer, algo que não se via num passado recente. Isso só é possível graças à saída do grupo de trabalho de alguns dos Aboubakares que nele gravitavam, o que por si só já faz o trabalho de Nuno Espírito Santo merecer avaliação positiva.

Quanto ao jogador em questão, espero que tenha uma longa carreira bem longe do Dragão.

12 de setembro de 2016

Titular indiscutível


Se olharmos para a temporada 2015/2016 é difícil destacar jogadores do FC Porto que tenham estado a um nível aceitável para um clube que aspira vencer títulos mas, sem ter de pensar muito, há dois nomes que merecem destaque: Danilo e Layún. E se o português começou a nova época como titular, o mexicano foi aproveitando minutos aqui e ali, o castigo de Alex Telles e mais recentemente a lesão de Maxi para mostrar que quer um lugar na equipa. E para mim não há dúvidas: o FC Porto beneficia com a titularidade de Layún e Nuno Espírito Santo tem nele um dos que merece o rótulo de titular absoluto.

Se há um ano atrás manifestei o meu desagrado com a contratação de Maxi Pereira - que entretanto pouco acrescentou ao clube a não ser a entrega que lhe é reconhecida mas já sem a protecção dos árbitros -, este ano fui apanhado de surpresa com a contratação de Alex Telles. Aqui não está em causa a qualidade do jogador, pois sabia de antemão que se tratava de uma mais-valia, mas sim o investimento que a SAD optou por fazer numa posição que aparentemente estava fechada com a aquisição definitiva de Layún e a promessa de Pinto da Costa em levar Rafa a fazer a pré-época. Com a inclusão de Varela no lote dos laterais começaram a haver opções em demasia e Nuno seguiu o caminho mais fácil: dispensar os jovens Víctor García e Rafa.

Se Varela se torna cada vez mais uma sombra daquilo que foi a cada dia que passa, correndo mesmo o risco de se tornar num peso morto para o clube, Layún não se deixou abater quando viu que a titularidade nas laterais defensivas foi entregue a Maxi e Alex. Muito pelo contrário! O mexicano arregaçou as mangas e começou a lutar com as mesmas armas que têm valido um lugar na equipa ao uruguaio ex-Benfica: atitude competitiva e vontade de dar tudo em campo. Se juntarmos isto à qualidade ofensiva que dá ao jogo da equipa e a capacidade de transformar lances de bola parada em jogadas de golo eminente nas balizas adversárias está explicado o porquê de Nuno Espírito Santo ter de manter o lateral mexicano na equipa.

Com Alex Telles intocável na esquerda, restam duas opções ao treinador portista: manter Layún na lateral direita - deixando Maxi de fora expondo assim ainda mais o mau investimento feito pelo clube - ou adiantar o mexicano no terreno, o que olhando aos sinais dados na pré-época e a este novo 4-4-2 não seria surpreendente. Certo é que o empenho/qualidade de Layún aliada á chegada de Óliver foi o suficiente para ameaçar a titularidade a Maxi, Herrera, Corona e André André e ainda dificultar o regresso de Brahimi. Que Nuno saiba escolher o que é melhor para a equipa.

5 de junho de 2016

"Não vamos deixar de ter a melhor equipa para ter a melhor formação"

Tal como o próprio FC Porto, o Portistas Anónimos vive um período de hibernação, estando num estado de serviços mínimos. Apesar disso, há sempre espaço para partilhar uma ou outra ideia que, à primeira vista, mereça interromper este período de silêncio.

Neste caso iremos para recuar a 21 de Outubro de 2013, quando Antero Henrique em entrevista ao jornal O Jogo disse, entre outras coisas, "não vamos deixar de ter a melhor equipa para ter a melhor formação". Desde esse dia até ao presente o FC Porto venceu três competições minimamente relevantes em futebol: o campeonato nacional de sub-19 por duas vezes e a II Liga por uma. Enquanto isso, a equipa principal continua em branco. Era interessante que alguém conseguisse explicar o que aconteceu entretanto para que em pouco tempo acontecesse precisamente o oposto do que foi prometido.

A expressão "pela boca morre o peixe" foi, durante alguns minutos, uma forte possibilidade para dar título a este texto.

26 de maio de 2016

SoccerStars FC Porto edition - Últimos dias para votar!

Desde o anúncio de Pinto da Costa sobre o fim antecipado para a época 2015/2016 que decidimos, aqui no Portistas Anónimos, começar a pensar no que 2016/2017 poderá trazer. Foi nesse sentido que fomos lançando vários vídeos no Youtube para que os nossos leitores fossem escolhendo os jogadores que gostariam de ver no plantel que terá a missão de colocar o FC Porto de novo no topo. As votações terminam já neste domingo (29/05/2016), por isso se não votou ainda vai a tempo de o fazer.

19 de abril de 2016

SoccerStars FC Porto edition


Após a derrota com o Tondela, Pinto da Costa concedeu uma entrevista ao Porto Canal onde, entre outras coisas, deu por encerrada a actual temporada e anunciou que os restantes jogos serviriam como teste ao carácter de todos os jogadores, como uma espécie de filtro para o que será o FC Porto 2016/2017.

Assim sendo, decidi criar uma votação que decorrerá na página Youtube do Portistas Anónimos e que tem como único objectivo ver que jogadores os portistas gostariam de ver no próximo plantel. A votos irão apenas jogadores actualmente vinculados ao clube, estejam eles emprestados, na equipa B ou na formação principal. Caso um jogador for votado para mais que uma posição, aquela que receber mais votos será na qual ficará no plantel virtual.

Será lançado um vídeo para cada posição, para votar só terá de ficar atento às diversas contas nas redes sociais do blog pois será esse o meio de divulgação de cada novo vídeo.

Se tem conta Google - se tem um telemóvel com sistema Android já a tem, por exemplo - subscreva o canal para ser notificado a cada novo upload. Se não tem, fique atento ao nosso twitter, facebook ou Google+ pois será anunciado em cada um destes locais a existência de nova votação.

Os vídeos serão colocados online nos próximos dias e as votações ficarão abertas até ao sábado seguinte à final da Taça de Portugal. Após essa data serão anunciados os resultados.

18 de abril de 2016

Visão 1620 - Sócios e adeptos

Com três épocas de maus resultados é natural que muitos adeptos andem de costas voltadas com o clube. É assim em todos os clubes quando se passa de vencedor frequente a perdedor crónico. Mas o facto de o FC Porto tratar os sócios e adeptos como clientes não ajuda nada nestes momentos.

Dito isto, gostaria de propor uma série de medidas que têm em vista reaproximar os adeptos do clube, fazendo ou refazendo deles parte de um clube que amam e não clientes de uma SAD que serve futebol como prato principal.

Tem sido recorrente na televisão uma publicidade onde o Sporting tenta convencer ex-sócios a voltarem a sê-lo. E não se limitam a dizer "hey, precisamos do teu dinheiro", em vez disso apresentam vários cenários que vão desde a possibilidade de pagar as quotas em dívida de forma faseada, o perdão de metade da dívida e até o congelamento da mesma até que o sócio em questão tenha possibilidade de a pagar. O que impede o FC Porto de fazer uma campanha semelhante?

Portugal atravessa momentos complicados e existem milhares de pessoas que não tiveram outra hipótese que não fosse deixar alguns luxos de lado para que o básico não faltasse. Quando isso acontece as idas a estádios de futebol aparece imediatamente nos primeiros lugares da lista das coisas dispensáveis. E aqui é que devia entrar a SAD em acção. De forma a manter os associados e também muitos detentores de lugares anuais, o clube tem de proteger aqueles que estiveram sempre ao lado do clube enquanto lhes foi financeiramente possível. Seria de bom tom o FC Porto atribuir descontos a essas pessoas, que poderiam ir dos 50% aos 100% mediante o número de anos de cada um como sócio/detentor de lugar anual, caso estes ficassem desempregados.

Além dos sócios, também as claques são importantes e devem ser apoiadas pelo clube. No entanto, tal não deve ser feito a todo o custo e prejudicando muitas vezes outros portistas. A SAD tem de parar de dar bilhetes às claques para estes serem vendidos livremente e sem qualquer controlo. Para isso há que tornar obrigatório o registo como sócio do FC Porto para poder pertencer a um claque do clube. As quotas pagas ao FC Porto até podiam incluir um desconto igual ao valor pago para ser associado da respectiva claque, mas os bilhetes dos Super Dragões e Colectivo passariam a ser adquiridos nas bilheteiras normais. Para ter o desconto de membro da claque bastaria apresentar o cartão de sócio da mesma. É assim tão complicado?

O clube dispõe de meios de comunicação com o exterior que há alguns anos atrás seriam impensáveis. Porto Canal, Revista Dragões, todas as redes sociais da moda, um website, uma newsletter e ainda a possibilidade de passar a mensagem através de qualquer canal de televisão, rádio ou jornal. Apesar disto tudo, os portistas continuam mal informados e o FC Porto mal defendido na praça publica. Que tal começar a aproveitar ao máximo estes meios?

Embora não pareça. o clube precisa tanto dos adeptos como os adeptos precisam do clube. E os portistas têm muito para dar ao FC Porto, basta para isso o FC Porto querer.

17 de abril de 2016

Visão 1620 - FC Porto Lab


O nome não prima pela originalidade e a proposta até já foi dada aqui, mas nunca é demais repetir: o FC Porto tem de rever e alargar os profissionais das mais diversas áreas ligadas à preparação, seja ela física ou psicológica, da equipa profissional de futebol de forma a não estar dependente da competência (ou falta dela) das diferentes equipas técnicas que forem contratadas.

Além dos habituais médicos, fisioterapeutas e enfermeiros e da adição de um director desportivo, seria um passo pioneiro a contratação de psicólogo(s), preparador(es) físicos, recuperador(es) físicos, nutricionista(s) e treinador(es) de guarda-redes para trabalharem de forma permanente e exclusiva para o clube.

Este departamento, contratado directamente pelo clube, teria como missão preparar o plantel física e psicologicamente, através de treinos individuais e colectivos, para todos os cenários possíveis, como uma espécie de apoio ao treinador e respectiva equipa técnica, deixando as estes apenas a tarefa de trabalhar a vertente táctica, garantindo assim uma equipa competitiva sob quaisquer circunstâncias.

Os profissionais mencionados teriam de ser cuidadosamente seleccionados e teriam ainda como responsabilidade extra o dever de estarem em formação constante, aprendendo e desenvolvendo novos métodos de treino, tendo em vista manterem-se na vanguarda da respectiva actividade profissional.

Os custos associados a este departamento, além de serem uma gota naquilo que é um orçamento de um clube do nível do FC Porto, seriam facilmente recuperados pelas performances da equipa e, talvez, pelo facto de deixar de ser preciso ter nos quatros aquele jogador extra como reserva caso haja uma crise de lesões.

16 de abril de 2016

Visão 1620 - Finanças

Tem sido um problema recorrente e aparentemente sem fim no FC Porto. Chegar a meio da época e perceber que a SAD terá prejuízo no exercício em questão é já o pão nosso de cada época dos portistas. E quais são os motivos para isso? A resposta é simples: despesas despropositadas e planeamentos arrojados, para não dizer incompetentes.

Na última entrevista que deu ao Porto Canal, Pinto da Costa falou em comissões em entre 5 e 10% nos negócios feitos pelo FC Porto. Uma das maneiras de começar a poupar dinheiro é começar a exigir que seja respeitada a norma da FIFA que impõe nos 3% o valor máximo a pagar em comissões a empresários sobre as transferências entre clubes. Depois outra coisa que me faz imensa confusão: o FC Porto pagar comissões tanto quando compra como quando vende. A SAD tem de marcar uma posição junto dos empresários e deixar de dar, literalmente, dinheiro a um empresário quando compra um jogador, deixando esses encargos sempre para o clube vendedor.

Depois há a situação dos jogadores emprestados. Um clube com equipa B não necessita de ter um batalhão de atletas sob contrato espalhados pelo mundo. O número actual é manifestamente exagerado e tem de ser inevitavelmente reduzido ao máximo, tornando os empréstimos situações pontuais para jogadores que mostram valor inequívoco para aspirar a alguma mais do que a II Liga mas que ainda não têm maturidade suficiente para actuar pela equipa A. Certamente não será o caso de jogadores como Sami, Ghilas ou Bolat.

Isto são apenas exemplos de situações que fazem o clube perder imenso dinheiro, mas que a sua resolução por si só não seria garantia de nada, embora fosse um bom começo. O que a SAD tem de começar a fazer é reverter a situação gradualmente até chegar ao ponto de não ter de contar com o ovo no cu da galinha. Entrar num exercício a prever facturar €30M nas competições europeias, ou €70M em mais-valias com vendas de jogadores e até a entrada directa na próxima edição da Liga dos Campeões, é jogar constantemente na roleta russa e, como temos vindo a notar, todas as situações descritas são passíveis a falhar com relativa facilidade.

Impõe-se para bem do clube que a SAD comece a optimizar os meios que tem ao seu dispor, fazendo um planeamento cuidado e rigoroso de forma a não gastar dinheiro de forma leviana.

15 de abril de 2016

Visão 1620 - O plantel


Há muito tempo que o FC Porto não tem um plantel equilibrado e à prova de incompetência. Como assim à prova de incompetência? - perguntarão alguns. Aquele tipo de plantéis onde se não houver Sapunaru há Fucile, ou falhando o Álvaro Pereira há ainda Alex Sandro à espera de jogar, resumidamente um grupo de trabalho onde há, no mínimo, duas alternativas para cada posição sem ter de se recorrer a adaptações - respondo eu.

Pegando nesta época como exemplo, entre treinador e SAD - e aqui mais uma vez entra a lacuna que é não haver director desportivo - entendeu-se que meia dúzia de defesas chegariam e que eram necessários oito ou nove médios. O resultado disso é o que vivemos hoje e que teve como ponto alto o onze inicial apresentado em Dortmund. É isso que tem de acabar imediatamente. São onze a jogar de cada vez, no mínimo outros tantos têm de ficar de fora, uma para cada posição. É tão simples que até dói.

Depois há um regra fundamental que o clube tem de impor a si próprio: ter um plantel inscrito na Liga que cumpra as exigências da UEFA. É público que o organismo que tutela o futebol na Europa impõe que os clubes tenham oito jogadores formados no país - e destes oito, quatro têm de ser especificamente formados no clube - nos 25 que são permitidos. Não me lembro da última vez que o FC Porto foi capaz de o fazer, se é que alguma vez foi.

Compete à SAD garantir que os mais jovens passam três anos no clube antes de serem emprestados, sendo que existe a equipa B e, possivelmente, as taças para lhe ir dando competição. Gudiño perdeu a possibilidade de ser considerado como formado no clube com o empréstimo ao União da Madeira, que não se repita o mesmo erro com o Chidozie.

O plantel à Porto tem de ser trabalhado e planeado, não é uma coisa que se encontra por acaso. E não há nada como gente da formação e muita concorrência pelos lugares para, pelo menos, criar a ilusão que os jogadores correm por amor à camisola.

14 de abril de 2016

Visão 1620 - O director desportivo


Figura de destaque em muitos clubes, mais discreto noutros, ausente no FC Porto. Treinador(es) e SAD portistas discutem entre si a composição dos mais variados plantéis, sem que haja um mentor na figura de director desportivo, deixando o clube exposto a vários problemas, entre os quais estão a incapacidade financeira para satisfazer as necessidades do técnico e a possível incompetência desse mesmo técnico. E assim se chega ao momento actual do FC Porto. 

Administração e equipas técnicas têm passado por imensas dificuldades para formar plantéis equilibrados. Uns, como foi o caso de Paulo Fonseca, saem com o sentimento que não lhes foram dadas opções suficientes; outros, como por exemplo Lopetegui, saem e são acusados pelo presidente de ter tido tudo e não ter sabido fazer nada com isso. Pelo meio são pedidas missões impossíveis a homens como Luís Castro ou José Peseiro, que além de tentar unir os cacos deixados pelos antecessores têm ainda de dar inicio a um projecto tendo em vista a próxima época e sem sequer terem a certeza que farão parte dele. Chegou o momento de colocar nas mão de alguém que não a SAD ou o treinador a responsabilidade de projectar os grupos de trabalho a médio ou até mesmo longo prazo.

O conceito é simples: director desportivo e administração trabalham juntos no sentido de formar um núcleo de jogadores que serviria de espinha dorsal da equipa, algo entre os 17 e os 20 atletas. A esse grupo juntar-se-iam entre quatro a sete novos jogadores escolhidos entre o director desportivo e o treinador de forma a moldar o plantel às especificidades dos sistemas utilizados por cada técnico. O objectivo principal é deixar o FC Porto menos exposto tanto à incompetência como aos pedidos extravagantes de cada treinador. Quem não se recorda das exigências disparatadas de Co Adriaanse?

Foi notícia aquando da troca de Jesualdo Ferreira por André Villas-Boas que Pinto da Costa ofereceu ao primeiro a oportunidade de assumir a posição de director desportivo, possibilidade que foi recusada pelo próprio, mas, e ainda segundo o noticiado na altura, a porta ficou aberta por ambas as partes. Falo em Jesualdo Ferreira porque, na minha opinião, tem o perfil indicado para assumir a pasta: conhece o futebol, conhece o clube e tem facilidade em comunicar.

E aqui chegamos ao último ponto. Há muitos anos que o FC Porto deixa o treinador completamente sozinho contra o mundo. A chegada de um director desportivo à estrutura, além de servir o propósito principal de ser o cérebro por trás do grupo de trabalho, teria também a missão secundária mas não menos importante de defender, em conjunto com o técnico, os interesses do clube na praça pública, guardando assim a SAD (leia-se presidente) para alturas de extrema necessidade.

Projecto Visão 1620

Não há um dia que não se leia num sítio qualquer que quem crítica a SAD do FC Porto o faz gratuitamente e sem apresentar qualquer proposta. Até Pinto da Costa achou por bem dar a piadinha que os contestatários são meia dúzia e que se limitam a usar os blogs para o fazerem de forma anónima. No entanto, embora não seja da responsabilidade de um simples adepto fazê-lo - e, aparentemente, de ninguém uma vez que nem o actual presidente e de novo candidato o fez -, decidi apresentar um série de medidas, umas mais importantes que outras, algumas mais realistas que outras, mas na sua maioria de relativa simplicidade de execução, que gostaria de ver os administradores da sociedade implementarem no próximo mandato e que teriam como principal objectivo tirar o FC Porto do buraco onde se encontra. Cada ideia será apresentada nos próximos dias individualmente e acompanhada dos motivos pelos quais, na minha opinião, seria indispensável.

Depois do fiasco que foi o projecto Visão 611, nasce o Visão 1620.

12 de abril de 2016

A diferença que as riscas azuis fazem...


Sempre achei que Luís Freitas Lobo adora vestir a pele de cordeiro nas opiniões que dá, com especial incidência no que ao FC Porto diz respeito. As oportunidades de o demonstrar são várias, sendo que os comentários que foi fazendo na Sporttv sobre o Real Madrid - Wolfsburg não foram excepção.

Casemiro e a posição de trinco

Enquanto esteve emprestado ao FC Porto, Casemiro não era um 6. Isto segundo o comentador, claro. Uma época mais tarde, jogando na mesma posição no Real Madrid, o internacional brasileiro é quase elevado à categoria de deus pela mesma pessoa. O que mudou nesse período? Apenas a equipa onde jogava, uma vez que Casemiro mantém em Espanha as mesmas características que mostrou em Portugal.

Falta ou lance legal?

Se bem se recordam - é difícil não o fazer devido à campanha mediática anti-Porto em volta do lance - o FC Porto beneficiou de um penálti quando perdia por 0-2 no Dragão frente ao Moreirense, jogo esse que acabaria por vencer por 3-2. Na altura Freitas Lobo não hesitou em dizer que o defesa da equipa visitante jogou primeiro a bola e só depois tocou em Maxi e que, por isso mesmo, a falta é mal assinalada. Alguns meses depois, Modrić corre com a bola em direcção à baliza do Wolfsburg e Luíz Gustavo, por trás, derruba o croata fazendo um carrinho em tudo semelhante ao lance que deu a grande penalidade ao FC Porto frente à equipa de Moreira de Cónegos. A opinião do mesmo comentador é que é totalmente diferente, uma vez que neste segundo caso o próprio admite que tocar na bola pode não ser suficiente para tornar o lance legal.

A cor azul faz mesmo confusão a muita gente, em especial às pessoas que devido à posição que ocupam tinham, em teoria, a obrigação de serem isentos de forma a dar uma opinião válida. Luís Freitas Lobo, embora tente passar essa ideia, não tem na isenção um característica que o defina. E então quando se trata do FC Porto a máscara não para de lhe cair.

11 de abril de 2016

Já percebeu a diferença?


Já toda a gente sabe que o plantel do FC Porto tem lacunas. Já nem é notícia o facto de o campeonato estar definitivamente afastado da Invicta. Dito isto, impõe-se uma pergunta: porque raio continuam a não deixar o FC Porto ganhar?

O jogo dos dragões em Paços de Ferreira esteve longe de ser brilhante, mas foi mais do que suficiente para ganhar. Nada de extraordinário, mas aceitável por parte de uma equipa sem qualquer motivação e que, apenas para servir como comparação, fez um jogo tão ou mais conseguido do que o actual líder do campeonato havia feito no mesmo terreno. Então por que venceu o Benfica e perdeu o FC Porto?

A resposta é simples: para uns basta cair para ser penálti, para outros não os há de maneira alguma. Jorge Ferreira facilitou a vida aos de vermelho, Fábio Veríssimo aos de amarelo. E, para não ir muito atrás, num curto espaço de tempo o FC Porto foi afastado da vitória pelos árbitros em Braga, no Dragão contra o Tondela e agora na capital do móvel.

Até aceito que se argumente que contra o Tondela havia na mesma a obrigação de ganhar, mas isso não apaga os erros de Bruno Esteves. Já nos outros dois jogos, arrisco a dizer que Xistra e Veríssimo deixaram bem claro que só uma equipa podia chegar à vitória e que não era o FC Porto.

E assim se foi também o segundo lugar. Parece que a Meo terá se se contentar com último lugar do pódio da Liga NOS, o FC Porto com a ideia de ir ao playoff da Liga dos Campeões e à ginástica financeira, enquanto que Benfica e Sporting têm já garantidos os milhões da prova milionária e com eles a garantia que a época 2016/2017 começara já viciada por antecipação.

9 de abril de 2016

Como lesar uma SAD em milhões de euros

Aviso legal: Este post é meramente académico, estando baseado apenas em teorias. Qualquer semelhança com negócios reais, sejam quais forem as entidades envolvidas, é pura coincidência.

Há dias falei aqui sobre a minha inocência no que à forma como os jogadores são contratados diz respeito. No entanto, após meditar, decidi fazer uma pesquisa sobre como seria possível alguém no mundo do futebol, mais concretamente administrador de uma SAD, prejudicar o clube em vários milhões de euros. Antes de iniciar a explicação volto a salientar que tudo isto são teorias e que não se pretende com isto afirmar que é o que se passa, por exemplo, sei lá... no FC Porto.

Imagine o leitor que um clube, via departamento de scouting, identifica um jogador que encaixa nas necessidades do plantel. O passo lógico seria contactar o representante do atleta ou clube onde este joga para dar inicio às negociações. Mas não, isso era demasiado óbvio, há que nomear um intermediário para servir de ponte entre as duas partes. E é aqui que acontece a primeira fuga de verbas num negócio que devia ser uma simples transferência entre clubes. Além do valor pago ao intermediário, o representante do atleta recebe também uma comissão que deveria ser a única deste negócio.

Mas isto está ainda a começar. Depois de o jogador chegar ao novo clube, os administradores decidem vender parte do passe por valores superiores ao da primeira transferência a um grupo de empresários ou a um fundo que na maior parte das vezes é controlado pelos próprios administradores da SAD ou por alguém sob as suas ordens, os chamados testa-de-ferro. A idoneidade neste tipo de operações começou a ser tal que a prática foi proibida pela FIFA, para se ter uma ideia. Mas, mesmo assim, há quem consiga contornar as limitações impostas pela organização que tutela o futebol e continuar a fazer esta ginástica negocial.

Mais tarde o clube, graças às cláusulas impostas pelos fundos, fica limitado a duas opções: vender o jogador e entregar ao fundo as respectiva percentagem, ou comprar de volta, sempre por valores superiores aos da venda, os direitos económicos do atleta. Neste tipo de operações a entidade que fica a perder é sempre a mesma: a SAD. Pelo meio, o(s) intermediário(s) e o(s) representante(s) do jogador vão recebendo sempre a respectiva percentagem pelos serviços prestados.

Engane-se quem pensa que é no momento da recuperação do passe que a SAD perde dinheiro pela última vez. Na hora de encontrar novo clube para o jogador é nomeado novo intermediário - quase sempre alguém que conhece alguém ligado à SAD ou a um fundo - que receberá também uma percentagem do valor da transferência. Se tudo correr dentro do esperado, o jogador manter-se-á num clube envolvido na mesma teia de fundos, representantes e empresários.

A forma de combater tudo isto é simples: os representantes do clube comprador têm de trabalhar com seriedade, virar as atenções para jogadores avaliados em valores aceitáveis para o clube em questão e eliminar os intermediários e as operações com dinheiro de terceiros. Claro que com isso muita gente ficará a perder, mas chegou a hora de voltar a credibilizar o futebol.

8 de abril de 2016

Estará o FC Porto de regresso?


Decidi, no final da vergonha histórica que foi o FC Porto perder com o Tondela, não escrever nada no blog porque fiquei com a certeza que não seria preciso mais uma pessoa a mandar tudo para o órgão genital masculino para que toda a gente percebesse que era preciso agir. E essa acção já vem tão tarde que até pode ser considerada uma reacção e arrisco-me a dizer que não era preciso chegar tão baixo para serem tomadas medidas, a altura certa para isso era aquando da saída de Paulo Fonseca. Mas, como se costuma dizer, mais vale tarde do que nunca e foi com alguma expectativa que aguardei pelas declarações de Pinto da Costa.

No meio de tudo o que foi dito só isto me interessa: o presidente prometeu uma equipa à Porto na próxima época, sendo que para isso haverá uma aposta forte na chamada prata da casa, o departamento de scouting voltará a ter uma palavra a dar na composição do grupo de trabalho e, o mais importante de tudo, acabaram-se os pedidos aos Imbulas desta vida para assinar pelo FC Porto. A partir de agora quem cá chegar vem com o objectivo de servir o clube e não de se servir dele.

Espero que isto signifique os fim das negociatas com fundos/empresários e que seja implementada uma estratégia de mercado diferente, em que o FC Porto assuma de forma independente a prospecção, contratação e desenvolvimento dos jogadores. Para que dessa forma o treinador possa trabalhar e escolher a equipa jogo após jogo sem pressões e que a SAD possa gerir o plantel sem influências de terceiros. Qualquer outro tipo de investimentos, só de forma muito excepcional e em jogadores que valham mesmo a pena.

Pinto da Costa anunciou um regresso em força para 2016/2017 e estou confiante que, com as medidas certas, isso será uma realidade. Quem 2015/2016 fique na memória de todos não só pela conquista da Taça de Portugal mas principalmente pelo regresso do FC Porto ao caminho do sucesso.

2 de abril de 2016

O lado errado da barricada


Ainda não há muito tempo jogava-se o Zenit-Benfica e o tema principal dos comentadores da Sporttv era o facto de a Gazprom patrocinar o adversário da equipa portuguesa ao mesmo tempo que era também um dos patrocinadores da UEFA. Isto porque, nesse jogo, os russos chegaram ao golo num lance precedido de falta sobre um defesa do Benfica. O que me leva a deixar a pergunta: a partir de que ano começaram os campos a inclinar sistematicamente a favor de quem veste de vermelho e tem como emblema um pássaro em cima de uma roda de bicicleta? Vamos fazer um breve resumo.

2008/2009 - Primeiro ano em que a Sagres dá nome ao campeonato; FC Porto campeão.
2009/2010 - No Verão de 2009 Benfica e Sagres assinam um contrato de 12 anos, nessa mesma época o campeonato acaba a ser disputado entre as águias e o Braga, também ele patrocinado pela marca de cerveja. Pelo meio fica a história do túnel da Luz, que teve o dom de suspender injustamente por vários meses Hulk, que era só o melhor jogador do campeonato.
2010/2011 - A maior prova de que o campeonato anterior tinha sido uma mentira. FC Porto sagra-se campeão sem derrotas e ainda junta a isso a Liga Europa, Taça de Portugal e Supertaça. Foi o Último ano da Liga Sagres.
2011/2012 - Começa a era Zon Sagres. Um campeonato decidido nos detalhes. O Benfica queixou-se imenso da arbitragem, embora segundo os analistas tenha acabado com mais pontos do que aqueles que merecida e o FC Porto tenha perdido apenas um jogo onde foi fortemente prejudicado pelo, imagine-se, Bruno Paixão.
2012/2013 - Limpinho, limpinho. Este campeonato ficou marcado pelos constantes benefícios da arbitragem ao Benfica, pelo escândalo que foi a arbitragem de Capela no Benfica-Sporting e por Jorge Jesus ajoelhado no relvado do Dragão. Foi assim o segundo ano da parceria Zon/Sagres.
2013/2014 - Aqui o FC Porto chegou a ter cinco pontos de vantagem sobre o segundo classificado. No entanto, a incompetência de Paulo Fonseca e um grupo de decisões de quem apita os jogos menos felizes para uns e extremamente felizes para outros cedo atiraram os azuis e brancos ao tapete. A Sagres volta a ver o Benfica campeão.
2014/2015 - A Sagres deixa de dar nome ao campeonato. que passa a denominar-se Liga NOS, que mais não é do que a fusão entre a Optimus e a Zon. FC Porto e Benfica discutem o campeonato até à última jornada, mas a balança acabou por cair para o lado da equipa que mais "sorte" teve durante o ano.
2015/2016 - O ano dos contratos milionários para os direitos televisivos. FC Porto assina com a PT, Benfica e Sporting assinam com a NOS. Neste momento os dois grandes de Lisboa seguem nos dois primeiros lugares do campeonato e vão discutindo entre eles qual dos dois tem sido mais ajudado. Assim vai a Liga NOS...

Certamente são meras coincidências, ou não fosse tudo gente séria... O FC Porto é que teima em ter os parceiros errados.

Benfica em poucas palavras

Um treinador adversário que decide trocar de guarda-redes só porque sim, uma bola ao poste da baliza que defende nos primeiros segundos, um golo oferecido pelo adversário sem que nada o fizesse adivinhar, um penálti bem forçado a favor, um contra perdoado a começar a segunda parte, nova bola ao poste, goleada. Foi assim o Benfica-Braga mas podia ser o resumo de muitos outros jogos deste campeonato. No final até deu para marcar a primeira grande penalidade contra o Benfica, algo que não se via há mais de um ano. Claro que tinha de ser num jogo já resolvido e onde não sobrava tempo para nada. Vamos ver quando o actual líder do campeonato terá um jogador expulso. Eu apostaria numa jornada em que o campeonato já esteja decidido.

31 de março de 2016

Máquina de Rube Goldberg

Sou uma pessoa simples. E como pessoa simples, imagino sempre as coisas com uma certa simplicidade. Por exemplo, a contratação de jogadores por parte de um clube, achava eu, seria algo muito linear: o departamento de scouting identificava um atleta com talento e observava-o o suficiente até elaborar um relatório a recomendar a contratação, relatório esse que seria analisado mais tarde pelo treinador e pela direcção do clube e, havendo interesse de ambas as partes, alguém com poder para isso contactava o empresário do jogador em questão para que este iniciasse as negociações entre os dois emblemas tendo em vista a transferência. Afinal não é nada disto.

Não sei como funciona nos outros clubes - e sinceramente não me importa -, mas no FC Porto, pelo menos olhando às cada vez mais notícias de negociatas entre SAD e empresários e/ou fundos de investimento, a coisa é muito mais elaborada. Primeiro aparece uma empresa qualquer que recomenda um jogador ao clube que, por sua parte, paga prontamente alguns milhares de euros por essa acção. Depois o clube vende uma percentagem do passe a um fundo que entretanto regista o atleta num clube "fantasma". Aí o FC Porto compra o jogador a esse novo clube e com isso gasta um valor infinitamente superior ao que gastaria caso tivesse ido directamente à fonte, mas depois de garantida a transferência há que vender nova percentagem do passe a um grupo de empresários que pode ou não ser o mesmo. Em ambas estas operações são pagos custos de intermediação a uma ou várias empresas sem que se saiba bem qual foi o papel delas no negócio ou quem são ao certo. E quem fica com esses encargos? O FC Porto. Mais tarde, com o jogador já no clube, vão sendo recuperadas pouco a pouco parcelas do passe anteriormente vendido. Parece-lhe complicado? A mim também.

No meio disto tudo, qual é o papel do scouting do clube? Fica difícil de perceber. Quase tão difícil como perceber como foi possível alguém ir cedendo pouco a pouco até chegar a este ponto. Certo é que actualmente é cada vez mais raro ver o FC Porto comprar bom e barato, como acontecia no passado.

Merece a SAD ser fortemente criticada por ter chegado a este ponto? Claro que sim! Toda a gente o sabe, mesmo aqueles que vão apregoando o contrário e tentando defender o indefensável. Há quem. talvez por não ser livre de dizer o que verdadeiramente pensa, diga que se vai afastar porque não se revê nesta forma de estar de quem dirige o clube. Mas aí daquele que ouse levantar uma dúvida que seja, porque se lhe perguntarem o FC Porto é um exemplo a ser seguido por todos no que à gestão desportiva e financeira diz respeito. Uma idiossincrasia muito em voga nesta altura.

Há uns dias perguntei o que mudou em tão pouco tempo, numa alusão à mentalidade ganhadora e inconformada que me habituei a ver na comunidade portista e que se tem perdido pouco a pouco. Nesse dia dei dois exemplos dessa forma de estar, hoje deixo outro. Encontre as diferenças.

26 de março de 2016

Que futuro esperar?

Diz o ditado que em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão. Se considerarmos que o pão de um clube são os títulos então está explicada a constante troca de galhardetes entre os portistas mais inconformados, que não admitem uma época má que seja, e aqueles defendem cegamente a estrutura muitos deles apoiados na ideia que o clube já viveu momentos piores e que se quem lá está agora foi capaz de ganhar no passado então também será no futuro.

Qualquer uma das facções tem razão em muitos pontos, mas ao fim de três épocas de sportinguizaçao do meu clube vejo-me forçado a pender para o lado dos inconformados. Em causa não está o valor de quem no passado fez o FC Porto chegar ao topo ou se conseguirão ganhar no futuro, o ponto aqui é perceber se o título de campeão voltará à Invicta como regra ou como excepção.

Já tive oportunidade de dizer que a mim não me incomodam que se façam transferências com valores altos, sejam eles o valor do passe, comissões, ou essa treta toda que tomou conta do futebol contemporâneo, desde que sejam contratados jogadores de qualidade e que isso não ponha em causa o futuro do clube. Não me incomodou o valor de Hulk, nem de Danilo, nem de Alex Sandro e por aí fora. Mas nos últimos três anos a conversa tem sido outra: o plantel está cada vez mais fraco mas, ao contrário do que seria de esperar, está cada vez mais caro.

É lógico que quem gasta o que a SAD do FC Porto gastou para (não) ganhar o que o FC Porto (não) ganhou tem de ser contestado. Seja ele quem for. A administração é paga a peso de ouro - basta consultar os documentos enviados à CMVM para ver os valores astronómicos - mas tem feito um trabalho miserável, sendo que na presente temporada roça mesmo o amadorismo.

O rumo tomado desde a saída de André Villas-Boas tem enfraquecido a posição do clube no panorama do futebol nacional e europeu. As parcerias com os fundos e grupos de empresários deixaram de resultar tornando os plantéis cada vez mais dispendiosos e desequilibrados, sendo ainda entregues a treinadores quase sem experiência. Se assim voltaremos a ganhar? Isso de certeza que sim, só não sei dizer é daqui a quanto tempo e com que frequência.

Mas não peço a cabeça de ninguém, só peço que acordem de uma vez por todas.

24 de março de 2016

Números inéditos e a defesa do FC Porto

Enquanto o campeonato está parado é preciso fazer qualquer coisa para entreter o pessoal, pelo menos é o que terá pensado a malta que manda e desmanda no que se passa no clube. E talvez movidos por essa ideia decidiram, via Dragões Diário, apontar a tudo o que mexe. Primeiro Vítor Baía, agora o Tribunal do Dragão. Já não é a primeira vez que um assalariado do FC Porto "decide" que é boa ideia atacar publicamente, cada um dentro dos seus níveis de literacia, quem crítica qualquer coisa no clube, como aconteceu por exemplo com o rapidamente abafado Tactical Porto ou com o Mística do Dragão. Todos eles se queixaram de ter sido insultados - seja em forma de comentários nos respectivos espaços ou pelas redes sociais - após esses eventos, depois ainda têm a lata de criticar quem prefere manter o anonimato... Recentemente Augusto Inácio falava em cães de fila a defender os interesses do Benfica, no FC Porto parece haver um Inquisição que visa tratar daqueles que são incapazes de comer tudo sem questionar.

Mas como a pausa da Páscoa ainda está para durar, deixo aqui uma sugestão aos assalariados do FC Porto bastante simples e - embora não tenha dados concretos para o afirmar fá-lo-ei na mesma - popular entre os portistas: pegar em meia dúzia de lances dos jogos do Benfica e perguntar a quem de direito, até pode ser via Dragões Diário, como é que nessas jogadas não foi expulso o jogador da equipa em questão ou por que motivo o árbitro entendeu que não era falta para grande penalidade contra o actual líder do campeonato. Não é necessário ter uma imaginação muito fértil para imaginar uma classificação com os três da frente bem juntinho, talvez até por outra ordem, caso os números na imagem à direita (ou em cima se estiver a ler no telemóvel) fossem mais homogéneos. O desempenho de Xistra no Braga - FC Porto é um exemplo claro daquilo que Benfica e Sporting nunca enfrentaram na presente temporada e que tem afectado o FC Porto com demasiada frequência e que continuará enquanto nada for feito para o evitar. E para começar a compilação deixo aqui dois lances que passaram por entre os pingos da chuva que é a análise da comunicação social:

Lindelöf faz falta na área do Benfica e vê
o árbitro marcar livre contra o Tondela.
Resultado na altura: 1-0; Resultado final: 4-1
Eliseu faz falta para amarelo, que seria o segundo, no início da segunda parte
do Boavista- Benfica mas o árbitro faz vista grossa.
Resultado na altura: 0-0; Resultado final: 0-1
Vamos lá então fazer a defesa do FC Porto...

22 de março de 2016

Usar o clube como escudo


No dia em que se comemorava o primeiro aniversário do último penálti assinalado contra o Benfica, Jonas diz que ninguém tem sido beneficiado e Vítor Baía queixa-se da forma como a SAD tem gerido o FC Porto. E para onde se viraram as atenções do clube? Se disse "para o colinho aos vermelhos" enganou-se redondamente. Na edição de hoje (22/03/2016) do Dragões Diário é dirigido uma parágrafo ao antigo guarda-redes e assumido pretendente ao cargo de presidente do FC Porto. E qual é o motivo por trás disso? Aparentemente o facto de Vítor Baía se ter enganado em alguns factos, mas nem sempre as coisas são tão simples assim.

Os defensores incondicionais de Pinto da Costa têm por costume assumir qualquer critica à administração do clube como um vil ataque ao presidente. Nada mais errado, como aliás provam as constantes declarações do próprio Pinto da Costa sobre o facto de a restante administração ter liberdade e poder para tomar decisões e colocá-las em prática sem que tenham de passar pelo filtro presidencial.

E o problema de Pinto da Costa não é Vítor Baía, porque o ex-guarda-redes não parece interessado em concorrer à presidência do clube contra o actual presidente. Por outras palavras, Vítor Baía não é ameaça à actual direcção da SAD. Mas então qual é o motivo que faz com que quem dirige o clube sinta a necessidade de atacar quem os critica? A resposta é simples: a sucessão.

Neste momento Pinto da Costa está rodeado de aspirantes a presidente por todos os lados, sendo que a cada ano que passa aparecem mais e mais. Uns vão entrando devagarinho no dia-a-dia do clube, enquanto outros são afastados com violência por quem manda neste momento no FC Porto. Um exemplo disso mesmo foi António Oliveira, que se viu ser atacado na comunicação social pela estrutura azul e branca porque reunia os requisitos que Vítor Baía reúne neste momento: era uma voz crítica e era apontado como candidato à sucessão de Pinto da Costa.

Na época passada Vítor Baía foi parvinho o suficiente para negar publicamente os evidentes benefícios da arbitragem ao Benfica - situação que tentou corrigir mais tarde -, mas já este ano teve a a audácia de falar em reuniões secretas, nas costas de Pinto da Costa, de pessoas ligadas ao FCPorto para preparar a sucessão e a lucidez para não se candidatar contra o actual presidente porque, além de não ter a mínima hipótese, seria enxovalhado publicamente por aqueles que olham para um crítico/concorrente a um lugar que ainda está ocupado e vêem um inimigo.

Quem está neste momento no comando do FC Porto usa os meios que o clube lhe põe à disposição para defender a própria pele e, se sobrar tempo, aí sim se defende o clube. Foi assim recentemente com Carlos Abreu Amorim, como foi mais atrás com António Oliveira e como é agora com Vítor Baía. Entretanto, os Jonas deste campeonato continuarão a mergulhar descaradamente e a viciar resultados a favor das respectivas equipas sem que ninguém ligado ao FC Porto faça qualquer coisa.

Para terminar deixo o mesmo pensamento com que finalizei o texto onde falei sobre o processo movido pela administração da SAD ao já mencionado Carlos Abreu Amorim: Uma coisa é certa, enquanto que estiver à frente do clube não o defender com a mesma energia que defende a si próprio será difícil que o FC Porto volte a ser um clube vencedor.

Eu, javardo, rafeiro, escroque da pior espécie, gente desprezível, frustrado, traumatizado da vida, sem coragem e sem carácter me confesso

Faz parte da minha rotina ler a maioria dos blogs portistas que existem e, quando o assunto me chama a atenção, dou também uma vista de olhos nas respectivas caixas de comentários. Assim sendo, foi num misto de espanto e de satisfação que vi alguém dar eco ao post anterior a este em vários outros espaços onde se vive o FC Porto, situação que foi aceite com naturalidade pela maioria dos respectivos autores. Muito provavelmente estará nesta altura a perguntar-se o motivo desta conversa toda, mas já lá chegamos. É claro que no meio de tanto blog houve alguém a sentir-se incomodado e a partir para o insulto que, já agora aproveito para esclarecer, não é a primeira vez que tal sucede .

Isto fez pensar no seguinte: em que momento uma pessoa deixa de ser portista e passa a ser seguidista? Para mim, ser portista é ser alguém que apoia o FC Porto nos bons e nos maus momentos, não é alguém que defende incondicionalmente quem está no clube, seja ele um jogador, um speaker, um treinador ou até mesmo um presidente. Por muito que essas pessoas possam ter feito pelo clube no passado, não são o FC Porto. Apoiar qualquer coisa que nos metem à frente, apenas porque há anos e anos de bom trabalho para trás, é seguidismo puro.

E nos últimos dias parece que decidiram sair todos da toca. Pior! Preferem defender quem não precisa de defesa, porque além de ter o futuro garantido no clube e tem um passado que fala por si, em vez de defenderem aquilo que precisa ser defendido, que é o Futebol Clube do Porto. De um dia para o outro fiquei com a sensação que Pinto da Costa precisa de freteiros ou lambe-cús para continuar como presidente do clube, tal foram as declarações do género "sempre Pinto da Costa na primeira ou na segunda divisão", dor assumida também pelo Dragões Diário que esfregava na cara daqueles que preferiam ver um rosto novo a liderar o clube que o actual presidente tem o apoio das casas e delegações do FC Porto, quase em simultâneo em que no facebook de alguém que tem um cargo com um nome chique no clube se comentava que os 26% que não apoiam a actual administração são 30 ou 40 ranhosos.

Não se enganem. Apesar de estar completamente saturado pelos erros grosseiros da SAD nos últimos anos, considero que Pinto da Costa merece nova oportunidade para sair pela porta grande e que tem todas as capacidades para o fazer. Depois disso é dar oportunidade a gente nova, porque a grande maioria dos actuais dirigentes portistas já conseguiu provar ser incompetente mesmo tendo a supervisão do melhor presidente da história do futebol mundial.

Isto só será possível se toda a gente, ou pelo menos a maioria, perceber que é impossível defender bem o FC Porto quando se apoia alguém, seja ele quem for, incondicionalmente. E podem contar comigo para defender o clube, dentro dos meus meios, entenda eu que o inimigo está dentro ou fora de portas, e nem que para isso tenha de suportar as investidas de meia dúzia de personagens de ideologia duvidosa. Pelo FC Porto vale a pena.

20 de março de 2016

A democratização da estupidez

Se há coisa que a Internet nos trouxe foi a possibilidade de qualquer um, por mais estúpido, desinformado ou mal-intencionado que seja, poder transmitir para todo mundo uma opinião. A prova disso mesmo é você estar a ler isto nesse momento. A estupidez tornou-se acessível a todos, enquanto antigamente era a comunicação social e quem tinha acesso à mesma a ter o monopólio dessa forma de pensar. Hoje em dia não é preciso ir para a televisão para tentar fazer valer uma ideia estúpida, basta criar um blog, ou uma conta em qualquer rede social, e com relativa facilidade se cria uma audiência.

Serve isto para dizer que tenho lido muita merda sobre o que levou o FC Porto a chegar a este ponto e que, apesar de haver muitos pontos de vista válidos, há um que me choca particularmente, que é dizer com desdém que afinal a troca de treinador não resolveu nada e que mais valia Lopetegui não ter saído.

Em primeiro lugar gostaria de esclarecer duas coisas: que fui a favor da manutenção do basco no comando da equipa para esta segunda época porque acreditei nele quando disse que aprendeu com os erros do ano que na altura havia terminado, mas também cedo percebi que afinal, como diz a música, era só jajão e que com ele como treinador seria mais um ano seco para o clube. Quanto a José Peseiro, foi obviamente uma solução de recurso que pode ou não ficar para a próxima época, mas que está automaticamente ilibado de qualquer culpa na maioria das coisas que possam ainda correr mal. E é isto que passo a explicar.

Uma das coisas que li num outro blog portista - que não vou mencionar mas qualquer um chega lá se reflectir um bocadinho - e me fez rir foi uma comparação entre os recursos disponíveis entre Benfica e FC Porto. Chegando ao ponto de comparar Gudiño, de 18 anos, a Ederson, de 22 e com experiência de primeira liga e Liga Europa, ou então Chidozie, também ele de 18 anos e ainda nem há um ano médio-defensivo, com Lindelöf, jogador com vários anos de segunda liga e já com 21 anos sendo ainda campeão da Europa desse escalão. Depois talvez movidos pela ideia estúpida de que um jogador não se desenvolve a partir de uma certa idade, dizem que como o Jardel tem o FC Porto no plantel, ignorando que o brasileiro é facilmente o melhor defesa-central do Benfica graças à enorme evolução registada nos últimos anos.

Só uma pessoa com muito má-vontade pode comparar o plantel à disposição dos dois treinadores. Enquanto para as laterais Rui Vitória tem Nélson Semedo, André Almeida, Eliseu, Sílvio e ainda foi buscar Grimaldo em Janeiro, José Peseiro tem Maxi, Layún e foi obrigado a recorrer a Ángel, uma das cartas fora do baralho até para Lopetegui. Até se pode argumentar que o André Almeida só defensa e se comporta quase como um defesa-central que actua na linha e é quase verdade, mas que necessidade tem o Benfica de contar com os laterais se tem um ataque tão poderoso por si só? E aqui se encontra a maior lacuna deste FC Porto: o poderio ofensivo.

Se gozar com as opções dos encarnados para a defesa, dizendo por exemplo que o Eliseu é gordo e mais não sei o quê, pode parecer pertinente para alguns, o que dizer das opções azuis e brancas para o ataque? Aboubakar e Corona parecem viver num mundo à parte, Varela está farto de ser jogador de futebol e tanto Suk como Marega parecem condenados ao estigma social de jogador útil, que aos olhos da maioria dos portistas mais não significa do que alguém que só serve para jogar quando não há mais ninguém. Do outro lado - leia-se no Benfica - Há Jonas, Mitroglu, Jiménez, Salvio, Pizzi, Carcela, Gaitán, Talisca e por aí fora. Pode-se alegar o que quiser, afirmar que um só marca golos a equipas pequenas e outro nem no Canelas 2010 tinha lugar, mas ninguém pode negar o óbvio: há opções para o treinador explorar e ninguém pode dormir à sombra da bananeira porque a qualquer momento perde o lugar. E quando lhe falta essa diversidade nas escolhas, as dificuldades para ganhar jogos são evidentes, apesar do sistema montado para bater nos clubes pequenos desde há seis anos para cá.

É aqui que reside o grande problema de José Peseiro e que já se notava em vários antecessores: a falta de pressão sobre os titulares vinda do banco. Aboubakar pode continuar a fazer o favor de jogar pelo FC Porto que acabará sempre por voltar à titularidade porque há muito se tornou óbvio que a SAD pressiona as equipas técnicas para que "protejam" o investimento.

Olhando a todas as condicionantes (falta de opções para a defesa, falta de opções para o ataque, favorecimentos aos rivais e arbitragens habilidosas em momentos chave com prejuízo claro para o FC Porto), só se pode concluir que o trabalho de José Peseiro tem de ser considerado, no mínimo dos mínimos, aceitável. Não só porque a equipa é agora capaz de marcar golos, mas principalmente porque não cede à primeira adversidade.

Não sei se o ribatejano continuará no clube em 2016/2017, mas se isso se verificar merece que a SAD lhe dê um plantel com condições para lutar pelos títulos que o clube ambiciona e que os adeptos parem de procurar incessantemente e em todo lado coisas para implicar. Se ninguém no clube quer ou consegue lutar contra o que se passa fora do campo e que favorece em muito Benfica e Sporting, que pelo menos se dê à equipa condições para lutarem dentro das quatro linhas.