2 de abril de 2016

O lado errado da barricada


Ainda não há muito tempo jogava-se o Zenit-Benfica e o tema principal dos comentadores da Sporttv era o facto de a Gazprom patrocinar o adversário da equipa portuguesa ao mesmo tempo que era também um dos patrocinadores da UEFA. Isto porque, nesse jogo, os russos chegaram ao golo num lance precedido de falta sobre um defesa do Benfica. O que me leva a deixar a pergunta: a partir de que ano começaram os campos a inclinar sistematicamente a favor de quem veste de vermelho e tem como emblema um pássaro em cima de uma roda de bicicleta? Vamos fazer um breve resumo.

2008/2009 - Primeiro ano em que a Sagres dá nome ao campeonato; FC Porto campeão.
2009/2010 - No Verão de 2009 Benfica e Sagres assinam um contrato de 12 anos, nessa mesma época o campeonato acaba a ser disputado entre as águias e o Braga, também ele patrocinado pela marca de cerveja. Pelo meio fica a história do túnel da Luz, que teve o dom de suspender injustamente por vários meses Hulk, que era só o melhor jogador do campeonato.
2010/2011 - A maior prova de que o campeonato anterior tinha sido uma mentira. FC Porto sagra-se campeão sem derrotas e ainda junta a isso a Liga Europa, Taça de Portugal e Supertaça. Foi o Último ano da Liga Sagres.
2011/2012 - Começa a era Zon Sagres. Um campeonato decidido nos detalhes. O Benfica queixou-se imenso da arbitragem, embora segundo os analistas tenha acabado com mais pontos do que aqueles que merecida e o FC Porto tenha perdido apenas um jogo onde foi fortemente prejudicado pelo, imagine-se, Bruno Paixão.
2012/2013 - Limpinho, limpinho. Este campeonato ficou marcado pelos constantes benefícios da arbitragem ao Benfica, pelo escândalo que foi a arbitragem de Capela no Benfica-Sporting e por Jorge Jesus ajoelhado no relvado do Dragão. Foi assim o segundo ano da parceria Zon/Sagres.
2013/2014 - Aqui o FC Porto chegou a ter cinco pontos de vantagem sobre o segundo classificado. No entanto, a incompetência de Paulo Fonseca e um grupo de decisões de quem apita os jogos menos felizes para uns e extremamente felizes para outros cedo atiraram os azuis e brancos ao tapete. A Sagres volta a ver o Benfica campeão.
2014/2015 - A Sagres deixa de dar nome ao campeonato. que passa a denominar-se Liga NOS, que mais não é do que a fusão entre a Optimus e a Zon. FC Porto e Benfica discutem o campeonato até à última jornada, mas a balança acabou por cair para o lado da equipa que mais "sorte" teve durante o ano.
2015/2016 - O ano dos contratos milionários para os direitos televisivos. FC Porto assina com a PT, Benfica e Sporting assinam com a NOS. Neste momento os dois grandes de Lisboa seguem nos dois primeiros lugares do campeonato e vão discutindo entre eles qual dos dois tem sido mais ajudado. Assim vai a Liga NOS...

Certamente são meras coincidências, ou não fosse tudo gente séria... O FC Porto é que teima em ter os parceiros errados.

Benfica em poucas palavras

Um treinador adversário que decide trocar de guarda-redes só porque sim, uma bola ao poste da baliza que defende nos primeiros segundos, um golo oferecido pelo adversário sem que nada o fizesse adivinhar, um penálti bem forçado a favor, um contra perdoado a começar a segunda parte, nova bola ao poste, goleada. Foi assim o Benfica-Braga mas podia ser o resumo de muitos outros jogos deste campeonato. No final até deu para marcar a primeira grande penalidade contra o Benfica, algo que não se via há mais de um ano. Claro que tinha de ser num jogo já resolvido e onde não sobrava tempo para nada. Vamos ver quando o actual líder do campeonato terá um jogador expulso. Eu apostaria numa jornada em que o campeonato já esteja decidido.

31 de março de 2016

Máquina de Rube Goldberg

Sou uma pessoa simples. E como pessoa simples, imagino sempre as coisas com uma certa simplicidade. Por exemplo, a contratação de jogadores por parte de um clube, achava eu, seria algo muito linear: o departamento de scouting identificava um atleta com talento e observava-o o suficiente até elaborar um relatório a recomendar a contratação, relatório esse que seria analisado mais tarde pelo treinador e pela direcção do clube e, havendo interesse de ambas as partes, alguém com poder para isso contactava o empresário do jogador em questão para que este iniciasse as negociações entre os dois emblemas tendo em vista a transferência. Afinal não é nada disto.

Não sei como funciona nos outros clubes - e sinceramente não me importa -, mas no FC Porto, pelo menos olhando às cada vez mais notícias de negociatas entre SAD e empresários e/ou fundos de investimento, a coisa é muito mais elaborada. Primeiro aparece uma empresa qualquer que recomenda um jogador ao clube que, por sua parte, paga prontamente alguns milhares de euros por essa acção. Depois o clube vende uma percentagem do passe a um fundo que entretanto regista o atleta num clube "fantasma". Aí o FC Porto compra o jogador a esse novo clube e com isso gasta um valor infinitamente superior ao que gastaria caso tivesse ido directamente à fonte, mas depois de garantida a transferência há que vender nova percentagem do passe a um grupo de empresários que pode ou não ser o mesmo. Em ambas estas operações são pagos custos de intermediação a uma ou várias empresas sem que se saiba bem qual foi o papel delas no negócio ou quem são ao certo. E quem fica com esses encargos? O FC Porto. Mais tarde, com o jogador já no clube, vão sendo recuperadas pouco a pouco parcelas do passe anteriormente vendido. Parece-lhe complicado? A mim também.

No meio disto tudo, qual é o papel do scouting do clube? Fica difícil de perceber. Quase tão difícil como perceber como foi possível alguém ir cedendo pouco a pouco até chegar a este ponto. Certo é que actualmente é cada vez mais raro ver o FC Porto comprar bom e barato, como acontecia no passado.

Merece a SAD ser fortemente criticada por ter chegado a este ponto? Claro que sim! Toda a gente o sabe, mesmo aqueles que vão apregoando o contrário e tentando defender o indefensável. Há quem. talvez por não ser livre de dizer o que verdadeiramente pensa, diga que se vai afastar porque não se revê nesta forma de estar de quem dirige o clube. Mas aí daquele que ouse levantar uma dúvida que seja, porque se lhe perguntarem o FC Porto é um exemplo a ser seguido por todos no que à gestão desportiva e financeira diz respeito. Uma idiossincrasia muito em voga nesta altura.

Há uns dias perguntei o que mudou em tão pouco tempo, numa alusão à mentalidade ganhadora e inconformada que me habituei a ver na comunidade portista e que se tem perdido pouco a pouco. Nesse dia dei dois exemplos dessa forma de estar, hoje deixo outro. Encontre as diferenças.

27 de março de 2016

O que mudou em tão pouco tempo?