16 de abril de 2016

Visão 1620 - Finanças

Tem sido um problema recorrente e aparentemente sem fim no FC Porto. Chegar a meio da época e perceber que a SAD terá prejuízo no exercício em questão é já o pão nosso de cada época dos portistas. E quais são os motivos para isso? A resposta é simples: despesas despropositadas e planeamentos arrojados, para não dizer incompetentes.

Na última entrevista que deu ao Porto Canal, Pinto da Costa falou em comissões em entre 5 e 10% nos negócios feitos pelo FC Porto. Uma das maneiras de começar a poupar dinheiro é começar a exigir que seja respeitada a norma da FIFA que impõe nos 3% o valor máximo a pagar em comissões a empresários sobre as transferências entre clubes. Depois outra coisa que me faz imensa confusão: o FC Porto pagar comissões tanto quando compra como quando vende. A SAD tem de marcar uma posição junto dos empresários e deixar de dar, literalmente, dinheiro a um empresário quando compra um jogador, deixando esses encargos sempre para o clube vendedor.

Depois há a situação dos jogadores emprestados. Um clube com equipa B não necessita de ter um batalhão de atletas sob contrato espalhados pelo mundo. O número actual é manifestamente exagerado e tem de ser inevitavelmente reduzido ao máximo, tornando os empréstimos situações pontuais para jogadores que mostram valor inequívoco para aspirar a alguma mais do que a II Liga mas que ainda não têm maturidade suficiente para actuar pela equipa A. Certamente não será o caso de jogadores como Sami, Ghilas ou Bolat.

Isto são apenas exemplos de situações que fazem o clube perder imenso dinheiro, mas que a sua resolução por si só não seria garantia de nada, embora fosse um bom começo. O que a SAD tem de começar a fazer é reverter a situação gradualmente até chegar ao ponto de não ter de contar com o ovo no cu da galinha. Entrar num exercício a prever facturar €30M nas competições europeias, ou €70M em mais-valias com vendas de jogadores e até a entrada directa na próxima edição da Liga dos Campeões, é jogar constantemente na roleta russa e, como temos vindo a notar, todas as situações descritas são passíveis a falhar com relativa facilidade.

Impõe-se para bem do clube que a SAD comece a optimizar os meios que tem ao seu dispor, fazendo um planeamento cuidado e rigoroso de forma a não gastar dinheiro de forma leviana.

15 de abril de 2016

Visão 1620 - O plantel


Há muito tempo que o FC Porto não tem um plantel equilibrado e à prova de incompetência. Como assim à prova de incompetência? - perguntarão alguns. Aquele tipo de plantéis onde se não houver Sapunaru há Fucile, ou falhando o Álvaro Pereira há ainda Alex Sandro à espera de jogar, resumidamente um grupo de trabalho onde há, no mínimo, duas alternativas para cada posição sem ter de se recorrer a adaptações - respondo eu.

Pegando nesta época como exemplo, entre treinador e SAD - e aqui mais uma vez entra a lacuna que é não haver director desportivo - entendeu-se que meia dúzia de defesas chegariam e que eram necessários oito ou nove médios. O resultado disso é o que vivemos hoje e que teve como ponto alto o onze inicial apresentado em Dortmund. É isso que tem de acabar imediatamente. São onze a jogar de cada vez, no mínimo outros tantos têm de ficar de fora, uma para cada posição. É tão simples que até dói.

Depois há um regra fundamental que o clube tem de impor a si próprio: ter um plantel inscrito na Liga que cumpra as exigências da UEFA. É público que o organismo que tutela o futebol na Europa impõe que os clubes tenham oito jogadores formados no país - e destes oito, quatro têm de ser especificamente formados no clube - nos 25 que são permitidos. Não me lembro da última vez que o FC Porto foi capaz de o fazer, se é que alguma vez foi.

Compete à SAD garantir que os mais jovens passam três anos no clube antes de serem emprestados, sendo que existe a equipa B e, possivelmente, as taças para lhe ir dando competição. Gudiño perdeu a possibilidade de ser considerado como formado no clube com o empréstimo ao União da Madeira, que não se repita o mesmo erro com o Chidozie.

O plantel à Porto tem de ser trabalhado e planeado, não é uma coisa que se encontra por acaso. E não há nada como gente da formação e muita concorrência pelos lugares para, pelo menos, criar a ilusão que os jogadores correm por amor à camisola.

14 de abril de 2016

Visão 1620 - O director desportivo


Figura de destaque em muitos clubes, mais discreto noutros, ausente no FC Porto. Treinador(es) e SAD portistas discutem entre si a composição dos mais variados plantéis, sem que haja um mentor na figura de director desportivo, deixando o clube exposto a vários problemas, entre os quais estão a incapacidade financeira para satisfazer as necessidades do técnico e a possível incompetência desse mesmo técnico. E assim se chega ao momento actual do FC Porto. 

Administração e equipas técnicas têm passado por imensas dificuldades para formar plantéis equilibrados. Uns, como foi o caso de Paulo Fonseca, saem com o sentimento que não lhes foram dadas opções suficientes; outros, como por exemplo Lopetegui, saem e são acusados pelo presidente de ter tido tudo e não ter sabido fazer nada com isso. Pelo meio são pedidas missões impossíveis a homens como Luís Castro ou José Peseiro, que além de tentar unir os cacos deixados pelos antecessores têm ainda de dar inicio a um projecto tendo em vista a próxima época e sem sequer terem a certeza que farão parte dele. Chegou o momento de colocar nas mão de alguém que não a SAD ou o treinador a responsabilidade de projectar os grupos de trabalho a médio ou até mesmo longo prazo.

O conceito é simples: director desportivo e administração trabalham juntos no sentido de formar um núcleo de jogadores que serviria de espinha dorsal da equipa, algo entre os 17 e os 20 atletas. A esse grupo juntar-se-iam entre quatro a sete novos jogadores escolhidos entre o director desportivo e o treinador de forma a moldar o plantel às especificidades dos sistemas utilizados por cada técnico. O objectivo principal é deixar o FC Porto menos exposto tanto à incompetência como aos pedidos extravagantes de cada treinador. Quem não se recorda das exigências disparatadas de Co Adriaanse?

Foi notícia aquando da troca de Jesualdo Ferreira por André Villas-Boas que Pinto da Costa ofereceu ao primeiro a oportunidade de assumir a posição de director desportivo, possibilidade que foi recusada pelo próprio, mas, e ainda segundo o noticiado na altura, a porta ficou aberta por ambas as partes. Falo em Jesualdo Ferreira porque, na minha opinião, tem o perfil indicado para assumir a pasta: conhece o futebol, conhece o clube e tem facilidade em comunicar.

E aqui chegamos ao último ponto. Há muitos anos que o FC Porto deixa o treinador completamente sozinho contra o mundo. A chegada de um director desportivo à estrutura, além de servir o propósito principal de ser o cérebro por trás do grupo de trabalho, teria também a missão secundária mas não menos importante de defender, em conjunto com o técnico, os interesses do clube na praça pública, guardando assim a SAD (leia-se presidente) para alturas de extrema necessidade.

Projecto Visão 1620

Não há um dia que não se leia num sítio qualquer que quem crítica a SAD do FC Porto o faz gratuitamente e sem apresentar qualquer proposta. Até Pinto da Costa achou por bem dar a piadinha que os contestatários são meia dúzia e que se limitam a usar os blogs para o fazerem de forma anónima. No entanto, embora não seja da responsabilidade de um simples adepto fazê-lo - e, aparentemente, de ninguém uma vez que nem o actual presidente e de novo candidato o fez -, decidi apresentar um série de medidas, umas mais importantes que outras, algumas mais realistas que outras, mas na sua maioria de relativa simplicidade de execução, que gostaria de ver os administradores da sociedade implementarem no próximo mandato e que teriam como principal objectivo tirar o FC Porto do buraco onde se encontra. Cada ideia será apresentada nos próximos dias individualmente e acompanhada dos motivos pelos quais, na minha opinião, seria indispensável.

Depois do fiasco que foi o projecto Visão 611, nasce o Visão 1620.

12 de abril de 2016

A diferença que as riscas azuis fazem...


Sempre achei que Luís Freitas Lobo adora vestir a pele de cordeiro nas opiniões que dá, com especial incidência no que ao FC Porto diz respeito. As oportunidades de o demonstrar são várias, sendo que os comentários que foi fazendo na Sporttv sobre o Real Madrid - Wolfsburg não foram excepção.

Casemiro e a posição de trinco

Enquanto esteve emprestado ao FC Porto, Casemiro não era um 6. Isto segundo o comentador, claro. Uma época mais tarde, jogando na mesma posição no Real Madrid, o internacional brasileiro é quase elevado à categoria de deus pela mesma pessoa. O que mudou nesse período? Apenas a equipa onde jogava, uma vez que Casemiro mantém em Espanha as mesmas características que mostrou em Portugal.

Falta ou lance legal?

Se bem se recordam - é difícil não o fazer devido à campanha mediática anti-Porto em volta do lance - o FC Porto beneficiou de um penálti quando perdia por 0-2 no Dragão frente ao Moreirense, jogo esse que acabaria por vencer por 3-2. Na altura Freitas Lobo não hesitou em dizer que o defesa da equipa visitante jogou primeiro a bola e só depois tocou em Maxi e que, por isso mesmo, a falta é mal assinalada. Alguns meses depois, Modrić corre com a bola em direcção à baliza do Wolfsburg e Luíz Gustavo, por trás, derruba o croata fazendo um carrinho em tudo semelhante ao lance que deu a grande penalidade ao FC Porto frente à equipa de Moreira de Cónegos. A opinião do mesmo comentador é que é totalmente diferente, uma vez que neste segundo caso o próprio admite que tocar na bola pode não ser suficiente para tornar o lance legal.

A cor azul faz mesmo confusão a muita gente, em especial às pessoas que devido à posição que ocupam tinham, em teoria, a obrigação de serem isentos de forma a dar uma opinião válida. Luís Freitas Lobo, embora tente passar essa ideia, não tem na isenção um característica que o defina. E então quando se trata do FC Porto a máscara não para de lhe cair.

11 de abril de 2016

Já percebeu a diferença?


Já toda a gente sabe que o plantel do FC Porto tem lacunas. Já nem é notícia o facto de o campeonato estar definitivamente afastado da Invicta. Dito isto, impõe-se uma pergunta: porque raio continuam a não deixar o FC Porto ganhar?

O jogo dos dragões em Paços de Ferreira esteve longe de ser brilhante, mas foi mais do que suficiente para ganhar. Nada de extraordinário, mas aceitável por parte de uma equipa sem qualquer motivação e que, apenas para servir como comparação, fez um jogo tão ou mais conseguido do que o actual líder do campeonato havia feito no mesmo terreno. Então por que venceu o Benfica e perdeu o FC Porto?

A resposta é simples: para uns basta cair para ser penálti, para outros não os há de maneira alguma. Jorge Ferreira facilitou a vida aos de vermelho, Fábio Veríssimo aos de amarelo. E, para não ir muito atrás, num curto espaço de tempo o FC Porto foi afastado da vitória pelos árbitros em Braga, no Dragão contra o Tondela e agora na capital do móvel.

Até aceito que se argumente que contra o Tondela havia na mesma a obrigação de ganhar, mas isso não apaga os erros de Bruno Esteves. Já nos outros dois jogos, arrisco a dizer que Xistra e Veríssimo deixaram bem claro que só uma equipa podia chegar à vitória e que não era o FC Porto.

E assim se foi também o segundo lugar. Parece que a Meo terá se se contentar com último lugar do pódio da Liga NOS, o FC Porto com a ideia de ir ao playoff da Liga dos Campeões e à ginástica financeira, enquanto que Benfica e Sporting têm já garantidos os milhões da prova milionária e com eles a garantia que a época 2016/2017 começara já viciada por antecipação.