17 de setembro de 2016

Uma atitude louvável


Fazer primeiro, falar depois. Não há coisa que cai pior no universo portista do que quando as acções não batem certo com as palavras, sejam elas de dirigentes, treinadores ou jogadores. Por isso mesmo é que fiquei especialmente agradado por ver a forma empenhada como Brahimi entrou em campo frente ao Copenhaga, mostrando vontade de lutar pela vitória nesse jogo e também por uma lugar numa equipa onde esteve todo o mercado de transferências com um pé fora. No fim do jogos as primeiras declarações da época: "estou no FC Porto a 200%".

Recorde-se que o internacional argelino foi dado como de saída do clube após a chegada de Nuno Espírito Santo. Os motivos eram simples: a atitude demonstrada pelo jogador nem sempre foi a melhor mas a qualidade estava lá, tornando-o numa boa oportunidade de uma SAD a precisar desesperadamente de dinheiro receber algum. O negócio não se realizou e o treinador ficou com um problema em mãos.

Nuno e Brahimi decidiram deixar o passado onde ele pertence e fizeram um pacto que caso seja cumprido todas as partes sairão a ganhar, em especial o FC Porto. O primeiro passo foi dado pelo treinador ao lançar o talento argelino para um jogo de grande importância, o camisola 8 fez o resto ao entrar em campo com uma atitude que há muito não se via nele e com vontade de ajudar os companheiros.

Se as coisas continuarem nestes termos Brahimi ganhará com naturalidade um lugar na equipa que procura desesperadamente alguém com capacidade de fazer sistematicamente a diferença no último terço. Teoricamente trata-se de um casamento perfeito e faço figas para que seja para durar.

15 de setembro de 2016

Carácter e qualidade

Escrevi a propósito das declarações de Aboubakar que muito do mal do FC Porto se deve a jogadores com falta de carácter. No entanto esse não é o único problema, por vezes é mesmo a falta de qualidade que salta à vista. Herrera não podia ser um exemplo mais flagrante.

O internacional mexicano é um dos habituais capitães, por isso quanto ao carácter estamos conversados. O problema reside única e exclusivamente na vertente futebolistica. Este já é a quarta temporada de Dragão ao peito mas as dificuldades apresentadas por Herrera são as mesmas desde o primeiro dia: falta qualidade técnica e rigor táctico e agressividade no momento defensivo. Se pelo menos as virtudes fossem suficientes para disfarçar as lacunas ainda dava para entender o facto de o camisola 16 ter tantos minutos jogados, mas nem isso.

Nuno Espírito Santo tem nove (!) médios no plantel, não consigo perceber nem aceitar por que motivo joga aquele que, na minha opinião, é o pior deles todos. O FC Porto não pode escolher entre o carácter e a qualidade, para jogar neste clube os jogadores têm de ter ambas as coisas ou então procurar outro lugar para seguir a carreira. Vejo um potencial enorme nesta equipa, por isso mesmo espero que não seja preciso Herrera lesionar-se, como aconteceu com Maxi, para que possa jogar outro jogador que dê mais garantias. Estou farto de ver titularidades por decreto no meu clube.

13 de setembro de 2016

Honestamente, fazes cá tanta falta como um violino num enterro


Aboubakar é um daqueles jogadores que não deixará saudades aos portistas. Dentro de campo nunca conseguiu mostrar nada que justificasse o valor que o clube pagou por ele e fora do recinto de jogo acabou por colocar uma pedra sobre quaisquer dúvidas que restassem ao afirmar que não quer voltar ao FC Porto.

O avançado camaronês é apenas um dos muitos jogadores que chegou à Invicta já com os olhos postos em outros campeonatos e que, paradigmaticamente, nunca mostrou vontade de ajudar o FC Porto a vencer. Infelizmente foram precisas três épocas para que os responsáveis azuis e brancos percebessem que não é com este tipo de gente, que só olha para o próprio umbigo, que se forma uma equipa vencedora e capaz de dignificar e lutar pelo emblema que trazem ao peito. E foi sob a bandeira de devolver o FC Porto às raízes que Nuno Espírito Santo assumiu o cargo de treinador.

Embora a época ainda vá curta, já é possível ver uma atitude diferente na equipa. Os jogadores entram em campo para vencer ou pelo menos para lutarem até ao fim para o fazer, algo que não se via num passado recente. Isso só é possível graças à saída do grupo de trabalho de alguns dos Aboubakares que nele gravitavam, o que por si só já faz o trabalho de Nuno Espírito Santo merecer avaliação positiva.

Quanto ao jogador em questão, espero que tenha uma longa carreira bem longe do Dragão.

12 de setembro de 2016

Titular indiscutível


Se olharmos para a temporada 2015/2016 é difícil destacar jogadores do FC Porto que tenham estado a um nível aceitável para um clube que aspira vencer títulos mas, sem ter de pensar muito, há dois nomes que merecem destaque: Danilo e Layún. E se o português começou a nova época como titular, o mexicano foi aproveitando minutos aqui e ali, o castigo de Alex Telles e mais recentemente a lesão de Maxi para mostrar que quer um lugar na equipa. E para mim não há dúvidas: o FC Porto beneficia com a titularidade de Layún e Nuno Espírito Santo tem nele um dos que merece o rótulo de titular absoluto.

Se há um ano atrás manifestei o meu desagrado com a contratação de Maxi Pereira - que entretanto pouco acrescentou ao clube a não ser a entrega que lhe é reconhecida mas já sem a protecção dos árbitros -, este ano fui apanhado de surpresa com a contratação de Alex Telles. Aqui não está em causa a qualidade do jogador, pois sabia de antemão que se tratava de uma mais-valia, mas sim o investimento que a SAD optou por fazer numa posição que aparentemente estava fechada com a aquisição definitiva de Layún e a promessa de Pinto da Costa em levar Rafa a fazer a pré-época. Com a inclusão de Varela no lote dos laterais começaram a haver opções em demasia e Nuno seguiu o caminho mais fácil: dispensar os jovens Víctor García e Rafa.

Se Varela se torna cada vez mais uma sombra daquilo que foi a cada dia que passa, correndo mesmo o risco de se tornar num peso morto para o clube, Layún não se deixou abater quando viu que a titularidade nas laterais defensivas foi entregue a Maxi e Alex. Muito pelo contrário! O mexicano arregaçou as mangas e começou a lutar com as mesmas armas que têm valido um lugar na equipa ao uruguaio ex-Benfica: atitude competitiva e vontade de dar tudo em campo. Se juntarmos isto à qualidade ofensiva que dá ao jogo da equipa e a capacidade de transformar lances de bola parada em jogadas de golo eminente nas balizas adversárias está explicado o porquê de Nuno Espírito Santo ter de manter o lateral mexicano na equipa.

Com Alex Telles intocável na esquerda, restam duas opções ao treinador portista: manter Layún na lateral direita - deixando Maxi de fora expondo assim ainda mais o mau investimento feito pelo clube - ou adiantar o mexicano no terreno, o que olhando aos sinais dados na pré-época e a este novo 4-4-2 não seria surpreendente. Certo é que o empenho/qualidade de Layún aliada á chegada de Óliver foi o suficiente para ameaçar a titularidade a Maxi, Herrera, Corona e André André e ainda dificultar o regresso de Brahimi. Que Nuno saiba escolher o que é melhor para a equipa.