28 de setembro de 2016

Pequenos grandes jogadores


Quem vê o FC Porto pela primeira vez não tem como reparar em dois jogadores: Óliver e Otávio. Quem acompanha os dragões semana após semana não tem como fugir à pergunta: estes dois treinam com os outros ou à parte? Seja qual for a resposta é inegável para todos que a bola é tratada de forma diferente, para melhor, quando chega aos pés de um deles.

Com os azuis e brancos a atravessar um período confuso e de falta de identidade é importante que Nuno comece a construir a equipa em torno deles, que além de terem a qualidade necessária para assumir o jogo têm também a coragem para o fazer. Um meio-campo com Otávio, Óliver e Danilo é mais do que suficiente para 95% dos jogos que o FC Porto tem de disputar e é nesses jogos que se ganham os campeonatos, não nos outros 5%.

Com a defesa já consolidada importa afinar o ataque o mais rápido possível e ao escrever isto imediatamente pensei em mais dois nomes: Corona e Brahimi. André Silva parece estar a perder parte do fulgor com que começou a temporada, mas a verdade é que não tem sido muito bem acompanhado ou servido.

Há quem pense que seria suicídio jogar com tantos jogadores de ataque (André Silva, Corona, Brahimi, Óliver e Otávio) em simultâneo, mas tudo depende do espírito competitivo imposto não só pelo treinador mas também pelos próprios. É preciso correr mais, fazer aquele esforço extra para chegar primeiro à bola ou para que esta não saia, ter mais vontade de vencer que o adversário. André Silva, Óliver e Otávio jogam assim, pode ser que com o tempo contagiem os companheiros.

27 de setembro de 2016

A importância de sofrer cedo


Tenho Nuno como sendo uma pessoa inteligente. E como pessoa inteligente que é, estou certo que já percebeu que esta equipa tem potencial. Prova disso mesma é a forma como acabou o jogo de hoje a sufocar por completo o campeão inglês. A minha primeira pergunta é esta: qual é o motivo para não se ter visto essa vontade mais cedo ou em alguns momentos de outros jogos?

O resultado. Penso que é essa a resposta correcta. Foi hoje contra o Leicester, foi em Alvalade, foi no Dragão frente ao Boavista, foi em Vila do Conde, a visita a Roma não foi excepção e muito menos a recepção ao Copenhaga. A única equipa que não ameaçou minimamente os azuis e brancos foi o Estoril porque teve a infelicidade de sofrer o golo tarde. O FC Porto de Nuno Espírito Santo é competente quando precisa de marcar golos mas é medíocre quando decide que tem de defender o resultado.

Neste momento o maior adversário dos Dragões é a mentalidade com que abordam os jogos. O jogo não começa apenas quando o adversário marca nem termina quando é o FC Porto a colocar-se em vantagem. Isto é algo que todos, jogadores e treinador, deviam escrever mil vezes num caderno para trabalho de casa. Mais importante que discutir opções duvidosas por parte de Nuno é que ele perceba que enquanto não jogar para ganhar, do primeiro ao último minuto ininterruptamente, não o vai fazer tantas vezes como queria e precisa. Bem pode trocar de sistema táctico e/ou meia equipa de um jogo para o outro que de pouco ou nada valerá.

Quando esta questão estiver esclarecida, aí discutiremos quais os motivos para que jogadores como Brahimi e Adrián vão alternando entre a titularidade e a bancada ou a teoria para que Diogo Jota seja lançado num jogo da Champions quando a equipa gritava "Depoitre" para quem estava a ver o jogo.